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8 Capitulo 8
–Você disse que não iria fugir de mim, porque faz isso? –Ele me olhou.
–Eu não sei. – Ele chegou mais perto e me deu um beijo, as coisas começaram a esquentar, quando percebi já estava deitava no sofá sem minha camisa, foi quando ouvi um barulho na porta. –Alex, para. –Ele se afastou de mim sem entender nada. –Tem alguém aqui.
Levantei-me e caminhei até a porta, ele veio logo atrás de mim. A porta estava aberta, me virei e consegui ver quem estava lá, Sarah.
–Alexandre? Camila? –Ela falou se afastando ao me ver.
–Eu posso explicar. Eu juro. –Peguei minha camisa e me vesti correndo enquanto Sarah sentava no outro sofá me olhando com um cara de quem havia perdido o namorado para a melhor amiga. –Bem, Alex, essa é Sarah e Sarah, você já conhece ele.
–Alexandre, você não se lembra de mim? –Ela se levantou e se abaixou na frente dele.
–Não, eu não me lembro de te conhecer nem de ter feito isso. –Ele apontou para a barriga dela.
–Como você não lembra? E tudo que a gente passou? –Ela estava chorando.
–Calma Sarah, se senta. –A peguei pelos braços e fiz ela sentar no outro sofá. –Chorar não vai ajudar em nada.
–E ficar se agarrando com ele no sofá vai ajudar em alguma coisa? Eu acho que não. –Ela gritou.
–Olha como você fala! –Gritei de volta.
–Parem vocês duas, eu não sou o pai dessa criança, não tem como eu ter engravidado essa menina sendo que eu nem a conheço. Se você quer dizer, desculpa, mas eu não sou rico.
–Sarah, se você está mentindo é melhor dizer agora. –Olhei para ela.
–Mentindo? Claro que eu não estou mentindo, porque eu mentiria que estou grávida dele? –Ela se levantou. – Se ele não quer aceitar essa criança, desculpa, mas eu vou ser obrigada a recorrer a outros meios. –Ela saiu apressada.
–Espera! –Me levantei e sai correndo atrás dela, Alex veio também. –Sarah, espera! Você vai se machucar assim!- Ela corria pela rua e eu tentava alcança-la. –Sarah!
–Me deixa em paz! Eu fui para a sua casa pensando que você me ajudaria a resolver meu problema, pensei que nós poderíamos ser amigas enquanto você estava se agarrando com ele no sofá! Você não pensou em mim antes de fazer isso? Vadia! –Ela estava chorando.
–Eu não tenho culpa se isso aconteceu! Eu gosto dele e ele de mim, acabou acontecendo. –Cheguei mais perto e ela se afastou.
–Não acredito em você, não acredito nele e nem em você! –Ela correu.
–Sarah, espera você vai sofrer um acidente se continuar correndo desse jeito. Acalma-se e vamos resolver isso! –A peguei pelo braço.
–Eu não quero resolver nada! Pra mim já chega! –Ela se soltou e foi para o meio da rua que estava movimentada. Ela abriu os braços e ficou parada ali, no meio da rua, esperando que algum motorista distraído a atropelasse. Sai correndo atrás dela e a puxei pelo braço para a calçada
–Qual o seu problema? Quer se matar agora? –Gritei.
–Melhor do que ver a pessoa que eu gosto me abandonando com uma criança para cuidar. Melhor do que ver ele se agarrando com uma mulher como você! –Ela me empurrou e eu cai no meio da rua. Estava me levantando quando um carro veio em minha direção, por sorte Alex conseguiu me puxar antes que alguma coisa acontecesse.
–Tudo bem com você? –Ele perguntou limpando meu braço.
–Sim, mas acho que Sarah não está. Ela me empurrou e saiu correndo, você viu para onde ela foi? –Perguntei me limpando.
–Não, eu te alcancei agora pouco, ela corre muito rápido pra uma mulher grávida.
–Estranho, ela corre muito rápido mesmo e ela não sentiu nem um tipo de dor. –Passei a mão na cabeça. –E se tudo fosse uma farsa? Por isso ela fugiu. Precisamos encontra-la. –Sai correndo a procura dela.
–Espera, nossa, você corre demais. –Ele reclamou.
Eu já havia corrido muito, estava cansada e ainda não havia encontrado Sarah. Parei um pouco para descansar, foi quando vi uma mulher com as mesmas roupas que a Sarah estava. Corri em sua direção o mais rápido que pude.
