Passio Angelus
1 Prólogo: O Purgatório
Notas iniciais
Ficou meio longo o capítulo, mas é que tentei focar bem nos sentimentos do Cas.
O Apocalipse havia acabado. Castiel libertou os leviatãs. Os irmãos Winchester destruiram Dick Roman. Porém tudo tem um preço. Castiel e Dean Winchester foram levados ao Purgatório.
O anjo estava deitado numa clareira, estava fraco, sua cabeça doía, não sabia onde estava. Olhou ao seu redor, a água corria num riacho à sua direita. Algo em seu peito ardia, sentia que clamavam por sua ajuda.
“Cas! Vamos Cas, eu sei que pode me ouvir, droga!” Chorava Dean Winchester em seus pensamentos. “Não sou muito bom em orações, mas estou preocupado, Cas.”
Ao ouvir o som dessa voz, ele se contorceu. Todos os momentos felizes que passou ao lado de Dean, tudo o que ele lhe ensinou sobre o mundo humano. Tinha um sentimento muito forte por aquele mortal, algo, divino. Conformou-se pensando que era amizade. Sentia que Dean era seu amigo, seu melhor amigo, seu único amigo. Mas seria somente isso?
Castiel tentou se levantar, era impossível, estava fraco demais. Não conseguia se concentrar na voz de Dean. Sua cabeça estava confusa. Preocupava-se não com a humanidade e o que aconteceria com o céu em guerra, mas sim com o que diria a Dean quando o encontrasse, pois o poder havia lhe subido à cabeça. Era por sua culpa que estavam nesta situação. O mais velho Winchester iria lhe perdoar por este erro indigno de um anjo? E afinal, por que se importava tanto com a opnião de um humano?
Passaram horas, talvez dias, não tinha noção do tempo. Aquele lugar sombrio permanecia na mesma claridade azulada e fantasmagórica. Estava exausto, seus poderes de recuperação permaneciam ausentes. Caminhou sem rumo até suas pernas se exaustarem, preocupando-se apenas em fugir dos filhos de Eva, que insaciadamente o perseguiam, farejando seu cheiro angelical. Pensava se Dean tinha a mesma sorte. Se morresse ali, o que ocorreria? Estava preocupado.
Perto de uma grande árvore encontrou um buraco no chão, escondido pela relva, provavelmente um esconderijo de alguém que morreu de uma forma sangrenta. Deduziu isso pela grande quantia de sangue seco na rocha que formava o fundo do buraco. Não se importando, deitou e adormeceu. Começou a sonhar.
Estava em um lugar frio, sombrio, não via nada, apenas ouvia o som de gritos de sofrimento, era Dean, sabia disso. Lembrou de suas ordens: "Traga este humano do inferno, ele não merece estar lá e será uma peça fundamental para deter o apocalipse. Você saberá que é ele por seu coração, para isto, eu lhe dou a dádiva do amor.”. Era uma ordem direta do Senhor, não poderia falhar. Ele sentia o humano em seu coração. Foi sondando a escuridão do inferno em busca do mais velho Winchester. Encontrou-o. Mas não com os olhos. Ao aproximar-se de Dean, que estava parcialmente dilaceado, sentiu seu peito arder. Indalgou-se "Um anjo não pode sofrer no inferno.". Mas o ardor continuou, até que ele tocou o ombro de Dean. Sua visão apagou. Tudo escureceu.
"Cas! Cas!"
O anjo acordou assustado, seria mais uma das orações de Dean? Ou só uma continuação de seu sonho? Seu questionamento foi respondido por uma mão que o balançava.
— Cas, saia saí!
Castiel abriu os olhos, não podia acreditar, deparou-se com os olhos verdes de Dean Winchester. Em toda sua existência, não sentiu nada como isso, pulou em um abraço no pescoço de Dean. Afagou seus cabelos, passou a mão por suas orelhas. Não podia acreditar, ele estava vivo. Eles estavam, e juntos, enfim juntos. Abaixou sua cabeça no peito de Dean, inspirou seu cheiro, mas algo estava diferente, não era o cheiro que estava habituado, tinha cheiro de suor, terra e sangue. Castiel saiu do peito do amigo, e olhou bem para ele. Dean estava com sua usual camiseta cinza com a jaqueta jeans, porém uma das mangas estava rasgada. E ele estava coberto de lama e algo preto que julgou ser sangue de leviatãs. Nisso, analisou a situação: Pelo quê Dean passou até o dado momento? Tudo por sua culpa.
— Dean, foi tudo minha culpa, Dick Roman e os outros leviatãs terem ido a seu mundo. Minha insaciavel sede de poder. De querer me igualar a Deus. É tudo minha culpa.
Começou a chorar.
— Ei, ei, Cas... Tá tudo bem. Estamos juntos. Foi tudo um terrível engano. Você estava na melhor de suas intenções. Mas tudo é passado, eu estou aqui agora. Nós estamos aqui agora.
— Nós? — indignou o anjo.
— Sim, nós. — respondeu alguém ao fundo.
Nisso Castiel pôs-se em posição de batalha. Não se separaria de Dean novamente.
— Calma Cas, calma. Ele é meu amigo. — disse Dean.
Essas palavras arrebataram o coração de Castiel. Dean nunca o havia chamado de amigo.
— Este é o Benny. — disse Dean, apresentando o amigo a Castiel — E Benny, este é o Cas.
