Parvati

3 Pinga


Notas iniciais
Eu demorei mesmo! Onde estão os leitores que estão me acompanhando? Eu estou vendo vocês daqui não deixando reviews ò_ó Espero que gostem!

– Porra garoto, você não sabe fazer nada direito!

– É claro! Você fica me secando o tempo todo com essa cara de bosta! – Me alterei, já faziam dias que esse cara estava me fazendo de capacho. Ao invés das atividades comuns, eu estava servindo de escravo desse professor doente.

Eu já tinha lavado as duchas, varrido todas as quadras, limpado os equipamentos, enchido bolas, organizado colchões. Eu quero ir pro céu agora, pode me levar Senhor.

Mas me leva devagar porque eu estou muito cansado.

– Eu quero ir embora. – Forcei minha voz mais bárbara, mas na verdade, ela saiu num choro de misericórdia. – Estou quebrado.

– Problema seu. – Levantou as sobrancelhas e me encarou com a cara mais filha da puta que alguém podia fazer pra mim. – Trabalha direitinho. Ou não vai sair pra beber água.

– Vai dar o cu! – Ele não pareceu afetado pelo meu mais potente insulto da semana. Eu quero mais é que se foda! – Eu vou pra casa. Limpa essa merda você.

Eu esperava que ele me jogasse alguma coisa, ou retrucasse com seja lá o que, mas simplesmente não disse nada e me deixou ir. Não sei se era porque já estava tudo praticamente em ordem ou porque eu estava em um estado de poluição visual. Eu sentia fome, dor de barriga e dor nas juntas, mas isso não foi o pior.

O pior foi ver o Chico linguiça fechado.

– Quem vai apodrecer meus dentes agora? – Faltou pouco pra eu me ajoelhar na porta e chorar, mas eu decidi apenas chorar no caminho de casa.

– Oi filhote. – Minha mãe falou automaticamente assim que passei pela porta. Ela estava de costas e talvez tenha percebido que eu chegava por causa da tristeza que eu coloquei num suspiro. – Alguém trabalhou duro.

– É... – Mas o que eu queria mesmo dizer era pra ela me pegar no colo.

Depois de um banho pra reviver a alma –e os bons odores- eu decidi que precisava fazer algo que qualquer um faria. Descontar todo o meu ódio em algum lugar. Bem, quem é que não faz isso? Deixar status com frases de rancor e descontar a raiva no primeiro campo que você puder digitar.

“Que do caralho”, escrevi com uma fonte grosseira no meu bloco de notas, e ia continuar a escrever se eu não visse as horas. Se me lembro bem, Near chamou pra ir na sua casa passar o dia pra quando fosse mais tarde, ir de lá para a tal festa juntos. Eu peguei uma troca de roupa limpa e parti a pé, porque não era tão longe a ponto de ir de busão.

Uns 15 minutos de caminhada foi o tempo gasto naquelas subidas de penitencia, e logo eu já estava na porta da casa dele, na verdade era um apartamento, mas que seja, eu já estava na porta.

Near não foi quem me atendeu quando chamei, mas sim seu irmão mais velho drogado, que me chamou pra dentro.

– Near. – Chamei, entrando sem aviso no quarto, vendo se o achava. – Diz pro Lawliet maneirar nos cracks que ele tem usado.

Mas eu não o achei.

– Near? Ow, Near! – Puxei o edredom desgrenhado de cima da cama e achei uma coisa ainda mais amarrotada embaixo, encolhida e em estado de decomposição. – Levanta, você me chamou pra que? Pra te ver dormir?

– Vai embora Mello. – Não era bem uma frase, era mais um gemido de dor. Puxei seus pés e tirei o corpo pequeno da cama. Ele geralmente não se zangaria, mas...

– Vai pro caralho Mello.

– A gente não ia falar sobre os planos pra hoje?

– Quais? – Fez uma pausa pra levantar e sentar direito na cama, tentando se alinhar e recompor a consciência. – De que você não vai pegar ninguém, diferente de mim?

Quem visse não acreditaria que um albino desse estaria com toda essa moral.

Mas está.

Isso me faz masculinamente frustrado.

– Então, aquelas CDF que você conhece, dava pra me arrumar né?

E recebi de volta uma cara de reprovação.

– Tá, que tal só me apresentar?

– Eu não sou cafetão, lá vai estar cheio de garotas, você pode pegar a primeira coisa que cair na sua frente.

– Ok, é assim, vou pegar todo mundo, eu sou homem e sou foda. – Ele fingiu não ouvir e voltou a deitar na sua posição fetal.

Enchi seu enquanto era ignorado durante boa parte da tarde, então, depois de ter perdido todo o dia só esperando a noite vir, bem, ela veio, e agora, talvez, eu encontre alguma alma que queria algo comigo. Nem que seja bater um papo chato.

Espera, eu não estou tão na merda assim, ainda tenho Noélia! E o celular me salvou na hora de implorar pra ela ir com a gente e me fazer companhia, mas conhecendo a peça, era obvio que iria aceitar.

