Thor, L’ad e Alana seguiram para o sul, em direção a cidade de Totslum. Eles estavam com 3 cavalos a mais e 4 acompanhantes: 3 criminosos sahamatianos e um garoto mimado que havia sido seqüestrado por eles. Dizia ser o filho do conde de Totslum.

O Sol já havia se deitado quando eles visavam as muralhas da cidade. Uma coisa que todos os povos de Midétaphos tinham em comum era a religião (bom... quase todos). Vale ressaltar que os povos de Midétaphos acreditavam que o Sol, ou Firahaim como escrito nos textos mais antigos, é na verdade um outro mundo, muito distante, em que viviam gigantes de fogo. Esse mundo era governado por Hirasu, a deusa da Luz, e Hrimon, deus do próprio Sol e do fogo.

A Lua que brilhava logo atrás deles, ou Mondheim como era chamada nos textos mais antigos, também era considerada um mundo, porém o mundo dos mortos, governado pela filha de Hirasu e Hrimon, Hekle.

Eles entraram na cidade. Estava meio destruída, mas ainda de pé. O palácio com entalhes de ouro no centro da parte norte da cidade era o quê mais chamava atenção. Tratava-se da casa do Conde Gör Kïrke, senhor dessa pobre cidade no meio do deserto. Ele sempre teve fama de corrupto no resto do reino, fora do deserto. L’ad olhou seu relógio de bolso e viu que já eram 11:30 da noite. Em meia-hora já seria o dia em que deveriam sair em sua expedição. Tinham que encontrar o próximo guerreiro o mais rápido possível, mas também precisavam descansar.

O cavalo de L’ad era de uma raça rara. Na verdade esse ”cavalo” era um unicórnio de 6 fortes pernas (características que só eram visíveis para elfos, meio-elfos, magos, alquimistas, cegos e aqueles que tinham instrumentos mágicos para isso.) e pelos negros que podia usar de uma mágica para que os animais que ele quisesse e que estivessem a menos de 3 metros dele pudessem ficar na sua velocidade, um sleipnorn, uma criatura raríssima, mas ele estava perdurando essa magia por 13 horas e estava completamente desgastado. Só poderia fazê-lo de novo em 2 dias. Quando chegaram num estábulo próximo ao palácio, o sleipnorn logo caiu no sono.

— Serão 6 Sigels. – Disse o dono do estábulo.

— Ok... – Concordou L’ad entregando 6 moedas de prata para o comerciante.

— ...Por cada cavalo, senhor

— O QUÊ?! – O absurdo preço assustou L’ad. – O senhor está tentando reger um negócio aqui ou roubar os outros?

— Não posso dizer com certeza... – Respondeu.

— E que tal comprar esses 3 cavalos? – Perguntou o anão apontando para os cavalos dos criminosos.

O comerciante de aparência estranha, corcunda e com os ossos a flor da pele pegou um cristal do bolso e olhou para o cavalo de L’ad através dele.

— Ok! Já que se trata de um sleipnorn eu vou deixar ele, o cavalo da moça e o pônei aqui por uma noite em segurança em troca desses três cavalos. Mas só uma noite!

— Como queira... – Disse L’ad desapontado.

— Ladrão maldito! – Gritou Thor.

— Que nos vamos logo. – Disse Alana neutra.

— Não vamos mais perder tempo! – Concordou o garoto impaciente sabendo que não poderia ir correndo sem uma escolta até o palácio. Totslum era uma cidade muito perigosa.

No caminho a pé até o palácio, enquanto andavam, Thor perguntou uma coisa para L’ad, olhando sério para ele.

— L’ad... Aquele seu animal é um sleipnorn?

— Naturalmente! Não achou estranho termos viajado tão rápido?

— Verdade... Mas, o quê mais eu não sei?

— Oh... – L’ad afastou um pouco do seu cabelo, mostrando as suas orelhas élficas.

— Seis um elfo?! – A visão assustou o anão,pois nenhum elfo agia

Aquela cidade era um mesclo de ruínas recentes com... favela, mesmo na parte mais rica da cidade.

O cenário mudava ao passar pela portado palácio. Tudo lá dentro ficava entre tons de branco, dourado, vermelho e azul. Vários detalhes existiam em todo lugar, bem como o ouro e pedras preciosas, o quê só provava a corrupção do conde. Entretanto Thor pensava estar no mundo dos deuses.

Ao passar pela grande porta de ouro no fim do corredor, entraram na sala do trono, onde o conde Gör Kïrke estava sentado impaciente. Ele era loiro, possuía um cabelo comprido, uma barba reta e olhos azuis e ainda assim, tinha pele escura para loiros como ele. Ele não parecia ser nem um pouco carismático, porém quando viu seu filho passando pelas portas da sala do trono não escondeu sua felicidade quando se levantou do seu trono.

— Gaius! – Disse o conde surpreendido.

— Pai! – O garoto correu para os braços do pai. – Eu fui seqüestrado por aqueles sahamatianos da rebelião!

— Quem são vocês, guerreiros que trouxeram meu filho a mim? – Perguntou o conde abraçando seu filho com força e olhando para os três libertadores dele.

