Parceira De Crime
11 Confronto.
Notas iniciais
- Eu quero ir pra casa. — Disse ao passar por Helena.
- O que? — Ela perguntou confusa.
- Eu vou ir pra casa!- Porque? — Perguntou ela novamente.
- Porque sim! Me leva pra casa.
- Eu disse por fim e entrei em seu carro que estava estacionado.
Não conversamos enquanto Helena dirigia de volta pra minha casa, ela estava irritada e eu não estava nem aí, eu não me importava se Helena estava magoada ou não, podia ser egoísta, mas eu estava pensando só em Alice. E em como eu me sentia só de pensar outra pessoa que não fosse eu tocando-a.
Helena não disse uma palavra sequer quando destrancou as portas de seu carro, e não senti falta. Eu estava me afogando em um mar de emoções. Emoções com as quais eu não estava conseguindo me conciliar. Entrei em casa andando rapidamente até meu quarto, pisando firme e batendo a porta com força em seguida.
Me joguei na cama, olhando para o teto, talvez eu devesse chorar, mas estava atordoada demais pra isso. Pensei em quebrar o cd de Alice, mas desisti no momento em que me lembrei de seu bilhete. Droga!
Voltei a me jogar na cama, e a imagem de Alice com outra pessoa me veio a mente. Senti meu coração se comprimir em meu peito. Céus, eu realmente não podia sequer pensar em não ter Alice, por mais que tudo aquilo fosse recente, eu sentia que pertencia a ela e ela tinha que pertencer a mim.
Passei o resto de um dia miseravel em meu quarto. Encolhendo-me em posição fetal até cair no sono extremamente cedo. Sonhei novamente com Alice e minha mãe.
Quando acordei no dia seguinte eram nada menos que cinco horas da manhã, levantei-me ainda com as roupas do outro dia. Sentia-me mal, como um estudante no dia de domingo. Como se eu tivesse perdido. Talvez, um banho quente ajudasse. Errado.
Após meu banho, desci as escadas até a cozinha e meu pai estava tomando café, lendo uma revista sobre motocicletas.
- Caiu da cama gatinha? — Meu pai perguntou por cima de sua revista, tomando um gole de seu café. Apenas dei de ombros, servindo-me uma xícara de café. Café me lembrava Alice, despejei-o na pia em seguida.
Com o canto do olho vi uma ruga se formar na testa do meu pai, mas ele não disse nada. Com um suspiro pesado tentando afastar Alice de minha cabeça, nem que por um único segundo. Sentei-me a mesa, em silêncio.
Sentei-me a mesa, em silêncio.Sim, eu estava com problemas, mas ninguém podia me ajudar. Ou talvez pudesse.Meu pai sentou-se a minha frente, e minha mãe entrou na cozinha em seguida.
- O que faz acordada tão cedo? — Minha mãe perguntou-me, servindo-se de café.
- Estou sentada na mesa. — "Não vê?" Pensei em complementar a frase. Só pensei.
Minha mãe olhou-me por cima de seus óculos com desdém. Meu pai deve ter percebido que o clima ficaria tenso, porque de repente, pareceu atrasado.
- Bom, eu tenho que ir. — Ele disse dando um rápido beijo em minha mãe e em seguida em minha testa.
Assim que ele saiu e voltei ao meu quarto, joguei-me na cama em seguida. Alice. Alice. Alice. Alice. Alice.
Peguei meu celular e o chequei pela primeira vez no dia. Havia três chamadas perdidas de Alice.
Céus, algo brotou em meu peito, talvez fosse um mal entendido, talvez ela tivesse uma explicação totalmente plausivel para dar a mim. E me senti completamente idiota pelo fato de pensado mal dela. Alice era diferente, de todos. Não faria algo assim.
Quer dizer, aquele remédio não quer dizer nada. Afinal, ele pode ser usado pra outras coisas.
Esperança.
Então, mal podia esperar pra vê-la, eu podia ligar, mas estava muito cedo e nada se comparava a ver o rosto de Alice.
O tempo passou dolorosamente devagar, e quando chegou a hora de eu ir a aula, arrumei-me com rapidez e fui pra escola com mais pressa do que qualquer coisa que eu tinha feito na vida.
Estava ansiosa, como nosso primeiro encontro.
Quando cheguei na escola, ela ainda não havia chego.
Sentei-me sozinha, Helena ainda parecia muito magoada e agora eu até sentia um pouco de culpa. Que passou quando a aula começou e Alice não entrou na sala. Agora eu estava preocupada. Onde ela estaria? Eu não me lembrava de Alice não ter ido a aula um dia sequer, mesmo quando eu ainda não falava com ela. Isso era realmente preocupante.
Talvez ela estivesse apenas atrasada. Errado.
