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9 Capitulo 9


Na outra manhã eu já estava melhor, tomei um banho e fui para a cozinha olhar a Nicole cozinhar.

–Você deveria aprender a cozinhar, sabia? –Ela se virou e deixou o prato em cima da bancada.

–Eu sei cozinhar. –Respondi trazendo o prato até mim.

–Você só sabe fazer pipoca. –Ela riu.

–Fazer pipoca é uma arte que só é dominada pelos mais fortes, no caso eu. –Eu ri. Levantei-me e fui assistir tv, estava passando a noticia de que o convento já iria ser reaberto, isso quer dizer que provavelmente eu teria que voltar para lá. Por mim aquele lugar poderia ser queimado pelo diabo porque aquele lugar é o inferno. Lembrei que era aniversário do Gustavo, lembrei também que deveria estar na casa dele jogando ovos e o desejando feliz aniversário.

Levantei-me correndo, vesti a primeira roupa que vi, arrumei o cabelo e sai correndo para a casa do Gustavo. Toquei a campainha e a mãe dele abriu a porta e me disse que ele ainda estava dormindo, pensei: “quem diabos dorme até tarde no seu próprio aniversário sabendo que viram lhe dar os parabéns”. A mãe dele me levou até o quarto dele, pedi a ela que me deixasse acorda-lo.

Fechei a porta do quarto e sentei na ponta da cama tentando bolar um plano para acorda-lo. Até que avistei uma espécie de apito em cima de uma mesinha que havia ali, me levantei com cuidado e peguei o apito, fui chegando perto e mais perto e apitei no ouvido dele. Ele praticamente pulou da cama e em segundos já estava do outro lado do quarto gritando.

–Mãe, quem deixou essa louca entrar aqui? Ela me acordou! –Ele gritava e eu não conseguia parar de rir.

–Te peguei! –Eu ri.

–Você vai ver, vagabunda. –Ele me olhou bravo.

–Parabéns! Vem cá. –Caminhei em direção a ele com os braços abertos.

–Não quero abraço de vagabundas com apitos. –Ele riu.

–Para de drama, vem cá. –O abracei apertado. –Vai ter festa ou alguma coisa do tipo?

–Eu convidei alguns amigos além de você. –Ele se sentou na cama.

–Hm, e a que horas vai ser? –Perguntei me sentando ao seu lado.

–Começa lá pelas 21h e termina só depois de amanhecer-Ele riu.

–E quem vai vir?-Perguntei.

–Venha e descubra querida. –Ele riu entrando para o banheiro.

Voltei para casa e fui escolher alguma roupa decente para uma festa, achei uma camisa bonitinha e minha saia preferida, fui para o banho e me arrumei. Já estava quase na hora da festa começar quando o Alex veio me buscar para irmos, ele trouxe uma menina, ela era só alguns centímetros menor que eu. Entramos no carro e fomos.

Chegando lá não pude deixar de lembrar do “somente alguns amigos” que o Gu havia dito mais cedo, a festa estava cheia, havia muita gente mesmo. A musica estava alta, pessoas gritando, pessoas em cima das outras, um verdadeiro caus. Saímos a procura do Gustavo, o encontramos em um quarto comendo alguma coisa verde.

–Gustavo, quero que você conheça a Ângela, Ângela esse é o Gustavo. –Alex os apresentou.

–Hm, então essa é a garota que você disse que ia trazer, até que não é feia. –Ele riu.

–Então... Está gostando do seu aniversário? -Fiz a pergunta mais idiota do mundo apenas para evitar assuntos relacionados aquela garota feia que o Alex havia trazido com ele a festa.

–Sim. –Ele respondeu percebendo que eu estava incomodada com aquela vadia na sala. –Ângela, então, vamos dar uma volta? –Ele se virou e olhou para mim.

–Tudo bem para você Alex? –Ela perguntou chegando perto dele. A saia dela era tão curta que eu conseguia ver seu útero. Revirei os olhos e desviei o olhar. –Eu acho que não, melhor eu ficar. –Ela me olhou.

