Patrick e Jake

14 Capítulo 14 - Patrick


Eu estava surpreso e com raiva. Jake me olhava com uma expressão de surpresa no rosto, mas não veio até mim. Ele se sentou em uma cadeira bem lá na frente e tentou não olhar para trás. Eu só abaixei a cabeça e tentei não pensar nele, mas minha tentativa foi interrompida por um toque em meu ombro.

– Patrick? É você? — disse a pessoa e eu dei graças a Deus por não ser a voz de Jake. Então olhei para trás.

– Charlie! Que bom ver você! — tão bom quanto ser picado por uma cobra, eu pensei.

Mas não falei, tentei parecer animado, apesar de ter soado meio falso, mas acho que ele não percebeu.

– Que bom que você foi aceito — ele me falou me abraçando.

Fiquei com vontade de pegar um lápis e enfiar nas costas dele, mas retribui o abraço.

– Você viu que o Jake está aqui também? — ele me perguntou.

– Vi — eu disse sem emoção.

– Porque vocês não se falam mais?

– Alguns problemas, mas eu prefiro não falar sobre isso — eu falei a Charlie antes que ele perguntasse mais alguma coisa.

– Ah, tudo bem — ele deu de ombros — Você não se importa se eu sentar com ele né ?

– Por que eu me importaria? — dei um sorriso sarcástico — Você sempre gostou tanto dele.



Jake e eu estávamos sentados em uma mesa no refeitório e conversávamos animadamente, então Charlie chega e senta do lado de Jake.



– Oi Jake — Charlie diz e abraça Jake, o que faz com que eu adquira uma expressão de nojo.

– Oi Charlie — Jake falou retribuindo o abraço.

– Oi Patrick — Charlie se referiu amim

– Oi.

– Jake, me faz um favor? — Charlie pergunta ao Jake.

– Qual?

– Todos dizem que você é ótimo em química e eu estou com uma dificuldade enorme, você poderia ir lá em casa hoje para me ajudar?

– Olha, eu até poderia te ajudar, mas hoje eu vou no cinema com o Patrick, desculpe.

Eu assenti e um sorriso de satisfação preencheu meu rosto.

– Ah, então tudo bem — Charlie falou e saiu — Fica pra próxima.


Charlie pareceu não percebeu a ironia na minha voz, apenas sorriu e foi até Jake sentando do lado dele.


– Bom dia a todos — disse um homem grisalho entrando na sala e indo até a frente das carteiras dos alunos — Sejam todos bem vindos!

Depois disso eu não conseguia escutar mais nada que o professor dizia, mesmo sem perceber, toda a minha atenção estava em Jake, e em como Charlie ficava tocando ele, aquilo estava me deixando enojado, não aguentava mais ver aquilo. Peguei minhas coisas e sai da sala, sem nem ao menos avisar o professor. Senti as lágrimas começando a se formar em meus olhos e como eu não queria que ninguém visse que eu chorasse eu entrei em uma porta onde estava escrito "homens". Fui até a pia e as lágrimas começaram a descer descontroladamente, e eu soluçava e tentava conter as lágrimas com as mãos.

– Por quê? — eu pergunto olhando para meu reflexo no espelho — Por quê eu continuo me importando com você?

Eu ouvi a porta do banheir abrir e um rapaz entrou. Tentei enxugar as lágrimas o mais rápido possível, mas já era tarde, o rapaz já tinha visto.

– Me desculpe — ele disse parecendo envergonhado.

– Não, tudo bem — eu disse tentando enxugar as lágrimas, mas sempre apareciam novas.

O rapaz me entregou um pedaço de papel.

– Acho melhor você usar isso — ele falou me entregando o papel.

– Obrigado — eu falei enxugando o rosto.

– Por que você estava chorando?

– Nada demais.

– Foi mal, eu sou meio abelhudo — disse o rapaz sorrindo envergonhado.

– Não, tudo bem — eu falei me forçando a sorrir.

– Meu nome é Christopher, mas pode me chamar de Chris — disse ele estendendo a mão para mim.

– O meu é Patrick, mas todos me chamam de Pat — eu falei apertando a mão dele.

O sinal do final do primeiro tempo soou.

– Bom, eu tenho que ir para a próxima aula Pat, a gente se vê mais tarde.

– Tchau.

