Notas iniciais
Vocês não sabem o quanto são lindos, seus reviews iluminam meus dias *o*
Enfim, aí está mais um capítulo..


Era incrível beijar Alice, seu beijo era diferente de qualquer outro. Especial, quente, excitante, apaixonante. Aquilo se tornaria um vício pra mim, eu notei. Pois, quando seus lábios se afastaram dos meus, eu a quis novamente. Eu já nem pensava mais em lutar contra isso. A beijaria sempre que tivesse a oportunidade. Ela nada disse, enviando-me um sorriso travesso, deu partida em seu carro, sua mão esquerda segurava a minha, já que seu câmbio era automático, tirando a necessidade de ela própria mudar de marcha. Não conversamos, nem sobre a noite passada e nem sobre nada, não precisavamos conversar. Estavamos ali, nos completando como na outra noite. Não demoramos a chegar no colégio e fomos uma das primeiras, na verdade, fomos as primeiras. Não havia nenhum aluno perambulando pelo local. — Vem, tenho que te mostrar um lugar. — Alice, entrelaçando seus dedos aos meus, me puxou para o lado norte da escola, onde tinha uma torre, entendam, era um colégio católico, onde tinha até uma pequena capela na ala sul, onde eu nunca em minha vida, tinha estado lá. Alice me guiou até a torre, onde entramos pelos fundos. Não podiamos estar ali, apenas o frei tinha permissão. Era a torre do sino. — Não devíamos estar aqui.. — Sussurrei perto de seu ouvido, e novamente recebi aquele sorriso travesso. — Somos católicas, também não devíamos ter nos beijado. — Fiquei muda ao ouvi-la, ela tinha razão, não devíamos ter nos beijado. Isso era considerado anti-natural.

Meu coração pesou com isso. Provavelmente, algo em mim fez Alice notar o peso de seu comentário. — Ei, está tudo bem. Nenhuma condenação ao inferno vai me fazer desistir de seu beijo. — Ela disse isso em um tom despreocupado, porém eu nunca me senti tão feliz e boba ao mesmo tempo, tinha sido lindo, embora que pesado. Não a respondi, pelo menos não com palavras, ataquei seus lábios novamente com os meus, senti seus lábios abrirem-se em um sorriso, quando Alice correspondia ao meu beijo, logo depois o quebrando. — Vamos. — Ela disse novamente, puxando-me pela mão pela enorme escada de madeira em forma de espiral. Demorou um pouco para chegarmos lá em cima, cerca de cinco minutos, e foi cansativo, era muito alto. Chegamos ao que chamavam de ninho do sino, tão perto que eu podia toca-lo. As paredes de pedras estava marcada com o nome "Alice" e aquele sistema de contagem de dias, como os prisioneiros fazem em suas celas. Notei então, que Alice frequentava aquele lugar há anos. Tocando os riscos na parede, nunca tinha notado que Alice se sentia uma prisioneira. Marcar os dias daquela forma, era um péssimo hábito. Quando voltei a olha-la, ela estava em pé beiral do ninho. Meu coração saltou de medo. Se ela caísse seria morte certa. — Alice, por favor se afasta daí. — Ela me olhou com um sorriso divertido, dando um passo pra trás. — Não se preocupe, eu jamais pularia. Só gosto da visão. — Assim que ela afastou-se um passo da beirada, agarrei-a pela mão, puxando-a pra mais perto de meu corpo, só então notei os centímetros mais baixos que ela era de mim, não muito, talvez uns três. Abracei-a com força, sendo correspondida, senti seu aroma natural novamente, como aquilo me estimulava. — Não estava com medo que pulasse, e sim que escorregasse. — Eu apenas disse, acariciando seu cabelo, ainda mantendo nossos corpos juntos. — Sabe o que eu adoro em você? — Alice perguntou-me com seus lábios junto ao meu pescoço, que fizeram-me arrepiar. — O que? — Perguntei de volta, com meus olhos se fechando. — Se preocupa comigo. — Ela respondeu, afastando seu corpo do meu, concordando com a cabeça, como se apenas estivesse confirmando algo que alguém tinha perguntado.

