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4 Capitulo 4


Acordei em uma cama de hospital com Nicole e Leonardo do lado.

–Ela acordou! Ela acordou!-Leonardo gritou.

–Mila, como você está se sentindo? Me responde!-Nicole falou desesperada.

–Porque eu estou aqui? Porque eu não estou no inferno? –Perguntei tentando me levantar.

–Ei, ei, ei, nem tente se levantar. Você quase morreu, achamos que íamos perder você. Nicole estava desesperada, nós dois estávamos desesperados!

–Quem me trouxe aqui? –perguntei me deitando novamente.

–Um tal de Alex te achou jogada no banheiro e chamou a diretora que conseguiu te socorrer a tempo. Mais um segundo e você não estaria mais entre nós. Devemos muito a esse rapaz. –Nicole respondeu se sentando na cadeira do lado da cama.

–Onde ele está? Eu preciso falar com ele! –Me sentei na cama com dificuldade.

–A direto disse iria liberar ele para vir te ver assim que você acordasse, podemos ligar para avisar se você quiser. — Leonardo respondeu.

–Por favor, liguem logo.

Meia hora depois, Alex e Gustavo chegaram ao meu quarto no hospital. Não pude conter a felicidade em vê-los, eu queria ter morrido, mas ver eles tão felizes por me ver viva me deixou tão empolgada. Eu não me sentia um monstro, me sentia uma pessoa nova, uma pessoa normal como qualquer outra, pelo menos por enquanto.

–Venham cá, me deem um abraço. Não vou machucar vocês. –Me sentei na cama sorrindo.

–Achamos que tínhamos perdido você, você tinha que ver o desespero do Alex, achei que ele iria enfartar. –Gustavo riu e se sentou no meu lado.

–Eu senti sua falta, é chato dormir no dormitório sem você dizendo que é um monstro. – Ele me abraçou.

–Deixe meus dramas em paz. – Eu ri e o abracei forte. – Será que eu vou ter voltar para aquele lugar?

–Confesso que ficaria feliz se você voltasse. –Gustavo me abraçou.

–Então... Como você me achou Alex?-Um silêncio tomou conta do cômodo.

–Bem... -Ele fez uma pausa longa- Quando você saiu correndo eu fui atrás de você, mas te perdi de vista. Eu sabia que você ia fazer alguma coisa, então eu não parei de te procurar e como você estava suja de sangue eu raciocinei que você provavelmente estaria no banheiro mais próximo. Quando eu achei lá eu vi você no chão, desacordada rodeada de sangue, eu fiquei desesperado e sai á procura de alguém que pudesse me ajudar a te salvar. Foi então que eu achei a diretora e nós te trouxemos pra cá e avisamos a sua família.

–Nossa... Eu não pensei nas consequências. Eu não queria que vocês sofressem. Desculpe-me. –Falei baixando a cabeça.

–Chega de pedir desculpas-Alex passou a mão no meu rosto.

–Tudo bem. Eu prometo que vou parar de pedir desculpas. –Sorri.

Uma semana depois eu já havia sido liberada do hospital, mas ainda precisava ficar de repouso em casa. Nicole ficou muito preocupada com o que eu havia tentado fazer semana passada, então resolveu que só depois que as coisas se acalmassem eu voltaria para lá, afinal, segundo ela eu ainda precisava terminar meu “tratamento”. Eu ainda não havia entendido esse negócio de tratamento, eles apenas me davam remédio e me obrigavam a rezar todas as manhãs e noites. Eu não queria voltar para aquele lugar, realmente não queria, mas eu poderia tentar pelo menos tentar pelo Gu e pelo Alex. Talvez desse certo, talvez.

A semana de repouso passou, eu fiquei lendo livros, ouvindo musica e viajando pelos cantos da internet. Até que chegou o momento de voltar para aquele lugar, voltar para aquelas pessoas nojentas e chatas.

Cheguei bem cedo no Convento, quase ninguém estava acordado, eu não queria que me vissem chegar. Entrei no quarto e o Alex ainda estava dormindo, me deitei na cama e esperei ele acordar.

