Paraíso imperfeito
7 Capítuo 6
Notas iniciais
Ao acordarem se lembraram do que aconteceu, mas certa insegurança lhes atingiu. Não sabiam como deveria agir um com o outro. Estavam ficando agora ou tinha sido só um beijo? A caminho da escola desviaram o assunto quando os melhores amigos tentaram falar sobre. Quando o Enzo chegou a sala Marina já estava lá, ele ficou olhando-a meio que sem saber o que fazer, quando ela sorriu, ele sorriu de volta.
– Que sorrisinho foi esse? – Renan perguntou.
– Eu a beijei ontem. – Enzo disse baixo.
– Que? – Renan arregalou os olhos.
– Quando eu fui levar o tapete lá em baixo.
– Porque não me contou antes?
– Sei lá, ainda estava meio desacreditado que havia feito isso.
– Ah que bonitinho! Pelo sorriso ela gostou. – o amigo zoou.
– É claro que gostou. – Enzo piscou e riu, era brincadeira, porque ele não tinha tanta autoconfiança assim, só estava mais tranqüilo porque ela havia sorrido pra ele.
– João está meio bolado, porque ela não quis ficar com ele.
– Óbvio.
– Está com ciúmes?
– Para de ser idiota! Não quer ir lá pra casa hoje?
– Depois da escola pode ser.
Do outro lado da sala o assunto era o mesmo entre Marina e Diana.
– Que clima que rolou agora hein?!
– É, eu estava meio que com medo dele surtar e me tratar mal de novo.
– Vocês vão ficar de novo?
– Não sei.
– Ficaria?
– Talvez. – admitiu rindo.
– Ah eu disse.
– Não, você disse que eu gostaria dele e isso é bem diferente.
– Mas daqui a pouco fica, você é toda romântica.
– Diana ele é um grosseiro. É muito bonito e até consegue ser divertido às vezes, mas ainda sim eu não saberia lidar com alguém me tratando mal.
– Como você sabe? Já namorou com ele?
– Você já o viu namorar alguém?
– É mesmo.
– Mas ainda sim, sentimento a gente não controla.
– Professora chegou, vira pra frente.
Assim que o sinal tocou o pessoal desceu para o intervalo, Enzo estava parado na porta da sala, assim que Marina e Diana passaram pela porta ele segurou sua mão, Diana viu e continuou andando sozinha.
– Oi.
– Marina, eu queria saber se você ficou chateada com o beijo que eu te dei ontem.
Ele ainda estava segurando a mão dela e ela adorou ouvir a frase: “o beijo que eu te dei” sair da boca dele.
– Não, não fiquei chateada. – ela puxou a mão e cruzou os braços.
– Isso significa que você gostou?
– Talvez. – ela não conseguiu conter o sorriso e ele a abraçou pela cintura.
– Posso ver você na hora da saída? – perguntou.
O que aquilo significava? Trégua? Eles agora ficavam? Enzo queria vê-la sozinha, fora do ambiente da escola, independente de como ela interpretaria aquilo.
– Posso responder isso depois?
– Por quê?
– Eu estou meio confusa – admitiu.
– Não é pra menos – ele riu – A uma semana atrás eu tinha te dado uma bolada na educação física.
– Foi de propósito?
– Só um pouco. – ele riu.
– Que cara de pau. – ela deu uma tapa de leve em seu ombro.
– Eu espero sua resposta.
– Então ta. – ela deu um beijo na bochecha dele.
Marina se afastou e foi procurar a amiga, contar o que tinha acontecido e pedir algum conselho, se devia ou não encontrar o Enzo. Depois que Marina foi embora, Enzo ficou olhando-a indo pelo corredor, depois ficou pensando se deveria mesmo tê-la chamado assim logo no dia seguinte. E se ela tivesse pedido pra esperar pra sacaneá-lo?
– Que foi cara? – Renan perguntou ao ver o amigo.
– Eu perguntei se a Marina queria me ver depois do colégio.
– Sério? Não acredito.
– Sério.
– Isso significa que vocês vão começar a ficar?
– Eu não sei, ela disse que me dá a resposta depois, será que ela foi rir de mim com a Diana, está me sacaneando sei lá?
– Que insegurança é essa cara, ta apaixonado?
– Fala sério. Só estava a fim de ficar com ela direito e sem ninguém por perto.
– Isso foi uma indireta? – Renan provocou.
– Para de bobeira.
– Não acho que ela esteja te sacaneando.
– Espero que não mesmo.
– Vai ficar aí? Eu vou comer alguma coisa.
– Vai lá, eu vou ficar esperando aqui.
Diana ainda estava boquiaberta, sabia que aquilo era questão de tempo, mas ao ver se concretizar não tinha sido menos chocante.
– A primeira questão a se resolver é se você quer ficar com ele. Quer?
– Óbvio que eu quero.
– Ui, óbvio?
