Patrick e Jake

16 Capítulo 16 - Patrick


Eu entrei no quarto de uma maneira silenciosamente e vi o que estava acontecendo ali.

Kevin estava por cima do corpo de Chris. Chris estava passando as mãos nas costas de Kevin o arranhando e enquanto isso Kevin explorava todo o corpo de Chris com suas mãos e o beijava ferozmente. E aquilo poderia ter ido mais adianta se eles não tivessem me percebido ali.

– Kev, desculpa, eu sei que eu disse que ia trazer as aspirinas — eu falei olhando para ele.

– PATRICK ! — ele gritou saindo de cima de Chris como se o mesmo fosse explodiar a qualquer momento.

– Ai meu Deus, desculpa! — eu falei tapando os olhos mas deixando uma pequena brecha entre os dedos — Oi Chris, prazer em te ver de novo.


– Oi Pat — Chris disse meio constrangido.

– Vocês se conhecem? — Kev perguntou.

– Nos encontramos no banheiro uma vez, eu estava chorando e precisando de uma ajuda — eu falei.

Kevin arqueou uma sombrancelha para mim.

– Não, não esse tipo de ajuda — eu falei sorrindo.

– Afinal, você foi buscar ou fabricar as aspirinas? — Kevin me perguntou, mas não com um tom bravo e sim envergonhado — Tinha pensado que você tinha ido pra aula.

– Eu precisava pensar um pouco então eu fiquei andando pelo campus, até me esqueci que você estava esperando as aspirinas.

Nós ficamos em um silêncio constrangendor por alguns segundos até Chris quebrar o gelo.

– Bom, acho que já vou indo — ele falou se levantando da cama e pegando sua camisa no chão — Tchau Kev, tchau Pat.

– Tchau — eu e Kev dissemos em uníssono.

Chris deu um tchauzinho e saiu do quarto.

Eu dei uma risadinha e fui para minha cama.

– Você não devia ter visto isso — disse Kevin escondendo o rosto nas mãos.

– Não devia mesmo, aquilo parecia muito intimo — eu gargalhei.

–Por favor, não conta isso pra ninguém — o tom de voz dele era preocupado — Não que minha sexualidade seja um segredo, mas é que Chris ainda nã…

– Ei, calma eu não vou contar pra ninguém — eu tinha um sorriso nos lábios — Mas me fala do Chris. Vocês são namorados?

– Não exatamente. Ele tem namorada.

– Moderno.

– Não, é que eles se conheceram quando ele ainda tinha dúvidas sobre a sexualidade dele, aí eles começaram a namorar e vieram para a unviersidade juntos e a gente se conheceu no primeiro ano e o resto você pode imaginar.

– E por que ele não termina com ela para ficar com você — eu me ajeitei na cama.

– Porque ele ainda não se assumiu. Na verdade ele tem medo dos pais dele, tem medo de que eles não aceitem — ele falou olhando para baixo — A Danielle é como um disfarce, me entende?

– Mas não é certo usar as pessoas assim.

– Eu sei, mas é mais fácil para ele que não quer magoá-la já que ela gosta muito dele.

– E você odeia isso né?

– Sim — ele falou e soltou um suspiro.

Ficamos em silêncio por um tempo até que meu celular tocou interrompendo o silêncio. Eu peguei o celular do bolso e vi que era uma mensagem da Sam.


Sam: E aí sua vadia! Sua última aula é uma coisa muito imperdível?

Dei um sorriso.

Pat: Não faço a mínima ideia, não estou lá para saber.

Sam: Seu vagabundo! Então se vista que nós vamos almoçar.

Eu olhei para Kev e soltei um sorrisinho, que me olhou com um olhar confuso.

Pat: Muito simpática você. Posso levar um amigo?

Sam: Hm, quer dizer que já tá pegando geral?

Pat: Não, é só um amigo mesmo.

Sam: Acho bom porque você é só meu.

Pat: Iludida. No mesmo restaurante?

Sam: Sim, te vejo lá vadia.


– O que foi? — Kev me perguntou.

– Vamos sair — eu disse indo até minha cômoda — Uma amiga me chamou para almoçar e você vai comigo.

– Eu aceito ir almoçar com você e sua amiga, obrigado pelo convite tão gentil — ele falou para mim com sarcasmo.

– Deixa de drama e vai se vestir.

– Nossa, você tá exalando simpatia hoje — ele deu uma risadinha e se levantou.

Nós nos arrumamos em quinze minutos e meio dia em ponto já estávamos prontos. Saímos do campus e pegamos um táxi para ir até o restaurante que ficava no centro de Londres.

Entramos no restaurante e logo avistei Sam, que veio ao meu encontro e me abraçou.

