Passei a ver minha amiga como uma garota!
3 Um por todos e todos por um
Dois jovens sentados em uma mesa, onde acabaram de comer um delicioso jantar, estão se encarando.
Na minha frente está Haruna, uma linda garota dos cabelos curtos vermelhos e olhos verdes. Não sei suas medidas, mas com certeza são totalmente equilibradas! Sua camisa regata branca parecia um pouco apertada em seus peitos, mas aquela estampa de ursinho e sua saia plissada azul com bolinhas brancas trazia a tona sua infantilidade.
Diante de nós, sobre a mesa, está um livro. Na capa a foto de uma moça que não conheço, mas o grande título destacado dizia: “Como ser uma namorada perfeita!”.
— Então… Pode começar a explicar, Haruna.
Eu estou com meus cotovelos apoiados na mesa e minhas mãos juntas sustentavam meu queixo. Aquela realmente era uma posição Like a Boss.
Haruna, ao contrário, estava encolhida em sua cadeira, segurando fortemente sua saia e com olhar baixo.
— Eu gosto muito do Yama-kun…
Me poupe de ouvir isso!
— …então quero muito ser uma namorada incrível para ele. Mas você sabe que eu nunca namorei.
Essa última frase foi dita olhando diretamente em meus olhos.
Apesar de Haruna ser uma garota bonita, ela nunca namorou. Eu sei porque, se ela namorasse, assim como agora, me diria. Mas… Será que ela gostava desse Yama já há algum tempo?
— Você não quer mostrar sua falta de experiência, assim, ele não enjoará de você… É isso?
Continuo a encarando naquela posição like a boss. Seus olhos verdes não saiam da minha direção.
— Tem alguma coisa… errada com isso?
Se tem alguma coisa errada? Ela perguntou mesmo isso?
— Escuta Haruna, bem… como posso dizer… Na minha opinião, garotos gostam de ter como primeira namorada uma linda garota inocente.
— Não! Eu… Eu fiz uma amiga perguntar isso dele. Ele respondeu que não gosta de garotas bobas.
Você gosta de um cara que já namorou?! Espera, há uma injustiça aqui!
— Mas ele aceitou namorar com você, não aceitou?
— Sim, por isso não quero desperdiçar essa chance!
— Entendi...
Fecho os olhos, nesse momento, aquele lugar é escuro, apenas a mesa é visível. Agora, estou sozinho.
— Aoi-kun! Relatório.
Nesse momento, eu apareço sentado no lugar onde Haruna está. Sim! Uma pequena reunião comigo mesmo.
— Aoi-san, as estatísticas do dia foram muito variáveis. Você achou que Haruna estava naqueles dias no inicio da manhã e se surpreendeu com seu pedido para lanchar ao lado dela, então…
— Aoi-kun, já estou ciente disso das coisas que aconteceram comigo, vamos pular essa introdução e partir para o pedido de Haruna.
— Sim! Perdão Aoi-san, certo…
Meu outro eu está revirando alguns papeis cheios de anotações e gráficos.
— Aqui! Haruna começou a namorar o líder do clube de Kendo. Clube este que ela participa.
— Prossiga…
— Mas ao saber que ele não gosta de garotas bobas, Haruna quer aprender a se tornar uma garota experiente, para assim, não fazer o rapaz enjoar dela.
— Obrigado Aoi-kun, você realmente se esforçou em analisar tudo isso não é?
— Aoi-san, talvez possamos fazê-la jogar algum jogo de encontros. Temos alguns em nosso quarto.
— Sim, isso seria o mais apropriado... Diferente de mim, ela não gosta muito dessa arte que é animes e videogames. Então ela não tem a experiência que coletamos nos enredos dessas ferramentas.
— Vocês dois…
Um outro eu aparece ao lado da mesa. De terno e gravata, sentado em uma poltrona bem confortante com as pernas cruzadas. Na sua mão direita está um dos meus doujinshi favoritos. Já na outra mão está um copo de refrigerante que acaba de ser servido pela Sakura-chan, uma personagem do jogo Last Magic X e, por mais vergonhoso que seja admitir, minha waifu. Derreto-me por aqueles cabelos rosas.
