Pelotão LV
1 Chapter I - Captured.
Notas iniciais
XOXO
O dia em Forks amanheceu como quase todo dia: nublado.
Eu simplesmente não sei porque vim pra cá. Acho que foi o primeiro lugar que pensei, graças aquele livro de vampiros que brilham e lobisomens totalmente depilados.
É, achei que aqui seria mais legal.
Me iludi.
Eu estava vestindo uma calça moletom, uma blusa regata, descalça e bebendo chá, quando alguém bate em minha porta. Atenta, deixo o chá em cima da mesa da cozinha e vou até a porta da sala. Abro-a e quase rio ao ver a figura a minha frente.
Um cara baixinho, cabelos castanhos escuros, um pouco de barba e olhos saltados, vestindo uma roupa aparentemente bem quente, mudava freneticamente o peso do corpo de uma perna para outra.
— A senhorita é Harmony Hooper? — ele pergunta, ansioso. Ele olhava a todo momento para os lados, atento. Osh.
— Só Skye. — o corrijo.
— Claro, senhorita! Mandaram te entregar isso! — ele quase taca o negócio em mim. Que no caso, era um papel. Uma carta.
— Tudo bem... obrigada... espera só eu ir... — eu ia dizendo, mas ele me interrompe, arregalando muito os olhos saltados e recuando.
— Desculpe, senhorita! Preciso ir! Passar bem! — ele acenou freneticamente, se afastando.
— Passa... — mas o carinha já tinha ido embora — tudo bem. — repeti, meio estática. Aquilo foi estranho.
Suspirando, girei o envelope totalmente vermelho em minhas mãos.
Li a única coisa que tinha escrito na parte de trás do envelope.
"Para: Harmony S. Hooper
De: Governo da Rússia"
— Ah, não. — gemi, frustrada. Aqueles caras descobriram sobre mim, também?! Eu não vou pro país deles! Pelo amor da Nossa Senhora do baixo létrico!
Fui pisando duro para dentro da cabana, onde rasguei furiosamente a carta em vermelho e taquei na lareira.
Fiquei um tempo olhando a carta se desfazer, de braços cruzados, entretida com o fogo. Tão lindo, calmante. Era difícil imaginar que algo tão belo poderia ser tão mortal. Acabei me perdendo em pensamentos inúteis, que não iriam acrescentar em nada à minha vida. Porém, não posso evitar. Pensar e observar coisas simples me faz sentir mais... normal.
Me obriguei a ir até meu pequeno quarto e começar a arrumar minhas malas. Era hora de partir novamente.
As vezes eu me pergunto se aquele inferno iria acabar um dia. Quer dizer, tudo acaba, mas a que custo? Os países já estão começando a se dar conta do que está acontecendo, do que eu sou capaz. Obviamente eles devem achar que sou uma arma para meu país.
Eu, Harmony, a filha de dois hippies totalmente pacíficos e malucos. Cara, acredite, eu definitivamente, sou da paz.
Mas, bom, provavelmente eles acham que vou virar uma super Exterminadora do Futuro versão hippie rockeira com a bandeira dos EUA estampada em um uniforme de super heróina.
Mas quem disse que eu faço o tipo patriota?
Eu só queria ter uma vida normal. Trabalhar, fazer uma faculdade, ter um namorado e amigos. Gostaria de ir ao cinema com um cara que poderia chamar de meu e apenas beija-lo por um hora no escuro, enquanto o filme rolava. Queria tanto ter amigas para falar sobre roupas e garotos, mesmo achando idiota falar sobre essas coisas. Amigos para ver jogos na TV e beber uma cerveja. Talvez meus pais para me orientarem e me darem broncas. Eu adoraria sentir o perfume da minha mãe novamente.
Quando vi, já estava chorando, com as mãos no rosto.
Droga de sentimentos.
Um barulho na minha janela me faz levantar o rosto e procurar a origem do som. Pensei ter visto uma parte de um fuzil por entre as árvores. Oi?
— Quem está ai? — grito. Me sinto envergonhada, já que minha voz sai meio sufocada, chorosa. Trato logo de limpar a garganta, respirar fundo e botar uma expressão malvada no rosto. Eu precisava sobreviver e para isso não podia ser fraca.
Andei lentamente pela casa, checando cada cômodo, me sentindo em um filme de terror. Eu detestava filmes de terror.
Por fim, só faltava a sala. Quando vi que estava tudo na mais perfeita paz, me joguei no sofá. E nessa hora a campainha tocou, me fazendo gelar. Meu Deus, eu juro que meu coração nunca bateu tão rápido em toda minha vida!
Me levantei e fui corajosamente até a porta, abrindo-a de uma só vez.
— Olá. — um homem super lindo me cumprimenta. Ele era alto, loiríssimo e fortão. Olhos tão azuis quanto os meus, só que muito, muito mais gentis e firmes. O estranho vestia um uniforme típico do exército, me fazendo deduzir o que aconteceria daqui a alguns minutos.
— Quem é você? O que quer aqui? — fui direta. Talvez um pouco grossa. O que poderia fazer? Estou em uma situação que não me permite ser educadinha com qualquer um.
— Eu sou Capitão Taylor Hanover, líder do pelotão LV... — ele ia dizendo, todo polido, mas eu o interrompo, impaciente.
— Tá, tá, um soldadinho, já entendi. — bufo, colocando uma mecha do cabelo para trás da orelha — O que 'cê 'tá fazendo aqui? Acho que está meio longe do seu habitat. Tipo, quarteis e campos de batalha.
