Parceira De Crime
7 Feira cultural.
Notas iniciais
Mas enfim, aí está.
Eu havia passado o dia inteiro com ela, e mesmo assim, aquele tempo não me pareceu suficiente, eu queria mais. Todo o tempo estar junto dela, o que não fazia sentido, como tudo em minha vida depois daquele beijo. Só a veria novamente, quando? Chegamos ao final de semana, se eu não a encontrasse na escola, onde seria? Minha mente vagava por esse local frio e sem Alice, com tristeza quando chegamos a frente de minha casa. — Entregue. — Disse ela em voz baixa, olhando atravez do para-brisa de seu carro, Adrian ressonava baixinho no banco de trás. Meu instinto era beija-la. Mas por alguma razão, eu precisava que ela desse o primeiro passo, nunca estava certa de quando ela realmente estava afim. E além de tudo, tinha medo de estragar algo que mal havia começado. Um suspiro saiu de mim sem querer, enquanto me demorava no banco carona de seu carro. — Então.. — Eu comecei sem querer terminar, querendo que o dia tivesse algumas horinhas a mais. — Eu te vejo na terça? — Afinal, segunda feira ainda era feriado. Que droga. — Não quer me ver no fim de semana? — Perguntou-me ela, virando-se pra mim com aquela linda ruga em sua testa. — Claro que eu quero! — Respondi rapidamente, animando-me e esperando que isso não tivesse passado muito em minha voz. Ela sorriu, desviando seus olhos de mim, para o vidro da janela ao seu lado.
- Não vai a feira cultural amanhã? — Alice me perguntou. É mesmo, a feira cultural, todos os jovens estavam esperando por isso, ía ser divertido. Como pude me esquecer disso? De qualquer forma, eu não havia comprado ingressos e com certeza, não conseguiria comprar amanhã. — Eu não comprei meu ingresso. — Me xinguei mentalmente por isso, porque eu deixo tudo pra última hora? Alice então, tirou dois ingressos de papel róseos do bolso de sua jaqueta. — Você comprou? — Perguntei a ela, pensando em quando tinha feito isso. Antes, ou depois de nosso beijo. Analisando o modo como ela falava, aquilo era um convite? — Não, eu roubei. — Ela deu de ombros, dando uma olhada em seu pequeno irmão. — Quer ir? — Ok. Era um convite, coração bobo que sempre batia mais forte quando ela parecia se importar comigo. — Isso é um convite? — Com um sorriso de canto, ela novamente, desviou seus olhos de mim. — Não vou perguntar duas vezes. — Respondeu ela, novamente olhando atravez da vidraça da janela. — Eu quero. — Disse e ela se virou pra mim novamente, oferecendo um dos ingressos pra mim, peguei-o, nossos dedos tocando-se, novamente, ondas de choque por seu toque quente. E então, com a ponta de seus dedos, Alice traçou minha pele, no meu pulso esquerdo, subindo por meu braço, lentamente, até meu ombro, finalmente pousando em minha nuca, podia sentir as suas unhas roçando minha pele, enviando-me mais do que arrepios.
Desejo, tentação. E novamente, nossos lábios se selaram, calmos com sua língua adentrando por meus lábios indo diretamente de encontro com a minha. Brincávamos delicadamente, até em sentir os lábios de Alice pedirem mais dos meus, se tornarem mais intensos, sua língua com mais pressa junto a minha, seu corpo mais próximo, mais quente e o meu desejando mais do dela, meus braços envolvendo-se em sua cintura, puxando a pra mim, o que era gostoso e ao mesmo tempo desconfortavel, lembrando que estavamos dentro de um carro, um carro que estava a frente de minha casa. Contudo, nada importava mais do que Alice mais próxima, sendo que a pequena estava quase em meu colo a julgar pelo curto espaço que nos separava. Agora a ponta de seus dedos, subiam por minha barriga, levantando a fina camiseta que eu vestia, meu corpo respondia de forma estranha, uma sensação nova, que pedia por mais, que ela me tocasse mais, acho que eu estava excitada. Seus toque suaves e ao mesmo tempo vorazes, suas mãos traçando a pele nua de minha barriga, subiram até meus seios, ela então os apertou, sem nenhuma inibição, como se eu a pertencesse, nossos lábios sem se descolarem por um segundo. Deus, aquilo estava uma delícia, eu queria mais, não queria que ela parasse, mas foi o que ela fez, quando algo, que imaginei que fosse seu pé, tocou a buzina de seu carro.
