Pas de Deux
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Notas iniciais
Meu quarto, manhã do dia 25 de dezembro de 2013 — Natal
Hoje é dia 25 de dezembro Natal- Muitas pessoas estão aqui em casa, assim como em várias outras pelo mundo todo, e se observarmos bem, cada uma tem a sua história, cada uma tem as suas alegrias e tristezas, cada uma tem a sua dor e a sua paz no coração.
Tia Carmen, que nem esperávamos estar aqui (minha tia-avó) está na sala assistindo TV, talvez na paz e na debilitação da velhice seja uma das coisas que lhe restam, os outros estão lá fora, hoje faz um dia de muito calor e sol, o contrário do Natal de 2011 em que estava frio, ventoso e caiu uma garoa fina e gélida a tarde e a noite inteira do dia 24, aquele foi nosso melhor natal.
As cigarras pelo visto vão derreter o dia com suas cantigas chatas. Ontem tivemos uma boa ceia, eu consegui observar no coração de cada um a alegria pela união, todos estavam contentes. Quando deu meia-noite nos abraçamos e nos desejamos Feliz Natal, e então, dei o meu Feliz Natal mais especial da noite. O Feliz Natal de meu pai. Com toda essa coisa de eu saber a data da partida terrena deles, eu fiquei mais sensível e não vou negar, mais carinhoso e compassivo com os dois. Sei que minha mãe ainda vai demorar, mas meu pai! São apenas mais alguns anos. E não são simples anos que vão passar... São todos os futuros dia dos pais, os futuros aniversários, as futuras páscoas, os futuros natais, e os futuros feriados. E não são apenas datas especiais. São promessas de abraços e palavras doces, e eu digo promessas porque não tenho a certeza de que estarei presente em todas essas datas. É por isso que vou escrever aqui. Para dar asas a tudo isso, para não ficar prendendo isso dentro de mim, pois acaba só me fazendo mal.
Sinto uma grande força dentro de mim, uma força que me diz que as coisas estão por mudar, não sei se pra melhor ou pior... Acho que os dois! Sinto que vou começar a viver daqui pra frente...
Estranho: Fiz apenas 16, mas a vida parece me avisar que um grande quinhão de seus favores e de seus agouros começará a cair sobre mim... Bem, basta esperar e ver o que acontece.
Esperar... Qual a razão dessa palavra me parecer tão íntima agora? Esperar, me lembra espera, óbvio. Sinto que estarei muito mais ligado à ela do que imagino.
Nicholas F.
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