Parceira De Crime

12 Ressaca de amor.


Notas iniciais
Aí está, mais um. Eu queria agradecer a todos que continuam lendo e comentando mesmo com minhas demoras épicas, vocês são demais. Faltam só mais dois..

É realmente incrivel como você pode perder total controle de sua vida e também de quem você é quando se apaixona. Se eu achava que minha vida estava suficientemente bagunçada depois de meu último relacionamento, nossa, era porque eu ainda não tinha me apaixonado por Alice.

Meu mundo estava um caos, a vida de ponta-cabeça, é claro que para quem vê de fora nada muda, o mundo continua o mesmo. Mas ninguém tem a mínima noção do que se passa dentro de você, a não ser você mesmo.

"Eu sei como se sente."

Besteira. Ninguém sabe, cada caso é um caso diferente, só você sabe como se sente. E geralmente quando as pessoas dizem isso, significa que as coisas estão realmente fora de controle. E tudo estava fora do meu controle. Eu nunca tinha feito questão de ter o controle de qualquer coisa que fosse, mas Alice, era diferente.

Eu não precisava ter o controle sobre ela, eu precisava apenas dela.

Alice. Era só o que eu precisava para ser feliz, e o que ela tinha feito? Brincou com o que eu sentia por ela e me destruiu. Onde estava aquela paixão que eu sempre achei ver em seus olhos, onde estava a paz e a felicidade que ela emanava a mim?

Foi tudo fingimento? Mesmo depois do que ela tinha me dito, isso era dificil de acreditar. Deus, se tudo foi atuação ela realmente merece o Oscar.

Que "tudo" Ágata? Quatro dias? Como isso pode ter acontecido? Isso não existe.

Minha cabeça rodava enquanto a água quente caia sobre mim, eu estava tonta e me sentia doente. Como se eu tivesse acordado depois de uma longa festa com muita cerveja.

Acho que era isso, ressaca de amor.

Então era assim? Depois que amor passava, nós nos sentiamos mal? Com vontade de nunca mais passar por aquilo novamente.

Digam o que quiserem, mas eu não sentia como se o amor tivesse passado.

Eu devia estar no banho a quase uma hora, talvez esperasse que a água me lavasse de Alice tambem, mas quanto mais tempo eu pensava nisso, pior eu ficava. Havia passado o resto do dia, destruindo cada lembrança feliz que eu tinha tido em minha vida. Parecia que depois de Alice, não dava mais pra ver felicidade. O que havia de errado comigo afinal? Porque ela faria isso?

Droga, eu me sentia o pior ser-humano do mundo.

Sai de meu banho sentindo-me péssima. Me vesti e deitei-me em seguida, e novamente, me veio o pensamento de que talvez eu devesse estar chorando, como tive vontade de fazer quando ela olhava pra mim e me machucava, mas não me veio sequer uma lágrima.

Embora a cada segundo que se passava eu sentia meu coração se apertar mais e mais contra o meu peito, a ponto de eu achar que ele realmente fosse se partir em algum momento.

E pela primeira vez em muito tempo, eu não consegui dormir naquela noite. Me lembrava de cada aspecto daqueles curtos quatro dias que mais me pareciam uma vida. Lembrava de cada palavra que Alice tinha me dito, a forma como ela dizia, como ela respirava, sorria, seu olhar. Eu podia vê-la perfeitamente a minha frente se eu quisesse. Havia gravado cada ponto de sua beleza incomum em minha memória.

O dia chegou e ainda sim, eu não havia dormido.

Todos que me conhecem, pelo menos um pouco, sabe que se eu não durmo, eu fico de extremo mal humor. Alice talvez não soubesse disso. Talvez, por causa de meu mal humor que eu tenha começado a odia-la.

Não.

Ódio é forte demais. Eu estava com raiva, muita raiva de Alice, raiva de ela ter me conseguido tão fácil e depois simplesmente me destruir. Raiva de mim por ter me deixado levar. Raiva por ama-la.

