Paris is always a good idea

9 Une vente aux enchères américaine


Notas iniciais
Bonjour, meus amores! 🇫🇷❤️ Eu gostaria de dizer que este capítulo é tranquilo. Gostaria. Mas infelizmente Bella Swan continua sendo uma força sobrenatural do caos. Quando finalmente parecia que sua carreira estava entrando nos trilhos, Paris decidiu lembrar que felicidade demais não combina com protagonista de comédia romântica. Preparem-se para glamour, alta costura, bilionários, um vestido deslumbrante, um desastre público de proporções internacionais e algumas das decisões mais dolorosas que nossos personagens precisaram enfrentar até agora. E talvez seja uma boa ideia pegar um lencinho. Só por precaução. 🥲 Boa leitura! 🗼🥐❤️

Capítulo 9: Une vente aux enchères américaine

O Grande Salão do Palácio de Tóquio, com suas linhas minimalistas e colunas de concreto industrial, foi o local escolhido para o evento mais aguardado do outono parisiense: o Leilão de Caridade de Luxo da agência Platt. O projeto, que visava arrecadar fundos para a preservação das artes na Europa, era a chance definitiva de Bella Swan selar sua reputação no mercado de alta costura.

Graças à sua audácia na ópera, Bella conseguiu o impossível: convencer o excêntrico estilista Aro Volturi a doar uma obra-prima inédita para ser o lote principal do leilão. A peça era um deslumbrante vestido de seda pura em tom carmim, com bordados feitos à mão que reluziam como pedras preciosas sob as luzes cênicas do palco. Por exigência dramática de Aro, o vestido precisava ser apresentado no corpo de uma "mulher real que entendesse a alma da grife". Bella, contra a sua própria vontade e sob os olhares céticos de Esme Everson, foi a escolhida para desfilar a obra de arte.

Quando as luzes se apagaram e o martelo do leiloeiro se preparava para dar início aos lances milionários, Bella deu um passo à frente no palco. O vestido moldava-se perfeitamente ao seu corpo, arrancando suspiros de admiração da plateia de bilionários e socialites.

O triunfo, contudo, durou poucos segundos. Antes que o primeiro lance fosse anunciado, dois jovens designers vanguardistas da marca rival e disruptiva "Quileute" invadiram o palco principal. Usando capuzes e movidos por uma estratégia agressiva de guerrilha de marketing para protestar contra o elitismo da moda tradicional, os dois ativistas correram em direção ao centro do tablado carregando galões industriais.

Em um movimento rápido e coreografado, os designers jogaram uma densa tinta cinza-opaca diretamente sobre o vestido carmim, com Bella ainda dentro dele.

A plateia soltou um grito coletivo de horror. O choque térmico e o peso do líquido viscoso fizeram Bella cambalear. A tinta cinza cobriu o tecido luxuoso, destruindo completamente a peça exclusiva de Aro Volturi no palco e transformando o ápice do leilão em um pesadelo midiático instantâneo. Flashes de fotógrafos espocaram por todos os lados, capturando a humilhação da americana em tempo real.

Nos bastidores do Palácio de Tóquio, o clima era de funeral corporativo. Bella tentava limpar os resquícios de tinta cinza de seus braços com lenços de papel, ainda tremendo de choque, quando a porta do camarim foi aberta com violência.

Esme Everson entrou como um furacão de fúria gélida. Suas feições aristocráticas estavam rígidas e seus olhos cinzentos faiscavam.

— Chega, Mademoiselle Swan! — Esme sibilou, a voz trêmula de pura raiva, ignorando qualquer tentativa de Paul ou Benjamin de intervir. — O lote principal do Aro Volturi foi arruinado diante de toda a imprensa europeia. A imagem da Platt foi arrastada pela lama por causa desse seu imã para o caos americano! Eu fui tolerante com seus métodos absurdos, mas isso cruzou todos os limites toleráveis. Você está demitida. Recolha suas coisas na agência amanhã cedo e pegue o primeiro voo de volta para os Estados Unidos.

O mundo de Bella desabou pela segunda vez naquela noite. O emprego que justificava sua estadia em Paris, seu visto, seus sonhos profissionais, tudo havia sido apagado pelo jato de tinta cinza da marca vanguardista.

