Pedindo Um pouco Mais
3 Castelo de areia
– Dr Chase, a doutora Cuddy está pedindo sua presença na sala dela.
– Obrigado, irei em 10 min.
Chase devolveu o telefone ao gancho e caminhou para o vestiário, precisava livrar-se das roupas sujas da última cirurgia, enquanto tentava despir-se dos problemas que o assombravam, Cameron não podia saber, não agora, dobrou a camisa branca, colocando- a sobre a roupa suja, abrindo o armárioencontrou as peças com que chegara ao hospital. Ela o ajudara a escolher, estava se esforçando tanto, ele reconhecia... esconder isso o estava matando por dentro, mas era preciso, por hora.
Trocou de roupa, abotoou a camisa rosa e passou a mão pelos loiros cabelos, ajeitando-os, abriu a torneira da pia deixando que a gélida água escorresse por entre os dedos, até criar coragem de encher as mãos e levá-las até o rosto, como se o ato pudesse despertá-lo do recente pesadelo.
Estava tudo resolvido, contudo a distância até a sala da Cuddy parecia maior a cada passo, quase hesitou em girar a maçaneta, por sorte ela já estava indo de encontro a ele e se encarregou do trabalho.
– Vamos Chase, entre.
Ela indicou com uma das mãos a cadeira vazia em frente a que ocuparia, a sala tão conhecida parecia menos aconchegante ele se acomodou na cadeira do modo que pode, a situação não era confortável, Cuddy interrompeu o silêncio:
– Não sei o que estão tramando, mas House pediu que você volte para a equipe, eu vou liberá-lo para que decida.
– Eu vou voltar, começo amanhã.
– Tem certeza que não quer pensar?
–Tenho, amanhã estarei na sala dele, sem atraso.
Ele queria acabar com aquele momento logo. Cuddy não podia imaginar o quanto ele tinha pensado, não era nenhuma decisão fácil e o fato dela pensar que era o irritava. Reaproximar sua amada daquele que ela amava num momento que ela tentava ser feliz, por vezes ele lhe arrancava sorrisos, deixava que ela cuidasse de suas coisas e até participava de um projeto de ajuda à crianças da África, bem agora esses malditos sintomas, por que?
Chase adentrou o E.R encontrou a cuidando de um garotinho, esperou observando atentamente aquele jeito meigo e carinhoso que o encantara, lamentando ter o tempo como atual fator limitante. Ela o avistou e sorriu, não daquele jeito que guardara para um único homem, mas com o jeito de quem trilhava com persistência um novo caminho, ela permitiu uma aproximação e colou os lábios aos dele, passaria a noite cobrindo uma folga, ele a abraçou, buscava forças para seguir o determinado... o acordo.. queria desculpar-se pela traição.
Cameron construía dia-a-dia seu castelo de areia, pedrinha pós pedrinha acentuavam a fragilidade de tudo que ocorria em sua vida. Ela estranhava o fato dos dias se sucederem sem piadas ou brincadeiras do House sobre o casamento, sentia falta de uma demonstração dele, qualquer reação.
Os dias no hospital traziam a única novidade o nome no crachá, o silêncio do doutor manco estava incomodando. Era quase uma tradição no seu intervalo de expediente passar no corredor da sala de vidro onde eram resolvidos os diagnóstico diferenciais para dar uma espiadinha. Não tinha como não sentir saudade do quebra-cabeça, nada parecia ter mudado, ele parecia continuar indiferente. Ela abaixava a cabeça e seguia no corredor.
Aquele dia foi diferente, ela chegou tarde ao hospital, cobrira uma folga no dia anterior estava cansada e partiu para o seu ritual de desesperança e se ela tivesse olhado apenas para aquele que escrevia no quadro branco e instigava os outros médicos não teria percebido que entre os outros médicos, estava alguém que não deveria. Uma tormenta parecia ameaçar seu instável castelo de areia....
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