Notas iniciais
narração da Julie

JULIE

Eu andava calmamente pelas ruas de Paris. Já era noite e tudo estava iluminado, dando um ar muito romântico a minha caminhada com Stuart.

— Estou apaixonado por você.

Minhas bochechas ficaram rosadas, eu podia sentir. Eu e Stuart nos conhecemos logo no primeiro dia em que eu chegara em Paris – que faz dois anos. Ele era muito amigo de meu irmão, Charles.

— Eu realmente fico feliz em ouvir isso, Stuart. – Eu disse, e fui muito sincera. Ele era tão lindinho. Tinha o cabelo bem escuro, usava óculos e tinha covinhas quando sorria. Seus olhos eram mel e ele tinha algumas sardas em seu rosto.

Ele se aproximou de mim e me beijou intensamente. Ainda estávamos no começo do nosso relacionamento, por isso tantas declarações. Ele sempre vinha falar comigo para eu me enturmar com alguns amigos de Charles, e certo dia me chamou para sair e foi assim que chegamos até aqui.

— Quero que seja minha.

Sua...isso eu não poderia ser. Não inteiramente, pensei.

UM ANO DEPOIS.

Charles, France e Ayles estavam tomando café quando acordei.

— Dormiu bem, Julie?

— Ah, sim... e você, Charles?

— Sim – ele me olhou e deu um sorriso malicioso. Olhei para trás e vi Stuart aparecer no cômodo.

— Você é muito besta!

Charles foi o irmão que eu mais me aproximei. Na verdade, Ayles era a única que de fato tenta me aturar por obrigação. France gostava de mim, eu sabia, mas ele era bem fechado. Charles era um palhaço e eu o adorava.

Meu pai apareceu vestindo seu terno preto.

— Bom, tenho que ir. – E me deu um beijo na testa. – Amo vocês.

Aproveitei e liguei para minha mãe para matar a saudade. Ela ficou eufórica dizendo as mil coisas que haviam acontecido. Contei que a faculdade estava maravilhosa e que eu estava me saindo muito bem. Eu sentia muita falta dela, mas logo mais eu estaria em casa novamente.

— Também tenho que ir. Frances, me da uma carona? – Ayles perguntou, se levantando.

— Claro. Quer também, Charles?

— Sim, vamos todos.

E assim ficamos eu e Stuart sozinhos naquela imensa casa.

— Vamos – eu disse.

— Para onde?

— Para a minha cama.

— De novo, Julie? – Ele revirou os olhos.

— Se não quiser, tudo bem. Eu sei me cuidar sozinha.

Dito isso ele me pegou no colo e subiu as escadas, me levando para o quarto novamente. Stuart me jogou na cama e eu me entrei para ele.

UM ANO DEPOIS.

— Parabéns, Julie! – Stuart pulou na cama. – Parabéns, meu amor!

Acordei com um enorme sorriso no rosto.

— Vinte e um anos, já é muito velha! – Meu pai apareceu no quarto também. – Parabéns, querida.

— Obrigada, pai!

Meus outros irmãos entraram também e me deram presentes. Uma jóia azul, uma tarde no spa e...

— Charles! — Eu gritei, quando vi que ele havia me dado calcinhas novas.

— Eu sei que você ficou bem brava quando dei suas calcinhas para minha ex-namorada. Achei que estivesse precisando.

Dei risada.

— Obrigada. Amo vocês.

Era primeiro de maio, meu aniversário. Eu passei a tarde com Stuart porque ele me levara para lugares lindos, onde o por do sol deixava a vista da cidade ainda mais bonita.

— Eu te amo – ele disse.

— Eu também. – Disse.

— Quero estar com você por toda a minha vida.

— A vida toda? Não vai se cansar de mim?

— Nunca – e me beijou. Eu sabia que um dia isso acabaria. Eu realmente achara que eu ficaria com Rafael, e depois com Steve... na verdade, não tinha como saber. – Vamos comer, tem um restaurante que você vai amar.

— Eu não estou com muita fome.

— Então o que quer fazer?

— Vamos até a torre.

— Certo, vamos até a torre.