–Porque você fugiu? –Gritei. Ela se virou com um expressão de quem havia aprontado algo e estava ocorrendo tudo conforme o planejado. Olhei para baixo e ela estava sem a barriga de grávida.
–Era tudo uma farsa. –Ela sorriu.
–Porque você fez isso? –Perguntei confusa.
–Isso você vai descobrir já, já. –Ela sorriu. Senti que havia alguém atrás de mim, me virei e havia dois homens com mascaras pretas e um saco plástico enorme. Eles colocaram uma espécie de pano no meu rosto e eu apaguei.
Acordei em um lugar totalmente escuro, havia somente uma luz focada em mim, meus olhos estavam ardendo e minha boca estava seca.
–Que lugar é esse? Quem me trouxe aqui? Sarah? –Gritei tentando me soltar de onde haviam me prendido. –Socorro! Alguém me ajuda! –Gritei mais alto.
–Ninguém vai te escutar aqui, bobinha. –Sarah apareceu e se sentou em uma cadeira que havia na minha frente sorrindo sarcasticamente.
–Quem você realmente é? O que você quer comigo? –Gritei e puxei as cordas que me prendiam machucando o meu pulso.
–Não tente isso queria, vai acabar se machucando. –Ela riu. –Bom, digamos que você tirou uma coisa de mim e agora eu vou tirar você desse mundo. –Ela se levantou.
–O que? Eu nem te conhecia antes de tudo isso! –Falei.
–Não conhecia, tem certeza? Ah, sim, você só conhecia o meu namorado, aquele que você matou! –Ela gritou nos meus ouvidos.
–Desculpa, mas eu já matei muita gente, não sei qual deles era seu namoradinho. –Eu ri.
–Meu namorado se chamada Matheus, provavelmente ele estava procurando prostitutas por ai quando você o encontrou e o matou. –Ela se sentou. –Nós íamos ter um filho e você o matou, quando eu soube que ele havia morrido fiquei muito abalada, completamente abalada e acabei perdendo o bebê. E a culpa foi sua! –Ela gritou.
–Agora você vai me matar? Vai em frente, faça isso. –Gritei.
–Não gata, eu irei te torturar primeiro. –Ela riu e pegou uma faca. –Vou te mostrar a dor que ele sentiu quando você o apunhalou. –Ela veio com a faca na minha direção. Ela só não contava com uma coisa: Eu sou boa em distrair pessoas quando preciso. Enquanto ela contava tudo eu ia desamarrando a corda que estava na minha mão.
Ela estava prestes a me dar uma facada quando me soltei e a empurrei, fazendo com que a faca caísse no chão e eu a pegasse com facilidade. Agora era eu contra ela, cara a cara. Ela se levantou e veio em minha direção.
Puxou meu cabelo e tentou me derrubar, mas todo mundo sabe que não se pode lutar contra um assassino. Puxei os cabelos dela e peguei a faca, olhei nos olhos delas, ela estava com medo.
–Eu não vou te matar, não agora. –Passei a faca pelo seu rosto e olhei nos olhos dela. –Agora sim é a hora. –Sorri e cravei a faca em sua barriga, fazendo com que sangue escorresse pela sua boca. Aquela sensação era boa, ver o sangue escorrendo pelas minhas mãos novamente, percebi que estava começando a ficar alterada e comecei a pensar em uma maneira de sair daquele lugar.
Achei uma porta, mas estava trancada, andei por toda a sala a procura de algum tipo de grampo, mas não encontrei, então precisei chuta-la até abrir. Quando consegui abrir sai correndo o mais rápido que consegui. Precisava sai daquele lugar antes que mais alguém aparecesse. Para meu azar aquele lugar era bem distante da cidade. Caminhei por mais de horas, estava com sede, com fome e meu corpo estava doendo, foi quando avistei os primeiros indícios de que estava perto da cidade, havia uma espécie de ponto de taxis e uma lanchonete.
Entrei em um dos taxis e pedi para que me levasse para a cidade, o motorista era gigante, era forte e gordo, um típico caipira com bigode e barba longa e provavelmente não tinha licença para dirigir, mas a essa altura nada importava, eu só queria chegar em casa e ver todos novamente.
–Camila, o que aconteceu? –Nicole veio correndo em minha direção percebendo que eu estava completamente acabada.