Em que mundo Alice estava vivendo pra eu ser a única pessoa que se preocuparia com ela? Olhando-a, eu quase pude ver fragilidade novamente, quase. Era como se eu precisasse cuidar dela, como se ela estivesse prestes a se partir, mas era durona e orgulhosa demais para pedir ajuda. Como se ela precisasse que eu a cuidasse. Embora eu achasse, que precisava muito mais dela, do que ela de mim. Como alguém como ela, podia ter se tornado tão importante, dentro de um dia? Como eu podia estar quase jurando ama-la, se eu mal sabia quem era? Impossivel. — Nossa, você nunca vai perder essa mania? — Entendi que ela falava sobre encara-la. Não era de propósito, estava presa em meus devaneios. — Não é minha culpa, você que interrompe a minha linha de pensamentos. — Alice sorriu, parecendo interessada. — É mesmo? E no que estava pensando? — Droga, eu pensei. Mas algo me salvou de responder essa pergunta. A sineta tocou, nos informando que tinhamos que ir para nossas classes. — Estava pensado que temos que ir pra aula. — Eu disse com um sorriso divertido. Isso fez com que Alice revirasse os olhos, embora tivesse um tom brincalhão. — Salva pelo gongo. — Disse ela, voltando a me puxar pela mão escada a baixo. Quando chegamos ao terreo da escola, todos os alunos já tinha ido para suas respectivas classes, eu e Alice entramos na nossa juntas, Helena correu ao meu encontro fazendo Alice passar direto, me deixando sozinha com ela. Helena imediatamente começou a falar, sobre coisas que eu não estava prestando a mínima atenção, pois minha atenção estava em Alice, caminhando para o fundo da sala.

Um rapaz de cabelos negros e ondulados, levanto-a do chão, colocando-a sobre seu ombro, fazendo-a gargalhar. — Eu notei que ganhar faz seu lado nerd despertar, não é ruiva? — O rapaz perguntou em meio a brincadeiras com Alice, carregando-a pela sala. Me admirava que eu pudesse ouvi-lo, a classe inteira estava uma confusão, nosso professor estava atrasado. — Ok! Eu vou ignorar toda essa hostilidade, porque sei que é só vergonha! — Alice respondeu em meio aos seus próprios risos, o rapaz passou com ela sobre seu ombro por mim, carregando-a pra fora da sala, me virei de costas pra Helena que ainda falava, pra ver Alice sair da classe sendo carregada pelo rapaz, ela acenou pra mim com aquele seu lindo sorriso travesso. E saiu, ótimo. Tinhamos voltado aos nossos diferentes mundos. Não era o que eu queria. Helena estalou os dedos a minha frente. — Será que podia prestar atenção no que estou falando? — Perguntava a mim, recebendo novamente minha atenção. — Eu estou prestando atenção. — Respondi sentando-me em minha mesa ao lado de Helena. Queria Alice.

As aulas passaram vagarosamente, só me importava a última. Já tinha visto Alice e seu amigo voltarem para a classe, e me senti estranhamente incomodada em saber que ela estava sozinha com ele. Mas enfim, nossa última aula chegou. Helena saiu de meu lado imediatamente, parecia até meio magoada, e não me importei. Alice veio para meu lado quando a Srta. Sophia entrou em nossa classe. Não me disse nada, seus dedos começaram a andar pela mesa, até tocarem os meus, sorri e ela também. Não nos olhavamos diretamente, brincando uma com os dedos da outra, chamou a atenção de nossa professora. — Parece que já estamos fazendo novas amizades.. — Srta. Sophia disse em voz alta pra toda a classe, não citou nomes, mas fez com que nossas mãos se afastassem. Srta. Sophia olhou pra Alice, e sorriu, como cumplice, Alice também sorriu, negando com a cabeça, desviou seu olhar de nossa professora. — Bom classe.. Olha o que tenho pra vocês hoje.. — Nossa professora chamava nossa atenção, abrindo a porta de nossa sala, dois homens com bandejas que tinha bebidas que me pareciam chocolate quente em mãos. A turma se animou, burburinho entre todos. Entregaram um copo a cada um de nós, logo depois sairam. — Hoje, eu quero que façam uma pequena brincadeira. — Srta. Sophia sorriu, pegando um copo para si. — Tyler! Não beba ainda. — Ela repreendeu ainda sorrindo. — O jogo chama-se: "Eu nunca." Vou dar um exemplo.. Eu digo para meu parceiro, ou parceira de equipe: "Eu nunca andei de moto", se no caso, ela ou ele já tiver andado de moto, ele ou ela bebe um pouco de seu chocolate quente. Se não, não. Todos entenderam? — A turma murmurou um "sim", agitando-se pela nova dinâmica.

