Paredário!
3 Capítulo 3 O resultado
Notas iniciais
De qualquer jeito, um resumo: Morri aos oito anos de idade, fui para num sanatório militar para novas experiências que são realizadas em crianças por motivos científicos bizarros, quando dei conta tinha quatorze. Me encontrei com uma garota esquisita com dupla personalidade e por meio período ficamos à mercê dos homens e mulheres da ciência. Passamos por teste de sobrevivência que parecia mais massacre de filme de suspense. Bolei um plano pra nos livrarmos daquilo. Descobri um depósito onde os corpos são aguardados sabe-se deus porque, e tive que me fingir de morto (o que não é muito difícil pra mim) para que me levassem até lá. Sabia que tinha um túnel inacabado que podia levar até a superfície, mas no tédio acabei tendo que arranjar uma companhia. Foi aí que encontrei um corpo de uma menina, mas lhe faltavam os braços e o olho direito. Não consegui achar um bom olho, mas os braços não foram problema, alem do que tinha milhares de corpos lá... Mas ela era apenas uma boneca sem vida. Mas eu achei um modo de dar vida aos mortos, se eu olhar fundo nos olhos deles e tiver certeza que não fritaram o cérebro deles... Enfim, fiquei quase dois dias olhando, mas consegui fazer com que ela acordasse. Ficamos dois anos juntos nos adaptando e cavando, e até achei a Lucy! Cês sabem do que eu to falando... Mas o túnel desabou e não tínhamos um jeito de cavar de novo. Mas graças ao meu intelecto superior, já tinha um plano B: Sair rompendo pelo complexo inteiro com meu exército de zumbis! E teria me saído bem se não fosse por aqueles moleques enxeridos e aquele cientista! Ah, bem...
“Experiência 666” Disse um cientista que se aproximava. Como eu disse, não vejo nada e estava amarrado.
“Quem? Ah, eu. Não tinha nome melhor não?” perguntei. Como antes eles ignoravam e iam direto pro assunto.
“Está na hora de sua demonstração. E tente não fazer nenhuma gracinha.” Disse. Deve haver um motivo por estarem sendo tão simpáticos comigo. Já sentia minhas pernas de novo, mais alguns pontos pelo corpo. Parece que me restauraram. Já vi que precisam de mim, e como um bom samaritano, vou me aproveitar disso.
Nem precisei caminhar. Fui levado como um produto de mercado fortemente empacotado.
Chegamos ao local em dez minutos, precisamente. Era a mesma sala branca de sempre, só que um pouco mais nova. Após de me deixarem de lado tirei a venda. Os cientistas haviam me exilado de novo, mas me observavam em algum lugar dali. Mas não estava só. Havia um corpo. Uma garota da minha idade. Ela tinha uma aparência fraca e estava jogada de qualquer jeito no chão feito uma boneca de pano. Apesar de frágil e magricela, ela tinha um rosto bonito. É difícil imaginar o que leva as pessoas a se tornarem humanos, que fazem estes tipos de crueldade. Entretanto, não é tão difícil pensar o que poder faz com os homens.
“Nome... Lucas, certo?” diz uma voz feminina do auto-falante da sala. “Experiência n°666, causador de um rompimento no complexo alfa do sudeste. Transferido para o setor beta para revisão.” Nem sei por que me falava tudo aquilo. Deve estar no currículo dela... “Por favor, não queremos que tenha raiva de nós. Só queremos o melhor para todos!” heh. Ta, bom...
“Então não se importa que eu fale.” E a voz parou. “Me reviveram para me matar vezes mais. Tudo que me trouxeram foi sofrimento, mas se é para o bem de todos... Se for mesmo, por que não vem aqui, falar pra essa garota que seguro nos meus braços?!” Foi meu desabafo. Por isso não agüento esse tipo de humano.
“Bem, foi um infortuno... Mas com o seu poder, você poderá trazê-la de volta a vida, para que possamos falar com ela novamente, como fez com a Hana!”
“Nossa, então Nyah tinha mesmo um nome... Como você a conhece? Já foram amigas?” agora me interessei.
“Não posso falar. Por favor, faça o que eu digo e terá todas as respostas que precisar.” Joguinho duro eim? Também sei jogar.
“Não.” Falei. A voz hesitou em falar, mas antes que o fizesse, eu continuei: “Não vou fazer com que ela sofra mais uma vez, pois sei muito bem o que vocês fazem nessa sala!” calei a boca dela de vez agora. Mas ainda não terminei... “Entretanto, eu irei fazer isso, para que você se arrependa. E conte pros outros também!” disse. Em cada sala daquela sempre tinha mais de um cientista e guardas para manter a segurança do lado deles. Conheço todos os regulamentos, pois já havia visto isso nos olhares deles. Apesar de ser espelhado, atrás do vidro senti os cientistas suarem frio. Aquilo era meu triunfo.
