Paris is always a good idea
4 Un baiser n'est qu'un baiser
Notas iniciais
Capítulo 4: Un baiser n'est qu'un baiser
A manhã de sexta-feira em Paris amanheceu com aquela luz pálida e poética que parecia filtrada por uma tela de cinema antigo. Disposta a trazer um pouco de vida e frescor para o seu minúsculo apartamento no quinto andar, Bella Swan decidiu que sua primeira missão do dia seria comprar flores. Caminhando pelas calçadas de paralelepípedos do Quartier Latin, ela avistou uma charmosa floricultura de esquina, onde baldes de zinco transbordavam com rosas imperiais, eucaliptos perfumados e tulipas de todas as cores.
O problema começou quando Bella tentou se comunicar com o florista, um senhor de braços cruzados e expressão severa.
— Bonjour... Eu gostaria daquelas... flowers ali. As vermelhas. Rouge? — Bella apontou, gesticulando excessivamente. — E um pouco daquelas folhas verdes... S'il vous plaît?
O homem franziu a testa, soltando um suspiro impaciente e resmungando algo em francês sobre turistas que não se davam ao trabalho de aprender o idioma. Bella sentiu o rosto queimar de vergonha, prestes a dar meia-volta e desistir, quando uma voz feminina, melodiosa e perfeitamente imponente, ecoou ao seu lado.
— Laissez-la tranquille, Henri. Elle veut simplement un bouquet de roses de pivoines e d'eucalyptus. Soyez gentil (Deixe-a em paz, Henri. Ela só quer um buquê de peônias e eucalipto. Seja gentil).
Bella virou-se e deparou-se com uma das mulheres mais deslumbrantes que já vira na vida. Ela tinha longos cabelos loiros que caíam em ondas perfeitas de passarela, olhos azuis intensos e uma aura de sofisticação que exalava alta costura francesa. No entanto, ao contrário da frieza típica dos parisienses locais, a jovem sorriu de forma calorosa e extremamente simpática para Bella.
— Americanos e sua eterna batalha com o comércio local — a loira disse em um inglês perfeito, embora carregado de um sotaque francês irresistível. — Sou Rosalie. Rosalie Hale.
— Bella Swan! Meu Deus, muito obrigada, Rosalie. Você literalmente salvou a minha manhã — Bella agradeceu, soltando um suspiro de alívio enquanto o florista, agora domado pela intervenção da loira, começava a montar o buquê.
— Não há de quê, Bella. Paris pode ser implacável se você não tiver uma aliada — Rosalie respondeu com uma risada leve, os olhos brilhando com uma simpatia genuína.
Enquanto esperavam pelas flores, a conversa fluiu com uma facilidade impressionante. Rosalie explicou que trabalhava no universo da moda e da alta costura, e Bella compartilhou suas desventuras na agência Platt. Havia uma sintonia imediata entre as duas, uma faísca de amizade instantânea que fez o estômago de Bella se encher de leveza. Ao receberem as flores, Rosalie pegou o celular.
— Precisamos tomar um drink qualquer dia desses. Você precisa conhecer o lado de Paris que não está nos guias de turismo. Me dá o seu número?
— Com certeza! — Bella sorriu, digitando os dados rapidamente. Sentiu que, depois de Alice, Paris estava finalmente lhe dando mais um presente precioso em forma de amizade.
O clima de leveza, contudo, evaporou assim que Bella pisou na agência Platt. O escritório estava em polvorosa. O Dr. Carlisle Cullen e os principais diretores da Maison Cullen fariam uma reunião de alinhamento com a equipe da Platt aquela noite, e Esme Everson exigira que o jantar pós-reunião fosse impecável.
Para tentar impressionar Carlisle e provar de uma vez por todas o seu valor para a equipe, Bella tomou a frente da organização do jantar corporativo. Ela prometeu o impossível: uma mesa para o grupo no *Loulou*, o restaurante ultra exclusivo do momento, localizado no coração de Paris, onde conseguir uma reserva exigia meses de antecedência ou contatos na realeza.
