Passional
2 1. Caso em Aberto
A detetive sentia os efeitos da própria negligência recaírem sobre seu corpo. Os músculos doloridos e a mente cansada, por sorte, eram detalhes que somente ela conseguia observar… Mas esperava que seu rosto não deixasse tão explícito as noites insones que vinham a perturbando nos últimos dias. Claro, tudo apenas tinha se intensificado porque, além do trabalho, decidiu que organizaria tudo referente aos últimos casos em aberto para otimizar o tempo e a ajuda do novo detetive que chegaria em breve à Stowe.
Sidney Bennet apoiou as mãos na cintura enquanto observava seu trabalho. Uma das mesas estava ocupada com duas caixas devidamente identificadas: Harper Abott e Lilly Cooper, as vítimas dos casos dos últimos meses. O quadro branco giratório tinha uma das faces cobertas com as informações do caso mais recente: Maddison Gallagher, a adolescente encontrada há duas semanas. Isso deixava a sala com informações demais para se assimilar logo de cara… Mas o sofá de descanso e a mesa sobrando, grande o suficiente para que ela e o novo detetive pudessem dividir em um primeiro momento, traziam um pouco de “conforto”. Apenas o suficiente para que conseguissem se concentrar e focar nos detalhes daqueles casos sem a distração das mesas que ficavam dispostas próximas da recepção. Ela sabia por experiência própria que a visão das viaturas chegando ou o simples som dos pneus cortando a neve no estacionamento já podiam ser o suficiente para dispersar o foco… Para não mencionar os civis entrando para fazer denúncias ou serem levados para as celas no subsolo da delegacia.
Stowe era uma cidade pequena, turística e pacata. Tediosa, alguns diriam. Por isso a infraestrutura não era das melhores ou mais adequadas para trabalhos muito densos ou que exigisse demais dos policiais alocados ali. E ter quatro, agora cinco, casos em aberto simultaneamente deixavam a situação um pouco caótica. Além de Sidney, havia apenas mais três detetives na unidade, por isso ela não sentiu seu ego ferido quando o chefe de polícia avisou que chamariam um detetive de fora do condado. Na verdade, quando ela soube que Washington disponibilizou alguém, sentiu-se esperançosa, afinal, poderiam resolver aquilo rapidamente com a ajuda de alguém mais experiente e preparado…
— Bennet? — a voz veio seguida de duas breves batidas na porta. Duncan abriu o suficiente para poder escorregar parte do corpo pra dentro e procurar Sidney, sem tirar a mão da maçaneta — Jones está te chamando na sala dele.
— Ah, o novo detetive já chegou?
— Você perdeu a entrada dramática dele. — Ele olhou rapidamente por sobre o ombro, vendo se não tinha ninguém no corredor atrás dele, então voltou a encarar a detetive. — Linda disse que ficou algum tempo lá fora avaliando nossa delegacia, depois entrou, só falou o sobrenome e avisou que o Jones estava esperando por ele… Tipo um personagem de filme.
— Tipo um daqueles galãs egocêntricos? — Sidney ergueu uma sobrancelha, antes de deixar um riso curto escapar em um suspiro.
— Palavras dela, não minhas. Eu o descreveria como arrogante, talvez. — concluiu, dando de ombros
— Aposto que deve ser emocionante sair de Washington e acabar em Stowe. — com uma sobrancelha erguida para o colega de trabalho, ela o desafiou a colocar-se no lugar do recém chegado. — Com certeza ele deve estar se perguntando como nós não conseguimos resolver casos em uma cidade tão pequena.
Mesmo camuflada em um tom bem humorado, a autocrítica da detetive ainda estava naquelas palavras… Duncan foi rápido, desconversando e fingindo não perceber o sentido por trás das palavras dela.
— Ou deve estar se perguntando quanto tempo vai demorar até congelar no meio de toda essa neve.
