L’ad e sua filha se abraçaram e giraram. Estavam felizes em poder se ver outra vez.

— Pessoal, essa é minha filha, Cécile. – Disse ele apresentando a criança que parecia ter 14 anos de idade.

— Então tens uma filha pura elfa?! – Surpreendeu-se Alana. – Aonde está a sua mãe, criança?

Um longo silêncio constrangedor se iniciou.

— Er... Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Thor confuso.

— Não, nada. – Respondeu L’ad. — Só vamos almoçar logo e... Assistir a formatura da minha querida filha. – Ele a abraçou e a levantou, girando-a no ar.

— Que bom, já não estava agüentando de tanta fome! – Exclamou o anão.

— Tu só pensas em dinheiro e comida, não é, anão?

— São as bases da vida!... Elfa magrela...

— O QUÊ DISSESTE?! – Alana explodiu de raiva com o comentário.

— Er... Nada não... hehe... – Disse tentando e evitar a própria morte.

Todos desceram de seus cavalos e foram em direção a sala de jantar da academia. Gaius permaneceu quieto e invisível para a garota, ele não queria ser visto. Não podia ser a garota do templo, pois o nome dela era Tanith. E mesmo que fossem a mesma pessoa como ela teria envelhecido tão pouco em 9 anos?

Todos eles entraram em um grande salão com várias mesas enormes cercadas de cadeiras e fartas de comida, entretanto, poucos alunos comiam ali naquele momento. Thor logo arrancou uma coxa do primeiro porco assado que encontrou e para que o anão não fizesse sujeira, logo se sentaram, menos Gaius que continuava escondido da garota, e a própria Cécile.

— Pai? – Cécile pediu a atenção dele. – Poderia me dar licença? Tenho que dar uma passada no meu quarto.

— Tudo bem, pode ir filha.

— Obrigado. – Ela respondeu com um risinho e correu para seu quarto. Gaius seguiu-a.

A jovem elfa parou na frente do seu espelho. Ela estava nervosa, são sabia se ia conseguir se formar ou não. De qualquer jeito ela respirou fundo e colocou no seu cabelo um pente verde com pingentes também verdes e da gaveta na escrivaninha logo abaixo do espelho, ela pegou um colar feito de esmeralda, e da porta Gaius via tudo.

— T... – O garoto ficou paralisado. – Tanith?! Tanith é você?!

Cécile se assustou e olhou para trás. Ficou ainda mais pasma com o quê vira.

— Gaius? – Ela não acreditava no que via. – Q-quando? Como? O sacerdote disse que você tinha sido morto pelos rebeldes!

— Como? Ele disse que... Não acredito... – Ele não entendia o por que das mentiras, mas sabia que alguém no condado estava traindo o pai dele. – Ah! Isso pouco importa! Eu... não acredito que você está aqui! E é filha do L’ad!

— E nem eu que meu pai tenha te encontrado e te trazido.

Eles iam se aproximando, e no fim, deram um abraço de felicidade como nunca aviam sentido antes. Os dois deixaram lágrima escorrerem pelos seus rostos.

Pararam de chorar, enxugaram as lágrimas e desfizeram o abraço.

Eles enxugaram suas lágrimas e olharam um pros olhos do outro.

— Melhor voltarmos para o salão, né? – Sugeriu Cécile.

— É.

Gaius e Cécile voltaram juntos para o salão, tentando disfarçar.

L’ad, Alana e Thor já se deliciavam com as coisas no salão de jantares. Não iria demorar muito para a formatura de Cécile... Isso é, se ela fosse se formar.

Depois de 1 hora esperando aquele anão inacreditavelmente pequeno a olhos humanos se saciar (na verde todo anão come excessivamente.) um homem de armadura prateada simples entregou uma carta para Cécile, nela dizia:

“Senhorita Cécile Fair Is-kriger, Menon abençoou-te com a graça sobre as lâminas gêmeas. Nós da Real Academia Militar de Soltzen reconhecemos isso pelos seus feitos. A sua cerimônia de formatura começará dentro de 30 minutos. Não atrasará-te!”

A Academia sempre fazia esse tipo de surpresas para seus formandos. Irritava algumas pessoas mas era o jeito dele de fazer as coisas. Se alguma família teria confiança de que seu parente na academia se formaria, apareceriam todos dos dias, ou pelo menos esse era o pensamento deles.

Entretanto ninguém esperava que qualquer pessoa comum se formasse em meros 10 anos. Cécile foi a primeira em todo mundo que já conseguiu tal proeza, principalmente na complicada arte das lâminas gêmeas.

No centro do jardim da academia, havia uma área circular cercada na qual havia apenas grama. Centenas de pessoas cercavam aquela área, e o diretor da escola estava ali esperando.