Bella passou horas tentando decifrar o aplicativo de reservas premium da agência, suando frio até que, milagrosamente, viu a tela piscar em verde: *Reserva Confirmada*. Ela comemorou no meio do escritório, recebendo até mesmo um aceno de cabeça impressionado de Esme.
O desastre só se revelou às dezenove horas, quando Carlisle Cullen, os diretores e a equipe da Platt já estavam reunidos, prontos para sair. Paul olhou o voucher no celular de Bella e soltou uma gargalhada histérica.
— Mon Dieu, Bella! Você reservou para o dia 14 de novembro, não de outubro! Nós não temos mesa. O Loulou está lotado e nós vamos passar a maior vergonha da história desta agência na frente do nosso maior cliente.
O mundo de Bella desabou. Esme Everson lançou-lhe um olhar tão gélido que poderia congelar o rio Sena, enquanto os diretores da Maison Cullen trocavam olhares desconfortáveis. Carlisle permanecia em silêncio, a expressão ilegível.
Desesperada, com as lágrimas pinicando os olhos, Bella correu para o corredor e ligou para a única pessoa que entendia de alta gastronomia e milagres em Paris: Edward Mansen.
— Edward, por favor, me diz que você pode me salvar — ela implorou, a voz trêmula, explicando rapidamente o erro catastrófico. — O restaurante está fechado hoje, não está? Você não poderia... por favor...
Do outro lado da linha, a voz barítona e britânica de Edward soou como música para os ouvidos dela.
— Bella, respire. Traga todos eles para L'Aubergine em vinte minutos. Eu vou abrir a cozinha, acender as luzes e preparar um menu degustação que eles jamais esquecerão. Vá por mim, vai dar tudo certo.
Vinte minutos depois, o grupo da Platt e da Maison Cullen entrava no charmoso e intimista *L'Aubergine*. O ambiente estava impecável, iluminado apenas por velas, criando uma atmosfera de exclusividade absoluta que parecia ter sido inteiramente planejada para eles.
Edward deu um show. Ele serviu um jantar memorável, combinando técnicas francesas clássicas com o toque moderno e ousado que o definia. A cada prato que saía da cozinha, Carlisle Cullen parecia mais e mais fascinado. Sendo um homem de extremo bom gosto e refinamento, o Dr. Cullen fez questão de chamar o chef à mesa.
A partir dali, uma conexão instantânea nasceu entre os dois homens. Edward e Carlisle começaram a conversar detalhadamente sobre vinhos raros, as nuances da culinária europeia e a história de Paris. O jantar, que prometia ser um fracasso retumbante, transformou-se no maior sucesso da temporada. Esme Everson sorria, relaxada, enquanto observava Carlisle rir abertamente com o jovem chef inglês. O clima de negócios havia cedido lugar a uma amizade genuína nascendo entre Edward e o Dr. Cullen.
Por volta da meia-noite, as risadas cessaram e os convidados começaram a se despedir, pegando seus táxis sob a garoa fina de Paris. Esme e Carlisle saíram juntos, trocando aquele olhar secreto e cúmplice que Bella já havia decifrado no set de filmagem.
Bella permaneceu no restaurante. Emocionada, com o coração transbordando de gratidão e o corpo quente pelo vinho e pela adrenalina, ela fechou a porta de vidro e caminhou em direção à cozinha para ajudar Edward a organizar o espaço.
Edward estava de costas, retirando o dólmã de chef e ficando apenas com uma camiseta preta justa que marcava perfeitamente seus ombros largos. Quando ele se virou e viu Bella se aproximando, seus olhos cor de topázio escureceram de uma forma intensamente magnética.
— Você foi o meu herói hoje, Edward. Eu nem sei como te agradecer — Bella disse, a voz caindo para um tom suave e confidencial enquanto parava a poucos centímetros dele.