–Você já está ai? –Disse ele se levantando da cama.

–Cheguei há uma hora e meia. Você tá bem? –Me sentei na cama.

–Melhor agora que você está aqui. –Ele riu. -Senti sua falta.

Levantei-me e me sentei do lado dele.

–Eu também senti sua falta- Eu o abracei apertado. -Senti muita falta das suas histórias de gnomos-Eu ri.

–Vem cá. – Ele me abraçou apertado e me deu um beijo. -Senti falta disso também. –Ele riu.

–E o Gustavo? –Perguntei.

–Ei, não estraga o clima, estava tão bom. –Ele riu- Vem, vou te levar até o Gustavo.

Chegamos até o dormitório do Gustavo e ele ainda estava dormindo, foi então que tive uma ideia. Pedi para o Alex trazer um balde de água e um pouco de sabão.

–No três. Um, dois, três! –Nós jogamos toda a água nele, foi hilário, ele praticamente pulou da cama e começou a nos xingar, mas depois começou a rir igual a um louco.

–Mila, você sabe que amanhã é dia de “folga” do Convento? É o dia em que todos podemos ir visitar nossas famílias. –Gustavo comentou.

–Sério? Bom, eu já passei uma semana com a minha então não faz muita diferença. Vocês gostariam de vir para a minha casa? –Perguntei.

–Eu topo, e você Alex?

–Tudo bem, eu vou.

Na manhã seguinte todos nós arrumamos a mala e fomos até a minha casa. Chegamos lá e encontramos a Nicole e o Leonardo dando uns amassos no sofá, nunca fiquei tão envergonhada em toda a minha vida.

–Ei, ei, ei, vão para a cama, temos visitas. –Gritei. Nicole e Leonardo se levantaram correndo enrolados nos lençóis e subiram para o quarto. – Ok meninos, desculpem por isso.

–Nada que eu não tenha feito antes. –Gustavo riu.

–Meu deus Gustavo, você já passou o rodo da cidade toda? –Alex perguntou rindo.

–Não, porque vocês acham isso? Nossa, me senti ofendido, completamente ofendido. –Ele riu.

–Ei, vocês dois, se sentem ai no sofá, vou ver alguma coisa pra vocês comerem. –Caminhei até a cozinha e peguei um suco e pipoca, sim, pipoca, era de manhã, mas nada nos impedia de comer pipoca.

–Pipoca a essa hora?-Alex perguntou.

–Qual o problema? –Me sentei entre os dois no sofá. -Pipoca não tem hora pra comer e pipoca era a única coisa que tinha.

–Passa pra cá. –Gustavo riu.

–Ei, devolve!-Puxei a pipoca de volta. – Então Gu e Alex, vamos jogar um jogo. Cada um faz uma pergunta e quem não responder tem que pagar um mico. Topam?

–Eu topo e você Gu?

–Eu topo também.

–Ok, eu começo. Para você Gu-Apontei para ele- Quantas meninas você já namorou?

–Bem, nenhuma. –Ele me olhou. — Só falo essas coisas para pagar de "pegador" — Ele riu.

–Ok, sua vez.

–Mila, você é virgem?

–Isso é pergunta que se faça? Meu deus! –Revirei os olhos.

–Responde ou paga mico.

–Ok, eu sou virgem. –eu ri.

–Mentiu, posso sentir o cheiro da mentira de longe-Alex riu.

–Ei, que isso, vocês dois tão conspirando contra mim hoje?- Bati no braço dos dois.

–Vai ter que pagar mico, anda logo. Vai ter que tomar um banho de suco e sair na rua pedindo dinheiro. –Gustavo disse.

–Meu deus, meu deus. –Peguei a jarra de suco da geladeira, sai de casa e eles viraram toda na minha cabeça. Depois sai na rua pedindo esmola. “Ei tio, me dá um trocado, ei tio”, eles não paravam de rir e eu não sabia se ria ou se chorava.

–Isso foi muito engraçado, meu deus! –Alex gritava e gargalhava no meio da rua.

–Engraçado para vocês que não estão congelando nesse frio.

