Paredário!
2 Capítulo 2 - Despedida
Notas iniciais
- Valeu pela carona galere! Foi muito foda, mas eu tenho que ir! Comportem-se ta? Sim, to olhando pra você, Wilson. – Foi o que eu disse quando saí. Wilson estava em seu banquinho bancando o condutor, haha. Nota para si: Como ele foi parar lá?
Enfim, estava num Hangar ou coisa parecida. Só que a porta tava fechada. Tinha que achar um jeito de sair dali antes que alguém me descubra e mande outra menina paranormal atrás de mim. E a última coisa de que precisava era de outra criança me forçando a fazer promessas para ficar amiguinho de jardim de infância.
O que foi que eu fiz: deixei a Nyah no chão, corri para um nível superior, porque curiosamente as alavancas estão sempre num local difícil de alcançar. No terceiro andar de um dessas escadarias achei três alavancas. Acionei a primeira. Um guindaste começou a se mover pra frente. Não que era necessário, mas porque teria um guinaste dentro de um lugar daquele? Eu achei que teria achado algum tipo de controle de guindastes ou algo assim. Eu procurei por outro controle mas não achei nem debaixo das mesas. Então pensei que as portas seriam acionadas do lado de dentro. Uma boa idéia, desde que tenha alguém pra tomar conta e que não esqueçam a chave de casa ao sair... Mas isso não tem importância.
Fui conferir a porta. Ela não parecia espessa, então finquei a Lucy , mas ela só amassou um pouco a lataria. Que foi? Antes foi nas dobradiças do portão e elas estavam enferrujadas! Tentei um outro método: Meti a Lucy debaixo da porta e levantei. Só consegui entortar um pouco. Tentei levantar com as mãos e mesmo com as minhas forças, não consegui. Aquilo era muito mais pesado do que imaginava. Quase decepei meus dedos ao fazer aquilo. O máximo que consegui foi entortar pro lado de dentro uma porta que mais parece de loja!
— Mas QUE PORRA! – Gritei. Já não tinha mais jeito. Se eu voltar, os caras já estariam me esperando armados até os dentes e com experiências frenéticas loucas pra matar. E pra ficar pior, a Nyah sumiu! – Ué, cadê você Nyah?
— Nyah! – Gritou a Nyah lá no terceiro andar onde eu estava. Estava mexendo nos controles como uma criança. – Nyahnyah, nyah~
— Hey, Nyah! Pára com isso! Feia, Nyah feia! Pára- Foi o que eu disse antes de notar o guindaste se movendo pra cima e pra baixo, pro lado e pro outro. – Eureca!
— Nyah? – Perguntara ela parando de mexer.
— NÃO! Não pára! Bela Nyah, linda, gostosa! Poderia GENTILMENTE apertar o botão do meio? – Nyah parou pra pensar e depois apertou um botão. O guindaste foi pra direita. – Não! O outro botão! – Nyah se assustou e apertou outro botão e o guindaste foi esquerda. – Esse também não! Aperta o do meio logo!! – Nyah se assustou mais ainda e começou a apertar os botões aleatoriamente. – PARA! PARA! TU QUER QUEBRAR O TROÇO É?!?! – E ela parou de apertar e se encolheu num canto.
Parei pra pensar mais um pouco.
— Olha Nyah, foi mal ta bom? Não queria ter dito aquilo. – Nyah nem se moveu. Eu já estava começando a perder minha personalidade e já não tinha mais tempo. Tentei ser mais claro então. – Nyah, me desculpa por tudo ta bom?!! Não queria ficar bravo com você, eu nem gostaria que você tivesse passado o que passou. Me perdoa, ta bem?!! Eu fui injusto com você lá no túnel, eu sei, mas preciso de você para sairmos desta vivos juntos!! Ou quase... – Nyah voltou a dar atenção. – Vamos fazer isso juntos e com calma, ta? Aperte o botão que quiser.
Nyah me olhou por algum momento e depois abriu um grande sorriso.
— NYAH! – Exclamou ela. Imediatamente ela apertou um botão que abaixou o guindaste. Eu pus o gancho debaixo da abertura da porta e Nyah acionou de novo o botão que levantou a porta. Liberdade, finalmente!
