Pensamentos
10 Será Um Sonho??
Notas iniciais
"Vitória
Mais um ano sem a minha filha, sem a minha pequena, e a culpa por uma má escolha ainda dói muito. Estou na pequena igreja da cidade... o padre já sabe o meu ritual, e após rezar, me deixa só.
Gosto assim, se eu ficar quietinha nesse silêncio eu consigo ver a minha Milly, consigo ouvir sua risada, posso sentir seu olhar sobre mim, como queria ter voltado ao tempo e ter feito tudo, mas tudo diferente, mas isso é impossível.
Ouço passos, penso ser o padre e permaneço de olhos fechados. Uma mão toca a minha, é tão pequena e delicada... Devagar abro os olhos e por encanto ali está a minha menina com o seu sorriso encantador.. seus olhos cor de mel a me olhar, e me chama de "mamãe".
Não posso acreditar, será um sonho, se for não quero acordar, lágrimas já me enchem os olhos.
Minha mão ergue lentamente sobre o rosto dela, sem tocar, me pergunto será se posso? Acho que Milly lê meus pensamentos pois se joga em meus braços.
Fico sem reação por um segundo, pois o choque de a ter novamente em meus braços é grande, mas não o bastante e nem maior que a minha vontade de retribuir a esse abraço. A aperto o máximo que posso, peço perdão por a ter deixado. Entre lágrimas peço muitas e muitas vezes que me perdoe.
Em um momento ela se afasta de mim, toca em meu rosto, com sua mão pequenina seca uma ou outra lágrima e me diz "Te Amo Mamãe"... me dá um lindo sorriso e me beija a face, fecho os olhos para sentir o toque dela e ao abrir, não a vejo mais, sinto um aperto no peito, e dou vazão a dor.
Choro agora de desespero. Novamente ouço passos e esperançosa olho para trás, mas não é minha pequena, não sei quem é, só vejo um vulto alto demais para ser ela.
Sento novamente de frente ao altar, e mesmo não querendo continuo a chorar. Fecho os olhos, alguém senta ao meu lado e toca em minha mão, é um toque suave, um toque de apoio e de segurança, seguro a mão da pessoa estranha.
Tenho medo de abrir os olhos, mas mantenho a minha mão segurando aquela mão desconhecida, mas que por encanto me acalmou e já não choro mais, o pranto vai lentamente cessando.
Passado alguns instante em que ja estou mais calma resolvo ver quem é, e minha surpresa não podia ser maior em ver Emília Beraldini ali, parada a me observar com os olhos mais marejados que os meus. Não solto da sua mão, assim como ela não solta da minha e assim ficamos sem dizer uma palavra a outra."
Fale com o autor