Todas as noites

observo as almas no céu

partindo de uma antiga vida.

Sempre.

Olho para o céu escuro

sempre me pergunto

se observamos a mesma lua.

Sempre me lembro

o que já sussurou para mim um dia

"-Quando voltar, estarei lá."

As pessoas vagam perto de nós

atravessam tua alma

tacham-me de louco.

Mas mesmo assim

não quero largar tua mão

deixar seu coração

pois sempre te amarei

Adeus.

Uma mão gelada

nesta noite tão fria

não posso deixa-la te levar.

Espere.

Sei bem que não quer ir

mas o trem da meia-noite

já está para partir.

E no meio de uma cidade fantasma

me condeno a toda eternidade

"-Seguir-te por toda noite."

Corri eternamente

desesperadamente

na esperança de te ver novamente.

Meu coração não suporta

esta ideia, esta tortura

desta tua ausência para todo sempre.

Aconteceu.

Me ajoelhei perante a lua

filetes ardentes escorrem dos meus olhos

seus sentimentos, agora eu posso compreender.

Faço qualquer coisa

sou capaz de qualquer coisa

perante esta tortura

o inferno é pouco para mim.

De milhões de seres

e almas neste mundo

tudo que eu quero é só você.

Deixe-me redimir

me flagelar incansávelmente

pela minha ignorância.

Me dê qualquer castigo

"-Mas não me abandone."

Sei que não mereço

mas esta tortura

sou capaz de qualquer coisa.

Abraço forte este corpo

sem vida e sem sentimento

por ti, qualquer coisa.

Me perdoe.

Notas finais
Duas pessoas.
Dois sentimentos distindo misturados.
Para melhor esconder algumas frustrações.