Ele era um homem de cabelos e barbas longas, lisas e brancas. Ele parecia ser um elfo ancião de Bei-Hong (um continente ao sudoeste de Veinia, o continente onde se encontra Soltzen) pelas suas orelhas e aparência. Entretanto ele era um anjo, muito mais velho do que um elfo jamais sonharia em ser e o mais velho entre os próprios anjos de Bei-Hong. Ele era o maior dos arcanjos (título de honra dado a poucos deles), entretanto desertou esse título pelas riquezas que possuía o reino de Soltzen. Graças a sua idade, o diretor conseguiu mestrar todas as artes marciais existentes.

Cécile se aproximava do campo, descalça e usando roupas mais desleixadas, mas com o cabelo ainda preso ao pente verde. Ela segurava suas pequenas espadas com as lâminas contra o chão como se fossem uma extensão de seu braço. Ela estava pronta para derrotar seu próprio mestre.

O diretor segurava consigo uma espada de duas mãos com apenas uma lâmina curva contra ele. Uma katana de lâmina desta estava do lado contrário. Mas todos sabiam que em algum momento ele iria tirar algo da manga.

L’ad e seus companheiros se juntaram a multidão enquanto Cécile entrava no campo de batalha.

— Senhorita Cécile Fair Is-kriger! Nosso amado prodígio! HAHAHA! – Ele soltou sua risada pesada. – Este será seu último teste! Para poder ser considerada aprovada, terá que me derrotar! Vamos logo com isso, sim? – Ele entrou em posição de luta.

Cécile entrou em posição de batalha e esperou o diretor dar o primeiro passo, mas ele não o fez e ela não teve escolha senão agir. O velho desviou num salto de 3 metros de altura. Dali ele tentou desferir um golpe, mas Cécile rapidamente reagiu defendendo do golpe e depois se afastando do homem.

A luta tinha começado bem, a maioria das pessoas naquela ocasião teria ido pro chão com dor ou simplesmente desmaiariam. Não era a toa que ela estava se formando em apenas 10 anos... Bom... Ela só se formaria com a aprovação do diretor em uma luta contra ele.

A batalha estava árdua. 10 minutos de briga e até então nenhum deles acertou um golpe.

— Estou impressionado, Cécile. – Ele desvia de um golpe. – Está defendendo e desviando de tudo. – Desferiu outro golpe, que foi defendido. – Talvez eu precise de uma nova estratégia.

O velho revelou suas asas e voou para longe dela num salto. Na outra extremidade do campo de batalha ele fincou a katana no chão e um martelo gigante se materializou em suas mãos. Cécile se assustou ao ver a arma. Ele correu em uma velocidade incrível na direção da menina e desferiu um golpe com uma velocidade parecida. Ela não deixou-se levar pelo susto e conseguiu desviar do golpe da marreta e desferiu um golpe no pescoço do seu mestre, que desmaiou. Aquele golpe no pescoço de uma pessoa normal teria matado, mas o diretor era um anjo. A maioria das pessoas tentaria ajudá-lo, mas cécile foi treinada para nunca baixar a guarda diante de um inimigo, que era como o velho queria ser tratado. Além disso ela sabia que anjos tinham uma recuperação rápida e grande resistência. Ela permaneceu na posição de batalha.

— HAHAHA! – A risada estridente do diretor cortou o ouvido de todos. – Muito bem, Cécile! – Podia se ver o corte no pescoço do anjo se recompondo enquanto ele lentamente levantava. – Você não baixou a guarda! Já é o suficiente para mim. – Ele levantou e alongou seus ombros. – Você é digna do título de Eyriher Real. – O diretor fez com que a katana viesse voando para sua mão enquanto segurava a marreta com outra, e elas se transformaram em duas espadas curtas de lâmina curva com dentes minúsculos e base com detalhados entalhes em ouro. Ele entregou as armas para Cécile segurando nas lâminas.

— Muito obrigado, meu senhor. – Ela guardou as espadas que já segurava e pegou as do mestre.

Nunca ninguém tinha derrotado o diretor tão rapidamente e a multidão começou a gritar animada. É claro que alguns invejosos diziam que ela deu um golpe de sorte ou que o diretor estava pegando muito leve.

Com um grande sorriso estampado no rosto, Cécile pulou a cerca e abraçou o seu pai, L’ad nunca esteve tão orgulhoso. E então ela abraçou Gaius e por pouco não houve um beijo, mas Alana percebeu algo entre os dois.

Cécile agora era uma Eyriher Real, consagrada com a aprovação da Academia Militar Real de Soltzen. Eyrihers são guerreiros que lutam com duas pequenas espadas gêmeas. Essa palavra surgiu no tempo dos primeiros seres pensantes de Midétaphos, que eram mais antigos que o próprio calendário élfico, chamados Os Anciões (que segundo a lenda eram filhos diretos dos próprios deuses). Ey significa lâmina; Ri é o sufixo para o plural de muitas palavras anciãs, e também significa gêmeo; Her significa possuidor; logo Eyriher significa “Possuidor das lâminas gêmeas”.

Os 5 estavam felizes, mas não tinham tempo para continuar comemorando. Tinham que ver a rainha o quanto antes.