Notas iniciais
Como eu recebi muitas mensagens desesperadas por causa do capítulo anterior hahaha, decidi antecipar o próximo capítulo. Meninas eu criei um twitter pra vocês falarem comigo: @MoraineBoiler

Quando Diana acordou Marina já havia acordado, então desceu e foi até a cozinha. A amiga estava lá fazendo uns ovos mexidos pro café da manhã.

– Bom dia.
– Bom dia. – Marina respondeu séria – Vai querer também?
– Vou.

Um silêncio se estabeleceu na cozinha, Diana queria falar, tocar no assunto, mas na verdade estava com medo, pois não sabia nem qual assunto puxar. A última coisa que Marina queria falar era sobre o ocorrido no luau, afinal na cabeça dela as coisas ainda estavam totalmente confusas.

– Ai desculpa, mas eu não sei ficar com esse clima – Diana falou depois de um tempo – Porque você está assim? O João ter te roubado um beijo te chateou tanto?
– Um pouco, mas você viu como o Enzo reagiu? Parece que ele ficou com raiva.
– Na verdade foi a mesma cara que você fez quando o viu dar a mão para loira.
– Que?
– Eu não estou zoando Marina, estava rolando o maior climão e todo mundo reparou.
– Diana, só se passou uma semana desde o primeiro dia de aula, onde ele me deu uma bolada, onde nos odiamos porque ele foi eleito lembra?
– Mari, a verdade é que as vezes pra mudar todo um sentimento basta uma atitude diferente, você se sentiu mal com aquele lance do pessoal te pedir ajuda. Até se desculpou com ele! E quando ele elogiou seu cabelo você ficou toda constrangida.
– Acho que talvez estejamos a caminho de uma amizade.
– Amizade? Fala sério. E ele cantando aquela música pra você?
– Ele não cantou pra mim, ele estava cantando normalmente como todo mundo e ficou encenando, apenas!
– Você pode ter uma resposta pra tudo Marina, mas eu vi e todo mundo que estava lá viu também e acho que esse foi o motivo do João ter te beijado a força.
– Nem lembra isso.
– Roberta vai fazer um almoço na casa dela, chamou a gente. – disse olhando a tela do celular.
– Marcelo deve chamar uns amigos né? – Marina perguntou desanimada.
– Óbvio, mas não vamos deixar de ir por isso. Somos amigas dela! – olhou feio pra amiga.

Marta, mãe de Enzo entrou no quarto todo escuro e colocou a mão delicadamente no ombro do filho para acordá-lo, mas ele já estava acordado fazia um tempo, só não queria levantar.

– Filho, o Renan ligou aqui pra casa, disse que você não está atendendo o celular.
– Ele deixou algum recado?
– Disse que vai ter um churrasco na casa do Marcelo e pra você ir porque você sabe quem vai estar lá. – a mãe deu um risinho disfarçado.
– Nossa o Renan é idiota.
– Quer dizer que o meu filho está de olho em uma menina?
– Não, ele gostaria que eu estivesse!
– Quero ver quando vai trazer uma namoradinha pra eu conhecer.
– Para mãe. – ele disse rindo.
– Até que enfim um sorriso. – ela suspirou – Porque você está assim hoje?
– Só estou confuso.
– Com o que?
– Você já brigou muito com uma pessoa e de repente sentiu que a via diferente e que talvez... Deixa pra lá. – ele sacudiu a cabeça.
– Olha, seja lá o que for, se você sente que a coisa está diferente, devia se dar uma chance pra descobrir o que é.
– Não mesmo, obrigado. – ele levantou da cama olhou o celular, cinco chamadas perdidas no Renan e estava quase na hora do almoço – Vou tomar um banho.

Marina e Diana foram as primeiras a chegar, ajudaram a amiga a finalizar os preparativos para o almoço. Diana e Roberta foram dar um banho e arrumar Helena e Marina ficou sozinha sentada na sala.

– Se a Roberta aparecer, você pode avisar a ela que eu saí para comprar as bebidas? – Marcelo pediu.
– Claro.

Assim que Marcelo passou pela porta, Marina o ouviu cumprimentar alguém e assim que foi cumprimentado de volta, ela reconheceu as vozes, Enzo, Renan e João.

– Oi. – ela disse e sorriu forçado assim que eles entraram.
– Olá. – eles disseram em coro.

João fez questão de sentar ao lado dela enquanto os outros dois sentaram-se no outro sofá.

