Para Sempre - Parte II

5 Voltando para o Brasil


UM ANO E ALGUNS MESES DEPOIS.

E eu tinha me formado na faculdade. Eu sentiria muita falta dos amigos que fiz lá, mas sabia que iríamos perder o contato. De presente, meu pai me dera um carro. Isso mesmo, um carro! Eu nunca estive tão feliz na minha vida.

— Ah, que bom que eu não vou precisar mais ir te buscar na faculdade – Stuart disse.

– Idiota – falei brincando.

Eu tinha feito muitas coisas nesse tempo. Já era final de ano, eu estava com vinte e dois anos e tudo pareceu passar num piscar de olhos.

Eu passei esse tempo todo me dedicando aos estudos, me dedicando em manter um bom relacionamento com meu pai e meus irmãos. A mãe deles havia morrido dois anos antes, e eu até que tinha me dado bem mas sabia que ela não gostava de mim. Como Ayles.

Charles era o mais novo dos irmãos, tinha 30 anos. Stuart, apesar de ser seu amigo, tinha apenas 27, então a nossa diferença de idade não era gritante.

Em casa, enquanto eu me trocava, Stuart entrou no quarto e me abraçou por trás.

– Eu estou me arrumando – eu disse. – E você está amassando o meu cabelo!

– Nah, você vai sair comigo.

– Sim, mas... –e ele me virou e me beijou.

– Vai ser rápido.

– Eu acabei de tomar banho, Stuart!

Ele não parecia querer me ouvir. Eu estava só de sutiã e ele logo o tirou, beijando meu pescoço e meus seios. Me jogou na cama e tirou minha saia que eu tinha acabado de vestir. Abriu sua calça jeans, colocou seu pênis para fora e com facilidade entrou em mim. Fez movimentos rápidos, já que tínhamos hora para chegar ao cinema. Interrompeu o ato de gozar porque estava sem camisinha. Acabei com aquilo chupando seu sexo com carinho.

***

– Esse filme foi incrível!

– Eu sei, sabia que você iria gostar – ele disse.

Por graça da vida, acabei tropeçando no meu salto e me esborrachei na calçada. Stuart começou a rir e eu fiquei olhando para sua cara.

– Ai, meu Deus, isso foi muito engraçado! – Ele disse e então voltou a rir. Me levantei sozinha e não olhei para ele. Oras, nem para me ajudar. – Julie!

– Você é um idiota – eu disse, me afastando.

– Ei, garota! – Consegui ouvir os paços rápidos se aproximaram de mim. Ele segurou meu braço e me fez parar. – Desculpa.

– Você tinha que ter me ajudado.

– Você ralou o joelho, não tinha visto – ele fez uma grande observação.

Fiz uma cara feia para ele.

– Me desculpa.

– Se rir de novo eu vou te arrebentar, Stuart.

– Sim, me arrebentar.

– Eu estou falando sério!

– Eu sei – e abriu um sorriso engraçado. – Vamos comer, vai. Chega de drama.

– Meu salto quebrou.

– Não tem problema. – Ele me pegou no colo. – Eu te levo até o carro, princesa.

UM MÊS DEPOIS.

– Aqui está sua passagem para o Brasil. Você viaja amanhã – meu pai disse.

– Sério?

– Sim.

– Ahh, muito obrigada, pai! – E o abracei com força.

Era 22 de dezembro e eu queria muito voltar para ver minha mãe. Fazia cinco anos que eu não falava com ela de fato, só por skype e telefone...mas nada de toque e nem abraços quentinhos. Eu estava morrendo de saudade.

– Então você vai mesmo? – Stuart apareceu na sala.

– É só uma viagem. Vou ficar até 15 de janeiro e depois eu volto. Não é nem um mês.

– Eu poderia ir com você, mas tenho que trabalhar.

– Qualquer dia você vai. – Eu sorri.

Dei um beijo no meu pai e em Stuart e subi para fazer as minhas malas. Liguei para minha mãe avisando que iria e ela quase teve um ataque de felicidade. Coloquei poucas coisas, dois vestidos de festa por conta do natal e ano novo porque sabia que minha mãe passaria essas datas com minha avó, como de costume.

E então estava tudo pronto.

No avião, tudo parecia tão distante. Em um dia eu estava voando para Paris e agora eu estava voltando para o Brasil. A viagem fora longa e tranquila. Dormi por muitas horas e quando acordei, já estávamos chegando.

