Para Sempre Faberry
6 Romeu e Julieta
Notas iniciais
Espero também que me perdoem pela demora, precisei estudar loucamente e não deu tempo de postar ):
É isso...Boa leitura.
O ser humano é programado para cometer erros. De uma maneira ou de outra, em algum momento de sua vida, haverá erros e incertezas, erros até mesmo destrutíveis. Nós todos temos muito a aprender com esses escorregões, desde a permanecer forte, até a nos certificarmos de não cometê-los 2 vezes. O único problema é que ainda sim, somos animais racionais, com turbilhões de sentimentos, sensações que nos levam a cometer pela segunda vez o mesmo erro. E Quinn já perdera a conta de quantas vezes tinha cometido os mesmos erros repetidas vezes, os motivos que a levaram a cometê-los será sempre um mistério.
Ou não.
Houve uma época em que considerava Beth um erro, hoje ela tinha certeza de que era um milagre. Glee Club parecia ser sua pior decisão, e no final foram as pessoas que estiveram com ela todo o tempo. Rachel também era um erro...Certo? Ela nunca se casaria com uma mulher, ainda mais sendo Rachel Berry! Era assim que pensava a cerca de 24 horas, pois agora, deitada na sala ao lado de Frannie, sua cabeça parecia mais confusa do que nunca em relação ao que ela considerava certo e errado.
– Lucy! — ouviu o chamado estridente de seu pai. Sentiu o corpo congelar a menção de seu primeiro nome, e logo Russell surgiu do corredor segurando o que parecia uma folha de jornal e logo atrás estava uma Judy amarela de medo. — Pode me explicar o que é isso? — jogou a folha em cima da mesa de centro e Quinn postou-se em frente ao pai de cabeça baixa observando sua foto em preto e branco ao lado de Rachel cercada por dois seguranças.
Frannie correu para o lado da irmã e tirou o jornal de suas mãos, ela segurou o riso e olhou para Quinn orgulhosa. Já Quinn não estava achando tanta graça assim, sob o olhar furtivo de Russell e o de desapontamento de Judy.
– Eu precisava esclarecer algumas coisas com ela, papai...
– Você não tem absolutamente nada by Text-Enhance\">para conversar com aquela mulher assim que os papéis do divórcio foram assinados, Lucy! — rosnou tirando o jornal das mãos de Frannie com violência, a mais velha sobressaltou assustada. Russell apontou o dedo para as duas e sua pele clara passou para vermelho. — Se eu ficar sabendo que Quinn está se encontrando com Berry, e que você a está ajudando, as coisas vão ficar muito sérias por aqui! — Frannie não demonstrou medo, apenas o encarou com o mesmo olhar rigoroso.
Judy abaixou a cabeça para o marido quando ele passou furioso por ela, Frannie segurou a mão de Quinn que tremia e passou pela mãe lançando um olhar magoado. Quinn estava pálida quando chegou ao quarto, suas mãos suavam e tremiam de medo do próprio pai. Não era assim que uma família deveria ser, isso não era certo e a loira sentia por isso.
– Ele é um babaca, não vejo a hora de me casar e sair daqui! — resmungou Frannie largando-se na cama. — E como assim você se encontrou com Rachel e não me contou, mocinha?
Quinn respirou um pouco mais aliviada e escorou-se no batente da porta da sacada com um olhar perdido no jardim. Ela precisava mesmo falar sobre isso com alguém.
– Nós meio que vamos fazer um dueto no casamento de Santana. — disse incerta.
Ouviu a irmã soltar uma exclamação e bater as mãos uma na outra.
– E já sabem que musica cantar? Isso vai ser lindo...
– Eu não sei. — cortou Quinn. — Agora eu não sei mais se é o certo a fazer com ela, entende? — olhou para Frannie que balançou a cabeça negando. — Depois de tudo o que aconteceu, não posso simplesmente voltar para a vida de Rachel sem poder dar a ela o que ela quer. Isso dói, porque ela tem sido tão carinhosa e fofa comigo... Vê aquela rosa? — apontou para o criado mudo e Frannie correu pegar a rosa. — Ela me deixou ontem depois de cantar para que eu me acalmasse, e cuidou de mim...