– Diana ele me deu um selinho só – ela olhou pra baixo – Isso desperta vontade.
– Ai, mas só faz uma semana. – Diana imitou a voz da amiga.
– Para com isso.
– Se você quer, não tem o porquê não se encontrar com ele.
– Tem razão.
Minutos depois o intervalo havia acabado Marina voltou pra sala e Enzo estava sentado mexendo no próprio caderno e ela foi até ele.
– Você me espera no portão então?
– Sim. Até mais tarde.
As aulas se passaram, ambos estavam ansiosos, na educação física ninguém levou bolada, só o que houve foram inúmeras trocas de olhares e risinhos o que fez com que todos que repararam estranhassem. Na hora que o sinal tocou Enzo correu até a mesa de Marina.
– Você me espera lá em baixo por uns cinco minutinhos que o professor precisa falar comigo, você já foi representante, já sabe como é.
– Sei. – ela sorriu.
– Até daqui a pouco. – ele beijou seu rosto e se afastou.
– Estou adorando isso. – Diana riu.
As amigas desceram as escadas falando sobre outro assunto, totalmente distraídas, até que tomaram um susto quando João Victor praticamente pulou na frente delas.
– Olá meninas.
– Oi responderam em coro.
– Viram o meu irmão?
– Ele já deve estar descendo. – Marina respondeu.
– Amiga eu preciso ir. – Diana deu um beijo na bochecha da amiga e saiu andando.
– Eu vou andando. – Marina disse tentando se afastar do Enzo.
– Me faz companhia até o Renan chegar? – ele segurou seu braço de leve.
– Ele não vai demorar, eu preciso mesmo ir.
– Marina você não está fugindo de mim né?
– Claro que não.
– Eu espero que a gente já tenha superado aquela situação.
– Está tudo bem.
– Mas Marina – ele passou a mão no rosto dela – Se você mudar de idéia, sabe onde me encontrar.
– Marina? – Enzo a chamou.
– Ele estava esperando o irmão dele e pediu pra eu ficar aqui com ele – ela ficou nervosa – a Diana acabou de ir embora – Pronto João seu irmão chegou, vamos Enzo?
– Espera, porque você está dando satisfação pra ele. Vocês por acaso estão ficando?
– Não – Enzo disse – Quer dizer, não sei. Estamos?
– Eu esperava que você pudesse me dizer isso. – Marina respondeu.
– Vocês já ficaram então? – João perguntou – Quando porque ainda ontem você me disse que não tinha nenhum interesse nele.
– Você disse isso pro João?
– Enzo, foi porque ele veio me dizer que você estava afim de mim. Eu disse que era coisa da cabeça dele, porque eu nem estava interessada.
– Se não estava porque você deixou eu te beijar ontem e hoje topou se encontrar comigo?
– Então vocês ficaram ontem mesmo? – perguntou João.
– Isso não é da sua conta. – Marina praticamente gritou.
– Gente olha o escândalo. – Renan pediu, finalmente se manifestando.
– Eu gostei do beijo que você me deu Enzo, apesar de não ser um beijo totalmente, foi só um selinho. Por isso eu quis me encontrar com você hoje.
– Vocês são duas crianças – João apontou para Marina e Enzo – Você sabia que eu estava afim dela, foi lá e correu na frente e você – apontou pra Marina – ficou fazendo doce pra mim e na primeira oportunidade ficou com ele, mesmo que ele sempre tenha te tratado mal.
– Eu não corri na sua frente, aconteceu. – Enzo falou.
– E eu não fiz doce, eu não quis ficar com você e pronto. Na verdade eu nem sei por que estou aqui pra te dar satisfação.
– Então porque ficou com ele de primeira?
– Porque eu quis João Victor e você não tem nada a ver com isso. Quer saber eu vou pra minha casa – ela olhou pro Enzo – fica aí com os seus amigos e resolva isso, agora o colégio inteiro sabe que você me beijou.
– Qual o problema, tem vergonha de mim agora? – Enzo perguntou.
– Não, só não tenho necessidade de ficar divulgando minha vida pra ninguém.
Ela virou as costas e foi andando pra casa, completamente irritada. João tinha estragado tudo, ele estava sendo completamente inconveniente, se ele continuasse daquele jeito talvez ela tivesse até que falar com o Renan, irmão dele. Enzo estava com vontade de dar um soco no irmão do amigo, mas se conteve.
– Porque você veio até aqui? – Renan perguntou confuso para o irmão.
– Não posso buscar meu irmãozinho no colégio?
– Você veio incomodar a Marina? – até Renan ficou irritado – Fala sério, ela não quer. Você nunca cismou tanto com uma menina.
– Porque ela é diferente.
– Exato, então já deve saber que ela não vai ceder pra você, você está parecendo um doido insistindo, daqui a pouco vai assustá-la. – Enzo bufou e saiu andando.