Depois de muito tempo, mesmo estando morto, nunca me senti mais vivo! O calor do sol Queimava nossos olhos. Tanto que Nyah tomou abrigo numa sombra mais próxima. Eu nem pisquei. Já que não sentia dor, meus reflexos já cessaram havia séculos! Mas eu também nem queria mesmo.
Fui buscar a Nyah e aos poucos a levei pro céu aberto. Ao sentir a brisa bater na nossa pele foi como um sonho perdido à muito tempo. A pedra fervente no nossos pés não nos incomodava nem um pouco. Nyah viu um mundo novo e sorriu feito uma criança para um presente de natal.
— Daqui em diante, será uma outra história. – Nyah concordou. – E você me deve cem reais! – Concordou ela ficando em dúvida em seguida.
Seguimos em frente, aproveitando a vida nova, casa nova. Eu olhei em volta pra verificar onde a gente se encontrava. Tinha terra por todo canto. Desde da entrada do hangar, à esquerda tinha uma descida de terra, e na direita, mais terra. Na frente havia um penhasco enorme com uma mata fechada abaixo. Eu me sentei para sentir a brisa depois de 4 anos. Nyah ficou com medo de cair, por isso ela se agarrou em mim enquanto olhada pra mata verde. Missão cumprida.
Até que...
- E-experiência 6-6-666! – Diz o doutor vara-verde-que-eu-esqueci-o-nome. Eu nem liguei e continuei olhando. – Você terá que voltar nesse i-instante, ou n-não terei escolha a não ser u-usar a força b-bruta!
- Ah é?! – Digo. O carinha pulou feito gato. – Você e que exército?
- E-e-e-ess-
- Nós viemos aqui numa missão urgente de capturar a experiência fugitiva. – Disse o figurante com cara de policial de 15 anos. Ele tinha bastante gel no cabelo que o deixava todo pra trás e fazia pose de machão. Do lado dele tinha mais quatro figurões: Uma garota loira e esbelta ( como todo mundo) com olhos de gato e roxos (como todo mundo), cabelo curto e pra trás. Um negão com pouco cabelo e fortão e um cara parecendo um palito de picolé, magrelo pra caramba e menos cabelo que o nego. O quinto era um menino de cabelo ruivo de tamanho médio e caído, que tinha olhos de gente meio tímida, embora olhasse pra mim, querendo me estraçalhar. (como todo mundo)
- Haha, vocês não estão falando sério, não é? Mas que vergonha... Seis contra um!
- E essa garota? – Disse o negão.
- Já conhecem a Nyah? E eu, como fico?! – Falei, apesar de ter sido interrompido pelo Police kid.
- Ela está sob o controle de mente dele. Ela nem está realmente viva. – Maguooouuu....
- Então, o que vai ser? Não vieram aqui me pegar? Ou têm medo de enfrentar a “morte”? – Provoquei. Depois mandei Nyah se esconder atrás de algo e ela me obedecendo foi atrás de uma pedra.
-Vamos pegar logo esse otário e ir pra cama! – Diz o palito de dente avançando, mas o Police kid o impede erguendo o braço.
- Ele usa medidas de hipnotismo para aqueles que se descuidam e não sente dor. Aparentemente não pode morrer também. Se não tiver cautela, estará morto.- Falou pouco, mas está certo.
- Eim?! Você diz isso toda hora! Olha pra ele! – Disse apontando pra mim. É meu charme...
- Acha que eu não tenho motivo pra dizer isso agora? – Então ele olhou pro palito de fósforo que logo desistiu e voltou pro seu lugar. Eles são tão divertidos! – Último aviso: ou se renda, ou você sofrerá conseqüências!
- Bem pelo o que eu sei até agora, ninguém chega aos meus pés em um milhão de anos e vocês nem são grande coisa, então, não. – Falei. Que foi? Tava entediado...
- Aproximação.
-Mas eim?
Do nada a garota desapareceu e em milésimo reapareceu do meu lado, pegou meu braço e me jogou no chão. O mais novo arremessou espinhos crescidos dos braços ( agora eu o chamo de porco-espinho) que atingiram minhas pernas e a garota se tele portou de volta antes que eu pudesse pegá-la. Em seguida, meus braços foram presos ao chão pelos espinhos. Eles talvez quisessem que eu gritasse de dor, ou não... Tanto faz, pra mim.
- Hah, fala sério! Esse cara aí é quem matou mais de quarenta guardas e chegou ate aqui? Só pode estar de brincadeira! – Falou palito-man.