A irmã mais velha analisou a carta ainda presa ao cabo da rosa e não pode deixar de sorrir bobamente com o que estava escrito ali. Ela não podia negar, Rachel tinha charme e sabia encantar qualquer pessoa.
– Eu realmente gostaria de dizer que entendo você. — começou Frannie abraçando a irmã por trás. — Mas quem viu a maneira como Rachel olhava para você, pode ter certeza de como ela se sente.
– As vezes eu gostaria de entender todo esse sentimento. — confessou por fim a mais nova soltando um longo suspiro.
– Você vai mana, basta não deixar que papai e seu medo a impeça de enxergar isso.
***
A casa de Santana estava abarrotada de gente aquela hora da tarde. Familiares e amigos zanzavam pelos corredores, sala, piscina e principalmente a cozinha, onde ela preparava alguns drinks para os convidados. Era a chamada "despedida de solteiro", mas sem seguir o roteiro original, caso contrário ela teria que levar Quinn, Rachel, Kurt e Blaine consigo para um bar de strippers, e isso realmente não era uma boa coisa para aquela grupo. Mercedes e Kurt passaram todo o dia com Rachel, como de costume, e agora pareciam mais dois compadres bêbados rindo de qualquer piada que lhes contasse. Puck, Mike, Blaine e Sam jogavam pôquer com o pai de Brittany. Tina, Artie, Emma e Brittany conversavam animadamente sobre casamento e Santana agora alcançara Rachel que estava próxima a Finn.
– Hey Finnlandia, Berry. — cumprimentou agarrando o braço de Rachel e a puxando para longe que Finn que permaneceu parado olhando para onde uma figura pequena estava a minutos atrás. — O que vocês tanto conversavam, em? — perguntou cismada entregando um copo de whisky.
Rachel ergueu a sobrancelha surpresa e deu de ombros.
– Ele apenas estava sendo gentil, não implique com Finn. — disse em voz de desaprovação. Santana fez cara feia e olhou de esguelha para
Finn que as observava atento, com os olhos pregados com Rachel.
– Ao invés de perder tempo com um cara que parece uma bola de futebol americano surrada, — deu de ombros e deu um gole na garrafa de cerveja. — você poderia ir chamar a Quinn. Hey Britt.
Brittany chegou por trás e abraçou a noiva com um sorriso enorme no rosto, levemente alcoolizada. Rachel endireitou o corpo assim que ouviu a menção ao nome de Quinn e olhou para os lados a procura da garota.
– Ela está aqui? — perguntou controlando o tom de voz para não soar ansiosa, mas já era tarde, Santana e Brittany trocaram sorrisinhos maldosos.
– É claro que ela está, — respondeu Brittany sem nem ao menos perguntar de quem estavam falando. — chegou antes mesmo da festa começar. — deu uma pausa quando Mercedes passou dando tapas no ombro de Sam e o acusando de olhar demais para as pernas de alguma vadia presente. — Ela está no salão de ensaio desde então.
Rachel brincou com o copo em suas mãos e pediu licença. Claro que o casal esperava que ela fosse atrás de Quinn, era mais do que óbvio que esse era o plano de Santana desde o inicio e a pequena não sabia se ficava agradecida ou se sentia-se irritada pela invasão de privacidade. Optou pela primeira opção. Deixou a ala movimentada e subiu as escadas que davam direto aos quartos e ao salão improvisado de Brittany, a porta estava entreaberta então Rachel não se importou de bater. Ouviu sussurros baixos e cansados, e o abrir a porta, se deparou com uma Quinn suada ensaiando passos de balé com um pouco de dificuldade, e a frustração era evidente em seus olhos.
Escorou-se na porta admirada e deu mais um gole em seu whisky, essa era talvez, uma das visões que gostaria de guardar para si pelo resto de sua vida. Quinn parecia tão concentrada e determinada em conseguir completar aquele passo, que nem mesmo o cansaço a estava vencendo. Rachel achava extremamente fofa a maneira como Quinn enrugava a testa quando estava concentrada demais escrevendo.
– Precisa flexionar mais o joelho. — disse por fim quando presenciou mais uma tentativa falha da loira de dar um salto. Quinn praticamente pulou de susto e levou a mão ao coração. — Desculpe.
– Tudo bem. — respondeu a loira limpando o suor da testa pegando uma garrafa de água na mochila. — Aproveitei para ensaiar um pouco, meu corpo parece tão enferrujado e fraco desde que acordei.