Desembarquei, peguei minhas malas e fui ao encontro de minha mãe, que me esperava com um enorme sorriso no rosto.

– Julie! – Ela gritou e então corremos para nos abraçar.

– Ah, mãe...que saudade! – Eu a apartei com muita força.

– Eu já não estava mais aguentando. Está tão linda. Escureceu o cabelo?

– Voltei para a cor natural, mãe.

E de fato eu tinha cansado do meu cabelo ruivo, dava muito trabalho para ficar mantendo então eu decidi que voltando para o castanho minha vida iria ficar melhor e mais prática.

– Está incrível, eu adorei.

– Agora parece que eu sou ainda mais branca – eu disse.

– Você está tão linda, tão grande...minha filha que eu amo tanto! – E me encheu de beijos.

Entrei no carro e ela me levou até em casa. Comento comigo sobre o novo namorado dela, Eduardo e que eles estavam muito felizes juntos, cheios de planos. Fiquei muito feliz por ela e contei mais sobre Stuart. Ela já tinha visto ele nas chamadas do Skype mas era diferente do que ver pessoalmente. Prometi que um dia iria trazê-lo para o Brasil.

Sentia tanta falta do calor maçante do Brasil, que penetrava na alma e fazia você suar até onde não devia.

Cheguei em casa e coloquei as malas no meu antigo quarto. Ele estava do mesmo jeito desde quando eu fora embora. Nada tinha mudado.

– Eu deixei tudo do jeitinho que você tinha deixado antes de sair porque sabia que voltaria.

Ainda tinha o porta retrato meu, de Jessy e Mathew. Ah, que saudade dos dois. Nem sabia por onde andavam mas iria aproveitar essa minha estadia aqui para procurá-los.

– Você vai passar o natal com a vovó?

– Sim, como sempre.

– Ótimo, estou com saudades dela também.

24 DE DEZEMBRO.

– Vamos, mãe, você sempre se atrasa!

– Calma, já estou pronta.

Eu estava com um vestido vermelho de veludo que eu comprara em Paris, que era mais apertado na cintura e depois se soltava, indo até um pouco acima dos meus joelhos. Eu ama muito esse vestido e tinha muita dó de usa-lo. Essa minha vida morando com meu pai tinha me dado um pouco mais de luxo e cabeça para entender que usar tênis de duas cores, como eu costumava a fazer, não era nada elegante.

– Você está linda, filha! – Minha mãe apareceu no corredor, com um vestido longo e preto.

– Você também, mãe.

E então fomos para a casa de minha avó. Era por volta das nove horas da noite quando chegamos. Eu sai do carro e minha avó veio nos receber, dando um gritinho histérico.

– Mas você se transformou numa dama! – Ela disse, me abraçando. – Menina, você está linda.

– Obrigada, vó. – Ela estava elegante como sempre, e seu vestido era rosa claro, bem discreto, o que não era comum para minha avó.

Entrei na casa e nada mudara. O marido dela veio me cumprimentar e disse que eu estava linda. Esse vestido deixa qualquer um magnifico, pensei.

Na casa tinha muitas amigas da minha avó, muitas famílias juntas reunidas.

– Ultimamente eu tenho feito o natal aqui em casa. – Ela me explicou. – O marido de Marrie morreu e ela passa os natais conosco, Alexandra também traz a família. É uma casa grande, quanto mais gente melhor.

E parecia um baile da gala, com todas as mulheres vestidas com roupas caras e sapatos lindos. Os homens também estavam bastante elegantes. Minha avó disse que para receber Jesus Cristo tinha que ser uma festa desse porte.

– Você está incrível, Julie – Augusto disse.

– Muito obrigada.

– Foi bom em Paris?

– Foi sensacional. Foram anos maravilhosos – eu respondi.

Me servi com as entradinhas – que estavam deliciosas – e bebi alguma coisa fraca e gostosa. Mais convidados iam chegando e a casa ia ficando cada vez mais cheia. Estava tocando uma música agradável e minha mãe conversava com uma moça mais velha.

As crianças corriam pela sala e suas mães brigavam, pedindo que elas fossem para o jardim. Cumprimentei os convidados que tinham chego e assim fora até as onze horas da noite.

– Marrie! Pensei que não iria vir!

Minha avó cumprimentou uma senhora e eu virei para pegar um amendoim.

– Ah, Steve! Que bom ver você – ouvi minha avó dizer, então eu congelei.