Patrick e Jake
15 Capítulo 15 - Patrick
- Você não devia ter bebido tanto — Kevin falou enquanto ia tentando me equilibrar no meio da rua.
- Ah Kevin, eu nem bebi tanto — eu estava com a voz embargada — Meu Deus Kevin, olha que árvore bonitinha!
- É Jake, é linda — disse Kevin rindo.
Conseguimos chegar na faculdade, e agora estávamos indo para o dormitório. Enquanto nós andávamos, eu cantarolava a música que tinha cantado mais cedo no bar.
- Kevin?
- Fala.
- Você acha que aquilo foi criancice demais? — eu perguntei — Eu ter cantado aquela música por causa dele?
- Se com "ele" você quer dizer o garoto que você olhou a noite inteira — disse Kevin — Não sei, não sei o que você tem com ele.
- Ah só o que é preciso saber é que ele é um belo de um filho da puta – eu disse e dei uma risada.
-Bom eu acho que você não esta em condições de falar sobre isso agora.
Kevin me levou até o quarto e eu me joguei na cama. Kevin tirou meus sapatos e me cobriu.
- Boa noite Pat.
- Boa noite Kevin.
- Olha, você é um garoto especial, acho que ninguém devia fazer com que você se sinta mal tá bom?
Ele apagou a luz, me deu um beijo na bochecha e se jogou na cama.
Acordei de manhã com a cabeça latejando, sentindo que tudo estava girando. Flashes da noite anterior passavam pela minha cabeça. Me sentei na cama e vi que Kevin ainda estava dormindo. Então me levantei e fui tomar um banho
Quando saia do banheiro Kevin já tinha se levantado.
- Bom dia Kev — eu falei saindo do banheiro sem camisa e com uma toalha em volta do pescoço.
- Bom dia Pat. Você está de ressaca?
- Um pouco — eu falei vestindo uma camiseta verde.
- Quase não chegamos ao quarto ontem — Kevin falou rindo — Você não parava de falar de como as árvores eram bonitas e de cantar.
Eu dei uma risadinha.
- Você vai pra aula? — eu perguntei.
- Não sei, e você?
- Não. Estou morrendo de dor de cabeça.
- Bom, vai na enfermaria e pega umas aspirinas. E traz umas pra mim também.
- Vamos fazer uma festa banhada em aspirinas — falei levantando os braços.
- Deixa de ser idiota — Kevin falou rindo e me atirou um travesseiro.
- Nada de violência Kev — eu disse saindo do quarto antes que outro travesseiro me acertasse.
Sai do prédio tentando lembrar onde ficava a enfermaria e dei umas voltas no campus até que achei. Fui caminhando em direção ao grande bloco de concreto branco. Caminhava com as mãos no bolso e olhando para o chão, o dia estava muito frio e eu me arrependi de não ter pegado um casaco antes de sair. Quando eu estava bem perto da enfermaria eu vi aquela figura inconfundível vagando próximo ao local e resmunguei alguns palavrões me perguntando se o universo estaria contra mim já que eu me esbarrava com ele em todos os lugares. Jake olhou para mim e as malditas borboletas apareceram no meu estômago, minhas mãos ficaram frias e eu comecei a tremer.
- Oi Jake — eu falei quando passei por ele para chegar na enfermaria.
Lancei um olhar frio e um sorriso sarcástico a Jake.
Mas logo que estava andando eu senti que alguém puxava meu braço.
- Ei! — eu gritei.
- Pat, por que você está fazendo isso? — Jake me perguntou com uma voz inocente ainda segurando meu braço.
- Isso o que? Me solta Jake!
Ele me soltou e eu voltei a olhar para o chão.
- Você é um idiota, sabia? — eu falei afagando o lugar onde ele tinha me segurado.
- Desculpa.
Eu me virei e continuei andando em direção à enfermaria.
- Você me odeia? — Jake falou um pouco alto para que eu pudesse ouvir.
- O que você acha? — me virei para ele.
- Me desculpa.
Agora eu ia em direção a ele.
- Quantas vezes eu vou ter que te falar que não importa quantas vezes você me peça desculpas, isso não vai mudar nada? Você continua sendo um filho da puta e um simples pedido de desculpas não vai mudar isso. Nada vai mudar isso.
- Mas Pat, eu te amo — ele falou olhando em meus olhos.
- Isso também não muda nada, sabe por que? Porque já é muito tarde. Eu sempre estive aqui, do seu lado, fazendo de tudo para você me notar, mas você sempre estava ocupado mentindo para si mesmo e magoando quem te amava.
- Eu sei que eu errei, e sei que você não tem motivos para me perdoar, exceto por um.
- Qual?
- Eu sou o seu ponto fraco.
Não disse nada. Apenas me virei e continuei meu caminho até a enfermaria, mas logo Jake estava segurando meu braço novamente, só que dessa vez ele me levou até a parede e me empurrou com um tanto de força, o que fez com que eu suspirasse.
- Só quero que você saiba de uma coisa — os lábios dele estavam a centímetros dos meus e sua respiração quente ia direto para o meu rosto — Eu não vou desistir. Já vi que chorar e me lamentar não adianta de nada mas eu te amo Patrick Edwards, e eu vou lutar por você. Até você ser meu.
- Ah é? Boa sorte nisso então.
Eu o empurrei e sai andando em direção da enfermaria.
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