Eu olhei no espelho uma última vez, arrumei o cabelo e sai do banheiro. Não estava com vontade de voltar para a sala então fui ao dormitório. Um dia de aula perdido não faria muita diferença. Desci as escadas até chegar o primeiro andar e sai do prédio.

Ao chegar em meu quarto eu só me joguei na cama e dormi até ouvir o barulho daporta do quarto se abrindo.

– Nossa, você chegou bem cedo — disse Kevin largando a mochila na cama e se sentando.

–Não assisti todas as aulas.

– Que feio Pat, matando aula no primeiro dia — disse Kevin fingindo estar decepcionado e me fazendo rir pela primeira vez naquele dia — Mas então seu delinquentezinho, quer sair hoje?

– Tá me chamando para um encontro? — eu falei fazendo uma cara engraçada.

– Não seu bobo — ele riu da minha cara — Tem um bar aqui perto do campus que todo mundo vai, é bem legal.

– Ah, acho que não estou afim de sair hoje.

– Ah Pat, por favor, vai ser legal — ele falou fazendo cara de cachorrinho triste — Por favorzinho.

Eu sorri.

– Ah, tudo bem cachorrinho babão, eu vou.

Ficamos conversando por mais alguns minutos até que a noite chegou e começamos a nos arrumar. Eu não estava realmente preocupado em ficar bonito, só pus uma roupinha básica e fiquei esperando Kevin terminar de se arrumar.

Quando ele terminou de se arrumar nós saímos do prédio e fomos andando até os portões do campus. Depois andamos só um pouco até que chegamos na frente de um lugar que era até bem bonito.

Entramos no bar, que estava cheio de gente e não demorou muito até eu ver Jake junto com Charlie.

– Merda — eu falei.

– O que foi? — Kevin me perguntou preocupado.

– Eu quero ir embora.

– Mas acabamos de chegar.

– Você pode ficar, eu volto sozinho.

– Não, tudo bem, vamos embora.

Enquanto andavámos até os portões do campus, eu comecei a pensar. Jake estava nas mesmas classes que eu, na mesma universidade que eu, e agora no mesmo bar, eu ia ficar fungindo dele para sempre? Eu ia deixar tão claro que eu estava sofrendo por ele? Não, isso nunca foi o meu estilo.

– Quer saber Kevin? Vamos ficar — eu falei.

– Pat, você sofre de um caso bem sério de bipolaridade.

Eu dei uma risada meio exagerada mas voltamos ao bar e no palco um rapaz cantava uma música animada.

Achamos uma mesa vazia e nos sentamos.

– Muito bom, muito bom — disse um cara ao rapaz que estava cantando no palco, quem eu deduzi ser o dono do bar.

O rapaz sorriu e desceu do palco.

– Muito bem — o dono do bar que agora estava em cima do palco falou — Quem vai vir cantar aqui agora?

Fiquei de pé bem rápido.

– Eu vou.

– Então suba aqui rapaz — o dono do bar se referiu a mim.

Fui andando no meio das pessoas até chegar ao palco.

– Que música você vai cantar rapaz?

– Love Drunk do Boys Like Girls — eu falei animado.

– Algum motivo especial para a escolha?

– Combina muito bem com o que eu estou passando — eu falei olhando diretamente para Jake que agora me encarava.

– Então manda a ver — o dono do bar me entregou o microfone e a música começou a tocar.

Então eu comecei a cantar.



Hey, hey, hey, hey



Top down in the summer sun

The day we met was like a hit and run

And I still taste it on my tongue



Enquanto cantava, sempre ia olhando para Jake, que agora me encarava sem reações.



Hot sweat and blurry eyes



We're spinning on a roller coaster ride

The world stuck in black and white

You drove me crazy every time we touched

Now I'm so broken that I can't get up



E eu já sentia que as lágrimas iam começar a descer.



All the time I wasted on you



All the bullshit you put me through

I’m checking into rehab ‘cause everything that we had

Didn’t mean a thing to you



Mas não, eu não ia chorar de novo.



I used to be love drunk, but now I’m hungover



I love you forever, but now it’s over

Now it’s over



Acabei de cantar, coloquei o microfone no pedestal e desci do palco indo até Kevin.



– Como eu fui? — eu perguntei meio ofegante.

– Ótimo.

Eu me sentei, olhei para Jake que tinha uma expressão meio triste no rosto e que agora estava olhando para mim, lancei um sorriso sarcástico para ele e pedi uma porção de batatas fritas ao garçom.