Sempre me vi presa a um cubo de cristal.

Sempre lembrei de estar presa a quatro faces de cristal.

Não me lembro a primeira e última vez,

que vi alguém pelo cubo de cristal.

O ar não é capaz de entrar,

o ar não é capaz de sair.

De pouco em pouco eu vou morrendo

me asfixiando dentro desde cubo de cristal.

Não há oxigênio

já não há mais.

Oxigênio, não há em meus pulmões.

Esta respiração

anaeróbica,

só existe a ausência de ar.

As minhas mãos

geladas e azuis

brancas e roxas

sem vida alguma.

Não há oxigênio circulando aqui.

Não há oxigênio em meus pulmões.

Não há oxigênio em meu cérebro.

Não há oxigênio em meu coração.

Não sou capaz de pensar,

não sou capaz de racionar.

Não há oxigênio em minha cabeça.

Não sou capaz de aquecer,

não sou capaz de sentir.

Não há sangue correndo em minhas veias.

Não deveria ser capaz de sofrer,

Não deveria ser capaz de amar.

Já que não existe um coração batendo aqui.

Sou eu um monstro?

Quem sabe um zumbi.

Morta zanzando aqui, presa no cubo de cristal.

Sou uma bactéria.

Sou um vírus sim.

Ansiando infectar, destruir os seres vivos por aqui.

Me deixe em paz por favor.

Já não sei, quanto tempo

estou sozinha aqui.

Não preciso de ninguém

morri aqui.

A muito tempo trás

vaga um corpo sem vida

tudo que tem vida aqui

é esta alma sofrida.

Não é capaz de amar,

não é capaz de sentir.

Na verdade pode sim

só tem medo de tentar.

O cubo de cristal

foi uma barreira

construida por este ser.

Tinha medo de sofrer.

Virou um monstro,

um vírus, uma bactéria

fazia mal para quem estava perto

nunca ligou.

Não pensava,

não sentia, nem respirava.

Sozinha sempre aqui

no cubo de cristal.

Não entendia,

se era assim que ela queria

por que doia ver as outras pessoas a brincar?

Não entendia,

se era assim que ela queria

por que almeajada, alguém para abraçar?

Não ia sentir

não ia entender

a barreira a sua volta, não ia ceder.

Era só um virus

uma bactéria

um mero zumbi

um corpo sem vida.

Não há oxigênio em meus pulmões.

Não há oxigênio em minha cabeça.

Meu coração já não é capaz de bater.

Nada faz sentido

mas não é nem por isso.

Antigamente tinha medo de sofrer.

Depois que virou um monstro não sabia o que fazer.

Agora era ela, a causa do sofrimento?

Não faz sentido, nesta cabecinha.

Não quero pensar nunca mais.

Não sentir nunca mais.

Meu coração não pode voltar a bater,

logo agora que já não posso compreender.

Não é minha culpa, eu sou assim.

Uma bactéria, um virus, um monstro deste jeito sim.

Me deixe em paz por favor.

Não tente quebrar o vidro do meu cubo de cristal.

Deixe-me agonizar em paz

nunca tive que pensar que faço mal a alguém.

Essa barreira invisível,

este cubo indestrutível.

Não arrebente

já não sei o que há comigo.

Quando foi que eu perdi

o controle dos meus inexistentes sentidos?

Me abandone.

Não vá por favor.

Estou confusa,

essa falta de ar

já não me deixa mais pensar.

Tudo que me lembro é a falta de ar,

o ar nao pode entrar

o ar não pode sair.

Olho em seus olhos

sou uma aberração.

Imagino quanto

odeio essa situação.

Juro que vou tentar mudar,

mas talvez não possua mais jeito

desde corpo sem vida

voltar a respirar.

Notas finais
Eu tava sonhando.
Acordei cantarolando, as cinco horas da manhã.
Cantarolando para não me lembrar dos gritos agonizando que eu dei, para alguém que eu não queria ver partir.
Ou algo assim.
Mas foi só um sonho, mas é legal escrever sobre isto também.