–Mila! –Alex veio me abraçar, mas me olhou feio quando percebeu o sangue em minhas mãos. –Você fez de novo? –Ele perguntou me olhando.
–A Sarah, ela não estava grávida. Ela fez tudo isso para me enganar e me sequestrar, ela tentou me matar, me matar! –Disse chorando, na verdade, eu não tu não tinha forças nem para chorar.
–Vem, vamos até o banheiro para você tomar um banho e descansar, depois você explica tudo isso com calma. –Nicole me segurou e me levou até o banheiro, onde eu tomei banho e fui para o quarto. Alex ficou lá comigo por alguns minutos até eu pegar no sono.
–Você acha que ela vai ficar bem? Você acha que ela matou a Sarah? –Alex perguntou preocupado.
–Eu não duvido que ela tenha feito alguma coisa com aquela menina. Ela se descontrola muito fácil. Você mesmo já quase foi morto por ela. Não entendo porque você continua aqui, você já viu o que acontece quando ela se descontrola. –Nicole disse abrindo a porta para que ele fosse.
–Eu sei que ela pode melhorar, mas ela precisa de ajuda, precisa de uma ajuda urgente. –Ele saiu.
–Boa sorte em tentar. –Ele foi embora e ela fechou a porta e pegou o celular. –Tudo saiu como o planejado, vamos para a outra parte do plano.
Na outra manhã eu já estava melhor, tomei um banho e fui para a cozinha olhar a Nicole cozinhar.
–Você deveria aprender a cozinhar, sabia? –Ela se virou e deixou o prato em cima da bancada.
–Eu sei cozinhar. –Respondi trazendo o prato até mim.
–Você só sabe fazer pipoca. –Ela riu.
–Fazer pipoca é uma arte que só é dominada pelos mais fortes, no caso eu. –Eu ri. Levantei-me e fui assistir tv, estava passando a noticia de que o convento já iria ser reaberto, isso quer dizer que provavelmente eu teria que voltar para lá. Por mim aquele lugar poderia ser queimado pelo diabo porque aquele lugar é o inferno. Lembrei que era aniversário do Gustavo, lembrei também que deveria estar na casa dele jogando ovos e o desejando feliz aniversário.
Levantei-me correndo, vesti a primeira roupa que vi, arrumei o cabelo e sai correndo para a casa do Gustavo. Toquei a campainha e a mãe dele abriu a porta e me disse que ele ainda estava dormindo, pensei: “quem diabos dorme até tarde no seu próprio aniversário sabendo que viram lhe dar os parabéns”. A mãe dele me levou até o quarto dele, pedi a ela que me deixasse acorda-lo.
Fechei a porta do quarto e sentei na ponta da cama tentando bolar um plano para acorda-lo. Até que avistei uma espécie de apito em cima de uma mesinha que havia ali, me levantei com cuidado e peguei o apito, fui chegando perto e mais perto e apitei no ouvido dele. Ele praticamente pulou da cama e em segundos já estava do outro lado do quarto gritando.
–Mãe, quem deixou essa louca entrar aqui? Ela me acordou! –Ele gritava e eu não conseguia parar de rir.
–Te peguei! –Eu ri.
–Você vai ver, vagabunda. –Ele me olhou bravo.
–Parabéns! Vem cá. –Caminhei em direção a ele com os braços abertos.
–Não quero abraço de vagabundas com apitos. –Ele riu.
–Para de drama, vem cá. –O abracei apertado. –Vai ter festa ou alguma coisa do tipo?
–Eu convidei alguns amigos além de você. –Ele se sentou na cama.
–Hm, e a que horas vai ser? –Perguntei me sentando ao seu lado.
–Começa lá pelas 21h e termina só depois de amanhecer-Ele riu.
–E quem vai vir?-Perguntei.
–Venha e descubra querida. –Ele riu entrando para o banheiro.
Voltei para casa e fui escolher alguma roupa decente para uma festa, achei uma camisa bonitinha e minha saia preferida, fui para o banho e me arrumei. Já estava quase na hora da festa começar quando o Alex veio me buscar para irmos, ele trouxe uma menina, ela era só alguns centímetros menor que eu. Entramos no carro e fomos.
Chegando lá não pude deixar de lembrar do “somente alguns amigos” que o Gu havia dito mais cedo, a festa estava cheia, havia muita gente mesmo. A musica estava alta, pessoas gritando, pessoas em cima das outras, um verdadeiro caus. Saímos a procura do Gustavo, o encontramos em um quarto comendo alguma coisa verde.