–Mesmo você congelando continua sendo engraçado-Gustavo riu alto.

–Ei, calem a boca e um de vocês, me empresta o casaco, eu estou realmente congelando!

–Ok, pega o meu-Gustavo tirou o casaco- É mais quentinho.

–Como se fosse adiantar alguma coisa, ela tá toda molhada. –Alex riu.

–Ei, não riam de mim, vamos voltar pra casa, preciso de um banho.

Voltamos para casa e a Nicole e o Leonardo estavam fazendo panquecas, eles se agarravam o tempo todo, aquilo chegava a ser nojento. Porque tanto grude? Isso não vai muito longe. Espero que não vá.

– Bom, eu vou tomar meu banho, meu quarto fica bem ali, vão logo antes que eles comecem a coisar no meio da cozinha. – Os meninos foram apara o meu quarto e eu fui tomar um banho. Sai do banho e os meninos tinham pegado no sono.

–Meu deus, como vocês conseguem dormir tanto?- Falei baixinho.

–Dormindo. –Alex se levantou devagar para não acordar o Gustavo.

–Achei que você estivesse dormindo.

–Eu estava fingindo e esperando você voltar.

–Por quê? –Soltei a toalha no sofá do quarto e sentei do lado dele.

–Porque você faz tantas perguntas? –Ele riu.

–Não sei, é uma coisa que não controlo, sabe? –Ri baixinho.

–Ei, ei, parem de falar, eu quero dormir. –Gustavo reclamou.

–Vamos sair daqui, dar uma volta e apresentar para você alguns dos meus amigos, você quer? –Perguntei.

–Pode ser, vamos o deixar dormir.

Saímos e fomos para a casa do Ruben. Ruben era um dos meus melhores amigos, ele era idiota e parecia um ator daquelas novelas de adolescente e ele só pensava em comer garotas, sim ele gostava de pegar todas.

–Mila! Quanto tempo! Como você está? – Ele me abraçou.

–Eu estou bem, e você? Estava morrendo de saudades. Ruben, esse é o Alex, um amigo meu.

–Prazer em conhecê-lo Ruben. -Os dois apertaram as mãos.

–Ei Mila, você já está me trocando? –Ele riu.

–Não, que isso, você sabe que eu não troco ninguém! – Bati no braço dele.

–Entrem logo.

Entramos na sala, ela era toda branca e tinha uma decoração impecável, com quadros caros e uma luminária linda e também uma TV gigante.

–Então, como se conheceram?-Ele se sentou com um cigarro na mão.

–Ele é meu colega de quarto no Convento. –Respondi.

–Eles permitem mulher e homem no mesmo quarto? –Ele fez um som de “hm”

–O que o senhor está pensando? Não sou dessas. -Eu ri

Ficamos por lá por mais de uma hora, até que eu percebi que havia deixado o Gustavo sozinho com aquele bando de loucos e que ele poderia estar morto há essa hora. Chegamos e descobrimos que o Gustavo havia ido embora, soubemos que a mãe dele o encontrou e o arrastou pelas ruas da cidade até chegar em casa. Eu o Alex fomos dormir, Nicole como sempre estava preocupada comigo, sugeriu que o Alex dormisse no sofá que havia ali no meu quarto.

–Você vai mesmo dormir no sofá? –Perguntei olhando para ele deitado no sofá.

–Sua irmã me mandou dormir aqui, não quero levar bronca. –Ele riu.

–Não quero que você durma no sofá. – Me levantei e o puxei pelos braços.

–Você vai me machucar! –Ele riu.

–Vou te machucar se você não vier dormir aqui. – Alex subiu na cama e nós dormimos juntos até a minha irmã Nicole nos acordar gritando: “O que isso significa? Alguém poderia me explicar? Camila me explica isso”. Fiquei trinta minutos tentando a fazer entender que não havia acontecido nada e que eu precisava ir. Não entendo qual o problema que ela vê nisso, toda a vez que eu chego em casa, toda a vez que a gente saia para a rua ela e o Leonardo ficavam se agarrando, não faz sentido algum ela se preocupar com isso.