Olhei nos olhos dela e a fiz olhar pra mim. Era como naquela vez com a Nyah, mas ela só tinha um olho e essa tinha dois. Parecia ter morrido recentemente, provavelmente uma morte digna e natural, pois não havia seqüelas nem feridas. Se eles a querem tanto, é porque querem saber de algo. Ou pra provar algo. Ela começou a ter foco nos olhos. Não desviei o olhar e continuei a fitá-la fixamente. Logo ela começou a mexer. Estava ganhando vida novamente. Seus olhos começavam a olhar fixamente aos meus, mas enquanto olhava, via algo estranho. Em seus olhos aparecia o reflexo se um homem... Um pouco mais velho que ela, um cientista. Via também, em suas lembranças, o modo como ela o olhava. Tinha algo que eu gostaria de dizer, mas ele poderia ficar magoado. Queria dizer que logo irei morrer, mas alguém irá me ressuscitar para que eu possa dizer finalmente o que ele esperava. “Entendi.” Digo.
Me levantei. A garota estava apoiada em seus próprios braços olhando minha mão estendida para ela, convidando-a a se erguer do chão. Aceitou-o e pegou na minha mão cambaleando, mas decidida, deixou o solo. Perplexos, os cientistas nem sabiam o que pensar. Coisas como “Meu deus!” ou “Eu não acredito!!” talvez. Não demorou muito para que a voz falasse novamente.
“Inacreditável! Você conseguiu mesmo! Não imagina o quando isso possa nos ajudar!” Tentou me animar, a espertinha. Mas...
“Espere!” Interrompi. “Quero que ponha Teodoro no telefone. Lenna quer falar com ele.”
Houve uma pausa. Por um instante, achei que o pedido não ia ser atendido, típico deles. Mas o pedido não era meu, era dela. E se ela acertou até agora... Então uma voz dos auto falantes disse:
“Lenna? Você se lembra? De tudo?” Disse uma voz masculina desta vez. Acho que vou chorar...
Lenna se aproximou do vidro. Como digo, espelhado, mas ela podia ver através de algum modo. Pelo visto, ficava do lado perpendicular aos auto falantes. Ao me aproximar, podia ver a imagem do rapaz do outro lado. Certamente, havia algumas diferenças entre os complexos.
A tal Lenna parecia querer falar alguma coisa, mas então eu pedi “Com sua licensa” porque sou um cara educado. Peguei a cabeça dela e ARROMBEI NAQUELE VIDRO DESGRAÇADO!
Ele Rachou. Lenna jazia morta de novo no chão com uma poça de sangue escorrendo da cabeça dela. No vidro, havia gritos enquanto os cientistas olhavam perplexos através do vidro manchado pro meu rosto ensangüentado. “Querendo bancar os espertos...” Falei enquanto arrancava o braço de Lenna e batia ferrenhamente no vidro até abrir um buraco. Nunca vi um braço durar tanto! Enfim. Peguei o resto do corpo pela perna e joguei pelo vidro abrindo minha passagem. A maioria dos cientistas já havia fugido, mas a mulher de antes me olhava enquanto o tal Teodoro ficou jogado inconsciente do corpo que bateu na cara dele. A mulher tinha cabelo castanho e curto e usava uns óculos de nerd. Ela era meio gordinha, mas quase n dava pra perceber. Teodoro era só um cara qualquer de cabelo curto e negro.
“Ae!” falei pra tal mulher. “O que eu ganhava mesmo?” perguntei. Ela tentou fugir mas eu fechei a porta num piscar de olhos. Ela me olhou como se tivesse visto um fantasma. Ou um psicopata (mwahahahah!). Cara, eu queria tanto matar ela... Pegar aquele corpinho de nerd e arrancar osso por osso. Eu raciocinei por um minuto. Peguei no pescoço dela e olhei bem nos olhos dela. Eu vi tudo o que eu queria: tinha um tipo de mapa mental de todo o lugar. E mais: Agora eu estava praticamente muuuito longe de onde eu estava. 1023 fucking Kilometros! Nunca senti tanta raiva na minha vida! PORRA!!
Mas eu tava legal. É normal alguém errar tanto para morrer certo? Olhei pra ela de novo. A cabeça quase sem ar olhava pra cima, mas eu a fiz olhar pra mim. E falei: “Você sabia que a mulher resiste melhor à dor que o homem? Bem vamos descobrir isso, certo? JUNTOS!!”
Nunca ouvi um grito tão longo e tão gostoso! Foi um mundo novo pra mim! Me senti realizado! Se pudesse voltar no tempo, faria as mesmas coisas milhares e milhares de vezes mais! Bons tempos, boas coisas...
Com a sala toda suja de sangue e nenhuma alma viva por lá, sai. Alguns guardas foram me interceptar, apontando suas pistolas pra mim, achando que eu ia me render. Chega até ficar chato de tão fácil. Desmembrei todos eles. Alguns morreram porque não agüentaram, outros até que agüentaram, mas desmaiaram. Teve uns que aclamaram ter o coração tirado sei lá por qual motivo ( assovio).
Foi até bom enquanto a brincadeira durou. Os cientistas brincaram de esconde-esconde, pique-pega, ciranda e essas coisas. Me senti criança de novo. Uma criança bem levada...
Alguns momento depois, tudo estava deserto, o lugar era até muito pequeno, nem deu pro gasto.
Por um tempo, eu fiquei na duvida. Tipo, o que vem a seguir? Já fiz tudo que dava pra fazer aqui. Então resolvi dar uma olhada fora. Descobri umas coisas interessantes:
1- A saída da base dava no topo de um morro numa cidade
2- A base era subterrânea
3- A vista era escrota
4- Havia varias escolas por perto.
5- Eu uso essa base agora pra escrever meu paredário. Faz uma semana... Bons tempos, boas coisas...
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