Nos assustamos, e rapidamente nos separamos. Respirações difíceis, eu rapidamente repondo minha roupa em seu devido lugar. Alice deslizando sua mão esquerda por seus cabelos avermelhados, um sorriso maldoso lhe brincando aos lábios, Adrian ligeiramente acordado e meus pais. Droga, meus pais na porta da frente de minha casa. Eu tinha que ir, mesmo sabendo que para quem estava fora do carro, não dava pra ver quem ou que acontecia dentro dele, fiquei com medo de eles terem visto. Quer dizer, eu quase havia feito sexo com uma garota dentro de um carro, com o irmão mais novo dela dormindo no banco de trás. Meu coração batia forte demais, adrenalina pelas carícias que eu e Alice trocamos, e pelo o que eu estava por escutar de meus pais. Não queria sair do carro. Sem dizer uma palavra, Alice destrancou o carro, o pino da tranca da porta do passageiro subiu, mostrando-me que eu já poderia sair. E quem disse que eu queria? Minha mão direita foi até a maçaneta interna de minha porta, e puxei-a, não empurrei a porta para abri-la, hesitei. — Espere. — Alice disse, com sua mão em meu queixo, virou meu rosto de modo que eu a olhasse. Com um sorriso escondido, ela limpou os cantos de meus lábios, provavelmente sujos de batom. — Te pego as duas amanhã? — Perguntou-me ela, eu apenas assenti com a cabeça, ainda estava assutada. Alice roubou-me um rápido e último beijo, logo depois afastando-se de mim, voltando a repousar suas mãos no volante de seu carro. Era como se fosse impossivel, não sorrir ao seu lado.
Respirei fundo, podendo sentir o cheiro de Alice em mim, aquilo foi o suficiente para que eu deixasse seu carro. Meus pais estavam com expressões carrancudas, idênticas. Eu estava ferrada. Caminhei com passos lentos até a porta de minha casa, minha mãe tinha os olhos fixos no carro de Alice, que agora partia. Me senti sozinha e vazia sem Alice. — Entre. — Sibilou meu pai e foi o que eu fiz. — Onde você esteve o dia todo? — Bradou meu pai assim que todos estavamos dentro de casa. Ótimo, eles não viram o que aconteceu. — Eu estava com.. — Minha mãe completou por mim. — Lightwood. — Alice. A corrigi mentalmente. — Quem? — Meu pai perguntou ligeiramente confuso. — É claro que você não saberia Eric! — Minha mãe gritou com meu pai, dando alguns passos furiosos para longe de nós. — Ela está há dois dias com essa garota, e já nos deixa loucos! Mas você não se importa! — Eu odiava aquilo, odiava o fato de ela gritar com meu pai daquela forma, odiava o fato de ela se referir a Alice daquela forma. — Mãe! — Eu gritei-a, chamando sua atenção pra mim. — Deixe Alice fora disso! Não sabe nada sobre ela! — Ela se virou para meu pai como se tivesse acabado de levar um tapa. — Vê como ela me trata? Isso é culpa sua! — Como minha mãe sabia fazer papel de martír. E o idiota do meu pai caía nessa. — Não fale com sua mãe dessa forma! É ela que manda aqui e tem que obedece-la. — Ótimo, ás ordens da sargenta. E eu não tinha coragem suficiente para me impor com meu pai. — Porque não atendeu as ligações? — O que? Que ligações? Perguntava a mim mesmo, buscando por meu celular em minha bolsa. Encontrei, nada menos que quarenta chamadas perdidas de casa. — Droga, — Murmurei sentindo-me culpada, eu não havia pegado no celular o dia todo.
- Me desculpe pai, estava no silencioso. Desculpe. — Minhas desculpas foram sinceras, e meu pai me parecia razoável. — Olha, eu não me importo se passou a tarde inteira com uma amiga, se você bancar o ET e ligar pra casa. — Segurei meu riso, e meu pai percebeu isso, ele também queria rir, mas não minha mãe. — É claro que não se importa. — Ela comentou friamente, olhando para nós dois com desdém. — Está de castigo. — Murmurou ela, afastando-se de mim. — Não, não pode! Eu tenho que ir ver.. — Parei no meios de minhas palavras quando minha mãe parou para me olhar. Quase mencionei meu encontro com Alice. Isso não ajudaria em nada. — Feira cultural, amanhã. — Terminei, tirando Alice da equação. — Não. — Ela apenas respondeu, subindo as escadas agora. Não? Não havia espaço para nãos. Eu tinha que ir e fim. — Pai, por favor? — Tentei apelar para o mais sensato. — Ouviu sua mãe gatinha, não posso fazer nada. Mas vou tentar falar com ela. — Respondeu ele, dando-me um suave beijo no topo de minha cabeça, e subiu as escadas como minha mãe. Suspirei sozinha na sala, logo depois, meus pés guiaram-me também para acima das escadas, até meu quarto, direto pro banho. Apenas joguei minha mochila em qualquer lugar e me dirigi ao banheiro. Não queria que seu cheiro saisse de mim, mesmo assim, entrei no box. Quando a água caía sobre meu corpo, me lembrava dos toques de Alice, seu corpo quente junto ao meu, carícias, seus lábios, sem nem notar o que eu fazia, minha mão esquerda subia até meu seio esquerdo, apertei-os, lembrando-me do que Alice tinha feito. Parei instantaneamente. Que droga estava havendo comigo?