— Espere! O que você está fazendo aqui?
— Aoi, ainda não percebeu o quão delicada esta situação é?
Aquele tom de superioridade realmente está me incomodando, então respondo calmamente.
— Sempre ajudo a Haruna, não há nada de anormal nessa situação.
Diante de mim, está aquele que não gosto de mostrar. O meu eu pervertido.
— Aoi, melhor dizendo, meu eu normal. Você não acha injusto aquele cara namorar nossa amiga de infância?
— Espere Aoi pervertido, não podemos impor nosso egoísmo sobre ela, Haruna é livre pra viver a vida dela!
— É esse tipo de pensamento que te faz ser comparado a um protagonista virjão de light novel.
— Esse é o tipo de pensamento normal que todos deveriam ter!
Enquanto eu discuto com o eu pervertido, Aoi-kun, o meu eu esforçado, estava analisando suas anotações.
— Vamos lá, não me diga que ainda não percebeu?
Aquele jeito de falar ironicamente e com Sakura-chan massageando seus ombros faz daquele eu o mais irritante!
— Do que você está falando!
— Aqui!!
No momento que o eu esforçado levanta um papel que acabou de encontrar, o eu pervertido exibi um sorriso mortal, que até mesmo eu não conhecia.
— Aoi-san e Aoi-san, escutem! Se Haruna realmente pediu para ajudarmos ela a ser uma namorada perfeita, significa que vamos…
Meu eu esforçado para um pouco e parece está receoso a falar.
— Não se preocupe, apenas diga, eu esforçado.
Ver meu eu pervertido me lembra de situação desagradáveis, então me irrito toda vez que ele comanda.
— Significa que… vamos…
— Praticar coisas de namorados com ela! Ou seja, coisas pervertidas!
O meu eu pervertido completa a frase do meu eu esforçado com um olhar penetrante e um sorriso totalmente largo.
Sim, agora caiu a ficha, por isso meu eu pervertido entrou na reunião! Vamos ensinar Haruna a namorar. Isso mesmo, namorar!
— Mas… namoro não é apenas coisas pervertidas!
Meu eu pervertido entrega o copo e o doujinshi para Sakura-chan segurar. Em seguida se aproxima de mim e do eu esforçado.
— Errado, protagonista de light novel. Namoro entre dois jovens de dezessete anos significa, conhecimento! Você não namora com o intuito de fazê-la sua princesa. O namoro jovem é nada mais nada menos do que um portal para a se tornar um adulto.
O eu pervertido se ilumina, Sakura-chan se inclina diante de suas palavras.
— Aois!
Não coloque nossos nomes no plural! É estranho!
— Vamos fazer o que deve ser feito… pra ajudar nossa amiga de infância!
O eu pervertido inclina a palma da mão e logo o eu esforçado coloca a sua sobre a dele.
— Sim! Vamos nos esforçar pra ajuda-la.
Maldito... sua frase fez uma lavagem no eu esforçado.
O sorriso do eu pervertido diante de mim com certeza me incomodava, ele não é nenhum pouco confiável. Mas o olhar do eu esforçado era puro como o branco. Que pena, tão inocente, não conseguiu ver por trás das palavras do eu pervertido.
Fecho meus olhos e apenas coloco minha mão por cima das deles.
— Isso… Vamos lá! Pela Haruna!
— Ohhhh!
Minha mão foi levantada pelo discurso do eu pervertido e o grito do eu esforçado. Mas será que aquilo realmente vai dar certo?
De volta para minha mesa, àquela reunião durou exatamente 1,85 segundos, então Haruna nem notou meu devaneio.
— Okay Haruna… Irei ajuda-la.
Seu sorriso realmente é lindo, seus cabelos curtos balançaram acompanhando sua cabeça.
— Bem… Sora-chan. Gostaria de me desculpar com você.
A observo com olhos cansados, não estou com tanta vontade assim de fazer qualquer coisa depois de ser derrotado na minha própria reunião.
— Eu já… estava fazendo isso.
Aquelas palavras me acordam e meus olhos se tornam olhos de peixe morto.
— Aaannnh… é mesmo?
— Quando… quando lhe convidei hoje cedo para comer. Eu queria treinar o .