— Se o tempo continuar assim? Até o fim do dia. — respondeu com um sorriso discreto no canto dos lábios, agradecendo a gentileza do colega.
Sidney deixou a sala que havia sido preparada para a investigação dos casos em aberto e que vinha sendo somente sua até o momento, mas em instantes passaria a dividir com o recém chegado que estava prestes a conhecer. Ela parou por um momento diante da porta da sala do chefe ao ouvir que ele ainda conversava com seu visitante, imaginando se seria o melhor momento para interromper.
— …Antes, podíamos deitar com as portas abertas, tudo permanecia no mesmo lugar. Hoje, temos um toque de recolher... É às dez, aliás. — a voz do superior ecoava abafada de dentro da sala — Como eu disse, contamos com apenas dois detetives na nossa unidade. Três, agora, com você.
— Aqui é mesmo diferente da cidade grande… — outra voz masculina respondeu, o detetive recém chegado, claro.
— Você se acostuma… — afirmou, resignado, mas logo riu de si mesmo e tratou de corrigir-se — Não com os crimes, claro, mas com a forma como as coisas tem que funcionar por aqui.
— Claro.
— Eu designei nossa melhor detetive para te auxiliar… Pedi que ela organizasse todos os nossos últimos casos para te passar os detalhes e, claro, ela ficará à sua disposição.
Havia algo na voz do detetive recém chegado que causava um estranho sentimento de familiaridade em Sidney, como uma sensação de déjà-vu discreta no fundo da mente… Mas ela ignorou isso e bateu duas vezes com os nós dos dedos na madeira, aguardando a autorização para entrar na sala.
— Ah, entre Bennet, por favor. — O chefe Jones a chamou e continuou falando enquanto a porta se abria — Estava justamente falando de você agora.
Mark Jones levantou-se em um gesto educado, indicando a detetive paralisada na porta com uma das mãos, como se não tivesse notado a surpresa no rosto dela. Talvez não tivesse mesmo notado, mas Sidney não disfarçou tão bem o vislumbre de reconhecimento e choque quando seus olhos encontraram os do detetive recém chegado que ainda estava acomodado na cadeira à sua frente.
— Detetive Regan Mancini, esta é a detetive Sidney Bennet. — Jones apresentou com um sorriso, antes de voltar os olhos para sua subordinada — Washington enviou um detetive com um currículo extenso para nos ajudar… Vamos garantir que ele se sinta em casa para começarmos a fechar alguns casos, certo?
O silêncio pesou por um breve momento. Não mais que um ou dois segundos, certamente, mas, para a detetive, pareceram muito mais.
— …Estou certo de que faremos um bom trabalho. — Regan foi quem cortou o silêncio, cumprimentando a nova parceira com um aceno polido.
Sidney assentiu com a cabeça, hesitante de que caso tentasse usar palavras elas revelassem a incerteza e o incômodo que a consumiam naquele momento. De todas as pessoas do mundo, literalmente, a última que esperava encontrar como seu futuro parceiro de trabalho e suposto “salvador da pátria” era ele. O silêncio perdurou na sala por mais um tempo antes do chefe de polícia se prontificar em encerrar aquela reunião
— Bom, pode apresentar para ele a sala que eu reservei e os arquivos que organizou sobre nossos casos… Vamos começar os trabalhos!
Jones recostou o corpo em sua cadeira, cruzando as mãos sobre seu abdômen enquanto sustentava um sorriso cordial nos lábios, encarando ambos os detetives e aguardando que se retirassem.
Sidney assentiu de forma obediente e abriu a porta da sala, seguindo para o corredor e segurando a porta aberta enquanto esperava Regan passar por ela. Ela fechou a porta e tomou a frente, o guiando pelo corredor até a sala onde estava momentos antes e os arquivos os aguardavam. Antes de saber que ele seria seu parceiro, a detetive estava ansiosa e esperançosa com essa parceria. Alguém vindo diretamente de Washington, talvez com experiência suficiente até para lidar com todos aqueles casos em aberto sozinho… Mas enquanto seguia no corredor com o detetive em questão em seu encalço, ela se questionava se seria capaz de ignorar o que pesava silenciosamente entre eles.
