Paris is always a good idea
9 Une vente aux enchères américaine
Notas iniciais
Capítulo 9: Une vente aux enchères américaine
O Grande Salão do Palácio de Tóquio, com suas linhas minimalistas e colunas de concreto industrial, foi o local escolhido para o evento mais aguardado do outono parisiense: o Leilão de Caridade de Luxo da agência Platt. O projeto, que visava arrecadar fundos para a preservação das artes na Europa, era a chance definitiva de Bella Swan selar sua reputação no mercado de alta costura.
Graças à sua audácia na ópera, Bella conseguiu o impossível: convencer o excêntrico estilista Aro Volturi a doar uma obra-prima inédita para ser o lote principal do leilão. A peça era um deslumbrante vestido de seda pura em tom carmim, com bordados feitos à mão que reluziam como pedras preciosas sob as luzes cênicas do palco. Por exigência dramática de Aro, o vestido precisava ser apresentado no corpo de uma "mulher real que entendesse a alma da grife". Bella, contra a sua própria vontade e sob os olhares céticos de Esme Everson, foi a escolhida para desfilar a obra de arte.
Quando as luzes se apagaram e o martelo do leiloeiro se preparava para dar início aos lances milionários, Bella deu um passo à frente no palco. O vestido moldava-se perfeitamente ao seu corpo, arrancando suspiros de admiração da plateia de bilionários e socialites.
O triunfo, contudo, durou poucos segundos. Antes que o primeiro lance fosse anunciado, dois jovens designers vanguardistas da marca rival e disruptiva "Quileute" invadiram o palco principal. Usando capuzes e movidos por uma estratégia agressiva de guerrilha de marketing para protestar contra o elitismo da moda tradicional, os dois ativistas correram em direção ao centro do tablado carregando galões industriais.
Em um movimento rápido e coreografado, os designers jogaram uma densa tinta cinza-opaca diretamente sobre o vestido carmim, com Bella ainda dentro dele.
A plateia soltou um grito coletivo de horror. O choque térmico e o peso do líquido viscoso fizeram Bella cambalear. A tinta cinza cobriu o tecido luxuoso, destruindo completamente a peça exclusiva de Aro Volturi no palco e transformando o ápice do leilão em um pesadelo midiático instantâneo. Flashes de fotógrafos espocaram por todos os lados, capturando a humilhação da americana em tempo real.
Nos bastidores do Palácio de Tóquio, o clima era de funeral corporativo. Bella tentava limpar os resquícios de tinta cinza de seus braços com lenços de papel, ainda tremendo de choque, quando a porta do camarim foi aberta com violência.
Esme Everson entrou como um furacão de fúria gélida. Suas feições aristocráticas estavam rígidas e seus olhos cinzentos faiscavam.
— Chega, Mademoiselle Swan! — Esme sibilou, a voz trêmula de pura raiva, ignorando qualquer tentativa de Paul ou Benjamin de intervir. — O lote principal do Aro Volturi foi arruinado diante de toda a imprensa europeia. A imagem da Platt foi arrastada pela lama por causa desse seu imã para o caos americano! Eu fui tolerante com seus métodos absurdos, mas isso cruzou todos os limites toleráveis. Você está demitida. Recolha suas coisas na agência amanhã cedo e pegue o primeiro voo de volta para os Estados Unidos.
O mundo de Bella desabou pela segunda vez naquela noite. O emprego que justificava sua estadia em Paris, seu visto, seus sonhos profissionais, tudo havia sido apagado pelo jato de tinta cinza da marca vanguardista.
Com o corpo dolorido e a alma estraçalhada, Bella retornou ao prédio no Quartier Latin tarde da noite. Ela subiu os lances de escada em total entorpecimento, sentindo o peso do fracasso esmagar seu peito. Ao chegar ao corredor do quarto andar, ela deparou-se com uma silhueta alta esperando junto à sua porta.
Era Edward. Ele usava um sobretudo escuro e tinha as mãos enfiadas nos bolsos, a postura curvada e os cabelos bronze bagunçados. Seu rosto estava pálido e seus olhos cor de topázio carregavam uma opacidade dolorosa.
Ao ver Bella naquele estado, com marcas de tinta cinza ainda visíveis na linha do cabelo e os olhos vermelhos de tanto chorar, o coração de Edward apertou, mas ele mal encontrou forças para oferecer o conforto de sempre. O peso de seus próprios fracassos o havia derrotado.
— Bella... — ele chamou, a voz britânica saindo fraca, rouca e completamente desprovida de esperança.
— Edward, por favor, hoje não... — ela pediu, a voz embargada, prestes a desabar novamente. — Eu acabei de ser demitida. O leilão foi um desastre. Eu perdi tudo.
Edward engoliu em seco, dando um passo à frente, os olhos fixos nos dela em uma despedida silenciosa e dilacerante.
— Então nós dois perdemos, Bella — ele confessou, o sotaque inglês perfeitamente melancólico ecoando no corredor silencioso. — O banco recusou oficialmente a minha última apelação de crédito hoje à tarde. Sem o financiamento e sem o dinheiro da família da Rosalie, eu não tenho como manter o ponto. A L'Aubergine vai fechar as portas no final da semana.
Bella paralisou, esquecendo a própria dor por um segundo diante do sofrimento dele.
— Não... Edward, tem que haver outro jeito...
— Não há outro jeito — ele interrompeu suavemente, uma lágrima de pura frustração brilhando em seus olhos. — Paris me venceu, Bella. Eu assinei os papéis de encerramento. Eu vou fechar o restaurante definitivamente e... eu vou voltar para a minha terra natal. Estou com passagem comprada para Londres. Vou voltar para o lugar de onde eu nunca deveria ter saído.
O silêncio que se instalou entre os dois no corredor do prédio foi absoluto e ensurdecedor. Separados pela lealdade a Rosalie, agora o destino os afastava pelo próprio fracasso de seus sonhos parisienses. Bella olhou para o homem que amava, percebendo que a Cidade Luz, de forma implacável e dolorosa, estava apagando suas últimas luzes para ambos.
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