Terminando o meu banho, eu havia me decidido. Com ou sem permissão, eu iria a essa feira cultural. Sequei-me devidamente, deixando meus cabelos, ainda levemente molhados, vesti-me apenas com um robe, peguei meu celular e deitei-me. Procurei o número desconhecido do qual havia recebido uma ligação noite passada e o disquei. — Ágata? — Alice perguntou, atendendo no primeiro toque. — Eu estava mesmo pensando em te ligar. — Comentou ela do outro lado da linha. — Então, estou ligando, pra dizer que não é pra vir me buscar amanhã. — Fui direto ao assunto com ela. — Não vai mais? — Perguntou ela em um tom diferente de voz, algo como decepção. — Sim, eu vou. Mas, aconteceram umas coisas aqui em casa, então.. Eu vou ter que ir sozinha, te explico depois. — Ouvi-a suspirar do outro lado da linha. — Tudo bem, nos encontramos no shopping então? As duas e meia? — Perguntou-me ela interessada. Eu adorava aquilo. — Estarei lá. — Respondi com um sorriso me surgindo aos lábios. — Ótimo. — Ela disse, ficando em silêncio em seguida. Como se esperasse que eu falasse algo, ou no caso, pedisse alguma coisa. Como na outra noite. Eu não pediria pra ela cantar pra mim novamente. Embora, eu quisesse que ela cantasse. Mas ela não fez isso, ouvi-a suspirar longamente. — Ágata.. — Sussurrou ela, parecia sonolenta, parecia que ía se despedir. — Não, não desligue. — Eu a interrompi antes que terminase sua frase. — Não vou. — Respondeu ela, sem dúvidas. Talvez não fosse se despedir, talvez ela fosse falar outra coisa. Me irritei internamente por tê-la interrompido, não achava que ela ía recomeçar. — O que ía falar? —
Eu perguntei então, e ela ficou em silêncio, novamente suspirou. — Nada. — Respondeu ela, parecendo distante. Resolvi não insistir. Embora queimasse de curiosidade por dentro. Ficamos em silêncio, nós duas, pelo que pareceu um longo minuto. — Já está deitada? — Perguntou-me ela. Não era uma pergunta comum era? Era mais daquele tipo de pergunta que um namorado faz para uma namorada antes de dormir. Pensamentos insanos sempre me viam a cabeça quando a questão era Alice. — Estou. — Respondi, abrançando um de meus travesseiros, imaginando como seria passar a noite com ela. Ainda havia o bem menos presente aroma de Alice em meu corpo, fechei meus olhos desejando-a. — Queria estar aí. — Revelou ela, como se lesse meus pensamentos e também me surpreendendo. Meus olhos se abriram novamente e meu coração bateu forte, como sempre fazia quando Alice falava algo assim pra mim. — Eu queria que estivesse. — Apenas respondi, voltando a fechar meus olhos, apertando mais o travesseiro. E cai no sono. Eu não sabia como isso tinha acontecido, tudo o que eu queria era passar a noite inteira ouvindo sua voz. Mas eu dormi, novamente. Eu dormi e a última coisa que ouvi foi a voz de Alice, poderia haver coisa melhor? Só imaginava uma. Alice deitada ao meu lado.