- Que jogo mais sem pé nem cabeça.. — Alice murmurou, virando-se pra mim. — Qual é, deixa de ser chata e começa. — Ela sorriu, pensando por um momento. — Eu nunca andei de moto. — Disse ela por fim, me fazendo rir. Que boba. Bebi um pouco de meu chocolate quente, Alice me olhou com aquela ruga em sua testa, como quem esperava uma explicação. — Meu pai era motoqueiro quando se casou com minha mãe, a maior fábrica de motos de Leeds pertence a ele. — Expliquei-me ,dando de ombros. Alice sorriu, acenando com a cabeça. Minha vez. — Eu nunca gostei tanto de café como agora. — Disse sem hesitar, sabendo que aquilo não era a intenção do jogo, mas meu objetivo tinha sido atingido, ela sorria como uma criança com um novo presente. Bebeu um pouco de seu chocolate. — Ok, — Começou ela parecendo pensativa. — Eu nunca fui a Disneylândia. — Disse ela em meio a sorrisos, não bebi de meu chocolate, também nunca tinha ido a Disneylândia. — Ah não, coitadinha. — Alice disse sorrindo, com seu olhar demonstrando compaixão fingida. Sorri com ela, pois era impossivel ficar séria, enquanto ela sorria. — Eu nunca fiz sexo. — Revelei novamente sem hesitar, com minha voz nada mais que um sussurro. Alice parou de sorrir, ficando totalmente séria, talvez amarga, tomando um gole de sua bebida, não sei porque tinha dito aquilo pra ela, ou porque ela reagiria assim, mas meu coração pesou com aquilo e também com fato de ela já ter feito. Só de saber que outra pessoa já a tinha tido, me dava ódio. — Eu nunca me apaixonei. — Ela disse em um tom pesado e tenso, olhando diretamente em meus olhos. Eu também nunca havia me apaixonado, até Alice chegar, eu não tinha mais dúvidas. Estava mesmo apaixonada.

Tomei um longo gole de minha bebida e Alice também o fez em seguida. Não entendi direito sua ação. Ela havia mentido? Alguém na sala explodiu em risadas, o que foi engraçado foi o fato de eu e Alice termos pulado de susto, pois até então a sala estava em silêncio. Olhamos em direção a quem ria descontroladamente, era Tyler, um garoto hiperativo, que eu achava muito irritante. Ele ria enquanto a pequena menina que se chamava Sarah corava. — Eu não acredito! — Tyler gritou, Srta. Sophia lenvantou-se batendo um livro a mesa. — Tyler, se mantenha quieto e concentrado em seu trabalho. — Ordenou ela em tom definitivo, fazendo-o se calar. Alice voltou a me olhar, com o mesmo tom sério de antes. Tomando um pouco de seu chocolate, sem nada falar. Como se estivesse nervosa. Não jogamos mais, Alice deitou sua cabeça sobre a mesa e novamente, voltou a brincar com meus dedos. Srta. Sophia nada disse dessa vez, embora por vezes eu a via nos olhando. Nossa aula finalmente acabou, assim como nossas bebidas, não tinhamos usado nenhum tipo de material, então apenas pegamos nossas mochilas e nos levantamos, ficamos juntas quando jogamos nossos copos de papel fora e paramos a porta da classe. — Eu estava pensando.. Sei lá, quer tomar um café agora? — Alice sorriu de canto, olhando pra mim com algo que parecia afeição. — Na verdade, eu tenho que fazer uma coisa.. — Ela respondeu, me decepcionando, logo depois pareceu hesitar. — Mas pode vir comigo se quiser. — Sorri, não me importava o que ela iria fazer, só queria poder estar junto dela.

Notas finais
Então pessoal.. Sejam gentis como sempre são *-*