Patrick e Jake
9 Capítulo 9 - Jake
Acordei com batidas na porta, era tia Meredith me chamando para jantar. Não estava com fome, então fui tomar um banho. Desci apenas pra mostrar que estava vivo.
– Olá querido, quer comer algo? — disse tia Meredith.
– Na verdade não. Tô sem fome.
– Quer conversar sobre a visita?
–Acho melhor não. Vou na casa da Samantha tá, tia?
– Não demore.
Peguei o carro e sai, enquanto dirigia ia pensando no que dizer. Quando cheguei na frente da grande casa de Sam, fui direto para a porta e a mãe dela atendeu.
– Jake! Você por aqui? — ela me abraçou.
– Sim, eu resolvi voltar e ficar mais um tempo — eu sorri.
– Ah que bom! Vou chamar a Samantha.
Entrei na casa da Sam. Tinha até me esquecido de como a casa era por dentro. Lá era enorme. A escada dava pro andar de cima onde ficava o quarto de Sam.
–Oi Jake — ouvi alguém dizer atrás de mim, me assustando.
– Mas que porra é essa? Você me assustou Sam — ela começou a rir — A gente pode conversar?
– Claro.
– Em particular — eu falei, com uma expressão meio triste nos olhos.
Subimos as escadas e percorremos o grande corredor até chegar no ambiente grande e todo florido que era o quarto da Sam.
– Bem, primeiramente eu peço desculpas — eu falei.
– Não, eu é que peço! Não devia ter colocado tanta pressão em você.
– E tem outra coisa.
Nós nos sentamos na cama.
– Você estava certa. Eu nunca tinha admitido isso. Tinha medo até de pensar nisso, mas a verdade é que o que eu sinto pelo Patrick é muito mais que amizade. Sempre foi assim desde a primeira vez que o vi.
Andando pelos corredores da escola, vi um garoto baixinho em frente ao armário tentando equilibrar um monte de livros. Eu já sabia que aquilo não ia dar certo e estava certo, pois alguns segundos depois todos os livros estavam no chão. O garoto baixinho resmungou alguma coisa e então se abaixou pra pegar os livros.
– São muitos livros pra um garoto tão pequeno como você — eu disse me aproximando do garoto.
– Ah, olá — ele disse, me encarou e voltou a empilhar os livros.
– Deixa que eu ajudo você — me abaixei e comecei a empilhar os livros com o garoto — Você sabe que não precisa trazer todos os livros né?
– Só o que eu sei é que moro muito longe, então é mais fácil se todos estiverem aqui — ele me falou.
– E aonde você mora?
– Brooklyn.
– Nossa, bem longe mesmo.
Terminamos de arrumar os livros e o garoto pos eles no armário.
– Ah, já ia me esquecendo — eu falei estendendo a mão pro garoto — Meu nome é Jake.
– O meu é Patrick — disse ele apertando minha mão.
– Bom Patrick, a gente se vê por aí — eu falei sorrindo pra ele — Foi um prazer te conhecer.
– O prazer foi todo meu — disse ele sorrindo — É, a gente se vê.
– Mas agora é tarde demais, ele me odeia e eu vou ter que conviver com ele me odiando — eu falei.
– Não é assim Jake — ela segurou minha mão.
– É sim, eu pisei na bola e ele me odeia. Talvez até seja melhor assim, talvez a vida dele sem mim possa ser melhor.
– Jake, ele ainda gosta de você mas, entenda, algumas coisas são difíceis de esquecer, mas isso não significa que ele não vá te perdoar.
– Eu fui muito duro com ele. Ele não merecia aquilo.
Samantha ficou calada e eu só deitei minha cabeça nas pernas dela e comecei a chorar.
– Jake?
– O que foi?
– Você diria ao Pat que o ama?
– Acho que sim. Por quê ?
– Espera um pouco.
Sam pegou o celular e discou um número nele.
– Obrigado por me entender — houve uma pausa enquanto a pessoa do outro lado da linha estava falando — Tenho certeza absoluta, obrigada dr. Roger, beijos, tchau!
Virando-se para mim ela falou:
– Amanhã vamos visitar alguém!
Eu estava nervoso e feliz ao mesmo tempo. Acabei adormecendo na cama de Samantha e ela dormiu ali comigo. Eu senti que seria um dia cheio de emoções.
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