***

– Mello, olha aqui. – Chamou. – Está borrado? – Perguntava sobre o batom que tinha acabado de passar –aquele que é vermelho pra cacete.

– Não. – Respondi sem o menor interesse, e nem avisei que na verdade estava borrado sim.

Nós três já estávamos perto da festa, que não era muito longe da casa do albino, e fomos a pé mesmo. Mais próximo havia uma movimentação maior de pessoas, e eu torci pra que pelo menos 1/3 das garotas me desejassem loucamente.

Se a dúvida é: “E Noélia?”, bom, não somos namorados como eu já disse.

Quando chegamos enfim, vi que a festa se concentrava dentro de uma casa não muito grande, o que fazia o amontoado de pessoas ainda maior tanto dentro quanto do lado de fora no gramado, na garagem, na calçada, na rua, era gente, uma massa de gente bonita.

Não tinha passado nem cinco minutos que chegamos e além de perdido, eu estava sozinho. Os dois que estavam comigo já tinham sumido pelos cômodos da casa, ou fora, eu não tinha ideia, e ah, eu fiquei realmente desconfortável sem companhia, porque afinal, eu não fu convidado, além de que todos estavam em pequenos grupinhos.

Vi gente fumando, talvez fossem até mais novos que eu. Outros bebiam enquanto os outros gritavam para “virar” os copos e garrafas. Alguns poucos jogavam cartas, o que achei estranho em um lugar agitado, na verdade só é estranho mesmo porque os caras estavam com roupas de mulher. E como não podia faltar, havia os que dançavam no lugar que parecia ser a sala, e o som era tão alto, que jurei que eu ia explodir.

– Cara, que bosta. – Murmurei, se bem que mesmo se gritasse, ninguém ouviria naquele som infernal. – Chamei Noélia pra vir comigo, mas aposto que ela já achou algum macho por aí, e Near também, malditos.

Eu só pude ficar emburrado. Me sentei na mesa da cozinha que tinha garrafas de vidro vazias e bandejas de salgados sem nada, até que um grupo meio bêbado que procurava mais pinga me achou ali, com a maior cara de merda.

– Mina, quer beber com a gente? – Fiz uma cara feia, eu não sei se tinha ouvido certo, mas meio que entendi o que ele disse, mas ele, acho que não entendeu quando eu o chamei de filho da puta, ele só pegou uma garrava e enfiou na minha boca.

Cara, a festa estava incrível, e ficava mais à medida que a minha garrafa esvaziava... Os caras, ah, eu não sei, acho que me confundiram com uma garota por estarem bêbados demais, mas quem se importa? Estou ótimo! Quem precisava ter chamado Noélia? Quem precisa vir com Near?

– Vira, vira, vira! – E virei o resto da garrafa, era tão forte que fiz um bom esforço pra não vomitar tudo que tinha mandado pra dentro desde que cheguei. Também comecei a ficar tonto, mas confiante, eu sabia que podia pegar qualquer garota ali, mas eu era areia demais pro caminhãozinho delas, mas, quem se importa? Eu sou homem! E sou muito foda.

– Eu cheguei na primeira, que parecia tão bêbada quanto os caras que me chamaram, era uma das garotas que estava com eles. Ela cedeu e rolou uns amassos ali mesmo, enquanto os caras meio que nos incentivava com uns gritos estranhos. Mal terminei e vi que outros dois do mesmo grupo se agarravam também, um cara com uma outra garota. Eu estava sentindo que hoje eu me daria muito bem.

Depois de duas garotas bêbadas e desgrenhadas –porém bonitas, lógico – terem me dado mole, eu tinha certeza que seria a melhor festa, diferente das de aniversário que eu invadia pra comer salgado, porém, estava rolando muita putaria, muita mesmo. A mesma garota que agarrei em outro momento já tinha sido esfregada por outros três caras, eu até faria um comentário negativo sobre ela, mas depois de reparar bem, percebi que era Noélia se divertindo.

Eu estava desnorteado quando gritavam mais uma vez pra eu virar outra garrafa, e quando terminei, antes que eu pensasse que vomitar era uma boa opção, outra pessoa me puxou pra mais uma sessão de agarros e sarradas.

Talvez tenha sido o melhor beijo que eu já tinha ganho, mesmo tonto, eu tinha total consciência de que era melhor que os outros, que todos os outros. Foi tão intenso que o ar faltou ainda mais depressa que o de costume, e quando reparei, percebi que tinha acabado de beijar um garoto. Não consegui entender muito bem, foi rápido demais, só vi que ele usava uns óculos bem esquisitos. Ele sorriu pra mim com os lábios vermelhos antes de eu vomitar e apagar.

Só me preocupo com o fato de cu de bêbado não ter dono.

Notas finais
Bem! haha Está mais claro quem é o narrador? xD eu tive alguns problemas com isso, algumas pessoas me colocaram na parede porque eu não dizia de quem era o Pov :X mas isso tem propósitos! Espero que comentem sobre isso, ou apenas comentem u.u Reviews = Mais capítulos, então pensem bem na hora de fechar a página sem comentar x3