Dessa vez eu sonhei, sonhei com o pequeno Adrian, ele estava com um chapéu de orelhas do Mickey, não lembrava de muito mais, muito menos de ter visto Alice no sonho. Ela não estava lá, eu saberia se estivesse. Quando acordei, o celular ainda estava em minha mão, ainda estava na ligação, como na outra noite. Como se Alice quisesse dizer, que estava comigo. — Alice? — Chamei-a, sem resposta. Ela também dormia. Desliguei a ligação, nem imaginava o quanto ela já tinha gastado comigo nesses dois dias. Levantei-me e ainda estava cedo, eu era como uma criança, dormia e acordava cedo. Vesti-me apenas de minhas roupas íntimas e continuei com meu robe, pelo que sei, meu pai ficaria o dia inteiro fora. Desci até a cozinha, minha preparava o típico café da manhã inglês. Torradas, ovos fritos, salsichas e feijão. Ela sabia que não gostava. Estava mesmo brava comigo, a ponto de me deixar sem café. Sem a cumprimentar, abri um dos armários, pegando uma caixa de cereais. Derramando um pouco do mesmo em uma pequena tigela, em seguida leite. Guardei as coisas e peguei uma colher e minha tigela, deixando a cozinha e minha mãe. Fui até a sala e me sentei no sofá, para assistir aos desenhos que passava enquanto comia meu cereal. Minha mãe também veio para a sala. E mudou de canal, colocando em um canal sobre culinária. — Eu estava assistindo. — Disse eu, já era difícil eu falar de manhã, ainda mais falar com minha mãe. — Eu não estava. — Ela respondeu friamente. Ótimo, seria muito mais fácil quebrar as regras se ela agisse dessa forma, não me sentiria nem um pouco culpada. Deixei a sala e voltei para a cozinha, sentando-me na pequena mesa, terminei meu cereal e deixei a tigela na pia.
Voltando ao meu quarto em seguida. Permaneci lá, pelo resto da manhã, assistindo alguns episódios aleatórios de Nana e Naruto. As horas se arrastavam, no momento em que deu uma da tarde, fui me preparar, banho, cabelos, maquiagem, roupas. Vesti uma camiseta branca de mangas compridas, com um calça jeans preta, vestindo por cima meu sobre tudo de mangas curtas. Apesar do sol, estava frio lá fora. Dei uma última checada em meu rosto no espelho de meu quarto. Alguns fios de meu cabelo negro caiam por meu rosto, lápis escuro traçavam o contorno de meus olhos claros. Combinavam com o azul, lábios rosa que ainda sentiam o gosto de Alice. Eu estava pronta, impecavel. Mas nunca me sentia segura quando o assunto era Alice. Era pra ela minha produção. Saí de meu quarto, pegando apenas meu celular o ingresso e minha carteira. Desci as escadas, sem sinal de minha mãe na sala. Ótimo. Sai de casa, e esperei que minha mãe gritasse, mas não. Rapidamente tomei um táxi e informei meu destino a ele. Vinte minutos antes do combinado eu estava lá e ela também. Sentada em um dos bancos, do lado de fora do shopping, pernas cruzadas, meia calça as cobria, estava linda, saia e jaqueta de couro o mesmo cachecol e óculos escuros, estava entretida com um livro, Alice não tinha me visto. Me aproximei dela, ficando a sua frente enquanto lia. Lentamente, seu olhar subiu por meu corpo e um sorriso surgiu em seus lábios quando me reconheceu. Aquele seu sorriso lindo. — Chegou cedo. — Eu disse a ela. — Como de costume. — Ela sorriu fechando seu livro. Mitologia grega. — Eu dei uma olhada lá dentro antes de você chegar.. — Alice comentou, insinuando seu livro a mim, levantando-se e caminhou até seu carro, sendo seguida por mim.
Destrancou seu carro e depositou o livro em seu porta-luvas, voltando a trancar seu carro. — Então, o que houve? — Ela me perguntou, levando sua mão a minha, respondi a seu toque, entrelaçando meus dedos aos dela. Caminhamos em direção a entrada do shopping. — Bom, pra resumir, eu estou de castigo. — Respondi e adentramos o shopping, que estava especialmente decorado para aquela feira. No hall não havia indicações do que acontecia ali, apenas uma faixa rosa escrito: "Feira cultural de Leeds"
A feira acontecia na parte de trás do shopping, depois da praça de alimentação. — Bom resumo. — Uma Alice irônica respondeu, eu sorri. — E Adrian? — Eu perguntei a ela, enquanto adentravamos mais o shopping. — Está na casa de um amiguinho. — Ela deu de ombros, nunca ouvira falar no diminutivo antes, achei uma graça. Nós andávamos juntas de mãos dadas e eu nem me importava com quantas pessoas conhecidas eu encontraria ali. Passamos da praça de alimentação, até nosso destino, a parte de trás do shopping, ao ar livre a feira corria, pessoas perambulando de um lado para o outro, barraquinhas de comidas típicas da cultura de cada país, livros, brinquedos, camisetas, esculturas, música. Tudo que poderia imaginar. Claro que não era de todos os países, apenas alguns, como França, Japão, Irlanda, Escócia, Itália, China. Havia dois seguranças na entrada. — Ingressos. — Um careca que mais parecia um armário, estendia a mão pra nós. — Que idiotice. Quem iria querer invadir uma feira cultural? — Alice comentou ao meu lado, eu concordava, pra que tanta segurança para um feira cultural? De qualquer forma, peguei meu ingresso que Alice havia me dado na outra noite, e ela levantou a manga esquerda de sua jaqueta, mostrando no pulso uma pulseira rosa.