Rachel sorriu levemente e aproximou-se dela deixando o copo em cima de uma mesa.
– As pessoas estão todas lá em baixo, você também deveria estar.
Ouviram uma conversa ao longe e se olharam com o mesmo pensamento. Alguém neste exato momento estava usando um dos quartos. Rachel apostaria 50 dólares que era Santana e Brittany.
– De qualquer maneira, — continuou mais descontraída. — é melhor você tomar um banho.
Apontou para o corpo todo suado de Quinn e fez uma careta, a loira percebeu o que a pequena quis dizer e sua expressão passou para ironia.
– Está com nojo de mim, é? — perguntou fingindo mágoa. — Tem nojo disso? — agarrou Rachel pelo braço forçando-a para um abraço, a pequena resistiu e empurrou Quinn para trás que arregalou os olhos em brincadeira. — Você não deveria ter feito isso, Berry!
Rachel tentou correr, mas Quinn foi mais rápida e agarrou novamente os braços dela. As duas lutaram por um momento com os braços até a loira empurrar a pequena contra a parede oposta com o corpo. Rachel riu pedindo para que Quinn parasse, mas o sorriso morreu assim que as duas notaram a proximidade entre elas. O sorriso de Quinn foi o primeiro a desaparecer, e em seguida a expressão de Rachel também era séria. As duas se encaravam tão perto, suspirando cansadas e sentindo a tensão crescer extremamente rápido, era incrível como uma sempre atraía a outra. Compartilhando agora o mesmo ar, e sentindo o hálito uma da outra, era magnético. Os olhos de Quinn desceram para os lábios de Rachel, pareciam tão...Convidativos.
Mas a realidade de Quinn a invadiu em cheio e ela soltou-se imediatamente de Rachel com espanto. Rachel arrumou o cabelo e esperou uma reação descontrolada, reação essa que não veio. Apenas uma loira saindo do salão apressadamente e com lágrimas nos olhos. Ela não queria isso, não queria que tudo sempre terminasse em lágrimas, só estava sendo difícil demais as duas serem amigas sem existir algo a mais sempre tentando uni-las e dar um choque de realidade em ambas.
Decidindo não estragar sua noite por isso, Rachel pegou seu copo de bebida e desceu de volta para a festa onde o som estava alto e as pessoas dançavam animadamente em meio a sala com os móveis afastados. Sam foi o primeiro a ver Rachel e correu até a pequena com um sorriso gentil e um copo nas mãos.
– Tarde difícil? — perguntou dando um gole na bebida e observando o pessoal dançar.
Rachel balançou-se para frente e para trás parecendo uma louca.
– Nada que eu já não esteja acostumada. — garantiu dando um tapinha no ombro do rapaz. Os dois sorriram em compreensão e o silencio entre eles caiu repentinamente, sendo cortado apenas pela musica alta e as pessoas balbuciando coisas.
Então Sam apenas segurou a mão de Rachel e a empurrou em direção ao mar de pessoas dançantes. De primeira ela pensou em resistir, mas era uma distração e tanto dançar com seus amigos, principalmente com Sam e suas coreografias esquisitas que tanto a faziam sorrir. Mas, não demorou muito para o mundo todo desaparecer em volta, e apenas a loira no topo da escada importar para ela. Quinn trajava um vestido negro e seus olhos verdes brilhavam mais do que nunca, Rachel poderia jurar que estava tendo alucinações, mas o anjo parecia tão real quanto aquele sentimento guardado dentro dela.
Quinn começou a descer as escadas e seu corpo automaticamente inclinou-se para frente no intuito de chamá-la para dançar, mas seus olhos registraram quando mais a frente, Noah Puckerman e seu sorriso presunçoso, subiu os dois primeiros degraus e ajudou a loira que sorriu para ele. Aquilo foi um choque para Rachel, foi como levar um soco bem no meio do estômago e todo o ar desparecer de seus pulmões. Ela estava sorrindo para ele, aquele mesmo sorriso...
– Rachel! — ouviu Sam chamar atrás de si antes de ser envolvida por um abraço. — Por que parou de dançar?
Pelo jeito ele não tinha visto Quinn, melhor assim.