–Tudo bem, eu vou. –Gustavo falou saindo do quarto. Pensei em cavar a cova dele exatamente naquele quarto. Eu não conseguia olhar para aquela menina, ela estava me provocando.

–Alex, poderia me apresentar essa menina? –Ela apontou para mim.

–Bem, essa é a Camila. Ela é uma amiga. –Ela veio em minha direção e eu me afastei.

–Ela parece bastante estressadinha. –Ela riu. Eu estava me segurando para não voar no pescoço daquela vagabunda. Sentei-me no sofá que havia ali e ela sentou do meu lado. –Você gosta dele? Que peninha. –Ela riu.

“Uma pena seria seu sangue de vagabunda escorrendo e estragando esse tapete lindo”, isso foi exatamente o que eu pensei, mas eu tinha que parecer uma pessoa civilizada e me controlar.

–Eu acho que não é da sua conta. –Respondi olhando para ela. – A única coisa que é da conta de vagabundas é quanto os clientes vão pagar pela noite.

–Disso você deve entender muito, né querida? –Ela sorriu.

–Eu não, mas você provavelmente sim. –Eu conseguia ver a raiva nos olhos dela, ela sabia que estava perdendo e que apenas uma discussão não iria me irritar o bastante para eu partir para cima dela. Então ela se levantou e foi em direção ao Alex e o agarrou. Eu senti meu sangue ferver, eu estava pronta para decapitar aquela garota.

Levantei-me do sofá e caminhei até ela, peguei seus cabelos e fiz ela olhar nos meus olhos.

–Olha aqui vadia, você sabe com quem está brincando? Sabe quantas pessoas eu já matei apenas com uma mão? Melhor você tomar cuidado, tenho certeza que a minha próxima vitima será você. –A soltei com tanta força que ela caiu no chão, me virei e sai daquele quarto. Alex veio atrás de mim correndo.

–Mila, porque fez aquilo? –Ele me puxou pelo braço.

–Vai lá, sua “amiga” precisa da sua ajuda, aposto que quebrei pelo menos um dedo dela. –Sorri.

–Você tá com ciúmes? –Ele me olhou rindo.

–Ciúmes? Não sinto essas coisas, afinal, você disse que eu sou só uma amiga. –Puxei meu braço para que ele largasse.

–Você não me pediu em namoro. –Ele riu.

–Não acho que seja eu que tenha que tomar a iniciativa. –Me virei de costas e sai andando.

Encontrei Gustavo no meio da festa, ele parecia meio bêbado e estava dançando como um louco. Decidi sair dali, já tinha visto o bastante por hoje. As ruas estavam totalmente desertas, parecia que todo mundo estava naquela festa. De repente senti que havia alguém atrás de mim, olhei para trás e levei um susto, era a Ângela e mais duas amigas.

–Agora você vai ver. –Ela falou chegando mais perto.

–Pode vir, não tenho medo de vocês três. –Falei de frente para elas.

–Nós vamos acabar com você e depois eu vou pra cama com o seu amiguinho. –Ela riu e as outras riram junto.

–Pode ir, é isso que as vadias fazem. – Elas vieram para cima de mim, eram três contra uma, parecia injusto, mas não para mim. Eu já havia matado pessoas, o que eu poderia fazer com três gordas bêbadas? Uma me acertou um soco no rosto e a outra no braço. –Vocês tem mira ruim hein? –Eu ri passando a mão no rosto e olhando para elas. –Vocês são boas, mas eu sou a Camila. – Empurrei uma das três que caiu com a cabeça na calçada e apagou, a outra veio pra cima de mim em seguida, mas consegui derruba-la com um chute no estômago. Agora era a vez da Ângela, ela correu em minha direção, eu não sabia se ria porque ela corria igual àqueles personagens do Naruto ou se chorava porque teria que bater em mais uma.

Ela me pegou pelo braço e me derrubou, ela era realmente forte, mais forte do que eu pensei, mas antes que ela conseguisse me dar o primeiro golpe eu ouço a voz do Alex a mandando parar.

