Notas iniciais
Então pessoal, desculpe a demora outra vez. Mas enfim, está aí. Espero que curtam. =]

Ela olhava pra trás de mim, por cima de meu ombro, com uma expressão divertida. — Acho que sua amiga quer falar com você. — Estava falando de Helena, não me arrisquei olhar pra trás, pois se olhasse, eu teria que ir falar com ela. — Vamos. — Eu disse saindo da classe, sendo seguida por Alice. Pela mão ela me puxou até seu carro e começou a dirigir em alta velocidade para o lado sul de Leeds, não conversavamos, embora novamente, nossos dedos estivessem entrelaçados. Chegamos até um pequeno colégio particular como nosso, mas esse era primário. Alice saiu do carro, batendo a porta esquerda do motorista, eu a segui, não sabia o que íamos fazer ali, mas eu tinha concordado em acompanha-la, sem nem perguntar pra onde ela iria. Era a saída de várias crianças, e uma moça robusta e sorridente, viu Alice e acenou, gritando em seguida. — Adrian! — Logo depois uma outra moça de cabelos claros e ralos trouxe consigo um pequeno rapaz, e correu quando viu Alice, que abaixou-se e o abraçou com força. Quando o soltou, ficou segurando sua mão. — Ágata, esse é meu irmão Adrian. — Apresentou ela se referindo ao pequeno garoto que mantinha seu olhar em mim.

Tinha cabelos ruivos que chegavam a seus ombros, mais lisos que os da irmã, os olhos na mesma tonalidade, então, Alice não usava lentes, as mesmas mínimas sardas em seu rosto. Ele era lindo como a irmã, e eram tão parecidos, como se Alice fosse mãe dele e não irmã. O rapazinho soltou a mão da irmã e a estendeu pra mim, como um cumprimendo, fazendo Alice rir e eu também. Apertei a mão do pequeno. — É um prazer te conhecer Adrian. — Cumprimentei-o. Ele sorriu agarrando a perna da irmã ficando tímido. Era uma criança adoravel. — Vamos ao parque? — Alice sugeriu a ele que concordou alegremente correndo até o carro. Logo depois ela olhou pra mim. — Tudo bem se formos? — Eu assenti com um sorriso, ela abriu a porta do carro pro irmão que ficou no banco traseiro, tirando um carrinho de sua mochila. Alice entrou e logo depois eu também. Ela prendeu seu irmão ao cinto de segurança e acelerou, não, na verdade ela não acelerou, apenas começou a dirigir. Em baixa velocidade. Não como hoje de manhã que ela tinha voado pelas ruas, ela estava dirigindo respeitando a velocidade permitida da zona onde estava. Eu imaginava o porque. — Então, quantos anos tem? — Perguntei me virando em meu banco para olhar o garoto que era a cópia de Alice. — Ele faz cinco mês que vem. — Alice respondeu por ele que fazia um quatro com as mãos. — Quer ir para a Disneylândia, acredita? — Ela perguntou, com um sorriso de canto que eu podia ver com minha visão periférica, sorri, me lembrando da brincadeira de hoje mais cedo.

O rapazinho soltou uma gargalhada alta ao ouvir sua irmã, e continuou sem falar. — Eu levo vocês. — Brinquei, virando-me novamente para frente, minha mão direita encontrou a mão esquerda de Alice, que não estava no volante, até me esqueci da presença de Adrian, sentir o toque de Alice, era a melhor coisa que me aconteceria aquele dia. Se eu ganhasse outro beijo, eu retiraria o que pensei. — Allye, vocês vão casar? — O irmão de Alice perguntou casualmente, parecendo ter mais que quatro anos, curvando um pouco seu corpo pra frente, para que pudesse nos olhar, eu corei com sua pergunta e meu primeiro instinto foi soltar sua mão, mas como eu podia recusar aquele toque? Alice sorria como se estivesse realmente divertida. Ela empurrou suavemente a cabeça do irmão, até ele se encostar novamente em seu banco. — Quer que a gente se case, Adrian? Ou só quer ir pra Disney? — O garoto deu aquela mesma gargalhada de antes, era tão parecido com Alice, de uma forma bem mais solta, eu podia ver as expressões de Alice no rosto dele, no sorriso. Me dava vontade de coloca-lo no colo e o abraçar forte. — Contou pra ele? — Perguntei em um sussuro pra Alice, ela me olhou por um segundo, antes de voltar sua atenção a estrada. — Sim, eu contei. Não escondo nada do meu garoto. — Deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais, pensei que era algo muito estranho para alguém na idade de Adrian entender.