–Gustavo, quero que você conheça a Ângela, Ângela esse é o Gustavo. –Alex os apresentou.
–Hm, então essa é a garota que você disse que ia trazer, até que não é feia. –Ele riu.
–Então... Está gostando do seu aniversário? -Fiz a pergunta mais idiota do mundo apenas para evitar assuntos relacionados aquela garota feia que o Alex havia trazido com ele a festa.
–Sim. –Ele respondeu percebendo que eu estava incomodada com aquela vadia na sala. –Ângela, então, vamos dar uma volta? –Ele se virou e olhou para mim.
–Tudo bem para você Alex? –Ela perguntou chegando perto dele. A saia dela era tão curta que eu conseguia ver seu útero. Revirei os olhos e desviei o olhar. –Eu acho que não, melhor eu ficar. –Ela me olhou.
–Tudo bem, eu vou. –Gustavo falou saindo do quarto. Pensei em cavar a cova dele exatamente naquele quarto. Eu não conseguia olhar para aquela menina, ela estava me provocando.
–Alex, poderia me apresentar essa menina? –Ela apontou para mim.
–Bem, essa é a Camila. Ela é uma amiga. –Ela veio em minha direção e eu me afastei.
–Ela parece bastante estressadinha. –Ela riu. Eu estava me segurando para não voar no pescoço daquela vagabunda. Sentei-me no sofá que havia ali e ela sentou do meu lado. –Você gosta dele? Que peninha. –Ela riu.
“Uma pena seria seu sangue de vagabunda escorrendo e estragando esse tapete lindo”, isso foi exatamente o que eu pensei, mas eu tinha que parecer uma pessoa civilizada e me controlar.
–Eu acho que não é da sua conta. –Respondi olhando para ela. – A única coisa que é da conta de vagabundas é quanto os clientes vão pagar pela noite.
–Disso você deve entender muito, né querida? –Ela sorriu.
–Eu não, mas você provavelmente sim. –Eu conseguia ver a raiva nos olhos dela, ela sabia que estava perdendo e que apenas uma discussão não iria me irritar o bastante para eu partir para cima dela. Então ela se levantou e foi em direção ao Alex e o agarrou. Eu senti meu sangue ferver, eu estava pronta para decapitar aquela garota.
Levantei-me do sofá e caminhei até ela, peguei seus cabelos e fiz ela olhar nos meus olhos.
–Olha aqui vadia, você sabe com quem está brincando? Sabe quantas pessoas eu já matei apenas com uma mão? Melhor você tomar cuidado, tenho certeza que a minha próxima vitima será você. –A soltei com tanta força que ela caiu no chão, me virei e sai daquele quarto. Alex veio atrás de mim correndo.
–Mila, porque fez aquilo? –Ele me puxou pelo braço.
–Vai lá, sua “amiga” precisa da sua ajuda, aposto que quebrei pelo menos um dedo dela. –Sorri.
–Você tá com ciúmes? –Ele me olhou rindo.
–Ciúmes? Não sinto essas coisas, afinal, você disse que eu sou só uma amiga. –Puxei meu braço para que ele largasse.
–Você não me pediu em namoro. –Ele riu.
–Não acho que seja eu que tenha que tomar a iniciativa. –Me virei de costas e sai andando.
Encontrei Gustavo no meio da festa, ele parecia meio bêbado e estava dançando como um louco. Decidi sair dali, já tinha visto o bastante por hoje. As ruas estavam totalmente desertas, parecia que todo mundo estava naquela festa. De repente senti que havia alguém atrás de mim, olhei para trás e levei um susto, era a Ângela e mais duas amigas.
–Agora você vai ver. –Ela falou chegando mais perto.
–Pode vir, não tenho medo de vocês três. –Falei de frente para elas.
–Nós vamos acabar com você e depois eu vou pra cama com o seu amiguinho. –Ela riu e as outras riram junto.
–Pode ir, é isso que as vadias fazem. – Elas vieram para cima de mim, eram três contra uma, parecia injusto, mas não para mim. Eu já havia matado pessoas, o que eu poderia fazer com três gordas bêbadas? Uma me acertou um soco no rosto e a outra no braço. –Vocês tem mira ruim hein? –Eu ri passando a mão no rosto e olhando para elas. –Vocês são boas, mas eu sou a Camila. – Empurrei uma das três que caiu com a cabeça na calçada e apagou, a outra veio pra cima de mim em seguida, mas consegui derruba-la com um chute no estômago. Agora era a vez da Ângela, ela correu em minha direção, eu não sabia se ria porque ela corria igual àqueles personagens do Naruto ou se chorava porque teria que bater em mais uma.