O resto do dia ficou péssimo para os dois, com as expectativas frustradas e apenas imaginando o que poderia ter acontecido caso o João Victor não tivesse aparecido. Marina contou para Roberta e Diana que ficaram divididas, ao mesmo tempo em que sentiam raiva do João, queriam mostrar a amiga que a raiva maior dela era pelo fato de ela querer estar com o Enzo.
No outro dia no colégio eles não se falaram, os olhares se encontraram algumas vezes, mas nenhum dos dois teve coragem de falar um com o outro até que ela estava voltando do bebedouro e ele da sala dos professores a pedido da professora que estava em sala.
– Me desculpa por expor você daquela maneira ontem, a primeira coisa que eu devia ter feito era ter tirado você de perto do João Victor, mas ao invés disso, não sei por que eu fiquei dando satisfação a ele.
– Tudo bem, acho que todos nos exaltamos ontem. Não estou com raiva de você.
– É bom saber disso. – ele sorriu.
Ambos voltaram para sala. Diana e Renan perceberam a feição dos melhores amigos, estava mais leve e óbvia que eles haviam se falar. Ao entrarem na sala juntos a turma inteira se entreolhou.
– Falou com ele? – Diana perguntou.
– Falei, ele pediu desculpas por ter me exposto.
– Que gentil.
– Sim, aí eu disse que todos nos exaltamos e que eu não estava com raiva dele.
– Está morrendo de amores.
– Ah claro, aí ele disse “bom saber disso”. – Marina sorriu espontaneamente.
Diana só balançou a cabeça de um lado pro outro e guardou sua opinião pra si, que era a mesma que o a do Renan que também havia ouvido a mesma história só que do outro lado da sala.
– Ontem você saiu andando e eu nem fui pra sua casa. – Renan riu.
– É mesmo, então vamos hoje. Quem sabe você me vence no vídeo game.
– Até parece que eu perco pra você, mas eu vou sim pra sua casa.
Na hora da saída Marina e Diana combinaram de se encontrar na parte da tarde. Na casa do Enzo os amigos almoçaram, fizeram a tarefa juntos e depois foram jogar vídeo game juntos, depois de alguns minutos Renan resolveu falar.
– Acho que você devia tentar de novo com a Marina, sério. Deu pra ver o quão irritado você ficou quando meu irmão atrapalhou tudo e hoje você passou o dia com a cara emburrada até falar com ela.
– Não cara, melhor deixar pra lá.
– Está apaixonadinho?
– Na verdade estou arrependido de ter feito aquela confusão ontem, talvez se a gente tivesse se encontrado teria sido um caminho sem volta.
– Como assim cara? Você vive dizendo que ela é diferente.
– E é, mas ainda sim é bem nervosinha ou você acha que eu me esqueci dos dois anos inteiros de briga?
– Acho que vocês combinam.
– Definitivamente não. Não daríamos certo.
– Está dizendo que não dá conta da Marina.
– É claro que eu dou conta. – Enzo não entendia o que ele estava falando.
– Então eu faço uma aposta com você, se você conseguir namorar a Marina até o baile de formatura eu acredito que você dá conta de qualquer garota. Agora se não conseguir, significa que você estava com medo de compromisso e que ela é muita areia pro seu caminhãozinho.
– Então está bem, agora se você perder, vai ter que ir de rosa pra formatura.
– Porque rosa?
– Porque você odeia. Agora cala a boca e presta atenção no jogo. – ele deu um tapa de leve na cabeça do amigo.
Diana e Mariana estavam conversando, fazendo planos para o carnaval. Diana estava com medo que o seu amor de verão aparecesse com uma desculpa esfarrapada.
– Ainda acho que você devia ouvi-lo, pode ter acontecido milhares de coisas.
– Tudo bem, eu ouço. Só que isso não significa que eu vá perdoar. –ela disse subindo e sentando-se em uma cerca de madeira olhando o mar.
– Ok, mas pelo menos deu uma chance dele se explicar.
– Você também deveria dar uma chance ao Enzo.
– Pra que? Não teria futuro.
– Não teria ou você não quer que tenha pra não se apaixonar por alguém que o odiava por dois anos?
– Eu não o odiava.
– Olha pra você, sempre disse isso e agora está negando. Já está apaixonada.
– Não, eu não estou.
– Claro que está, você é minha amiga fofa e romântica que se apaixona rapidinho.
– Eu sou plenamente capaz de sair com alguém sem me apaixonar!
– Eu duvido.
– Mas eu sou.
– Então eu aposto que você não consegue ficar com o Enzo até sabe-se lá quando sem se apaixonar.
– Ok, se o Enzo tentar algo de novo, eu vou ficar com ele e não vou me apaixonar.
– Feito.
– Mas sem essa coisa de quem perder porque você não vai querer fazer e nem eu.
– Ok – Marina riu.

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