- Ele entende? — Novamente Alice me enviou um olhar, e voltou a rua. — Claro que entende, ele é esperto. — Voltei a olhar o garoto, que sorria pra mim, abrindo e fechando as portas de seu carrinho, seu olhar era tão maturo e ao mesmo tempo infantil. — Golfinho nariz de garrafa, focas e o peixe-boi marinho. — Ele disse a mim, aleatóriamente me deixando confusa. Novamente, vi aquele sorriso brincando no canto dos lábios de Alice. — O que? — Perguntei a ele. — Golfinho nariz de garrafa, focas e o peixe-boi marinho. — Ele repetiu, correndo seu carrinho pelas costas do banco de Alice. — São animais, que se casam, sendo iguais. — Fiquei abismada com aquilo, tinha recebido aula de uma criança de quatro anos? Alice provavelmente, havia feito lavagem cerebral nele. — Eu não sabia disso. — Apenas disse com um sorriso, embora ainda estivesse boba com ele. Adrian acenou com a cabeça e voltou a brincar com seu carrinho. O carro parou. Alice me lançou um olhar misto de divertimento e superioridade quando saiu do carro. Eu sabia o que era aquilo, ela estava caçoando de mim por seu irmão mais novo ser mais esperto que eu. Neguei com a cabeça, e um sorriso teimoso cismava em tomar meus lábios, saí do carro ao mesmo tempo que Alice soltava seu irmão do cinto de segurança. Estavamos em um pequeno parque, um par de balanços, outro de gangorras, dois escorregas e uma daquelas estruturas de escalar, da qual eu não me lembrava o nome. Não havia muitas crianças, três pra ser exata. O garoto correu quase que imediatamente, mas foi segurado por Alice. Ela se abaixou a sua frente e levantou o zíper do casaco de Adrian até seu queixo. — Não corra pra rua. — Ela avisou, ele acenou e Alice o soltou, assim ele pode correr pelo pequeno parque.

Eu estava escorada em seu carro, assistindo aquela cena tão meiga, imaginando se algum dia, ela seria capaz de um ato daquele comigo. Ou de seu olhar atento a olhar o irmão correr longe de si. Ela veio até mim, encostando-se também ao carro, ficando assim ao meu lado, nossas mãos se encontraram novamente. Como se já estivessemos programadas pra isso. — O que foi aquilo no carro? — Eu perguntei, fazendo-a sorrir, seu olhar ainda estava em Adrian, que agora brincava com uma das crianças na gangorra. — Eu disse que ele era esperto. — Ela respondeu com a voz baixa, seu cabelo esvoaçando-se suavemente conforme o vento, como a cena de um filme, aquela cena que o personagem descobre que está apaixonado. Eu já sabia. Tarde demais pra essa cena. — Ele me humilhou. — Restruquei em um tom leve, de brincadeira, desviando meu olhar de Alice, pois agora começara a sentir calor, o que não era normal, devia estar uns quinze graus. — Qual é, você devia se orgulhar. É a primeira pessoa pra quem eu apresento a ele. A única. — Alice me olhou ao pronunciar as últimas palavras e meus olhos se prenderam aos dela. — Então.. — Comecei tentando não perder o foco e beija-la ali mesmo. — Devo pedir a benção dele? — Alice riu baixo, novamente procurando seu irmão com os olhos e rapidamente o encontrando. — Não se preocupe com isso, desde que o leve a Disney, ele leva nossas alianças ao altar. — Alice brincou, embora grande parte de mim desejasse que aquilo fosse verdade.

O que era loucura e eu sabia disso, mas não sentia a mínima vontade de lutar contra o que eu sentia sobre ela. Não me preocupava por ter me apaixonado tão rápido. O que eu mais queria, era sucumbir aquele sentimento quente. — Eu levo vocês, sou louca pra conhecer a América. — Ela me olhou, como se eu tivesse acabado de blasfemar. — O que foi? — Perguntei curiosa com sua reação. Alice deu de ombros. — Não gosto de americanos, muito menos de seu país. — A arcaica rixa entre ingleses e americanos. Não esperava isso de Alice. Alguém com idéia tão pouco convecionais.. — Por isso nunca levou Adrian a Disney? — Perguntei agora olhando o pequenino irmão de Alice, que chutava uma bola pra um outro garoto. — Nunca o levei, porque não posso sair do país com meu irmão mais novo. Quando eu fizer dezoito, vou leva-lo. — Menor de idade, não podemos nem entrar em um bar sem pedir aos nossos pais. — Mas, e seus pais, porque nunca o levaram? — Vi Alice resetar. Vi Alice hesitar. E dessa vez, ela não me olhou. — Minha mãe morreu no parto de Adrian. E digamos que meu padrasto não seja o tipo de pai exemplar, que passa as férias com os filhos. — Droga, me chutei mentalmente ao ouvir sua resposta, é claro eu devia saber, os Lightwood eram um mistério, por isso minha mãe não gostava deles. Eles moravam na parte mais afastada da cidade e nunca em toda minha vida, eu tinha visto os pais de Alice e nem mesmo Adrian. Nunca. — Eu sinto muito. — Disse a ela, sem nada melhor pra dizer. — Eu também. — Ela respondeu, curvando sua cabeça pra trás, olhando o céu com algo que parecia angustia. Desejei abraça-la, mas não o fiz. Eu entendi seu olhar ao céu, ansiava por sua mãe de volta e também entendi seu olhar anterior para Adrian, era o que ela mais tinha de precioso. Eu só não entendia o quanto ela parecia cansada, não na aparência, mas seu olhar, como se carregasse todo o peso do mundo em suas costas. Eu quis tanto saber sobre sua vida, sobre tudo. Protege-la. E depois, ela me olhou e sorriu. Puro e doce, apenas sorriu, me fazendo sorrir de volta.

