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3 Capitulo 3
–Sente-se, precisamos conversar. –Ele fez um sinal para eu me sentar.
–Conversar sobre o que?
–Sobre sua irmã. – Ele me olhou.
–Não quero falar sobre a Nicole e se ela te mandou aqui você pode indo embora, não quero falar com você também. – Me levantei e fui em direção à porta.
–Espera, ela não me mandou aqui, eu vim porque eu quis.
Virei-me e olhei fixamente para ele.
–Pois perdeu seu tempo, eu não quero falar com você. É melhor você ir embora. – Sai da igreja com passos apressados. O que ele queria falar comigo? Eu nem conheço ele direito, não sei por que a Nicole gosta dele, ele não passa de um tremendo babaca que quer se meter na nossa família.
Eu estava vagando pelos corredores do convento, por algum motivo estava tudo muito quieto, todos pareciam estar dormindo, resolvi voltar para o dormitório, pois era o único lugar que conseguia esfriar a cabeça e ficar sossegada.
Eu estava passando pelo corredor da diretoria, era necessário passar por ali para chegar ao meu dormitório, quando ouvi uns barulhos vindos da diretoria. Eu sabia que deveria apenas passar reto e ignorar, o que quer que fosse não era da minha conta, mas minha curiosidade era maior e eu resolvi dar uma espiada.
Cheguei perto do vidro da porta da sala da diretora e vi algumas roupas jogadas no chão, chegando mais perto consegui enxergar a diretora deitada na mesa e um homem loiro, não muito alto em cima dela. Eu sai correndo antes que me vissem e entrei no quarto rindo.
– Ei, o que é tão engraçado? –Alex perguntou.
–A diretora –Eu não conseguia conter o riso- e um homem, na sala da diretoria, bem, eles estavam... Você sabe...
–Meu deus, eu preciso ver isso-Ele riu e saiu correndo em direção á porta.
–Ei, ei, ei, nem pense nisso. Eles vão te ver- Sai correndo atrás dele e o peguei pelo braço.
–Não vão não-Ele tentou se soltar
–Vão sim, vem cá Alex! – Eu o puxei com mais força, isso o fez ficar ainda mais perto de mim. Eu conseguia sentir sua respiração acelerada, conseguia sentir o calor do corpo dele. Eu estava olhando nos olhos dele e eu queria aquilo, mas eu não sabia se ele queria, eu queria arriscar, mas eu tinha medo de tudo dar errado. Então eu apenas o soltei e me virei voltando para o quarto.
Eu estava na metade do caminho de volta quando senti a mão dele pegar o meu braço e me virar de frente pra ele. Não pude contar minha cara de susto quando isso aconteceu.
–Não fuja de mim-Ele passou a mão envolta da minha cintura me deu um beijo. Eu estava totalmente espantada, eu queria aquilo, mas nunca imaginei que ele iria querer também.
–Eu não vou fugir de você- Disse sorrindo.
–Hey, não se vocês sabem, mas isso é meio que proibido aqui. – Gustavo estava parado atrás de mim com um copo de suco na mão.
–Desde quando você está aqui? – Perguntei me soltando dos braços do Alex e caminhando em direção ao Gustavo.
–Tempo suficiente- Ele riu.
–Por favor, não conta pra ninguém. – Alex veio em nossa direção.
–Não se preocupe, eu não vou contar, eu faço muito isso pelos corredores também- Ele deu uma gargalhada alta.
–Eu preciso ir e Mila, você vem comigo. – Gustavo me puxou pelo braço.
Ele me levou para o pátio, lá havia várias pessoas e um padre com rosquinhas na mão, ele estava distribuindo rosquinhas, sim, rosquinhas.
–Quero que conheça alguém. – Gustavo me puxou novamente. – Esse é o Giovani, ele é uma das pessoas mais “velhas” aqui, ele vive aqui há muito tempo.
– Prazer, me chamo Camila. –Apertei sua mão.
– Prazer em conhecê-la Camila. Gustavo disse que você é nova aqui, achei que poderia lhe mostrar um pouco do convento. – Ele sorriu
–Sim, seria ótimo. -Sorri
O segui por todo o convento, ele me mostrou as salas de “aula”, a igreja, cada dormitório, os corredores, escadarias, o pátio e os banheiros. Tudo naquele convento era bem feito e planejado, cada detalhe das paredes, portas e janelas. Até parecia um lugar legal de se viver, parecia. Eu não via a hora de poder sair daquele lugar.
–Então, há quanto tempo você está aqui?- Perguntei.
–Há uns seis anos, eu vim pra cá porque tentei matar minha colega de classe. Ela roubou minha caneta, merecia morte. –Ele riu. -E você?
–Bem, eu matei várias pessoas. –Baixei a cabeça.