— Isso não precisa ser estranho.
A voz dele ecoou atrás dela em um tom baixo, como uma sugestão soprada em um sussurro discreto, o que a fez brecar seus passos diante da porta da sala que passariam a dividir daquele dia em diante.
— Eu só quero fazer meu trabalho, sem drama. — ele reforçou com a voz séria, mal disfarçando o tom de autoridade — E você faz o seu.
Sidney finalmente se virou, o suficiente para encará-lo por sobre o ombro enquanto sua mão já agarrava a maçaneta da porta para findar aquele momento incômodo.
— Espero que você seja tão bom quanto dizem. — ela pigarreou discretamente ao perceber que sua voz não soara tão firme quanto esperava — Assim, vai fazer o seu trabalho e ir embora. Rápido.
O semblante sério do homem se dissolveu em um sorriso convencido, como se estivesse satisfeito por ver o incômodo da mulher diante dele. Os olhos azuis gélidos eram destacados pelas sobrancelhas escuras e grossas, mas não causavam mais um arrepio agradável nela… Muito pelo contrário, na verdade. Sidney desviou o olhar, escapando da intensidade que a encarava de volta. Torcia para que fosse mais fácil lidar com Regan se ambos estivessem absortos em casos mórbidos que exigiam respostas urgentes… Se buscassem um criminoso para culpar ao invés de culparem um ao outro sobre os erros do passado.
A detetive abriu a porta e adentrou a sala, seguindo com seus passos em linha reta até o quadro branco giratório que ficava entre as duas mesas. Atrás de si, ouviu os passos lentos do homem de cabelos escuros, que parecia analisar o lugar de forma meticulosa por um segundo ou dois antes de finalmente fechar a porta atrás de si, enclausurando a ambos no cômodo onde o silêncio, de repente, se tornou pesado demais.
— O caso no quadro chegou tem duas semanas, estou trabalhando nele no momento… Os outros casos em aberto estão separados naquelas caixas de arquivo. — Sidney explicou, virando-se para Regan e colocando uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha em um reflexo involuntário.
Ela não gostou de ter demonstrado hesitação diante dele, isso trazia lembranças de seu passado, de quando se considerava uma garota fraca e idiota por ter acreditado tão facilmente nas palavras da versão mais jovem do homem que a encarava agora… Por isso, retomou à força uma postura mais confiante enquanto falava dessa vez, tentando corrigir o pequeno deslize que o choque do reencontro lhe causou. Agora ela se considerava uma mulher forte e independente, uma profissional cuja carreira devia ser respeitada… E era isso que devia transparecer, até mesmo para ele.
Principalmente para ele.
— As caixas estão organizadas em ordem cronológica, da esquerda para a direita. — explicou, ao observar o detetive seguir até a mesa em questão — Se tiver alguma dúvida ou quiser discutir sobre algo…
— Não será necessário. — a cortou rapidamente.
— Fui eu quem cuidei dos interrogatórios e dos relatórios dos dois últimos casos, mas já me coloquei a par dos demais também.
Sidney se defendeu rapidamente, decidida a não receber tão fácil e passivamente outro comentário gratuito e cortante de Regan. Se ele acha que conseguiria intimidá-la, estava muito enganado… ao menos foi isso que ela pensou, de início.
— Como posso dizer isso sem ferir seus sentimentos? — ele fingiu estar pensando alto, antes de lançar a ela um olhar cortante, o indicador erguido teatralmente como se acabasse de ter um momento de epifania, então continuou, mas sem a falsa simpatia que camuflava sua voz dessa vez. — Se sua visão sobre esses casos fosse ajudar em algo, eu não estaria aqui.