– Me desculpa ter te beijado a força ontem – João falou baixo – talvez eu tenha bebido um pouco e sabendo que o Enzo está afim de você, rolou um clima pelo que eu percebi, aí fui impulsivo.
– Espera o que você disse? Que o Enzo está afim de mim? – Marina perguntou em tom normal, mas feliz por ter música na sala, significava que ele não estava ouvindo.
– Está na cara.
– Não, você está confundindo as coisas. Eu e ele brigamos há anos e só começamos a ter pouquíssimos diálogos que não são brigas, agora.
– Exatamente.
– De qualquer maneira, isso não significa que eu corresponda.
– Isso significa que eu tenho uma chance? – ele perguntou.
– Chegamos! – anunciou Roberta com a Helena no colo – Olá meninos.
– Marcelo foi buscar as bebidas. – avisou.
– Meninos, se vocês quiserem adiantar o churrasco podem ir lá, a casa é de vocês, só não façam bagunça porque a parte da limpeza ainda vai ser comigo. Quando o Marcelo chegar ele assume o controle da churrasqueira.
– Preciso falar com vocês. – Marina disse para as duas.
– Vem aqui no quarto da Lena. – Roberta chamou.

A cabeça de Marina estava dando voltas, no fundo os seus sentimentos também estavam confusos. E se João tivesse razão e Enzo estivesse afim dela? Não fazia nenhum sentido, afinal, porque ele implicaria tanto com ela?

– Você acredita que o João disse que me beijou a força porque foi impulsivo quando viu que estava rolando um clima entre eu e o Enzo, já que ele é afim de mim.
– Eu sabia! – Roberta falou.
– Isso não significa que seja verdade, eles nem são amigos! Ele supôs.
– Marina você é a única que está negando que está rolando sim!
– A questão não é essa Diana, as coisas não mudam assim tão rápido. De repente a gente só está cansado de brigar e isso é o começo de uma grande amizade.
– Não sei se choro ou se rio da sua cara, sério. – Diana revirou os olhos.
– Pode evitar falar e assumir Marina, mas não pode evitar sentir. Se tiver que rolar algo entre vocês, vai rolar.
– Se rolar vai ser só atração física, não tem como rolar sentimento gente, brigamos muito.
– Pois eu acho que assim que se beijarem o sentimento já muda.
– Fala sério.
– Amor cheguei! – Marcelo gritou.
– Agora deixa agir com as coisas, daqui a pouco a banda chega, vou apressar o Marcelo com esse churrasco. Por favor, me ajudem com a Lena.
– Não precisa nem pedir. – Marina disse pegando-a no colo.

Marcelo havia chegado com os outros meninos da banda, alguns minutos depois todos estavam se servindo, exceto Marina que estava com Helena. Enzo foi o primeiro a acabar de almoçar.

– Você quer que eu a segure um pouco pra você comer?
– Não, eu espero a Roberta.
– Você acha que eu não sei tomar conta de criança?
– Isso é o que você está dizendo.
– Eu nem vou sair daqui. Vou até ficar do seu lado.
– O problema é que ela não quer ficar paradinha, mais fácil você sentar com ela na sala brincando com as bonecas. – ela prendeu o riso.
– Então ta.

Ele pegou a Helena no colo e foi até a sala, enquanto Marina almoçava, ela observava Enzo brincando com Helena. Pareciam estar se divertindo, pois Helena não parava de sorrir.

– Ele deve ser um bom pai. – Diana sussurrou rindo no ouvido de Marina.
– Porque você é assim? – Marina riu.
– Você que está olhando e babando.
– Até parece.
– Diz pra mim que não.
– Óbvio que não. Viu Diana, foi tudo coisa da minha cabeça, achei que ele tinha ficado chateado comigo por eu ter “ficado” – ela fez aspas com o dedo – com o João, mas ele me tratou super bem agora.

Diana balançou a cabeça e não falou mais nada, não adiantaria tentar convencer a amiga, ela tinha certeza de que era só amizade. Assim que todos acabaram de almoçar, alguns dos meninos foram assistir ao jogo na TV e outros ficaram na varanda conversando.

– Ainda bem que vocês estão aqui pra me ajudar a arrumar. – Roberta disse pegando os pratos – Mas gostei da experiência, farei isso mais vezes.
– Eu estou achando bem legal também, mas vê se nos chama com antecedência, porque aí eu te ajudo a cozinhar. – Marina pediu.
– É porque eu decidi hoje quando eu acordei, queria manter o clima do luau, porque fazia tanto tempo que eu não curtia com vocês.
– Clima do luau não, por favor. – Marina riu se referindo ao João.
– Achei que tivesse gostado do luau. – Diana levantou a sobrancelha.
– Gostei! Só não da parte em que o João me agarrou.
– Falando nele. – Roberta sussurrou.
– Marina? – ele chamou da porta da cozinha.
– Oi. – ela se virou ainda de olhos arregalados, ele quase tinha a ouvido.
– Podemos conversar na varanda?
– De novo isso?
– Como assim?
– João, eu não quero ficar com você. E se você ficar insistindo muito vai ter um momento em que vai ficar um clima chato.
– Tudo bem então. – ele deu risinho sem graça.

Enzo não sabia explicar o que sentia, não conseguiu conter o sorriso ao ouvir do corredor a voz de Marina dando um fora em João, ele não a merecia, não iria sacaneá-la como fez com as outras.