Alice não apareceu para aula naquela manhã.
Assim que nossa aula terminou, eu tentei ligar pra ela, mas ela não atendeu. E assim se passou o resto do dia, eu devo ter ligado pra ela umas trinta vezes, em meio a crises de ansiedade, comigo checando o celular de dez em dez segundos. Ela simplesmente não deu sinal de vida naquele dia.
Tentei me manter calma.
"Amanhã ela vai estar lá." Era meu pensamento antes de dormir.
Mas no dia seguinte, ela também não apareceu ou atendeu minhas ligações.
E agora, eu estava uma pilha de nervos.
Mais dois dias se passaram, e Alice ainda não tinha dado nenhum sinal de que ainda estava viva. Minhas ligações diminuiram, mas não cessaram. Eu sempre tinha esperança de que ela iria me atender. Ela não atendeu.
Irritação me tomou, junto com minha preocupação com sua integridade, mas sentia-me um tanto que com raiva. Eu queria confronta-la.
Então, eu tomei uma decisão, se ela não aparecesse na aula no dia seguinte, eu iria até sua casa.
Não fiquei surpresa quando ela não apareceu.
Ok, minha aula acabou e eu tinha uma missão. Acontece que, eu não sabia o endereço de Alice. Talvez minha mãe soubesse, mas perguntar a ela seria abusar da sorte.
Liguei então para o serviço de informações de Leeds. E perguntei sobre "Lightwood". Consegui o endereço. Tomei um táxi e dei o endereço ao motorista. Cinco minutos depois eu estava a frente da casa de Alice. Não havia nada de anormal nela. Era como a maioria das casas de Leeds, era parecida com a minha, gramado bem cuidado, cercas brancas. Mas algo me deu a certeza de que eu estava na casa errada.
Reid, era o sobrenome escrito grosseiramente em preto na caixa de correio.
Ía voltar ao táxi, mas ele tinha partido assim que o paguei. Droga. Passava poucos carros no local, eu estava no endereço errado e teria que andar um pouco para conseguir outro táxi.
Mas não o fiz, o carro de Alice fazia a curva, entrando na rua.
Ela parou o carro a frente da casa, não muito distante de mim. Saiu do carro, e me senti mais leve, sem preocupações. Mas isso se desfez, quando ela me olhou e não sorriu.
- O que faz aqui? — Perguntou-me seca. Adrian saiu de casa naquele momento e correu até Alice.
- Entra. — Ela disse a ele, e o garoto entrou no carro.
- O que você faz aqui? — Ela repetiu a pergunta. E me senti mal e irritada ao mesmo tempo.
- Bom, você sumiu e.. você mora aqui? — Perguntei ao meio da frase, me lembrando do nome na caixa de correio.
- Moro. Como descobriu?
- Eu liguei pra 'Informações' e eles me disseram. — Respondi.
- Nossa, 'Informações' dá um monte de informações. — Ela disse sem sorrir.
- É, — Eu sorri, ficava bem ao lado dela, mesmo com esse comportamento.
- Você não pode vir aqui sem avisar, sabe? — Ignorei-a, ela podia pelo menos parecer feliz por me ver depois de dias.
- Você parou de ir as aulas e não me atendeu, porque? — Eu queria tanto ficar perto dela naquele momento.
- Porque eu quis. — Respondeu, desviando seus olhos claros dos meus. Me senti doente novamente.
- Porque? — Sussurrei com meu coração se apertando. Ela apenas deu de ombros, ainda sem olhar pra mim.
- Eu.. encontrei, anti-concepcionais em sua bolsa.. e... — Comecei pausadamente, eu estava querendo chorar, mas não faria isso na frente dela.
- Pra que eles são?
- Para que eu não acabe grávida. — Ela respondeu, dessa vez me olhou, pensei em ver seus olhos brilharem. Como se ela também, estivesse prestes a chorar.
Agora, parecia que meu coração estava derretendo em meu peito, não de uma forma boa, mas como se isso estivesse me destruindo de dentro pra fora.
Era verdade então, Alice estava com outro. E meu coração estava partido. Eu acho que estava prestes a desmoronar ali mesmo, em frente a ela. Eu queria morrer, parecia mais fácil do que sentir-me daquela forma.
Alice segurou meu braço e eu me afastei, queria dizer que a odiava, mas isso não parecia querer sair da minha boca. Apenas andei na direção oposta a que ela estava.
E acho que ela murmurou algo como: "Águi, não vai embora não."
Eu não estava mais ouvindo, queria me jogar da primeira ponte que encontrasse. Quer dizer, como eu tinha sido idiota. Acreditar em amor? Acreditar em Alice? O que eu sabia dela afinal? Nada.
Bom.
Agora eu sabia, ela era a vadia que tinha partido meu coração.
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