- Allye! — Adrian gritou sentando-se em um dos balanços. — Vem, — Ela chamou, dando uma rápida corrida até o irmão. Eu a segui e ela, repousando suas mãos na parte superior das correntes do balanço começou a balançar o irmão calma e suavemente. Queria poder ter a intimidade de chama-la de Allye. Eu nunca em toda minha vida, havia imaginado Alice desse modo, protetora, uma irmã mais velha responsavel. Sempre que eu a via, imaginava como uma revoltadinha qualquer, e isso me provava que eu pouco sabia de Alice. Sempre que essa idéia me vinha a mente, eu queria saber mais, saber tudo. — Ágata, sério, você me assusta de verdade quando faz isso. — Alice me despertou novamente de meus devaneios. Sorri com meus olhos ainda sobre ela, prometi a mim mesma que a protegeria. De qualquer coisa. Do que eu não sabia ou conhecia, apenas a protegeria. Tocando minha mão acima a dela, que ainda segurava a corrente do balanço, levei meu corpo para trás do dela, podia sentir seu corpo quente junto ao meu, toquei minha mão livre também na dela, apoiando meu queixo sobre o dela, me aproveitei de seu delicioso cheiro. Aquilo agitava algo em mim, me dava vontade de beija-la, e a tomar como minha. Algo como, excitação. Apertei meus olhos, tentando afastar aquele tipo de sensação de mim. Eu tinha a visão e total acesso ao pescoço de Alice, ela estava arrepiada. Podia ser o frio. Mesmo assim, arriscando-me deposito um longo beijo em sua pele nua. Me esquecendo que estavamos em público e o que o irmão dela estava bem abaixo de nós. Eu descobri que aquilo era o que eu sempre queria fazer. Tê-la. Vi os olhos de Alice se fecharem e ela suspirou. — O que é isso? — Ela perguntou em voz baixa, ainda com seus olhos fechados, encostando sua testa na corrente do balanço.

- Um beijo. — Respondi apenas, saindo da posição que eu estava. — Não me diga.. — Brincou ela, voltando a balançar seu irmão, que estava impaciente. — Então não me pergunte, baixinha. — Alice me olhou cruzando seu braços, soltou o balanço que estava seu irmão. — Baixinha? — Concordei com a cabeça, medindo sua altura com minha mão direita. Mostrando que ela batia em meu ombro, o que era um exagero, ela não batia em meu ombro, eu já era baixa, ela não era muito menor que eu. — Que mentira. — Ela disse, fingindo-se de ofendida. — Allye. — Adrian a chamou, apontando para o escorrega, havia um tipo de casinha e uma girafa desenhada na parede, onde podia-se medir a altura das crianças. Ela me enviou um daqueles seus sorrisos travessos e deu um curta corrida até o escorrega. Adrian e eu a seguimos, um metro e sesenta e quatro. Ela cruzou seus braços, olhando desconfiada para os centimetros. — Isso deve tá de palhaçada comigo, me roubou vários centimetros! — Jogando seus cabelos pra trás, e ficou batendo seus pés no chão, ainda fingindo estar ofendida, eu ri com aquilo. — Ok altona, sua vez. — Eu ri, levantando meus braços em sinal de rendição, fui me medir. Um metro e sesenta e oito. Fiz uma reverencia a ela, em sinal de minha vitória. Alice negou com a cabeça. — Grande coisa, os centimetros que me roubaram injetaram em você. — Novamente eu ri com aquilo, Alice era divertida, me fazia ficar bem. — Allye, to com fome.. — Adrian resmungou baixo, coçando seus olhos. — Hoje é sexta Adrian.. Dia de? — O rosto do pequeno se iluminou. — Mcdonald! — Ele gritou dando um pulinho, a noite começava a cair. Alice me olhou sorrindo, afagando os cabelos do irmão. — Quer jantar conosco? — Ela perguntou a mim, nem precisava perguntar outra vez. — Seria ótimo. — Respondi, ao mesmo tempo que luzes alaranjadas se acenderam para iluminar o pequeno parque. — Vamos então.. — Chamou ela e imediatamente Adrian correu para o carro. — Você não é vegetáriana é? — Alice perguntou-me começando a andar em direção ao seu carrom, eu a segui. Neguei com a cabeça, eu não era mesmo. Mas não era hábito eu comer no Mcdonald. Entramos no carro, e ficamos em silêncio, acho que porque Adrian estava caindo de sono.

