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7 Capitulo 7
Tomei um banho, me vesti e sai do quarto. Enquanto fechava a porta pude ouvir um pedaço da conversa da Nicole ao telefone, ela parecia falar com um homem.
– Não, não agora. Sim, ela vai sair agora, mas ainda não é hora de dar um fim nisso. O que você tem que fazer? Só seguir com o plano, nada mais que isso. Entendido? Ótimo, preciso desligar, ela já vai chegar. –Nicole desligou o celular rapidamente e o colocou no bolso da calça. –Oi Mila, já está pronta?
–Aham. –Apenas fechei a porta e sai. Gustavo e Giovani já estavam me esperando na porta da frente. Fomos até o taxi e partimos.
–Ansiosa? Vai poder enfiar mais um caco de vidro na perna dele. –Gustavo riu.
–Isso é jeito de falar com alguém, Gustavo? –Giovani riu. – Mila? Relou! terra chamando Camila.
–Sim, sim. –Respondi rapidamente. Eu estava completamente em outro mundo, estava pensando no telefonema da Nicole. Era sobre mim? Provavelmente poderia ser, já que eu era a única que estava saindo.
Chegamos ao hospital e acompanhamos Alex até a casa dele, ele estava muito cansado então resolvemos o deixar dormir um pouco. Saímos andando sem rumo pelas ruas da cidade, estava tarde e estava ficando frio. Estávamos passando por uma espécie de beco, era um espaço entre dois prédios muito altos quando ouvimos um barulho. Estava escuro, mas mesmo assim Giovani resolveu ir ver o que era.
–Volta aqui! Pode ser um estuprador vestido com um látex preto! –Gritei rindo e indo atrás dele.
–Como esse mundo está hoje eu não duvido nada, por isso vou embora, bando de loucos. –Gustavo saiu correndo para longe.
–Mila, vem cá! Rápido! –Giovani gritou assustado. –Tem alguém aqui! Rápido!
–O que foi? –Parei ao lado dele e levei um susto. Uma mulher estava jogada na calçada e parecia estar machucada. –Vamos ajuda-la, rápido, me ajuda a levanta-la.
A levantamos e a levamos para o hospital, ela parecia estar bem e aparentava estar grávida, apesar de aparentar ter uns 16 anos. Os médicos a examinaram e disseram que estava tudo ok com ela e com a criança.
–Obrigado por me ajudarem, ficarei devendo uma a vocês. –Ela falou se levantando da cama do hospital.
–Você não deve nada, era nosso dever ajudar você e seu filho. –Eu sorri-Então, qual o seu nome e quem fez isso a você?-Perguntei
–Meu nome é Sarah. E eu não sei quem fez isso comigo, foi tudo muito rápido. Eu estava andando pelas ruas depois da minha mãe me expulsar de casa porque descobriu que eu estou gravida. De repente alguma coisa me puxou pelas costas e colocou um pano na minha boca, eu só lembro-me de apagar e acordar daquele jeito. –Ela se levantou e passou a mão na barriga.
–Então você não tem para onde ir? –Perguntei.
–Não, minha mãe nunca vai me querer de volta naquela casa e o pai do meu bebê está internado em uma clinica de louco. –Ela baixou a cabeça olhando para a barriga.
–Se você quiser pode passar a noite na minha casa, pelo menos até encontrar uma casa para viver. –Cheguei mais perto dela.
–Não vou incomodar? E eu estou grávida, sua família vai ficar desconfortável. –Ela me olhou.
–Eu praticamente não tenho família, minha irmã é uma louca que só pensa em dar para o namorado chato dela. E ela é só o que eu tenho de família. Meus pais morreram eu um acidente a mais de dois anos. –Peguei as mãos dela. -Então não tem nenhum problema e nós podemos ser amigas. Eu vou te ajudar a achar o pai do seu filho, podemos começar agora, vamos para a minha casa.
–Tudo bem, eu aceito sua proposta. –Ela disse me abraçando.