O armário assentiu, entregando a mim uma pulseira igual. Alice se virou pra mim e com delicadeza colocou a pulseira em meu pulso, com a ponta de seus dedos demorando na pele de meu pulso. — Vamos, — Ela chamou, puxando-me pelo pulso, para o meio da feira. — Eles fazem isso parecer a festa da Playboy. — Comentou ela, sorrindo divertidamente. — Eu não iria a festa da Playboy. — Respondi, seguindo-a para exatamente lugar nenhum, desviando de algumas pessoas que passavam. — Eu iria.. — Alice piscou pra mim com um sorriso maldoso. Ciúmes. Ágata, é só uma brincadeira, foco. — O que é isso? — Alice perguntou a um rapaz asiático, de uma das barracas de música, ela apontava algo que não também não soube distinguir, era uma madeira fina e cumprida, com apenas duas cordas. — Erhu. — O rapaz respondeu com um sorriso. — Erhu. — Alice repetiu, voltando-se pra mim, com um sorriso superior. O rapaz pegou o instrumento e tocou as duas cordas, sairam sons agudos e refinados do mesmo, sorria para Alice sedutoramente. Ciúmes novamente. Ela revirou os olhos sorrindo e afastando-se dele, juntando seu corpo ao meu. — Beleza, toca bem. — Disse ela, afastando-se do rapaz. — Ele tá me assustando, aquilo deve te atrair mais. — Apontava para um sushiman, em uma barraca oposta, de comida, ele cortava um filé de peixe com extrema velocidade e habilidade.
Passos lentos se seguiram, uma vez ou outra eu via um rosto conhecido, que me olhava com Alice como se fossemos alienigenas. Eu não me importava, e nem Alice parecia se importar, a cada vez que isso acontecia, ela dava um daqueles seus sorrisos travessos. Me encantava, paramos em uma barraquinha de cultura africana. Havia várias máscaras artesanais. — Então, sentiu minha falta? — Alice me perguntou, tinha uma das máscara nas mãos e colocava a frente de seu rosto, a máscara era feia e assustadora, quem compraria algo assim? Sem falar que era quase um crime cobrir seu rosto. — É claro que senti, e você? — Perguntei de volta, apoiando-me sobre meu cotovelos no balcão. — Desde o momento em que saiu de meu carro. — Ela respondeu, tirando a máscara de seu rosto. Eu corei, com meu coração batendo mais forte, como sempre. — Vocês são namoradas? — Um rapaz do outro lado da barraca perguntou, sendo repreendido em seguida. Fiquei ainda mais vermelha com a pergunta, Alice sorria. — Eddie! — Uma garota que tinha dreads na cabeça, bateu nele com uma revista.
- Me desculpe por meu irmão, ele é muito inconveniente. — A garota desculpou-se arrastando o sotaque. — Tudo bem, — Alice respondeu, perguntando em seguida. — Acha que parecemos namoradas? — Pude ver a surpresa pela pergunta no rosto da garota. — Bom, eu.. Ér.. — Embaraçou-se ela, e eu também. — Sim parecem. — O rapaz respondeu pela irmã. O sorriso de Alice aumentou e eu devia estar da cor de pimentão. — Eu quero aquilo. — Alice informou, apontando para um bola de futebol que tinha as cores da bandeira africana. A garota pegou a bola e entregou a Alice. — Trinta euros. — Informou a garota e Alice lhe pagou. Puxando-me pela mão para longe daquela barraca.
Duas horas e algumas compras depois, decidimos ir embora. Entramos no interior do shopping novamente, Alice puxou-me pelo braço, até o banheiro, entramos em uma cabine de deficiente, que era maior do que o resto, largando nossas compras no chão, ela atacou meus lábios e eu correspondi, tocando suas mãos em meu rosto e eu envolvendo meus braços em sua cintura, respondi a cada um de seus ferozes beijos, com minha língua explorando toda sua boca, brincando com sua língua, com seu corpo ela me prensou a parede e quebrou o beijo instântaneamente. Olhava em meus olhos e sua respiração pairava junto ao meu rosto. — Eu quero ficar com você Ágata. — Alice me disse, séria, sem nenhum vestigio de brincadeira em suas palavras. Arfei pesadamente, suspeitava que meu coração pularia de meu peito a qualquer momento. Eu não estava esperando aquilo.
Notas finais
De qualquer forma, espero que tenho gostado. =]
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