E foi esse o sentimento que alimentei por ela durante todo o final de semana. Ignorando todos, acho que meus pais começaram a se preocupar, até mesmo Helena que devia estar muito brava comigo, me ligou duas ou três vezes durante aqueles dois dias.

Na segunda, Helena veio me buscar para irmos pra escola.

- O que você tem? — Ela me perguntou quando entrei em seu carro. Ela não parecia mais brava, ou estava se fingindo de calma. Ela estava se saindo bem se fosse esse o caso.

- Nada. — Menti dando de ombros. — Me desculpe por ter agido daquela forma na segunda.. eu..

- Tudo bem. — Interrompeu-me. — Mas tem que ser sincera, o que há entre você e a ruiva?

- Nada, ela é um erro. — Helena sorriu, ela nem imaginava o quão ferida eu estava por dentro.

- Foi o que eu disse xuxu. — Riu ela, ligando o rádio em sua estação preferida.

Eu nem ao menos ouvi que música estava tocando, tomei a liberdade de desligar no mesmo instante.

- Não gosta da música? — Helena me perguntou, saindo da garagem de minha casa.

- Eu e a música não estamos em uma fase muito amigavel.

Helena riu, e passamos a curta viagem discutindo sobre quem era o maior babaca do colégio. Foi bom, distraiu-me de Alice, e as vezes era bom ter uma amiga pra fazer isso por você, mesmo que sem querer. Por dez minutos ou menos, eu havia parado de pensar em Alice.

Mas, meu mundo voltou a desmoronar quando vi o carro dela no estacionamento do colégio. Ela estava ali, isso sim era uma surpresa.

Eu e Helena entramos em nossa sala, ela ainda não estava ali. Helena e eu nos sentamos juntas e ouvi ela conversar com o seu namorado e pude jurar que ouvi o nome de Alice sendo mencionado.

Helena se separou de seu namorado e virou-se para mim.

- Você não vai acreditar.. — Ela começou e logo a sala inteira estava agitada.

- O que? — Perguntei nervosa e curiosa.

- A ruiva, disseram que ela tem uma namorada. — Gelei, então era isso, era essa a notícia que fez a turma se agitar. Sabiam que era eu? Algo me dizia que não. E algo dentro de mim se agitou, afinal, eu sei como as pessoas poderiam ser crueis. E um instinto de proteção me tomou, queria proteger Alice do que estava por vir.

- Se livrou de uma boa.. — Helena comentou como se eu tivesse ganho algum prêmio.

E naquele momento, Alice entrou na classe, junto de Bernard, riam de algo e novamente toda aquela raiva me tomou, ficando acima de meu instinto protetor, e pensei que sim, talvez ela merecesse o que estava por vir.

- Ela tentou me beijar. — Me arrependi dessas palavras no momento em que elas sairam de minha boca, mas era tarde demais. Helena parecia estupefada. Aquilo não era mentira, mas também não era como se eu não quisesse beijar Alice. Helena se levantou e cochichou no ouvido de seu namorado.

E uma bolinha de papel atingiu Alice no ombro. Seu olhar claro caiu na classe, como se não acreditasse no que tinha acabado de acontecer.

Em seguida outra bolinha de papel voou na direção de seu rosto, mas com a palma de sua mão ela conseguiu desviar. Acontece que dessa vez veio uma palavra junto, uma palavra que nem vale a pena ser mencionada.

E foi como um estalo. Toda a classe com excessão de alguns poucos que contavam os amigos de Alice, Helena e eu, jogavam papel e palavras em Alice. A turma parecia uma zona de guerra. Diziam coisas que nem deviam imaginar o quanto aquilo feria. Não era nem comigo e eu já me sentia realmente mal. Nem mesmo Helena parecia estar gostando daquilo.

O pior de tudo foi ter que encarar o olhar de Alice sobre mim. Decepção, medo, tristeza. Seu olhar cavou tão fundo em meu peito que nem um dos dias que eu tinha passado sofrendo por ela tinha sido pior do que aquele pequeno momento de agonia.

E ela deixou a classe, seguida de Bernard.

- Por que fez isso seu idiota? — Ouvi Helena repreender seu namorado depois de Alice ter deixado a sala.