Pegamos um taxi e fomos para casa, chegando lá Nicole fez um monte de perguntar a Sarah, mas decidiu a deixar ficar, até porque nem o diabo deixaria uma mulher grávida na rua passando fome e frio. Mostrei meu quarto para ela e disse que ela podia dormir na minha cama, afinal o sofá era confortável e de qualquer modo eu gostava de dormir nele.
–Então, vamos começar a busca por seu “namorado”? –Disse sorrindo e pegando o notebook da mesa e o colocando em cima da cama. –O que você sabe sobre ele?
–Bom, eu soube que ele foi internado por motivos de drogas, pelo menos era o que a mãe dele achava. Mas nas saídas semanais ele sempre vinha me ver e acabou acontecendo e eu fiquei grávida. Eu não contei a ele sobre minha gravidez, só o disse para ir embora e não vir mais me ver, eu não sabia como ele iria reagir e não queria estragar a vida dele. –Ela ajeitou o travesseiro e se deitou.
–Preciso que me diga em que clinica ele estava na ultima vez que você se falaram. –Me sentei ao seu lado com o notebook no colo para que ela pudesse ver o que eu estava procurando.
–Era uma clinica chamada: “O Convento da Santa Haah”. –Ela disse me olhando. Confesso que fiquei surpresa, porque eu poderia conhecer o pai do filho dela e não saber.
Entrei em um site com a lista de todas as pessoas internadas ali, havia uma lista com nomes e fotos. Abri uma das fotos e comecei a passa-las para ver se ela reconhecia alguma.
–Esse, esse é ele! Esse! – Olhei para a tela e não conseguia acreditar no que estava vendo. Era ele? Ele tinha um filho esse tempo todo, havia uma mulher procurando por ele para pedir ajuda meu deus. –Você está bem Camila? –Ela perguntou se levantando.
–Sim, sim, está tudo bem, eu só preciso de um copo de água. –Me levantei da cama o mais rápido que consegui e corri para a cozinha, abri a geladeira e peguei a água mais gelada que encontrei. Cai no sofá, eu estava totalmente branca (mais do que o normal).
–Camila, você está bem? Camila? –Nicole se sentou do meu lado e começou a me cutucar.
–Ele tem um filho, um filho Nicole! Um filho! –Gritei
–Quem? Quem tem um filho? O Gustavo? Quem me responde! –Ela me empurrou. — Você tá grávida é? Como você pode não se prevenir, quem é o pai? Me fala agora! –Nicole gritou.
– O Alex, o Alex, o Alex. –Falei passando a mão na cabeça.
–O que? Você tá gravida de um satanista que acredita em gnomos e fadas do inferno? –Ele me empurrou de novo.
–Não! A Sarah que está! –Me levantei e voltei para o quarto. Sarah estava deitada me esperando.
–O que aconteceu? Porque você está assim? Camila me responde. –Ela se levantou e veio até mim.
–Eu conheço o pai do seu filho. Eu vou falar com ele, acho melhor você ficar aqui, você já passou por muita coisa. Descanse. –A fiz deitar e esperei ela pegar no sono.
Sai de casa, peguei um taxi e fui até a casa do Alex. A mãe dele me levou até o quarto dele. Ele estava jogando The sims no computador.
–Precisamos conversar. –Girei a cadeira que ele estava e fiquei de pé na frente dele.
–Camila, eu estava prestes a matar um Sim, poderíamos conversar depois? Obrigado. –Ele se virou.
–Não, isso não pode esperar, preciso falar agora. –O virei de volta e cheguei mais perto. –Você conhece uma menina chamada Sarah? –Perguntei me agachando na frente da cadeira dele.
–Não, nunca conheci ninguém com esse nome. –Ele me olhou curioso-Por quê?
–Eu encontrei uma menina na rua, ela estava grávida e ela disse que o conhecia. –O olhei fixamente sem piscar uma vez se quer.
–E porque isso seria de meu interesse? –Ele chegou mais perto.
–Ela disse que está gravida de você. –Me levantei e sentei na cama.