Esse livro tem textos tão específicos assim?
— E...
— Deixe me adivinhar… esse jantar e o pedido com abraço também foram para você treinar?
— Sim!
O sorriso no seu rosto de satisfação não me afetou dessa vez. Será que ela compreende que isso esse “Sim!” me machucou? Talvez não, ela deve olhar pra mim do mesmo jeito que eu olhava para ela, apenas um amigo de infância.
Eu já era uma ferramenta antes de aceitar oficialmente.
***
Estou olhando para o teto de meu quarto escuro. Um pouco de iluminação da rua entra pela janela e faz algumas silhuetas das miniaturas e acessórios de estudo que deixo em cima de minha escrivaninha.
— Sora-chan, então amanhã começaremos nosso treino, okay?
Falando essa frase com um sorriso satisfeito e se despedindo de mim com certeza não foi uma das coisas mais bonita que você fez na vida, querida amiga.
Quando tento pregar meus olhos, ouço meus pais entrando em casa, já são uma da madrugada, parece que se divertiram…
Cubro meu rosto com o lençol e apago, querendo que tudo que aconteceu hoje fosse um sonho.
No dia seguinte, descendo as escadas, vejo que meus pais ainda não haviam acordado. Apenas tomei banho e comi algo da geladeira. Minha mãe não é uma irresponsável, mas ela nunca prepara o café cedo depois de uma noitada com meu pai. Então está perdoada.
Visto meu uniforme e batendo a ponta do pé no chão da porta, falo baixinho “Estou indo…”.
Em frente à casa de Haruna, Oba-obaasan não está lá, não sei quantos dias ela vai passar no retiro, então espero Haruna sozinho dessa vez.
— Sora-chan! Bom dia!
Hoje ela está mais radiante do que ontem, na verdade, mais radiante do que nunca. Seu uniforme está bem passado e seu semblante está leve.
Ela para em minha frente e fica alguns segundo olhando para mim, depois abaixa sua cabeça.
— Ei… Haruna…
De repente, ela me abraça do mesmo jeito de ontem a noite, antes de pedir para fazer meu jantar.
— Você… dormiu bem?
Não diga isso com uma voz tão meiga assim. Caramba!
— Eeeee Haruna… ei espere.…
— Ei… Garoto…
Ouço uma voz na minha cabeça. Ai está! O eu pervertido!
— Não venha dar uma de pau mole agora, receber um abraço tão caloroso como esse logo pela manhã, aproveite e se aconchegue…
Droga! O pior que, realmente essa sensação de seu rosto e peitos grudados em meu corpo é ótima. Vamos! Eu mesmo, responda à essa garota que está acreditando em você!
— Sim… E obrigado pelo jantar de ontem.
Ainda me abraçando, ela afasta seu rosto do meu peito e seus olhos verdes são ótimos parceiros para seu sorriso simples, mas lindo.
— Haruna… já começamos?
— Sim, essa parte é .
Esse livro é divino! Ele está certo!
— Entendo…
Receber um abraço de uma linda garota pela manhã realmente levanta seu astral, seu rosto quente e seus peitos macios ajudam a erguer sua confiança.
— Como fui?
Haruna entorna sua cabeça para o lado e, com o dedo indicador, aperta sua bochecha.
Não faça essa pergunta nesse jeito tão fofo, droga!
— Bem… você fez certo, mas não foi espontâneo, você se forçou a fazer isso, você deve ser igual a um pássaro batendo asas para voar, ou seja, naturalmente.
Obrigado eu esforçado! Você realmente está focado em querer ajudar a Haruna!
— Entendo… Você está certo, hesitei um pouco, mas amanhã vou me esforçar mais.
Sim! Mal posso esperar!
Eu e Haruna, lado a lado, começamos a caminhar. Eu a observo de canto e vejo seu jeito de andar, simples, como uma garota realmente deve andar. Coluna ereta e suas duas mãos segurando a bolsa na frente.
Ela é linda! Ela é linda!!
Então o que aconteceu agora pouco foi um exemplo do que vamos enfrentar daqui pra frente, parece que nessa história, meu verdadeiro inimigo poderá ser… eu mesmo.
***
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