– Estou cansada agora, preciso de água. — disse sincera afastando-se de seu melhor amigo e recebendo um empurrão de Mike que sequer percebera o ato.
Rachel caminhou de volta para a cozinha sentindo aquela dor no estomago, a dor da decepção. Ela não se limitou a procurar saber onde eles tinham ido, não era tão masoquista a esse ponto, então serviu-se de água e virou o copo de uma vez.
– Até que enfim encontrei você. — revirou os olhos quando ouviu Finn atrás de si, as pessoas tinham decidido a não deixá-la em paz. — Está tudo bem? Por que está bebendo água da pia?
A pequena reparou que tinha aberto o registro errado e cuspiu toda a água de volta no copo enojada. Péssimo dia para uma festa.
– Eu não sabia...
– Oh! O que acha de caminharmos um pouco? — ele perguntou estendendo o braço, sem pensar duas vezes ela aceitou e deixou-se ser guiada. — Como estava dizendo um pouco antes, tenho certeza de que seu show vai ser fantástico, assim como você é.
Estava recendo uma cantada de seu ex noivo? Sim, ela estava. Mas parecia um pouco bêbada para pensar em algo para dizer, então apenas concordou com um "hum-hum". Eles saíram para a área da piscina e Rachel percebeu que já estava anoitecendo.
– Sabe que eu sempre vou te apoiar em suas decisões não sabe? Como no ensino médio...
O que? Como no ensino médio quando ele a deixou plantada esperando para a foto do anuário, ou como quando ele pediu que ela desistisse de New York para ficar em Lima?
Pensou em xingar, mas infelizmente Puck e Quinn apareceram no jardim do outro lado da piscina. O coração de Rachel parou por um minuto, eles pareciam felizes juntos.
– Finn, eu acho melhor nós...
– Eu entendo, Rach. — ele a chamou pelo apelido e isso irritou. Eles pararam de frente para a piscina quando Finn virou-se para ela com os olhos esperançosos. — Eu te esperei todo esse tempo, posso esperar por mais...
– Amendoim! — exclamou a pequena em pânico.
Finn uniu as sobrancelhas e limpou os dentes com a língua.
– Está melhor?
– Não! Quinn tem alergia a Amendoim. — antes mesmo de terminar a frase, ela já tinha passado por Finn e empurrou uma mulher que ela nem mesmo conhecia.
Puck estava com uma bandeja e o infeliz oferecia a ela doce de amendoim, justo o que prendia as vias respiratórias de Quinn.
– Quinn! — quase gritou, algumas pessoas assustaram-se e a observaram. Quinn foi uma dessas pessoas que arregalou os olhos e pareceu infeliz no mesmo instante. — Não coma isso. — ela chegou fungando, Puck olhou do potinho para Quinn, e de Quinn para Rachel. — Isso é feito de amendoim, você tem alergia.
A loira largou instantaneamente o potinho com o doce na bandeja e olhou perplexa para Puck.
– Seu idiota, eu quase morri com a minha alergia na gravidez! — exclamou alterada dando um tapa no peito do rapaz que se encolheu com a dor.
– Eu esqueci, desculpa. — disse simplesmente como se não se importasse de verdade.
Rachel sentiu-se uma idiota no meio daquela discussão e então suspirou aliviada por ao menos ter conseguido salvar Quinn dessa.
– Rachel? — a loira chamou, Rachel virou-se imediatamente, então Quinn aproximou-se dela envergonhada. — Obrigada. — e saiu.
Algumas pessoas ali perto comentaram o acontecido, Puck pigarreou e ameaçou afastar-se também, mas foi barrado por Rachel que agora tinha um olhar determinado.
– Eu sei o que está tentando fazer, só não esqueça que eu também estou nessa e não vou desistir tão cedo. Então não espere tê-la de bandeja porque eu posso derrubá-lo se ficar no meu caminho, e não espere compaixão, Puckerman! — dito isso, soltou o braço do rapaz e deu as costas a ele com ferocidade.
Precisava encontrar Quinn.
Finn não estava mais perto da piscina e ela agradeceu mentalmente por isso. Entrou na casa esperando encontrar a cabeleira loira, mas tudo o que conseguiu identificar foi Santana e Brittany abraçadas e conversando baixo uma com a outra.
– Santana! — chamou hesitante com medo de atrapalhar, as duas a olharam em sinal de curiosidade. — Vocês a viram passar por aqui?