Um embate silencioso se iniciou entre eles após aquela fala, os olhos de um cravados nos do outro em um desafio para que o mais fraco desviasse o olhar primeiro. Uma disputa não só por poder, mas para reafirmar a hierarquia que se estabelecia dentro daquela sala. Para reafirmar a hierarquia que existia da primeira vez que se relacionaram anos atrás. Por um momento, o detetive chegou até a se surpreender ao ver que a submissão de Sidney não vinha de bom grado, ela relutava… Tão diferente de antes. Mas ela acabou cedendo diante dos olhos cinzentos que reluziam um discreto azul gélido enquanto a encaravam com firmeza.
Não havia necessidade para uma réplica diante das falas de Regan… Ainda assim, ela julgou que sair batendo a porta atrás de si era melhor do que simplesmente se resignar a uma saída silenciosa. Ela não viu, mas o gesto fez uma expressão que era um misto de incômodo e desgosto tomar o lugar do sorriso vitorioso no rosto de seu novo parceiro.
Enquanto seguia pelo corredor, Sidney passou a mão no rosto enquanto tentava se recompor no curto caminho até a recepção. A delegacia de Stowe era pequena, mas as portas de vidro e as longas janelas que preenchiam as paredes do teto até quase chegarem ao chão davam uma ideia de ser um pouco mais espaçosa do que realmente era. O balcão da recepção ficava no centro, com as cadeiras de plástico alinhadas logo à esquerda para que as pessoas tivessem onde se sentar e um bebedouro solitário na parede.
Sidney seguiu para a direita assim que saiu do corredor, se dirigindo ao espaço onde seis mesas dividiam espaço para alocar todos os policiais em serviço. Ela costumava se sentar ali mesmo depois de ter sido promovida a detetive, era melhor do que ficar isolada na sala que, agora, estava ocupada por Regan. Mas quando os casos em aberto começaram a ficar complexos e se acumularem, ela apreciava a solidão e o silêncio que aquela sala isolada lhe oferecia para impedi-la de se distrair com o movimento lá fora ou com as conversas paralelas de seus colegas de profissão.
Quando chegou em Stowe, Sidney gostou da paz daquela cidade. Crimes pequenos causados por adolescentes rebeldes ou brigas de bar eram basicamente o que mantinham os policiais ocupados na maioria dos dias… Na alta temporada, precisavam ficar atentos com o fluxo maior de pessoas nas ruas e turistas bêbados atrás de confusão, mas ainda assim, chegava a ser monótono em alguns dias. Mas isso foi antes. Os últimos meses foram loucos o suficiente para todos sentirem falta desses dias que pareciam tão distantes.
— Posso roubar um? — questionou, parando ao lado da mesa de Duncan e indicando o pote cheio de biscoitos amanteigados que ele exibia ao lado do monitor de seu computador.
— Se fizer isso, vou ter que prender você. — piscou, bem humorado como sempre, já pegando o pote e desrosqueando a tampa antes de incliná-lo em direção à detetive.
Duncan Brown era um moreno alto e corpulento, com ombros largos que passavam a impressão do uniforme sempre estar justo demais e uma postura que costumava impor medo e receio em um primeiro momento… Mas bastava uma conversa para descobrir que ele estava sempre de bom humor e fazendo piadas, mesmo quando o clima não era o mais propício. Principalmente nas últimas semanas, quando todos na delegacia estavam tensos e preocupados com os casos que não paravam de aparecer. Ele priorizava manter um ambiente de trabalho minimamente agradável.
Sidney pegou um biscoito amanteigado e jogou direto na boca, mastigando sem realmente degustar e sim para aliviar a tensão e a irritação que ainda restavam no seu corpo mesmo depois da curta caminhada até ali. Ela gostaria de ser como Duncan, conseguir promover um ambiente de trabalho agradável mesmo estando em um péssimo dia… Era mesmo uma grande ironia que ela não conseguisse, considerando seu histórico como líder de torcida durante todos os anos do ensino médio. As pessoas mudavam, de fato, quando amadureciam.