Ela me pegou pelo braço e me derrubou, ela era realmente forte, mais forte do que eu pensei, mas antes que ela conseguisse me dar o primeiro golpe eu ouço a voz do Alex a mandando parar.
–Ângela, o que vocês estão fazendo?! – Ele me ajudou a levantar. Apoiei-me nele, minha perna estava machucada. –Você está bem Mila? –Ele perguntou. Apenas respondi com um sim com a cabeça.
–Você pergunta se ela está bem? E eu? Ela machucou minhas amigas e ia me machucar! –Ela gritou.
–Pelo o que eu vi você estava em cima dela, não se faça de vitima. –Ele passou meu braço em volta do pescoço dele para que eu conseguisse andar.
–Qual o seu problema? Achei que você gostasse de mim. Larga ela e vem me ajudar! –Ela gritava enquanto o Alex me tirava dali. Apoiei-me em um muro que havia ali perto e respirei fundo, minha perna doida muito.
–Agora você já pode ir embora, eu consigo me virar. –Disse tentando andar.
–Não, você não consegue. Deixe eu te ajudar. –Me apoiei nele e nós andamos até a casa dele que era a mais perto dali. Entramos e eu sentei no sofá.
–Eu acho que quebrei ou torci. –Gemi de dor.
–Preciso te levar ao hospital para arrumar isso. Pode piorar. – Ele disse trazendo um pouco de gelo.
–Não, que só quero ir pra casa, lá a Nicole vai saber o que fazer. –Falei colocando gelo na perna.
–Más noticias, não temos como sair daqui sem um carro, minha mãe saiu e você não tem condições de sair desse sofá e já esta muito tarde. –Ele se sentou do meu lado.
–Então eu vou me deitar aqui no sofá e você vai me trazer pipoca. –Eu ri, mesmo que estivesse doendo pra caramba.
–Ok, eu vou fazer a pipoca. –Ele se levantou, mas eu segurei a mão dele.
–Esquece a parte da pipoca e me traz um cobertor, obrigada.
–Acho melhor você ir para a minha cama, lá é mais confortável e posso apoiar sua perna em alguma coisa. –Ele disse.
–Se você conseguir me pegar no colo. –Eu ri.
–Você não parece ser pesada. –Ele disse me levantando.
–E não sou mesmo. –Eu ri. Ele me levou até a cama e eu me deitei lá, a dor estava passando, mas ainda doía muito. Ele se deitou ao meu lado e ficou lá caso eu precisasse de alguma coisa. –Você não precisa ficar aqui. Falei tentando me sentar.
–Preciso sim, agora deita e vai descansar, amanhã quando minha mãe voltar nós vamos te levar ao hospital pra eles cuidarem disso ai. –Ele fez eu me deitar novamente e se deitou ao meu lado. Aquela foi a pior noite da minha vida, as minhas costas naquelas camas duras do convento doíam menos que minha perna naquele momento.
No outro dia fomos bem cedo para o hospital, eles examinaram e constataram que eu havia apenas torcido e que tudo isso aconteceu por aquela gorda ter esmagado minha perna.
“Eu juro que mato aquela gorda”. –Pensei. Alex me levou até a minha casa onde Nicole me recebeu desesperada, queria saber tudo o que havia acontecido, queria saber todos os detalhes e o porquê de tudo aquilo. Eu expliquei somente algumas coisas, não queria que ela soubesse de tudo, era vergonhoso brigar por aquele motivo e mais vergonhoso brigar com uma gorda cheia de estria.
Subi para o quarto e fechei a porta, quando olhei para o espelho levei um susto, havia alguma coisa escrita de batom vermelho: Gostou da Ângela? Parece que ela não gostou de você. “Ah, sim, aquele plano dos seus ossos na privada ainda está de pé.” Me sentei na cama, minha respiração estava acelerada, assim como meus batimentos, gritei para a Nicole vir para o quarto, mas ela não me respondeu, sai mancando e não a encontrei em casa, apenas um bilhete em cima da mesa da cozinha que dizia: “Ela saiu e talvez nunca volte, a não ser que você a encontre”.
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