Pedaços de mim
1 Tormento
Notas iniciais
Um sentimento lúdico se debate dentro de mim, ele é violento ao ponto de deixar marcas; cicatrizes, me pondo tatuagens infelizes e rebeldes, poderia se ler as mensagens para a sempre se fosse decifrável, o pior é que não se traduz tão facilmente, se sim, então eu sou muito idiota.
Ouço- o rugir ferozmente, tal qual como um animal nascido em cativeiro, maltratado desde a sua infância. Esqueçam-se as lágrimas, elas já não fazem mais sentido, se é que algum dia fez, não é fácil silencia-lo, sentencia-lo para sofrer, desafia-lo mais uma vez, o autor da voz que me rompe os tímpanos pode ser cego, mas não mudo. Eu não consigo rir sem me lembrar, sem saber, me recordo de muitas coisas de uma coisa só, ás vezes me pergunto idiotamente de onde vem sua força.
Você já viu um leão? De verdade? De perto? Se me responder sim ou não, pra mim tanto faz, por que eu nunca vi. Ás vezes eu acho que esse maldito animal já nasceu comigo, devem ter me dado pra comer um filhote felino quando eu era bebê, e por si só, grudou-se ao meu DNA, em vez de pericárdio, meu coração é feito de couro de leão, ele cresceu e tomou vida própria no meu inconsciente, e pra se vingar machuca meu coração com as suas garras afiadas.
Não estou afirmado com todas as certezas do mundo que o animal enjaulado dentro de mim seja um leão, ele pode ser rei da floresta, mas não o meu, ele não pode me obrigar a seguir sua leis, eu não posso concedê-lo a me cegar também. Eu rio, rio histericamente do seu desejo idiota! Animal bestial que me faz sentir tão bem e tão mal.
Progressivamente ele começa a se debater mais forte dentro de mim, cada vez mais violento; cada vez mais sedento; mais faminto... por carne... Não!
Eu acredito que meus amigos já notaram, eles me disseram que eu estava um pouco diferente. Não! Isto não pode está acontecendo comigo... Que animal peçonhento é esse? Que me lança o veneno, e aos poucos vai me atordoando, me deixando tonto, fazendo efeito... Ele quer sair dentro mim, mas não quero deixa-lo, por favor! Pare! Pare... E me parece que ele está conseguindo me vencer, eu quero rir agora, mas vou parecer um idiota, se é que já não sou... Acho que vou morrer... E antes que você leão com presas venenosas se liberte através de mim... Me diga seu nome!... Acho que mereço saber... E no meu primeiro suspiro eterno... Ele responde... O seu nome é audacioso... Mortal... Ordinário... Recíproco...
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