–Grávida? O que? Eu sou virgem Camila! Como eu posso ter engravidado uma menina? Meu... Você sabe, não pode ter criado vida e fugido para engravidar menininhas! –Ele gritou.
–Então como você explica isso? –Gritei.
–Ela mentiu! É a única explicação para essa loucura! –Ele se levantou e parou na minha frente.
–Como eu posso acreditar em você sendo que tem uma menina grávida no meu quarto dizendo que o menino de quem eu gosto é o pai do filho dela! –Me levantei e fiquei para na frente dele o olhando sem piscar.
–Da mesma forma que você tentou me matar e eu ainda confio em você, da mesma forma que algumas semanas atrás eu quase perdi a minha perna tentando te salvar de uma explosão magica dentro da sala da diretora vagabunda! –Ele gritou. Não falei nada, apenas fiquei ali parada esperando que ele dissesse mais alguma coisa. Ele acabou de jogar na cara tudo o que ele tinha aguentado esse tempo todo, acabou de jogar na cara que eu sou uma filha da puta que só ferrou com a vida dele no ultimo mês.
–Tudo bem, eu vou embora, não precisa mais falar nada. –Me virei e sai. Mas percebi que o Alex vinha trás de mim então parei. –O que você quer? Quer dizer mais uma vez que eu te fiz ficar assim? –Apontei para a parte enfaixada da perna dele. — Quer jogar na cara tudo o que aconteceu nesse ultimo mês? Vai em frente. – Dei um passo para frente.
–Não, eu quero que você me leve até essa Sarah, quero conversar com ela. –Ele andou na minha frente abrindo a porta.
–Tem certeza? –Falei me aproximando.
–Sim, anda logo. –Ele me puxou pelo braço.
Chegamos à minha casa e eu o parei na porta.
–Tem realmente certeza disso? –Perguntei.
–Sim, me deixe entrar ele falar com ela. –Ele me empurrou da frente da porta e entrou.
Estava tudo muito quieto, estranhei tanto silêncio. Entramos na sala e não havia ninguém, chegamos ao quarto e Sarah não estava lá.
–Nicole! –Gritei.
–Mila e Alexandre. –Ela olhou com uma cara de quem iria voar no pescoço de um de nós dois.
–Oi Nicole-Ele fez um sinal de positivo com a mão.
–Oi Nicole? –Ela chegou mais perto- Você tem coragem de entrar nessa casa depois de engravidar uma menina e a abandonar? Que tipo de homem você é? –Ela gritou.
–Você não vai falar assim com ele! –Me meti entre os dois que estavam tão perto que um massacre poderia acontecer ali.
–Eu falo do jeito que eu quiser com quem eu quiser! Esqueceu que a dona dessa casa sou eu? Que eu pago as contas e eu sou a mais velha aqui! Então cala essa sua merda de boca e me deixa resolver as coisas aqui. –Ela me olhou com raiva e estava pronta pra me dar um tapa quando Alex se meteu na frente.
–Você não é nada minha para me tratar desse jeito! E quem você acha que é para bater na Mila? Você não é a mãe dela, você pode cuidar dela, você pode pagar as contas dessa casa, mas isso não te dá o direito de encostar um dedo ou ofender alguém que estiver aqui.
–Eu não vou discutir com você, menino idiota! –Ela pegou a bolsa e saiu rápido.
–Isso, vai lá idiota! –Ele riu.
–Olha, desculpa por o que aconteceu aqui. Desculpa mesmo. –Eu me virei para ele.
–O que a gente tinha combinado? Sem mais desculpas. –Ele sorriu.
–Como você pode aguentar isso? –Eu falei caminhando em direção ao sofá enquanto ele se sentava do meu lado.
–Com apenas um ano naquele convento você aprende a aguentar gente chata e cheia de mimimi. –Ele riu. –E gostar da irmã da pessoa com quem você discutiu ajuda a controlar a raiva. –Ele me olho. Tudo ficou um completo silêncio, apenas eu e ele naquela sala, sem ninguém em casa, era meio constrangedor, principalmente porque ele não parava de me olhar. Afastei-me e ele chegou mais perto.
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