–Ângela, o que vocês estão fazendo?! – Ele me ajudou a levantar. Apoiei-me nele, minha perna estava machucada. –Você está bem Mila? –Ele perguntou. Apenas respondi com um sim com a cabeça.

–Você pergunta se ela está bem? E eu? Ela machucou minhas amigas e ia me machucar! –Ela gritou.

–Pelo o que eu vi você estava em cima dela, não se faça de vitima. –Ele passou meu braço em volta do pescoço dele para que eu conseguisse andar.

–Qual o seu problema? Achei que você gostasse de mim. Larga ela e vem me ajudar! –Ela gritava enquanto o Alex me tirava dali. Apoiei-me em um muro que havia ali perto e respirei fundo, minha perna doida muito.

–Agora você já pode ir embora, eu consigo me virar. –Disse tentando andar.

–Não, você não consegue. Deixe eu te ajudar. –Me apoiei nele e nós andamos até a casa dele que era a mais perto dali. Entramos e eu sentei no sofá.

–Eu acho que quebrei ou torci. –Gemi de dor.

–Preciso te levar ao hospital para arrumar isso. Pode piorar. – Ele disse trazendo um pouco de gelo.

–Não, que só quero ir pra casa, lá a Nicole vai saber o que fazer. –Falei colocando gelo na perna.

–Más noticias, não temos como sair daqui sem um carro, minha mãe saiu e você não tem condições de sair desse sofá e já esta muito tarde. –Ele se sentou do meu lado.

–Então eu vou me deitar aqui no sofá e você vai me trazer pipoca. –Eu ri, mesmo que estivesse doendo pra caramba.

–Ok, eu vou fazer a pipoca. –Ele se levantou, mas eu segurei a mão dele.

–Esquece a parte da pipoca e me traz um cobertor, obrigada.

–Acho melhor você ir para a minha cama, lá é mais confortável e posso apoiar sua perna em alguma coisa. –Ele disse.

–Se você conseguir me pegar no colo. –Eu ri.

–Você não parece ser pesada. –Ele disse me levantando.

–E não sou mesmo. –Eu ri. Ele me levou até a cama e eu me deitei lá, a dor estava passando, mas ainda doía muito. Ele se deitou ao meu lado e ficou lá caso eu precisasse de alguma coisa. –Você não precisa ficar aqui. Falei tentando me sentar.

–Preciso sim, agora deita e vai descansar, amanhã quando minha mãe voltar nós vamos te levar ao hospital pra eles cuidarem disso ai. –Ele fez eu me deitar novamente e se deitou ao meu lado. Aquela foi a pior noite da minha vida, as minhas costas naquelas camas duras do convento doíam menos que minha perna naquele momento.

No outro dia fomos bem cedo para o hospital, eles examinaram e constataram que eu havia apenas torcido e que tudo isso aconteceu por aquela gorda ter esmagado minha perna.

“Eu juro que mato aquela gorda”. –Pensei. Alex me levou até a minha casa onde Nicole me recebeu desesperada, queria saber tudo o que havia acontecido, queria saber todos os detalhes e o porquê de tudo aquilo. Eu expliquei somente algumas coisas, não queria que ela soubesse de tudo, era vergonhoso brigar por aquele motivo e mais vergonhoso brigar com uma gorda cheia de estria.

Subi para o quarto e fechei a porta, quando olhei para o espelho levei um susto, havia alguma coisa escrita de batom vermelho: Gostou da Ângela? Parece que ela não gostou de você. “Ah, sim, aquele plano dos seus ossos na privada ainda está de pé.” Me sentei na cama, minha respiração estava acelerada, assim como meus batimentos, gritei para a Nicole vir para o quarto, mas ela não me respondeu, sai mancando e não a encontrei em casa, apenas um bilhete em cima da mesa da cozinha que dizia: “Ela saiu e talvez nunca volte, a não ser que você a encontre”.