Pas de Deux
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Notas iniciais

Meu quarto, noite de sábado, 05 de abril de 2014
A noite está agradável, nem fria e nem quente demais; a lua nova exibi-se alva no céu e as estrelas brilham de contemplação.
Acontecem as últimas horas do meu definho, ainda há um pouco de tempo antes que eu morra –mais uma vez- e para que eu renasça amanhã de manhã. Cada dia é mais difícil que o anterior, e vou passando as horas nascendo, esperando, definhando e morrendo, todos os dias.
As páginas são coloridas, mas minha alma está cinzenta e deslocada; morri por dentro quando ele me deixou. Aqui dentro meu coração está congelado pela rejeição e o amor nada pode fazer contra isso.
Oliver! Meu Oliver! Por que Oliver?
Oliver F. G. Dalmarco, esse é o nome do homem que amo e que proporcionou-me os dois melhores meses da minha vida; porém como pode ser ele intermédio de tanta alegria e agora a causa de tanta dor? Meu peito dói, meu coração dói quando penso nele (e faço isso quase que constantemente) e quando a dor do peito é demasiada forte para que minh’alma não consiga suportar, ela transborda pelos meus olhos. Esses olhos doentes, que não desejam outra coisa se não contemplá-lo ao vivo, nem que seja só uma vez e por um só instante... Ah Deus! O que eu não daria para ter Oliver na minha frente nem que fosse uma vez só!?
Encontrá-lo se tornou a principal missão da minha vida. Necessito desse encontro com ele como um agonizante necessita de sopro vital. Eu o amo! Sem nunca tê-lo beijado, sem ao menos sentir o cheiro ou o toque da pele dele, eu o amo assim mesmo! Eu confiaria minha vida à ele, bem como seguraria a vida dele em minhas próprias mãos se preciso fosse e assim como de bom grado entregaria a minha vida no lugar da vida dele. Por mais que não dê certo, eu sempre lembrarei dele enquanto eu viver. Enquanto eu for capaz de pensar, vou ouvir a voz aveludada dele pronunciando meu nome.
Ainda me lembro como se fosse ontem, o celular tocando e eu me perguntando: “Será ele?”, então mal eu sabia que minha vida estaria mudando para sempre:
—Alô! É o Nicholas?
Era o meu Oliver que falava, a voz masculina e sorridente:
—Sim!
—Oi, Nicholas! Aqui quem fala é o Oliver!
Meu coração não cabia em si de tanta felicidade.
—Eu sei! Eu sei!
A partir desse dia, passamos a ter a mais absoluta certeza de que estávamos enamorados um pelo outro. Depois... Foram mais e mais certezas, que só provavam o imenso laço que nos une, ou nos unia...
Amo Oliver como amigo, como irmão e como homem com quem desejo construir uma vida e dividir os meus dias. A vida ao lado dele seria/será como uma festa!
Por Oliver eu largo todos os meus sonhos e abandono todas as minhas aspirações. Por Oliver eu morro.
Se for da vontade dele não querer à mim, eu não sei o que será... Não sei se sou capaz de namorar outro... E se eu for, jamais amarei com tanta intensidade como amo Oliver, jamais serei capaz de desejar alguém como desejo Oliver, ele é a vivência da minha vida plena, e sem ele não há vida, aliás, não há vida sem amor.
Esperarei Oliver todos os dias, me bastará um sussurro dele para que eu alce voo e vá ao seu encontro de braços abertos; não importando quem ou o quê ficará para trás.
Sempre serei o “bebê” dele, o “mimoso” dele, o “amado” dele, o “rapazinho” dele, a “doçura” dele. Sempre. Jamais me entregarei a outro de corpo e alma como sou capaz de fazer por ele.
Só estou dando início a esta escrita porque minha angústia não cabe mais aqui dentro, do mesmo modo que minha melancolia envenena meu próprio ser e preciso transbordar toda essa tristeza.
Oliver.
Oliver F. G. Dalmarco.
Eu te amo.
Eu te amo tanto.
Nicholas F.
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