Literalmente. Por vezes eu o via quase cair de sono. Era seguro pelo cinto do carro. Tão bonitinho que era, eu podia novamente, ver as expressões de Alice naquele pequeno pedacinho de gente. Chegamos ao shopping e Alice parou o carro no estacionamento. — Adrian tá dormindo. — Informei quando ela saiu do carro e eu também. — Ele vai acordar assim que ver a luzes lá de dentro. — Ela respondeu, tirando seu irmão do carro e o segurando em seu colo, a cabeça do meninho ficou deitada sobre o ombro de Alice. Sério, não podia existir cena mais terna que aquela. E como ela disse, o rapazinho despertou assim que adentramos o shopping e as luzes fortes o atingiram. Devia ser algum tipo de rotina entre eles. Caminhamos até a praça de alimentação e fomos direto até a praça de alimentação, claro, podiamos ter apenas passado no Drive Thru, mas Alice não parecia fazer isso. Não estava cheio, porque provavelmente as outras pessoas iam ao drive thru. Caminhamos até o balcão dos pedidos, Alice agora com um Adrian totalmente alerta em seu colo. — Qual brinde vai querer? — Alice perguntou ao irmão, que podia escolher entre heróis ou hello kitty's. — Batman! — Ele respondeu, apontando o boneco painel onde o mostrava. — Então, eu quero dois Mclanche feliz, com um batman e um homem-aranha. — Alice pediu a moça que olhou pra mim, mas eu olhava Alice. — Dois? — Perguntei a ela, que sorriu e deu de ombros. — Eu gosto, qual é. — Alice respondeu com aquele seu sorriso travesso. — Ah, e duas cocas pequenas. — Acresentou ela para a mulher do balcão. Depois os dois olhares me atingiram. — Eu quero o mesmo. — Disse, com uma ruga se formando em minha testa. Não sei o porque, apenas entrei na onda, não podia ser ruim. — Trocando a coca, por um suco de morango. — Acresentei a moça e caminhamos até uma mesa. — Mclanche feliz é Ágata? — Dei de ombros, sentando-me a frente de Alice.

- Você que me copiou.. — Respondi e ela gargalhou. — Que malvada eu sou! — Adrian deitou sua cabeça a mesa e eu achei que ele cairia no sono outra vez. Alice afagou os cabelos do irmão e o vi sussurrar algo pra ela. Alice sorriu e se virou pra mim. — O que ele disse? — Perguntei curiosa, Alice deu de ombros. — Besteira. — Ela respondeu em seguida. — Já é a segunda noite que jantamos juntas. Eu devia começar a usar um anel de compromisso, ou algo assim? — Perguntei em tom de brincadeira, embora que eu não acharia nada mal me comprometer com ela. — Eu ainda estou pensando nisso.. Estava preparando a papelada para o nosso casamento. — Eu sorri com sua brincadeira, ainda desejando que ela estivesse falando sério. — Lembre-se que você entra com a viagem a Disney. São as condições de seu cunhado. — Cunhado, que bonitinho cara. Eu ía ter um mini-cunhado. Foco Ágata, é tudo uma brincadeira. Ansiei por um pedido de namoro. Eu a queria. De todas as formas possiveis. Até mesmo, arrancar suas roupas. Eu queria tudo o que ela era. E ainda não entendia tudo o que ela significava, mas depois do dia que estava passando com ela, eu percebi que a cada mero detalhe que eu descobria sobre ela, mais eu ansiva saber. Querer Alice, era como um instinto natural. Como se eu estivesse programada pra fazer isso, desde o primeiro momento que a vi.

Notas finais
Então, estou tentando expor um pouco a Alice, pois todos a conhecem muito pouco. Mas essas coisas não podem ser muito rápidas. Mas aí, já tem uma importante parte. Kissus.