Patrick e Jake

17 Capítulo 17 - Jake


Sabe quando você acorda depois de uma noite horrível e sente que aquele dia vai ser horrível e talvez o pior dia da sua vida? Então, essa era a sensação que eu tive quando acordei.

Saí do banheiro terminando de vestir uma camiseta. Peguei minha mochila, me despedi de Chris e saí do quarto para o prédio das aulas.

Enquanto eu andava ia olhando para o chão pensando na noite passada, aquela música que o Patrick tinha cantado era para mim, eu tinha certeza. Isso era tão óbvio. E todos os sorrisinhos sarcásticos e olhares gelados que ele me mandava? Ele queria acabar comigo. Mas tudo bem, eu vou entrar no joguinho dele.

– E aí cara, tudo bem? — era Charlie.

– É, to levando... — suspirei — Não tô aguentando mais esse lance com o Pat. E tô sentindo que hoje vai ser o pior dia da minha vida.

– Que tal irmos paa a sala de aula? Assim você ocupa a cabeça — ele falou passando a mão pelos meus ombros.

Fomos andando para o prédio onde ficavam as salas de aula sem falar nenhuma palavra. Eu não estava com nenhum ânimo para falar e acho que Charlie percebeu, porque ele também não falou nenhuma palavra. Chegamos no prédio e seguimos para o corredor que dava em nossa sala de aula. Passamos pela grande porta azul e entramos na sala, indo para a frente onde nós já nos sentávamos. Charlie se sentou do meu lado e jogou a mochila em cima da carteira, deitando sua cabeça sobre ela.

– Eu tô com tanto sono cara — ele falou para mim sorrindo.

– Eu também, não consegui pregar os olhos essa noite — eu falei, o que era verdade, eu só conseguia pensar no Patrick — Não tô com a mínima vontade de assistir aula hoje, você quer sair daqui?

– Pra onde você quer ir?

– Não sei — ele me encarava — Talvez ir ao cinema, ver algum filme.

– Tudo bem.

Saímos da sala antes que o professor chegasse e logo já estávamos saindo do campus. Pegamos um táxi e fomos a um shopping que ficava no centro da cidade. Enquanto estávamos no táxi, Charlie segurava a minha mão, o que me acalmou um pouco.


– Não fica nervoso, eu seguro sua mão — Pat falou para mim um pouco antes de a montanha russa começar a andar.


– Pat, não acredito que você me obrigou a vir nessa merda — eu falei fingindo estar nervoso — E se essa porra cair?

– Bom, pelo menos teremos morrido juntos.

– Ha-ha. Engraçadinho você.

– Não fica nervoso Jake, eu seguro sua mão — ele segurou minha mão — E só solto quando a gente tiver descido, são e salvos, tudo bem?


– Esse filme foi realmente uma grande porcaria.


– Ah, para, nem foi — Charlie falou me olhando com olhos tortos.

– Ah, não foi mesmo. Não chegou a ser uma porcaria — eu falei rindo.

Ele me encarou com raiva nos olhos.

– Então, você quer ir pro campus agora ou depois?

– Vamos agora, eu preciso dormir um pouco, o filme estava tão ruim, se não fosse por você pedindo pipoca eu juro que teria dormido.


Chegamos ao campus e Charlie me empurrou no muro perto do grande portão e começou a me beijar.


– Charlie, o que você tá fazendo? — eu o empurrei.

– Te ajudando.

– Me ajudando a que?

– A esquecer o merdinha do Patrick — eu fechei os olhos.

E ele colocou seus lábios nos meus de novo, e eu retribui colocando minhas mãos na cintura dele e descendo até a sua bunda. Até que a bunda dele não era má, e ele não beijava mal. Não sei porque nunca tinha pensado em Charlie desse jeito afinal, ele sempre foi uma gracinha. Agora as mãos dele exploravam o meu pescoço.

Eu abri os olhos e vi alguém nos observando.

– Patrick?

Mas ele já estava longe.

Resolvi correr atrás e corri por várias ruas procurando por ele até que o encontrei caído na calçada e chorando.

– Jake? — ele me encarou com lágrimas nos olhos.


– Que droga, por que você tem que ser tão infantil? — eu me virei e falei para Patrick.


– Infantil?

– Sim, você chora por tudo. Só eu falar que vou sair com a Samantha você começa a chorar. Você devia crescer Pat. Já pensou nisso?

– É isso que você pensa de mim? — e ele começou a chorar de novo e saiu do quarto.

– Pat, não faz isso — eu fui atrás dele e o segurei — Me desculpa, sabe que eu não quis fazer aquilo. Eu desmarco com a Sam, tudo bem?

Eu o abracei e ele devolveu o abraço, envolvendo minha cintura com seus braços pequenos. eu deitei minha cabeça no ombro dele e suspirei fundo sentindo o cheiro que ele tinha. Fechei os olhos e foi como se nada mais existisse.


– Você e o Charlie? Eu nunca imaginaria isso — ele falou gritando para mim — Você que odiava ele.


– Eu nunca odiei o Charlie.

– Eu sei, pelo que parece o que você sente por ele é amor. Eu vi o jeito como as bocas de vocês estavam coladinhas uma na outra.

– E que merda você queria que eu fizesse? Que eu fizesse declarações de amor para você? Que eu cantasse músicas de amor para você de madrugada? Que eu ficasse me humilhando, implorando pelo seu perdão? Eu já me humilhei demais Pat. Você deixou bem claro que não ia me perdoar. Eu não vou ficar te esperando para sempre. Eu já passei dois anos me lamentando por ter te deixado e voltei para cá e fiquei pior ainda ao saber que você estava numa clínica de reabilitação por minha culpa. Mas eu fui lá e me declarei para você. E o que você fez? Me esnobou. Eu não vou ficar esperando você se decidir se você quer ou não ficar comigo. Eu te amo e você sabe disso. Não vou ficar me magoando por você Patrick.

– Jake...

E então ele fez a última coisa que eu esperava que ele fizesse.

Patrick colocou seus lábios nos meus.