— O que achou? — questionou curioso, os olhos castanhos atentos à primeira reação que pudesse antecipar sua resposta.
Sidney estava prestes a dar uma resposta automática de que o biscoito estava delicioso como sempre, sabia que Duncan adorava colher elogios sobre os dotes culinários de sua noiva. Porém, assim que o encarou para responder, viu ele indicar com a cabeça o corredor do qual ela tinha vindo, cuja sala no fim abrigava o novo detetive. Se limitou a dar de ombros como se não tivesse uma opinião formada, mas somente porque não tinha nenhuma opinião profissional para dividir… e definitivamente não queria acabar dizendo algo que pudesse soar pessoal demais.
Seu histórico pessoal com o detetive Mancini não tinha nada a acrescentar ou servir de parâmetro para avaliar a capacidade dele em resolver casos. Nesse quesito, Sidney estava tão vendida pelo estereótipo de sucesso e capacidade técnica que os detetives de fora do condado passavam quanto qualquer outro naquela delegacia. O colega de trabalho pareceu decepcionado pela falta de resposta, mas não insistiu na pergunta, o que a fez agradecer mentalmente enquanto pegava mais um biscoito e se afastava da mesa, deixando-o voltar sua atenção para o relatório que preenchia antes dela chegar.
Aproveitou a mesa vazia de Simons para se acomodar e ligou o computador, colocando seu login no sistema para que pudesse trabalhar dali por enquanto. Sabia muito bem que era, e devia mesmo ser, temporário, apenas enquanto Regan ainda se colocava a par dos casos em que ia trabalhar e ignorava o fato de seria muito mais prático e efetivo se os dois agissem como uma dupla. Para não desperdiçar seu dia, ela pegou o celular e abriu no aplicativo de notas, onde tinha colocado alguns detalhes que precisava consultar sobre o caso mais recente em que trabalhava.
Maddison tinha sido encontrada duas semanas atrás, em uma manhã fria de uma terça-feira tão comum quanto qualquer outra daquele mês. A neve finalmente tinha dado uma trégua e, apesar do frio, o clima era propício para uma caminhada… Bom, deve ter sido o que ela pensou, já que recusou a carona da amiga no dia anterior e decidiu ir para casa andando depois da reunião que tiveram à tarde. Não se sabe porque ela decidiu seguir um caminho diferente naquele dia, mas de alguma forma acabou no meio de uma trilha pouco usada, onde seu corpo foi encontrado. A menos de 3km de sua casa. Ninguém viu nada. Ninguém ouviu nada. E quando o corpo foi encontrado, o pai culpou a si mesmo por não ter ido direto à delegacia quando a filha não chegou em casa naquela noite… O que ele achava se tratar de um mero medo de levar uma bronca, na verdade significava que sua filha estava morta e sozinha no meio da floresta.
Sidney havia o interrogado, estava completamente fora de si em um misto de incredulidade e choque com a situação e mal conseguiu dizer algo que fosse de alguma ajuda naquele primeiro momento. A irmã, os amigos mais próximos, vizinhos… Interrogou todos e chegou até mesmo a ter uma pontada de esperança quando viu que uma das casas próximas tinha uma câmera de segurança apontada para a rua, que se esvaiu assim que o dono da casa informou que a câmera ainda não havia sido ligada e instalada no sistema, apenas colocada no lugar. Muito útil.
Enquanto lia os relatórios e tentava traçar um plano do que fazer a seguir, mesmo que ainda estivesse perdida naquele crime sem pistas, sem testemunhas e tão semelhante com os dois anteriores que ainda estavam em aberto, o olhar da detetive acabava voltando em direção ao corredor sempre que sua mente encontrava uma brecha para imaginar que tipo de teorias ou deduções inovadoras Regan apresentaria sobre o caso… Ou, ao menos, para que não tivesse que enfrentar o pai da vítima sozinha dessa vez.
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