Percebo que ele respira fundo, seu rosto ficando mais rígido. Oops, acho que estou tirando o soldadinho do sério.
— Eu vim busca-la. A senhorita vai me acompanhar até minha base, onde explicaremos toda a situação e lhe daremos opções de escolha. — disse, na maior cara de pau.
— Por que isso me soa como um sequestro e uma possível estadia em um laboratório de um cientista maluco? — falo, sarcástica.
— Nossos cientistas não são malucos, senhorita, disso pode ter certeza. — ele retruca, depois da um pequeno sorriso — mas já não tenho certeza da senhorita.
— Olha aqui, soldadinho...
— É Capitão.
— Tudo bem, oh Capitão Jack Sparrow oxigenado, — continuo — eu não vou para lugar nenhum que mandarem eu ir. Eu disse isso pra Rússia, China e Austrália. Sou um espírito livre, que não se prende a um lugar só, a um país, um continente. Eu não vou servir de fantochinho para nenhum país, tá me ouvindo bem? Eu não vou! Simplesmente me...
— A Rússia já sabe de você? — ele parece alarmado, mas eu não ligo. Cretino! Ele me interrompeu! Aquele cara estava me tirando do sério já.
— Você só ouviu isso de todo o meu discurso? Faça-me o favor e...
— Meu Deus, você fala demais! — ele reclama, entrando na minha casa sem ao menos ser convidado. E me interrompeu de novo.
— Ei! Seu mal educado, eu não lembro de ter te convidado para entrar. — falo, nervosa, indo atrás dele.
— E não convidou. Sinto muito por ser assim, mas a senhorita não colabora. — ele entra no meu quarto e vê minhas coisas arrumadas, assentindo para si mesmo e pegando minhas malas — que bom que já fez as malas. Adiantou muito. — completa, saindo rapidamente do meu quarto.
— O quê?! — berro, furiosa, o seguindo. Realmente furiosa. Aquele cara conseguiu me tirar da paz. De repente uma cadeira começou a pegar fogo.
Então o idiota viu o que tinha feito. Atiçado a fera mais perigosa existente: euzinha.
— Por favor, senhorita, mantenha a calma. — ele diz, serenamente. Agora o rabo tá entre as pernas, né?
— Ah... eu estou calma. Não queira me ver realmente brava, querido. — falo, com a voz mansa.
— Quer ver uma coisa linda? — pergunto, apontando para a cadeira em chamas.
— Não. — sussurrou.
— Que bom. — retruco, fazendo com que tudo que estivesse ao redor da cadeira pegasse fogo lentamente e assustando o soldadinho. Boa parte da sala agora estava em chamas. — o fogo é belíssimo não é mesmo? Acho que sou piromaniaca, sabe... Tenho mania de pÔr fogo nas coisas. Talvez comece a colocar em pessoas idiotas.
— Jesus. — o cara murmura, abismado. Ele me olha chocado, parecia que finalmente estava me vendo pela primeira vez. Talvez estivesse.
— Mal posso esperar pra te mostrar o que posso fazer com meu bastão de beisebol. — falo ameaçadoramente.
Ele olha bem no fundo dos meus olhos, relaxando cada vez mais a postura. Como se eu não fosse uma ameaça. Como se eu não pudesse mata-lo.
— Vamos embora, Harmony e tudo ficará bem. — diz, me surpreendendo. Eu sinceramente pensei que ele ia sair correndo. Chamar o resto do pessoal, que estava escondido pelo perímetro, apenas esperando um sinal. Sei lá, alguma outra coisa. Qualquer outra coisa!
— Nada nunca ficará bem para o mim, Capitão. — falo, sinceramente — agora, por favor, saia. Eu não quero te machucar, nem a ninguém.
— Nem nós queremos te machucar, Harmony. Mas você tem que vir comigo. Vou treina-la e ajuda-la. Todos do meu pelotão vão te receber muito bem, eu prometo. Corre um grande perigo aqui, com tantos países atrás de você. Deixe o seu país ajuda-la a se fortalecer e escolher o que realmente quer. — discursa. Por um momento, pensei em explodir aquela porra toda e ir pelos ares junto. Mas era hora de bater de frente, tomar uma decisão.
— Eu posso me cuidar sozinha, Capitão EUA. Mas obrigada pela tentativa. Quase me convenceu. — sorrio amargamente.
— Sinto muito, senhorita. Mas você vai por bem ou por mal. — diz, dando um passo à frente.
— Que seja. — resmungo, levantando as mãos, concentrada em atacar quem me atacasse.
— Agora! — o soldadinho diz.
Me preparo para vários soldados vindo com armas enormes para me matar, mas não vejo nada.
Levanto um sobrancelha, confusa. O que estava acontecendo?
Então a dor veio. Veio lentamente, distribuída. Nuca, perna, braço... pequenas agulhas perfurando minha pele, me fazendo abrir a boca de choque. Mas nenhum som saia.
Tirei algumas agulhas, mas outras surgiam. Tentei fazer algo de útil com minha telecinese, mas estava me esgotando.
Tudo começou a ficar embassado e uma tontura forte tomou conta de mim. Caí de joelhos no chão da minha pequena cabana, deixando uma lágrima escapar. Eu fui fraca.
— Eu realmente sinto muito. — ouço o Capitão sussurrar para mim, enquanto seca minha lágrima e me segura em seus braços bombados.
Enfim eles conseguiram. Vão me prender, me maltratar, tirar tudo o que eu tenho.
Já consigo sentir meu bem mais precioso escapar entre meus dedos.
Minha liberdade.
Notas finais
bejos :3
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