–Sabe você não tem cara de assassina, você é bem legal para ser uma. Porque você faz isso?
–É como uma dupla personalidade, quando eu fico irritada ou coisa do tipo eu ataco as pessoas, até mesmo as que eu gosto. Há dois dias eu tentei matar meu colega de quarto porque uma garota chamada Eduarda me irritou.
–Conheço pessoas como você, várias delas aprenderam a controlar esse desejo de matar. Eu sei que você vai conseguir. –Ele parou de andar- Você só tem que se acalmar e evitar pessoas quando você estiver irritada.
–Acredite, eu já tentei fazer isso. Se não fosse minha irmã eu estaria na cadeira ou pior. –Segui andando.
Um padre vinha vindo do outro lado do corredor, o mesmo padre que estava no pátio e o mesmo da igreja. Cheguei a pensar que ele estava me perseguindo.
–Olá vocês dois. Está na hora de irem para seus aposentos e rezarem para Deus agradecendo por mais um dia. –Ele esticou a mão para que fossemos embora.
Cheguei ao quarto e o Alex não estava lá, fiquei preocupada, pois ele sempre estava ali, sempre estava lendo algum livro àquela hora. Resolvi esperar ele chegar, esperei por mais de uma hora, mas ele não chegava, comecei a ficar nervosa, o padre já havia mandado todos para seus quartos e ele não havia voltado. Resolvi me levantar e ir procurar ele.
Andei por todo o convento em silêncio para que não me vissem e não o encontrei. Resolvi ir à ala dos “assassinos” ver se ele estava lá, se havia acontecido alguma coisa. Abri a porta lentamente e comecei a procurar, eu falava baixinho “Alex?”, mas ninguém me respondia. Decidi sair dali, quando me virei para sair dei de cara com um homem alto e moreno.
–O que uma garota tão linda faz aqui à uma hora dessas? –Ele riu
–Quem é você? –Falei assustada.
–Eu trabalho aqui, vigio esse lugar há noite. – Ele chegou mais perto e pegou meu braço.
–Ei, me solta, eu já vou sair daqui, pode me soltar!-Puxei meu braço, mas ele não soltava, comecei a suar frio e a tremer.
–O que foi? A assassina tá com medo? Você já matou vários homens a sangue frio e está com medo de mim? –Ele apertou meu braço.
–Me solta! Me solta agora seu idiota!
–Não, eu não vou te soltar até você me dar o que eu quero. –Ele me empurrou para a parede. Eu estava suando frio, estava com medo. Ele era bem maior que eu e eu não tinha nenhum objeto para me defender.
–Ei, solta ela grandão!-Alex gritou. Sim, ele apareceu na hora certa e ele tinha uma espécie de madeira na mão.
–O que foi baixinho? Quer que eu pise em você?-Ele deu uma gargalhada.
–Não, eu vou pisar em você! –O empurrei pra longe com toda a minha força, ele caiu no chão e eu subi em cima dele e comecei a bater. — Me dá essa madeira, rápido! –Peguei a madeira e bati naquele homem com toda a raiva do mundo, eu não conseguia parar de bater. Ele começou a sangrar e eu continuava a bater, eu não conseguia parar, aquela sensação era tão boa.
Vendo que eu não iria parar de bater até mata-lo, Alex me tirou de cima dele e me pegou pelos braços.
–Olha o que você fez!- Ele gritou.
Havia sangue por todos os lados, ele ainda não estava morto, mas estava no seu ultimo segundo de vida. Eu olhei para aquele homem, deitado no chão, sangrando e comecei a chorar.
–Por quê? Porque eu faço isso? Meu deus, oque eu fiz? –Me joguei no chão em meio ao sangue com as mãos sujas no rosto. — Eu sou um monstro, um monstro! – Eu gritava e chorava sem parar.
Alex se sentou do meu lado e me abraçou.
–Você não é um monstro.
–Eu sou sim, olha o que eu fiz? Como você pode dizer que eu não sou um monstro? Você é cego? Você só pode ser cego e burro! – Me levantei e sai correndo pelos corredores até chegar ao banheiro. Liguei a torneira e lavei minhas mãos, me olhei no espelho que havia ali e vi meu rosto todo ensanguentado, minhas mãos com sangue de um homem que devia ter família. Mesmo que ele tenha tentando me machucar, eu não devia ter feito aquilo.
Procurei por algum objeto cortante, um pedaço de vidro, um plástico, uma lata, alguma coisa devia ter naquele banheiro, alguma coisa que machucasse. Achei um pedaço de vidro atrás da pia, no meio das teias de aranha e passei em meu pescoço, eu queria morrer. Eu sentia o sangue escorrer pelo meu corpo, sentia meu corpo ficando cada vez mais fraco, até que eu apaguei completamente.
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