Com o corpo dolorido e a alma estraçalhada, Bella retornou ao prédio no Quartier Latin tarde da noite. Ela subiu os lances de escada em total entorpecimento, sentindo o peso do fracasso esmagar seu peito. Ao chegar ao corredor do quarto andar, ela deparou-se com uma silhueta alta esperando junto à sua porta.

Era Edward. Ele usava um sobretudo escuro e tinha as mãos enfiadas nos bolsos, a postura curvada e os cabelos bronze bagunçados. Seu rosto estava pálido e seus olhos cor de topázio carregavam uma opacidade dolorosa.

Ao ver Bella naquele estado, com marcas de tinta cinza ainda visíveis na linha do cabelo e os olhos vermelhos de tanto chorar, o coração de Edward apertou, mas ele mal encontrou forças para oferecer o conforto de sempre. O peso de seus próprios fracassos o havia derrotado.

— Bella... — ele chamou, a voz britânica saindo fraca, rouca e completamente desprovida de esperança.

— Edward, por favor, hoje não... — ela pediu, a voz embargada, prestes a desabar novamente. — Eu acabei de ser demitida. O leilão foi um desastre. Eu perdi tudo.

Edward engoliu em seco, dando um passo à frente, os olhos fixos nos dela em uma despedida silenciosa e dilacerante.

— Então nós dois perdemos, Bella — ele confessou, o sotaque inglês perfeitamente melancólico ecoando no corredor silencioso. — O banco recusou oficialmente a minha última apelação de crédito hoje à tarde. Sem o financiamento e sem o dinheiro da família da Rosalie, eu não tenho como manter o ponto. A L'Aubergine vai fechar as portas no final da semana.

Bella paralisou, esquecendo a própria dor por um segundo diante do sofrimento dele.

— Não... Edward, tem que haver outro jeito...

— Não há outro jeito — ele interrompeu suavemente, uma lágrima de pura frustração brilhando em seus olhos. — Paris me venceu, Bella. Eu assinei os papéis de encerramento. Eu vou fechar o restaurante definitivamente e... eu vou voltar para a minha terra natal. Estou com passagem comprada para Londres. Vou voltar para o lugar de onde eu nunca deveria ter saído.

O silêncio que se instalou entre os dois no corredor do prédio foi absoluto e ensurdecedor. Separados pela lealdade a Rosalie, agora o destino os afastava pelo próprio fracasso de seus sonhos parisienses. Bella olhou para o homem que amava, percebendo que a Cidade Luz, de forma implacável e dolorosa, estava apagando suas últimas luzes para ambos.

Notas finais
EU NÃO ESTOU BEM. Repito. EU. NÃO. ESTOU. BEM. Porque uma coisa é a Bella ser demitida. Outra coisa é o vestido do Aro ser destruído ao vivo diante da elite europeia. Mas vocês querem mesmo me convencer que Edward Mansen fechando a L'Aubergine e voltando para Londres não deveria ser considerado crime emocional? Porque eu me recuso a aceitar isso. 😭 Durante toda a história, Paris representava sonhos. O sonho da Bella. O sonho do Edward. O sonho de recomeçar. E agora, pela primeira vez, parece que a cidade está expulsando os dois ao mesmo tempo. Ela perdeu o emprego. Ele perdeu o restaurante. E os dois continuam separados justamente quando finalmente poderiam ficar juntos. O timing dessa história é tão cruel que chega a ser impressionante, mas existe uma coisa que não sai da minha cabeça... Vocês perceberam que Bella foi demitida por algo que nem sequer foi culpa dela? E que Edward está desistindo justamente quando mais precisa de ajuda? Porque, às vezes, o universo derruba a gente exatamente antes da virada e eu tenho a sensação de que ainda existem algumas cartas escondidas nessa mesa. 👀 Agora eu preciso saber: 🥀 Vocês acham que Esme exagerou ao demitir a Bella? 🥀 Edward deveria aceitar ajuda financeira ou fez certo em manter seu orgulho? 🥀 Vocês acreditam que ele realmente vai embora para Londres? 🥀 E quem está sofrendo mais neste momento: Bella ou Edward? Nos vemos no próximo capítulo de Paris Is Always a Good Idea...