Castiel prestou atenção, Dean não falou "meu amigo Cas", mas somente "o Cas".
— Olá — disse o desconhecido, oferecendo a mão ao anjo.
Castiel mal conhecia o rapaz e já tinha antipatia por ele. Quem ele era para ser chamado de "amigo" por Dean Winchester. O que de mais havia feito ele?
Ao apertar a mão do estranho, Castiel sentiu algo diferente, um formigamento. Algo o dizia que não estavam em boa companhia.
— Andando com outro tipo de "gente", Dean? — disse com sarcasmo.
— Ora Cas, não seja preconceituoso. — disse o Winchester, em defesa de seu novo amigo.
— De todos os humanos, o que eu nunca achei que seria estúpido o bastante para amigar-se com um vampiro era você, Dean.
— Cas, me ouça primeiro, o Benny está a mais tempo que nós aqui. Ele salvou minha vida, e eu devo isso a ele. Além do mais ele tem um plano para nos tirar daqui.
— Diga o que quiser deste parasita meio-humano, mas eu não confiarei nele. — disse Castiel, sendo que, mesmo não crendo na palavra de um vampiro, dizia isso mais por ciúmes, e para provocar Dean.
— É opção sua, mas eu já fiz meu acordo com o Benny, só vou com ele se você também vier.
Castiel, cego pelo ciúmes, não compreendeu os verdadeiros ideais de Dean.
— Tudo bem, conte-me o tal plano então.
Dean e Benny revesaram-se para contar o que planejaram para Castiel, que consistia em um portal feito por Deus para que, humanos merecedores pudessem sair do Purgatório. O anjo acabou concordando com o plano, afinal, não queria mais se separar de Dean.
Começaram sua jornada, Benny havia dito que o portal encontrava-se em uma montanha que ficava a "3 dias" de viagem. (Em torno de 70 horas a pé, já que, no Purgatório, é quase impossível de ver o decorrer do dia).
Passaram por diversos monstros, sendo que Dean e Benny cuidavam de todos, como se fizessem isso a anos. E cada vez que destruiam um inimigo, trocavam olhares que deixavam Castiel furioso.
Depois de uma batalha contra famintos metamorfos, avistaram a montanha onde estava o portal. Benny conversou algo com Dean que deixou Castiel intrigado: O plano para Benny passar ao mundo humano seria depositar sua energia vital dentro do corpo de Dean.
— Dean, eu não acho que isso seja seguro. — disse o anjo aflito.
— Cas, eu estou por minha conta e risco, confio nele, e também devo minha vida a ele. — dizendo isso, Dean pegou um pedaço de pedra lascada, fez um corte em seu antebraço e no de Benny e então o vampiro entoou uma cantiga. Nisso, seu corpo desapareceu e o braço de Dean começou a brilhar.
— Cas... — disse o Winchester, e desmaiou.
— Dean! — Cas tentou socorrer o amigo — Dean! Acorde!
Dean acordou, soou uma gargalhada e então cuspiu no rosto de Cas.
— Saia de perto de mim, seu anjo estúpido!
— Dean?
— Ahh, Dean está aqui, ele está chamando por você... "Cas, Cas, meu anjo-da-guarda!" — disse Dean, num tom sarcástico — Você não acha que eu voltaria ao mundo humano no meu antigo corpo, acha? Eu morri a anos! Precisava de um corpo novo, jovem, bonito, forte, gostoso! — disse com um gemido, levantando a camisa e mostrando seu abdómen definido.
Castiel sentiu algo quente e pulsante abaixo da cintura, como se estivesse crescendo e, por motivos desconhecidos, desejava que Dean tirasse a camisa.
— Be-Benny? O-o quê você fez com De-Dean?
— Não precisa gaguejar anjo, eu sei que você sente atração por seu amiguinho, vi bem o jeito que você olha pra ele. Mas fique feliz, ele sente o mesmo por você! — Disse Benny por intermédio de Dean.
Castiel ficou pensativo, poderia ele estar atraido por um humano? Pois a ideia de que Dean também sentia algo por ele era extremamente excitante.
— Eu poderia tirar mais um pouco com a sua cara, mas uma nova vida me espera. — Benny/Dean andou em direção do portal, que já se ativara devido a presença humana de Dean. — Ah, e você tem companhia — disse apontando para trás de Castiel, onde um grupo de leviatãs corria em direção a eles, guiados pelo "cheiro" do anjo.
Castiel olhou para o portal, era um vórtice azul-marinho nos extremos e conforme se afunalava, ia se transformando em azul-celeste. E conforme o corpo de Dean aproximava-se, sua energia aumentava, gerando um campo eletromagnético que atrai-a as partículas do humano, e repelia o anjo, que lutava para alcançar seu amado. Quando o corpo do Winchester chegou ao alcance do vórtice, começou a contorcer-se e a gritar de dor.
— Cas! Cas! Me ajude! Calado humano idiota! Cas, socorro!
— Dean! — Castiel foi pego pelo grupo de leviatãs, que o espancavam sem piedade, porém o anjo continuava a lutar. — Dean, eu vou te salvar!
Entretanto o humano continuava a ser absorvido pelo vórtice e a berrar de dor.
— Cas! Cas! Eu te amo!
— Dean! — Cas gritou chorando, em meio do bando de leviatãs furiosos — Dean, eu também te amo! — E derramando uma última lágrima ao chão, tudo escureceu.
Notas finais
Continuo em breve.
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