- É porque ele nunca lutou contra um de nós. Ele é apenas idiota. – Disse a loira pela primeira vez.
- O que eu posso fazer? Sou foda assim! – Disse eu. Acharam que aquilo me pararia... Esqueceram que eu não posso ser parado pela dor? Por outro lado, agora precisava de mãos e pés novos...
Os dois pararam de se gabar e voltaram a se concentrar um pouco rápido demais para serem estúpidos. Melhor não baixar a guarda para não fica feio depois. Se me pegarem, pegarão a Nyah. Eles são treinados em trabalhar em equipe, com certeza. Se um apanhar então, o outro virá ajudar. Já to em desvantagem por não ter reflexos e ainda sou só um. Claro que poderia usar a Nyah como escudo mas isso já é covardia... Peraí. Já sei!
Já que não adianta provocar, melhor apelar. Corri para interceptar e um pouco antes de chegar perto do cabelo-de-gel, o nego enviou um soco, mas eu desviei e quase enfiei a Lucy na... Barriga. Mas ele deu u pulo pra trás e era a vez do palito. Ele esticou os braços uns três metros que me amarraram de jeito. Porco-espinho atirou, mas errou comigo que se movia. Ao invés disso, acertou os braços do borracha que logo me soltou. Aquilo nem penetrou mas reconheço que deve ter doído. Já estava um pouco mais perto do chefão. Nego, por sua vez avançou mas uma vez, mas estava preparado. Ele tentou me pegar, mas eu saí de fininho e cortei o braço dele com todas as minhas forças, mas foi um risquinho de nada, nem deu pro gasto. Imediatamente ele pegou minha Lucy e jogou no penhasco. Fuuuuu...!!
Mas ainda não desisti. Ele me pegou pela gola e eu tentei sair, mas ele era forte demais! Aí então, olhei nele e o nego arregalou como se tivesse uma diarréia, recuou. Ou ele tava mesmo com problemas ou eu sou mais foda do que achei que fosse. Ah, ele tava cobrindo os olhos com o braço e não a barriga! ^-^
Sem mais delongas, eu corri pro bastardo e com um gancho certeiro de direita, eu quebrei minha mão. Mas ele foi pro chão! *dim! *dim! *dim!
Num ato de recuperação, a garota ia me pegar desprevenido, mas eu não estava desprevenindo e fiz o que uma certa psicopata me ensinou. Ela ficou tão envergonhada que ia se tele portar mas eu peguei no braço dela e sem perceber, ela me tele portou junto! Hah, eu pensei. Se não fosse pelo fato de estar caindo de quinze metros... Sim, ela me tele portou para quinze metros no ar de onde eu comecei a me mover e me deixou lá. Me quebrei todo e ainda não podia me mover.
- Ta, eu não esperava por isso. – Falei.
- Seu safado, medíocre, filho da mãe!! – Gritou ela respondendo a minha pegada.
- Vai ter que fazer melhor do que isso! Eu não fico vermelho fácil, baby! – Disse na maior zoação. Ela não reagiu bem, é claro, mas a autoridade gel impediu ela de fazer bobagem.
Pra falar a verdade, eu tava acabado. A única coisa que me mantinha consciente me impedia de morrer. Mesmo assim, não podia mover um dedo. Impedido de fazer coisa alguma, o PMboy se aproveitou disso julgando que era seguro e se aproximou. Mas ele não contava que Nyah estava lá e ela ficou na minha frente me protegendo de um ataque. Eu nunca iria agradecer pela assistência. Ela é muito doida, mas diferente dos outros, ela gosta de mim por algum motivo. Mas ela iria pagar por isso.
Voltando a cena, Nyah ficou na minha frente e o futuro conrrupto olhou pra ela depois deu meia volta e deu a palavra ao porco-espinho.
- Se livra dela.
Choquei. O choque passou pelo meu corpo como um raio e perdi a noção da realidade por alguns segundos. Mas eu vi o menino hesitar um pouco, a garota levar a mão ao peito sem ser por minha causa. Até o borracha ficou surpreso com a seriedade do parceiro.
De qualquer modo, a última coisa que eu vi foi a Nyah caindo na floresta abaixo. A última coisa que senti foi meu corpo pegando fogo e tudo embaçou e enegreceu. Foi uma confusão de desespero, tristeza, raiva, esperança e ironia.
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