Para Sempre - Parte II

3 Mary, sua desgraçada!


UM ANO DEPOIS.

— Samanta! – Eu fui busca-la no aeroporto. Fazia um mês que não nos víamos, já que ela foi para Londres trabalhar. Ela me abraçou e me beijou.

— Steve! Ah, eu estava com tanta saudade.

— Eu também.

E a beijei novamente.

— Vamos logo para casa, você deve estar cansada.

E então eu deixei Samanta em casa com a promessa de ir vê-la amanhã na hora do almoço. Fui para minha casa e notei um carro velho parado em frente da mesma. Entrei e na sala tinha um homem sentado no sofá, com Rosie em seu colo.

Mary não estava na sala, mas conseguia ouvir barulho na cozinha. Minha mãe estava no trabalho nesse horário, então só podia ser uma visita.

-...oi?

— Ah, oi. – O homem deu um sorriso nervoso.

— Quem é você?

— Ah, Steve... – Mary apareceu na sala, se apoiando na porta. – Esse é o Greg. Greg, esse é o Steve. Ele é um amigo meu.

— Ah, amigo? – Perguntei. Não que eu estivesse com ciúme ou algo do tipo, mas realmente queria saber se ela estava tendo um relacionamento com alguém, por pura curiosidade.

— Sim, sim.

Rosie já estava com dois anos, e era uma pestinha! Fui em seu encontro e peguei ela do colo de Greg. Ele tinha cabelos claros e olhos da cor de carvão. Rosie começou a chorar e eu lhe disse que era porque seu brinquedo favorito, um dinossauro azul, não estava em suas mãos. O homem pegou o brinquedo no sofá e deu para Rosie. Notei uma mancha em seu dedo indicador, igual aos de Rosie.

***

— Eu não tenho certeza... – disse para Samanta. – Quer dizer, achei estranho ele ter uma marca muito parecida com o de Rosie, no mesmo lugar.

Ela ficou pensativa.

— Você não tinha me dito que ela o traíra?

— Sim, mas... – a realidade me chocou. – Não. Não pode ser. Rosie é minha filha!

— Eu não disse nada.

— O pior é que isso poderia fazer sentido, mas não me lembro de Greg. Ela tinha me traído com um amigo meu do clube.

— Isso não quer dizer que tenha sido só ele.

— Ah, muito obrigado – eu disse com escárnio.

Fiquei pensando sobre o assunto enquanto levava Samanta de volta para casa. E se...não. Não podia ser. Rosie era mina filha, eu tinha certeza.

— Eu amo você – ela disse, antes de sair do carro.

— Eu...também.

Voltei para casa com tudo aquilo na minha cabeça. Eu iria mesmo confrontar Mary, era melhor do que ficar na duvida.

— Mary?- Chamei quando cheguei em casa.

Ela apareceu, descendo as escadas, enrolada num edredom.

— Oi, achei que fosse chegar mais tarde...

— Por que?

— Bom...

— Tem alguém aqui? Tem alguém dentro da minha casa?

— Da nossa casa.

— Não, essa casa é da minha mãe. E tecnicamente minha, mas não é sua. Você não faz nada além de amamentar Rosie.

— E não é o suficiente?

— Pensei que fosse querer fazer faculdade.

— Bom, não é hora de discutir isso. E...sim, tem alguém aqui.

— Na minha cama.

— Sim, na sua cama.

— Santo Deus. Onde está Rosie?

— Está dormindo – ela disse enquanto subia as escadas. Me deparei com Greg saindo do meu quarto, com apenas uma calça vestida no corpo.

— Ah, oi Steve...

— Greg, posso ver seus dedos?

— O que?

Peguei a mão dele e notei a mancha de nascença. Fui direto para o quarto de Rosie conferir e eram iguaizinhas. Mary estava atrás de mim e o clima pareceu ficar muito pesado com essa nova descoberta.

— Mary.

— Steve, não é o que você está pensando.

— Ele...

— Não.

— Como pode me responder se nem sabe o que vou dizer? – Eu estava tremendo. – Mary, me diga com toda a sinceridade...

— Steve, você não precisa fazer isso.

— Eu sou o pai de Rosie?

E ouve um silêncio mortal.

— Eu fiz uma pergunta.

— Me deixe explicar, por favor!

Aquilo era o suficiente. Sai desesperado pelas escadas e lancei um jarro na parede.

— SUA FILHA DA PUTA, COMO PODE MENTIR PARA MIM? ISSO É MUITO GRAVE! – E eu chorava muito. Rosie... minha Rosie.

— Ela é sua filha!

— E como ela tem a mesma marca que ele?

— Ela não é de sangue, mas é sua. Steve, eu não sabia de quem era o pai, pensei que fosse sua...e-eu realmente achei que fosse sua mas então ela nasceu com essa mancha e então eu...ah, meu Deus!

— E PORQUE DIABOS VOCÊ NÃO ME DISSE ISSO ANTES? PORRA MARY, ELA JÁ TEM DOIS ANOS!

— EU SEI, EU SEI... ME PERDOE, STEVE! EU CONTEI PARA GREG E ELE ME IGNORAR DURANTE ESSES ANOS MAS AGORA ELE ESTÁ AQUI...

— Ele é o pai da minha filha – eu disse, mesmo que isso não fizesse sentido.

E então Rosie começou a chorar.

— ELA É MINHA FILHA! – Apontei o dedo para Greg. – E SE VOCÊ TOCAR NELA EU MATO VOCÊ SEU FILHO DA MÃE ORDINÁRIO!

E eu só queria afundar em um buraco. Rosie não era...não era minha filha.