Passio Angelus
6 Cursed Revelations
Notas iniciais
Só pra constar: A freira da biblioteca, a que disse que a Bíblia estava no quarto do padre, ela tem a aparência da irmã Eunice, de American Horror Story Asylum. Boa leitura.
Ben continuou chorando por um tempo, eu apenas afagava seus cabelos. Eram macios, tentativos, estava me excitando.
Deitei mais sua cabeça, de modo que eu sentia o cheiro do shampoo neutro do internato. Mesmo sendo enjoativo, nele, era divino.
Percebi que alguns garotos que estavam jogando nos viram. Não que eu me senti intimidado, mas temia por Ben.
Chamei-o e perguntei se estava tudo bem. Ele respondeu que sim com a cabeça e enxugou seus óculos.
Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas observando os garotos em seu jogo patético. De onde os humanos tiraram que bater e correr atrás de uma bola é um esporte? Haja criatividade.
De repente, Ben me pergunta:
— E então, Cas? Você não me respondeu ainda... Qual é a sua? — disse, dando seu sorriso malicioso, porém cativante.
— Isso é mais um jogo de Verdade ou Desafio? — perguntei, relembrando a noite passada. Com um motivo, tinha uma pergunta presa em minha garganta.
— É, pode ser... Então vamos! Comece! Responde! — exclamou, curioso.
— Ah, não sei... Qual a pergunta mesmo? — Eu disse, dando uma risada.
— Aff. — ele bufou — Você prefere o quê? Homens ou mulheres?
Ruborizei.
— Ah, não sei. — Em minha mente veio a imagem de Dean Winchester, me beijando, como eu imaginara no banheiro. — Eu acho que homens, foi o que eu mais "provei" até agora.
O que era verdade, eu só havia tido algo sexual com Ben, mas não desvalorizava-o por isso.
— Fiquei. — disse, rindo.
— Como?
— A gente fala que "ficou" com alguém, ou "pegou" alguém. — Riu — Provei é estranho!
— Ah, desculpe. Não conheço essas gírias. — Ri também.
— De que mundo você veio?
— Nem te conto. — Ambos rimos — Agora sua vez... — Continuei — Você prefere o que? Homens ou mulheres
— Tá na cara né lerdo? — Riu — Homens. Só homens. Tanto que é por isso que estou aqui. — Entristeceu. De uma coisa tive certeza, Ben era extremamente sensível e bipolar.
— Nossa, por quê? — eu disse, consolando-o.
— Meus pais. Não me aceitaram. Eu estava cansado de me esconder, de ser alguém que eu não era. Cansei deles me comparando com meu irmão mais velho e perguntando quando eu levaria uma mulher pra casa. Então me assumi, e então me expulsaram. — disse Ben, numa voz chorosa.
— Sei como é. — Disse a ele.
— Você também foi rejeitado por sua família?
— Mais ou menos. — respondi, relembrando de Naomi e do Céu, quando me expulsaram. Eu o entendia. O pior sentimento que eu sentira até agora foi este: o repugno de minha família. Porém eu tinha motivos para ter sido expulso, e Ben? O que fizera de errado?
— Mas... — ele disse, se animando — Sua vez. O que significam essas tatuagens? — disse ele, indicando meus braços, onde estavam os símbolos antianjos. — Eu só fui ver agora.
— Ahh, isso. — Eu disse — É enoquiano. Uma língua morta. Não sei o que significa. — Menti.
— Sei. — Ele disse, desconfiado. — Mas eu adoro tattoos. O Al tinha um monte. Eu, meus pais não me deixaram fazer. E quando fui expulso, fiquei sem dinheiro.
— É.. Difícil. — Ficamos em silêncio um tempo, continuei — Agora sua vez. Posso perguntar qualquer coisa, né? — arrisquei
— Acho que sim. — respondeu.
— Bom, não leve pro pessoal, é só curiosidade. — Pausei — Como o Al morreu?
Ben hesitou, abaixou a cabeça, então respondeu:
— Dizem que foi suicídio — choramingou — Encontraram-no enforcado, em nosso quarto. — Pausou — Mas não era só isso… Em seu corpo haviam, sinais. — ele silenciou.
— Sinais? Como assim?
— Assim — ele me mostrou seu caderno de desenhos, e ruborizou, acho que foi a primeira vez que mostrara a alguém.
Ele mesmo segurou o caderno, mostrando-me somente a primeira página. Ali vários símbolos desenhados. Alguns eu reconheci, enoquiano antigo, outros, satanismo.
— Mas… — ele continuou — Tenho certeza que não foi o Al que fez isso, digo, ele era muito religioso. Eu pesquisei alguns desses símbolos, tipo esse. — Me mostrou algo parecido com um pentagrama. — É do Diabo! O Al não faria algo do tipo.
Benjamin caiu em lágrimas, eu tentei segurá-lo. Com isso, seu caderno foi ao chão, abrindo uma das últimas páginas. Observei-o. Ali havia um desenho meu, nu, em perfeita escala e abundância de detalhes.
Ben continuava chorando, e eu a observar o desenho. Seria eu mesmo? Ou Al? Ben me falara que erámos muito parecidos.
Ele percebeu que eu olhava o caderno. Levantou em um pulo. Apanhou-o e saiu correndo, envergonhado.
Esperei um pouco, respirei fundo, fui atrás dele. Correndo pela cozinha.
As freiras já arrumavam o refeitório para o almoço, alguém me chamou.
— Castiel, pode me ajudar?
Era irmã Judith, fui a seu encontro.
— Por favor, coloque esses pratos na mesa das panelas, por favor?
— Claro, irmã.
Ajudei-a com as dúzias de pratos, ao acabar, perguntei:
— Irmã, posso fazer uma pergunta?
Ela revirou os olhos.
— Pode Castiel, mas eu já lhe disse que curiosidade não é uma virtude.
— Ok, vou tentar ser menos curioso. — Ri, ela permaneceu séria, fiquei envergonhado. — Err, então, irmã. Eu gostaria de saber, se a senhora puder me contar, é claro, o que aconteceu com o antigo colega de quarto do Ben?
Ela ficou branca. Permaneceu em silêncio durante um tempo, somente me encarando. Então respondeu:
— Castiel, você acredita em Deus?
— Claro, irmã! — exclamei.
— Pois bem, então você acredita no Diabo?
Silenciei-me. Não que eu acreditasse nele, eu sabia que ele era real. Lúcifer era um parente distante. Um dos primeiros seres angélicos.
— Ah, acho que sim. — Por fim, respondi.
— Muito bem. Saiba Castiel, que a principal diferença entre Deus e o Diabo, é que Deus só quer nosso amor e fé. Já o submundano deseja o pecado e, principalmente, o sofrimento.
E dizendo isso, se retirou.
Sai da cozinha, iria para o quarto, atrás de Ben. Porém, ao chegar às escadas, uma freira (a freira da biblioteca, puxou meu braço) me levando para a biblioteca. Não resisti, eu não deveria desrespeitá-la. Ao entrarmos na biblioteca, tudo escureceu.
Notas finais
Se eu demorar um pouco pra postar o próximo, me perdoem... Tempo esta escasso...
Um abraço e pfvr, comentem, com criticas e sugestões :)))
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