– Você ouviu isso? – João veio na direção dele.
– Ouvi.
– Está feliz com isso né?
– Cara, eu não estou nem aí se ela fica ou não fica com você. Se você dá ouvido as maluquices do Renan, já não é comigo.
– Porque não admite que está afim da Marina?
– Porque eu não estou.
– Até parece, só falta dizer que nem acha ela bonita.
– Claro que eu acho, mas não estou afim.
– Ah sei – João riu – Pensando bem, eu acho que você só não admite, porque sabe que não teria chance.
– Competindo com quem? Você? Fala sério João, você já levou dois foras dela em menos de vinte e quatro horas. – Enzo riu, revirou os olhos e voltou para a sala.

Assim que chegou sentou-se e ao invés de se concentrar no jogo, ficou pensando se João estava certo e não tinha chance com Marina.

– Gol! – Marcelo gritou levantando-se, acompanhado dos outros.

Começaram a pular mega empolgados, eram todos do mesmo time. No meio da comemoração, alguém bateu na mesinha de centro e derrubou um copo, quebrando e derramando um líquido colorido no tapete da sala.

– Meu tapete! — Roberta gritou da cozinha antes de ver o que tinha acontecido. No mesmo momento ela veio correndo – Eu sabia! Marcelo, eu vou colocar você pra ficar esfregando esse tapete no tanque!
– Amor, desculpa!
– Parecem doidos. Agora se vira e manda alguém levar esse tapete lá pra baixo.

Marina catou os cacos de vidro com cuidado, sabia que se deixasse na mão dos homens, iam acabar se cortando, pra variar. Enquanto isso, Enzo enrolava o tapete para levar lá pra baixo.

– Mari, aproveita e leva esse saco de lixo lá em baixo. Por favor! A Diana está lavando a louça e eu vou trocar a Helena, mas não quero abusar de vocês.
– Tudo bem.

Marina desceu com o saco de lixo na mão, jogou fora e antes de subir as escadas levou um susto com Enzo batendo a porta do quartinho, havia deixado o tapete lá junto com a máquina de lavar roupas.

– Desculpe – ele prendeu o riso vendo-a encostada na parede com a mão no coração.
– Tudo bem. – ela suspirou – Isso não foi engraçado.
– Claro que foi.
– Eu havia esquecido como você se diverte com meu sofrimento.
– Sofrimento? Que exagerada.
– Mesmo Enzo de sempre. – ela revirou os olhos.
– Porque achou que eu havia mudado?
– Não sei, acho que foi porque você se comportou diferente no luau, mas deve ter sido o álcool.
– Eu só bebi duas garrafinhas, não é suficiente pra deixar nem tonto. Você que estava toda soltinha se agarrando com o João Victor.
– Eu não estava me agarrando com ele, foi um beijo forçado.
– Vai dizer que não gostou de levar um beijo no susto?
– Dele não.
– De você gostaria então? – ele chegou a poucos centímetros de sua boca.
– De ninguém.
– Tem certeza? Nem de mim?

Ele esperou um tempo e ela não respondeu. A respiração de Marina estava pesada, ela não conseguia falar, a verdade era que ela só conseguia se concentrar na boca de Enzo, ali tão perto e perfeitamente delineada. Antes que ela pudesse tomar fôlego, ele segurou a cabeça dela e lhe deu um selinho longo o suficiente para que ela pudesse aproveitar e ainda sim ficar com gostinho de quero mais.

– Eu poderia ter te provocado e não te beijado, te deixado na vontade, mas você não seria a única que ficaria insatisfeita com isso.

Ele subiu as escadas e ela ficou parada, não agüentou e sorriu, sorriu de uma maneira como nunca havia sorrido antes. Olhou pro alto, respirou profundamente e voltou para junto das meninas que estavam sentadas na varanda conversando.

– Que cara é essa? – Roberta arregalou os olhos.
– O Enzo me beijou – Marina se sentou entre elas.
– Não acredito. Não acredito e não acredito! – Diana gargalhou.
– Para que eu vou ficar constrangida.
– Como foi? – Roberta perguntou.
– Foi só um selinho, longo. Ele disse que eu tinha gostado do beijo que o João Victor tinha roubado, eu disse que dele não.
– Você praticamente pediu um beijo dele falando isso.
– Óbvio que não Diana. Enfim, aí ele perguntou se eu gostaria se ele roubasse um beijo meu e eu não consegui responder, ele estava perto demais.
– E aí? – Roberta estava segurando as mãos de Helena e as batia levemente uma na outra.
– E aí que ele me beijou e depois disse que poderia ter só me provocado, mas que eu não seria a única a ficar insatisfeita com isso. – respirou profundamente de novo.

Anoiteceu e elas ainda estavam falando sobre isso, Marina tentando convencê-las e no fundo se convencer de que era só uma ficada, nada a mais. Na hora de ir embora, Enzo e Marina se cumprimentaram de longe com um aceno e um sorriso cúmplice. Na hora de dormir ambos repassaram a cena na cabeça diversas vezes e adormeceram sorrindo.

Pra quem não lê as notas do capítulo, meu twitter pra vocês falarem comigo: @MoraineBoiler

Notas finais
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