— Você não precisa me agradecer por nada, Bella — ele respondeu, a voz rouca, dando um passo à frente e eliminando qualquer espaço entre os dois. — Eu faria qualquer coisa para ver esse sorriso no seu rosto.
O clima entre eles, que vinha se acumulando ao longo de três semanas de olhares e toques tímidos, simplesmente explodiu. Bella não pensou em mais nada; ela reduziu a distância restante e colou seus lábios nos dele em um beijo intensamente apaixonado.
Edward soltou um gemido baixo contra a boca dela e correspondeu imediatamente, envolvendo a cintura de Bella com seus braços fortes e puxando-a contra o seu corpo. O beijo calmo transformou-se rapidamente em um super amasso selvagem e necessitado. Edward a ergueu com facilidade, sentando-a na bancada de inox fria da cozinha, o que criou um contraste delicioso com o calor ardente que emanava de seus corpos.
As mãos de Edward subiram pelas pernas de Bella, arrastando o tecido de seu vestido, enquanto as mãos dela se enroscavam desesperadamente nos cabelos bronze dele. As respirações eram curtas, os beijos desciam pelo pescoço dela, arrancando suspiros sôfregos. Ali mesmo, no calor daquela cozinha profissional, entre o aroma de sálvia e a penumbra das velas, eles se entregaram um ao outro. Foi uma entrega ardente, fluida e desesperada. Para Bella, enquanto arranhava as costas de Edward e clamava pelo nome dele no ápice do prazer, aquela foi, sem a menor sombra de dúvida, a melhor e mais intensa experiência de sua vida. Ela sentia que pertencia àquele lugar, àquele homem.
Cerca de uma hora depois, envoltos em uma bolha de pura felicidade e flutuando nas nuvens, os dois saíram do restaurante de mãos entrelaçadas, caminhando pela ruela deserta em direção ao prédio onde ambos moravam. Edward sorria de lado, aquele sorriso torto e britânico que fazia as pernas de Bella virarem geléia, enquanto puxava a mão dela para dar um beijo terno em seus dedos.
— Acho que Paris realmente é uma boa ideia — Bella brincou, encostando a cabeça no ombro dele enquanto se aproximavam da imponente porta de madeira do edifício de apartamentos.
— A melhor de todas — Edward sussurrou, parando diante da entrada e puxando-a para um último selinho carinhoso.
Mas a bolha de felicidade estourou com a força de um estilhaço de vidro assim que a porta do prédio se abriu de dentro para fora.
Uma silhueta elegante, segurando uma pequena bolsa de grife e usando um casaco de lã perfeitamente alinhado, deu um passo para a calçada iluminada pelo poste de luz.
— Mon chéri! Você demorou! Eu estava quase pegando no sono no seu sofá esperando você voltar do restaurante — a voz melodiosa ecoou.
Bella congelou. Seus olhos se arregalaram em absoluto choque ao reconhecer os longos cabelos loiros e as feições esculturais. Era Rosalie. A mesma Rosalie simpática que a ajudara na floricultura naquela mesma manhã.
Rosalie deu um passo à frente, sorrindo abertamente ao ver Bella, mas seu sorriso vacilou ligeiramente ao notar as mãos rigidamente entrelaçadas de Bella e Edward.
— Bella? O que... o que você está fazendo aqui com o meu namorado? — Rosalie perguntou, a voz confusa, mas ainda mantendo a educação.
O mundo ao redor de Bella pareceu girar de trás para frente. Ela soltou a mão de Edward como se tivesse sido queimada por brasa viva. Ao olhar para o lado, Bella viu Edward empalidecer drasticamente. O chef inglês, antes tão seguro e imponente, parecia completamente desconfortável, tenso e visivelmente nervoso, os olhos cor de topázio alternando entre o choque de Bella e o olhar expectante de Rosalie.
O conto de fadas parisiense de Bella Swan acabara de se transformar em um verdadeiro pesadelho corporativo e amoroso.
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