Patrick e Jake
10 Capítulo 10 - Jake
Enquanto mais perto a gente estava da clínica, mais eu estava nervoso. Não sabia o que ia dizer e me sentia como se estivesse no colegial de novo, só que dessa vez eu não ia me declarar pra uma vadiazinha qualquer e sim pro meu melhor amigo que estava internado em uma clínica de reabilitação por minha causa.
– Você tem certeza disso Sam?
– Claro que tenho, confie em mim. Só uma dica: Faça o que seu coração mandar.
– Essa é sua grande dica? "Faça o que seu coração mandar" ? Fala sério né Sam, que clichê mais clichê.
– Sempre funcionou nos filmes.
– É, mas isso aqui não é um filme.
O resto da viagem foi em silêncio. Quando o carro parou na frente da clínica eu tremia como se estivesse congelando, minhas mãos estavam suando e as malditas borboletas que só incomodam apareceram no meu estômago. O doutor Roger já nos esperava na frente da clínica.
– Sam, você tem certeza que vai dar certo ? A última visita deixou Pat bem abalado — doutor Roger foi logo falando, sem nem nos comprimentar.
– Oi para você também. E sim, eu tenho certeza de que vai dar certo — olhando pra mim — Parece até que vocês dois não confiam em mim.
Entramos na clínica e fomos direto para o andar de Patrick. Assim que chegamos ficamos parados na frente da porta.
– Eu e a Sam veremos tudo das câmeras — disse doutor Roger — Não faz besteira garoto.
Eu assenti e então doutor Roger abriu a porta e pôs a cabeça para dentro do quarto para ver se Patrick estava acordado.
– Patrick? Você tem visita.
–Tudo bem — Patrick respondeu.
Doutor Roger saiu do vão da porta e fez um sinal para que eu entrasse. Meu coração estava a mil, na verdade, meu coração estava a mil desde que eu tinha chegado na clínica, mas estava mais rápido ainda. Entrei no quarto e olhar que Patrick me lançou podia ter me congelado.
– Pensei que você tinha entendido que era pra me deixar em paz — Pat falou.
– Eu sei, mas eu tenho uma coisa importante pra falar.
– Não importa, é melhor dar meia volta.
– Calma. Eu posso me sentar?
– Não.
– Tudo bem, eu fico em pé.
– Porque você não fica em pé de fora do quarto? Ou melhor, fica em pé de fora da clínica.
– Patrick, por favor, me escuta, eu sei que errei. E não tem um minuto que eu não lembre daquele dia, se eu pudesse voltar e apagar o que eu fiz.
– Tarde demais! Não dá pra voltar atrás, por que se eu pudesse, eu voltaria até o dia em que a gente se conheceu e teria te apagado da minha vida. Talvez assim eu não estivesse nessa clínica e você estaria vivendo sua vidinha de merda!
– Eu entendo. Você tem toda a razão em estar com raiva de mim — eu queria chorar, queria mostrar que estava arrependido e que queria o perdão dele, mas as lágrimas não saiam — Mas eu estou implorando o seu perdão.
– Você me abandonou Jake — as lágrimas começaram a correr pelo rosto de Patrick — Me abandonou quando eu mais precisei de você.
Eu não sabia mais o que dizer. Tudo o que Patrick estava dizendo era verdade, então as lágrimas começaram a descer.
– Eu te amava Jake.
Essas palavras me atingiram em cheio. Então o que eu sentia é recíproco, ou era.
– E eu ainda te amo. E isso é o pior de tudo — ele enxuga o rosto com a gola da sua camiseta branca — Mas isso não muda nada.
– Muda sim — eu fui até o lado da cama de Patrick.
– E o que muda? — ele me olhava — Mesmo que eu te perdoe eu sempre vou ser o seu amigo que sofre por você em silêncio e a única coisa que vai mudar é o que você vai saber.
– Isso muda.
Eu segurei o rosto de Pat com as duas mãos e juntei os meus lábios no dele. Foi uma sensação tão boa ter aquele gosto doce que os lábios dele tem em minha boca de novo. Era a melhor sensação que eu já tinha sentido. Era como se eu estivesse em êxtase. Mas ele me afastou.
– Que engraçado — ele falou com um sorriso sarcástico no rosto — Você acha que é só vir aqui, me beijar e acha que eu vou te perdoar? — agora ele já estava gritando — Isso não muda NADA Jake. NADA. Pra mim você não é mais nada e nunca mais vai ser. Eu te odeio.
– Não, eu te amo Pat.
– Amor? Você é realmente uma piada. Você não me ama Jake. Eu não passava de um refúgio pra quando você estava sozinho, sempre fui só isso. Sempre fui a putinha burra do Jake — ele estava gritando e as lágrimas saiam descontroladamente de seus olhos — Por favor, me poupe do seu teatrinho, vai embora daqui! Assim não tenho que ficar perto de seu veneno.
A última frase foi como um tiro no meu estômago. Eu reconhecia aquelas palavras. Eram as mesmas que eu tinha dito a Patrick antes de ir embora. Não tinha mais como eu me defender, eu não tinha mais argumentos. Patrick estava usando minhas próprias armas contra mim, e agora eu sabia o quanto aquilo doía. Eu apenas me virei e sai do quarto. Eu mal fechei a porta e minhas pernas cederam. Eu desabei em frente ao quarto. Fiquei sentado encolhido, abraçando as pernas, procurando alguma força pra sair daquele lugar.
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