Eu estava me sentindo fraca, inutil, insuficiente. Entorpecida demais pra brigar com qualquer um ali.

Nosso professor entrou na classe, percebeu a bagunça incomum de papel no chão, mas não comentou nada. E eu passei mal pelo resto da aula e pelo resto do dia.

Tinha feito algo horrivel, devia tê-la protegido. Eu devia. Era o que eu queria ter feito, então, porque eu não fiz? Idiota.

Como ela estava agora? É claro, ela devia pensar que era minha culpa, afinal, quem mais sabia? E em partes, era verdade. Tinha sido minha culpa.

Sentia nojo de mim mesma por não ter tomado a iniciativa de protege-la. De cuidar dela, não era essa a minha promessa? Cuidar dela melhor do que eu cuidaria de mim mesma.

Eu tinha que consertar isso e não importava se Alice estava com outro ou não, não importava se ela tinha me machucado ou traído, eu precisava consertar isso.

Não podia viver pensando que Alice me odiava.

Mas no dia seguinte, no colégio, ela não apareceu. Não que isso fosse importante, eu iria até a casa dela se preciso.

Me apressei aquela tarde, iria vê-la.

- Onde você vai? — Helena me perguntou quando eu ía me separando dela.

- Tenho que falar com Alice.

Pra minha surpresa, Helena não disse nada ou tentou me impedir, apenas concordou com a cabeça e entrou em seu carro.

- Quer carona? — Ela me perguntou pela janela. Eu sorri e aceitei.

- Então me conte, — Começou ela ligando o carro. Fiquei tensa.

- Porque você ainda não tem um carro? — Eu sorri, Helena podia ser bem fácil as vezes.

- Só quando eu estiver indo pra faculdade. — Helena começara a dirigir agora.

- Entendo, e agora, me conte, o que há entre vocês duas?

Agora vinha a parte que não era fácil. Anotei o endereço de Alice em um pedaço de papel que estava acima do painel do carro e mostrei a ela.

- Tudo bem, sei onde fica. — Ela disse após ler o papel. — Mas não mude de assunto.

- Que assunto?

Helena olhou-me com a mais perfeita expressão de você-acha-que-eu-sou-besta?

- O que? — Perguntei querendo rir.

- Olha, eu não sou burra Ágata. Eu vi como vocês duas estavam agindo. Como se olhavam, como sorriam uma pra outra. Eu só preferia que você me contasse.

Ela sabia, apenas de nos observar, estava tão fácil assim saber? Se até mesmo Helena via isso, significava que não podia ter sido apenas uma brincadeira. Foi real, real pra mim, e Helena também viu e se ela viu, quem mais poderia ter visto?

- Estou apaixonada Helena.

Ela suspirou e logo depois sorriu pra mim.

- Tava mais do que na cara, e só percebi isso ontem. E estava ali pra qualquer um ver. Como agem como estão juntas e como parecem responder as ações uma da outra sem mesmo sem se falar. É impressionante cara.

Eu me sentia extamente do modo como Helena mencionara, como se ela me completasse quando estavamos juntas. Tinha que ser real.

- Mas, como assim? — Perguntei, só pra tentar entender o que nós tinhamos.

- Eu não sei, só sei que eu e o Adam nunca agimos da forma como vocês duas são.

Porque você e o Adam não se amam de verdade. A resposta veio quase que de imediata ao meu cerebro. Então, isso significava que Alice me amava? E novamente, esperança brotou em meu peito e eu estava quase esquecendo o que Alice me tinha feito.

- Você não se importa? — Perguntei a Helena, lembrando-me do fato que ela não tinha nem ao menos me olhado diferente.

- Adam é um babaca, quer dizer, depois do colégio eu nunca mais vou vê-lo..

- Não. Pergunto sobre mim, sobre Alice e eu.

- Passei a noite pensando nisso. Olha Ágata, amor é uma coisa rara. As pessoas acham que não, ficam umas com as outras e já acham que é amor. Eu mesma cometi esse erro. Acontece que o amor está bem longe do que as pessoas acham. E eu me importaria se você desse as costas a ele.