— Somos soldados da rainha Heike Von Fate. – Disse L’ad, jogando um dos sahamatianos presos aos pés do conde. – E achamos que queira fazer algo com esses criminosos. – Os outros dois também jogaram os seqüestradores que acharam.

— Recompensados serão, nobres guerreiros da capital! Mas vocês não vieram aqui atrás de bandidos ou recompensas, certo?

— Está certo, senhor. Viemos aqui atrás de descanso e de desbravadores corajosos o suficiente para atravessar a Cordilheira do Crepúsculo e explorar as terras além dela.

— Poderão ficar aqui esta noite, e espero que encontrem o quê procuram. – Disse o conde. – Minha criada irá mostrar os aposentos para vocês.

- Obrigado. – Respondeu L’ad curvando-se.

Uma criada foi em direção de Alana, L’ad e Thor, enquanto guardas carregavam os rebeldes até as masmorras. Quando eles saiam do cômodo, Gaius soltou sua voz.

— Esperem! Vocês três...Vocês viajarão pelo reino?

— Naturalmente, criança. — Respondeu Thor.

— E enfrentarão desafios perigosos?

— Sim. Não és coisa para crianças, se é o quê estais pensando. – Respondeu Alana.

— Entendo... – Sem dizer mais nada, Gaius saiu pela porta de trás, em dieção ao seu quarto.

Gaius Kïrke só tinha deixado o palácio em poucas ocasiões: Uma vez quando foi para a capital com seu pai, algumas vezes que ia para o templo de Hrimon e quando foi seqüestrado.

Ele se olhava no espelho enquanto desmanchava seus cabelos loiros e lisos. Seus olhos azuis estavam perdidos em pensamentos.

Havia uma garota no templo de Hrimon, filha adotiva do sumo-sacerdote. Ela e Gaius eram muito unidos, melhores amigos. O garoto lembrou-se do dia em que eles fizeram a promessa de que um dia viajariam juntos pelo mundo, mas essa amiga estava na capital agora, treinando para ser uma maga. Ele pegou uma de suas penas, um pedaço de papel na gaveta debaixo do espelho e começou a escrever.

13/08/1613 D.S. L’ad, Alana e Thor estavam preparando seus cavalos para partir no estábulo do velho ladrão quando Gaius apareceu correndo.

— Ora vejam só, a pequena ervilhinha que pensa que é ouro voltou. – Disse Alana vendo o garoto desesperado.

Ele parou ofegante na frente da elfa com as mãos nos joelhos e pediu...

— Posso me juntar a vocês?

Alana ignorou e saiu de perto da criança, a qual foi pedir para L’ad.

— Senhor, por favor, posso ir junto em sua viagem?

— Por que levaríamos você? – Disse amarrando a ultima sacola no cavalo.

— Eu posso ser útil, senhor.

— Em que, meu bom rapaz?

— E-Eu sou habilidoso com a lança e minha inteligência e conhecimentos são vastos, pelo menos para os de minha idade.

— Ok, ok, mas por que quer vir conosco?

— Uma promessa que fiz há muito tempo. – Ele abaixou a cabeça, meio envergonhado.

— Ah! Uma garota! – Riu o cavaleiro.

— Hã? O quê? N-não! Ninguém disse nada sobre garotas! – Ele estava vermelho e assustado com a precisão do meio-elfo.

— Está escrito na sua cara, criança! Você poderá vir conosco, mas somente até a capital. Lá veremos se é tão habilidoso com a lança quanto diz ser. – Um sorriso enorme se abriu no rosto da criança.

— Muito obrigado, senhor!

— Claro que precisaremos da permissão por escrito do seu pai para esta viagem.

Gaius deu para L’ad um pergaminho assinado pelo conde Gör Kïrke permitindo a viagem do seu filho até além das montanhas que os olhos podem alcançar. L’ad achou isso muito estranho, mas resolveu não questionar, ele só queria ir logo para a capital ver a sua filha e receber as ordens para começar a missão. Eles já estavam atrasados e deveriam partir de imediato.

Gaius subiu na garupa do cavaleiro. L’ad deu ao sleipnorn um fruto mágico que recuperou todas as forças dele. Ativou a magia e dentro de 6 horas eles estavam na capital de Soltzen.

A cidade de Soltzen se localizava no centro do país. Ela foi construída aos pés do monte Gatzen e subindo com a montanha, tanto que algumas casas na cidade tem apenas uma fachada fora da montanha, bem como o castelo da rainha. Mas a cidade de Soltzen era simplesmente gigante, então ela cobria um vale enorme e os pés de várias outras montanhas menores.

Ao chegar perto dos portões da cidade, eles começaram a cavalgar normalmente. No exato centro da cidade ficava por pura coincidência a Real Academia Militar de Soltzen, a melhor escola de combates e estratégias em todo o reino, a qual só ensinava os melhores e os... filhos dos endinheirados. Lá eles pararam e um sorriso se satisfação abriu-se no rosto de L’ad. Uma garota elfa de cabelos castanhos claros com aparência de idade igual à de Gaius apareceu correndo feliz em direção a L’ad gritando “Pai!” Os dois se abraçaram, e Gaius... Conhecia ela...