– Pat! — ela gritou para mim e deu uma olhada em Kevin — E você deve ser o amigo.

Kevin estendeu a mão para Sam, que a apertou.

– E você deve ser a amiga. Sou Kevin, prazer.

– Sou Samantha — ela apertou as bochechas de Kev — Alguém já falou que você é muito fofo?

– Não liga ela é doida — eu falei para Kev, e logo recebi um tapa na cabeça.

Sentamos na mesa.

– Então, como está se saindo na faculdade? — Sam me perguntou.

– Bom, as aulas começaram ontem e eu não assisti nenhuma aula então não dá para saber — eu falei olhando para a mesa.

– Afinal, por quê você não foi hoje?

– Ontem fomos a um bar, mas minha intenção não era fazer ele beber, mas ele é meio incontrolável — Kevin falou.

Eu cobri o rosto com as mãos porque já sabia o que estava por vir.

– PATRICK WILLIAM EDWARDS, EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ BEBEU — ela gritou e todos do restaurante se viraram para nossa mesa.

– Desculpa, foi só um pouco.

– Só um pouco? O suficiente para te fazer não ir para a aula?

– Eu posso explicar, se acalma.

– Explique-se já.

– Tudo começou quando eu fui para a primeira aula e descobri que Jake não só está na mesma universidade que eu como também está na mesma sala, e junto com o seu "amiguinho", Charlie — eu fiz uma voz de nojo ao pronunciar Charlie — Eu acho que é óbvio que eu não consegui aguentar nem o primeiro tempo. Quando eu chego ao meu quarto Kevin me convida para ir a um bas legal que todo mundo vai, e lá vou eu, e quando eu chego ao bar, lá estava ele, só que eu não fui embora o que seria uma atitude bem mais madura considerando que eu subi ao palco e cantei Love Drunk claramente dedicada a ele, e depois bebi como se não houvesse amanhã e fui levado de volta ao meu quarto carregado por Kevin.

– Eu não sabia Pat.

– E o pior é que hoje ele me encontrou, disse que me ama e que vai lutar por mim até eu ser dele — eu sentia meu rosto queimando como se Jake ainda estivesse ali — E apesar de no fundo eu querer que ele lute por mim, eu não posso, dói demais amar alguém tão difícil e eu não estou pronto para perdoar tudo o que ele fez.

– Mas você o ama também.

– E você acha que eu não sei? Mas não é tão fácil assim Sam, eu não posso simplesmente esquecer, não foi uma briguiinha atoa, ele me abandonou e eu fui parar em uma clínica de reabilitação por causa dele!

Kevin só observava aquilo.

– Pat, vocês se amam. Isso que importa. O que ele fez foi horrível, mas isso quer dizer que ele não merece o seu perdão? Eu sei que você tem medo de se magoar de novo ma você tem que correr o risco, senão você vai passar a vida toda se perguntando o que teria acontecido.

Eu me levantei, não disse nada e sai do restaurante.

– Ei, aonde você vai? — Sam perguntou correndo atrás de mim com Kev.

– Para a universidade — eu falei entrando em um táxi.

Quando o táxi parou, eu paguei e desci. Ele não tinha parado na universidade porque eu queria andar um pouco. Depois de uns cinco minutos andando as lágrimas começaram a descer e minha respiração começou a ofegar. Eu vinha pensando no que Sam havia me dito e se eu perdoasse Jake e tudo fosse diferente? Mas e se não fosse? Era disso que eu tinha medo, eu nem havia me curado das feridas que Jake havia deixado, eu não estava pronto para feridas novas, talvez eu ainda não estivesse pronto para perdoar, mas e se quando eu estivesse fosse tarde demais?


– Tem certeza de que quer ver esse filme? — eu perguntei para Jake.

– Parece ser uma merda mas com você eu vejo qualquer coisa.

– Se você não quer ver a gente pode fazer outra coisa.

– Tipo o quê?

– Tipo isso — eu o arrastei pro banheiro, o pus em cima da pia e comecei a beijá-lo.

E depois o beijei de novo.


Eu caminhei mais alguns minutos e cheguei na esquina do campus, mas a dobrar a esquina meus músculos travaram com o que eu vi. Meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Jake estava enconstado no muro, perto do portão, as mãos de Charlie estavam em sua cintura, e suas bocas estavam coladas uma na outra.

Aquilo fez com que eu sentisse um misto de nojo e tristeza, eu sai correndo na direção de onde eu tinha vindo, corri até que minhas pernas cederam e eu cai na calçada.

– Eu sabia — eu falei pra mim mesmo entre soluços e lágrimas — Ele continua não valendo a pena.