É claro que elas sabiam de quem Rachel estava falando, então Santana deu um ultimo beijo em Brittany e separou-se dela.
– Ela precisou ir embora. Estava com os olhos vermelhos e disse que um bicho tinha entrado em seus olhos... — a latina observou a expressão de Rachel mudar e sua voz morreu. — Não era um bicho, né?
A pequena balançou a cabeça negativamente e contou a historia toda para o casal, Mercedes e Kurt chegaram nesse meio tempo alegres, mas assumiram uma expressão séria quando ouviram o que aconteceu.
– Isso foi totalmente fofo! — disse Brittany dando um meio abraço na pequena.
– O que é fofo? — perguntou Sam chegando no meio da roda. Então Mercedes repetiu a historia para ele e no fim todos olharam para Rachel. — Isso foi realmente fofo. E irresponsável da parte do Noah! — grunhiu fechando o punho.
Santana levantou as mãos pedindo silencio e o grupinho calou-se imediatamente. Era algum tipo de medo psicológico que ela aparecesse em suas camas no meio da madrugada.
– Eu proponho ajudar Rachel, contanto que voltemos em uma hora. — ouve murmúrios e Rachel permaneceu em silencio observando Santana. — Vamos até a casa dela.
– Eu não entendo porque nós temos que acompanhá-la se quem está tentando recuperar a esposa é Rachel. — foi Tina quem chegou e parecia ter ouvido toda a conversa. Todos reviraram os olhos para ela que continuou com a expressão de "Que foi?".
– Nós somos o Glee Club. — foi tudo o que Santana disse para ela, dando uma piscadela e empurrando todos para fora.
Mesmo sem entender, Tina acompanhou todos que saíram de fininho até os carros. Rachel foi, é claro, com Santana e Brittany. No caminho ela ficou silenciosa, o que não era de costume, mas estava pensando no que diria. Russell provavelmente a enforcaria antes mesmo de chegar a porta, e Rachel estremeceu só de pensar na possibilidade de encontrar o casal Fabray. Quinn precisava ouvi-la, pois só ela sabia o que a loira estava sentindo, e por mais que tivesse agradecido, a pequena sabia que Quinn não teria coragem de olhar na sua cara por um bom tempo se não fosse atrás.
A caminhonete estacionou do outro lado da rua junto dos outros carros. Rachel sequer esperou os outros e atravessou correndo a rua escura em direção a casa iluminada. Respirou fundo e encostou a cabeça na porta da frente, precisava fazer isso...
Tocou campainha.
Ouviu os outro se aproximarem e ao mesmo tempo xingamentos. Era Santana discutindo com um fotógrafo que surgira do nada, ela o empurrou, mas o cara insistiu em fotografar Rachel. Cerca de 5 minutos se passaram e a casa continuou silenciosa.
– Quinn disse que os Fabray não estão em casa. — foi Brittany quem disse aproximando-se de Rachel com um olhar significativo.
A adrenalina da pequena subiu. Ela sabia o que tinha que fazer, era agora ou nunca, não só por aquele momento na piscina, mas por todo o tempo que passaram junto, felizes, como alma gêmea. Quinn precisava ouvi-la.
Mais 2 fotógrafos apareceram e os flashs aumentaram, Sam e Santana não conseguiam conte-los, então Rachel virou-se para todos os presentes e tomou coragem. Sam entendeu o olhar e largou um dos fotógrafos, correu até a cerca e a abriu para Rachel e os outros passarem.
Kurt parecia assimilar as coisas e pareceu não gostar nada do que estava vendo.
– Você não vai fazer o que eu penso que vai fazer, vai? — ninguém respondeu quando entraram no jardim dos fundos, os fotógrafos os seguiram. — Não, sério, porque não é só a sua carreira que está pondo em risco Rachel Berry!
– Shi! — todos fizeram em uníssono para ele que calou-se na hora e cruzou os braços.
Mercedes e Rachel apontaram para uma janela com a luz apagada, era o quarto de Quinn.
***
Passaram-se 5 minutos desde que chegara em casa e tudo o que tinha feito era se jogado na cama e chorado. Parece drama? Nem tanto. Coloque-se no lugar de Quinn, tenha uma esposa da qual você não se lembra, mas que ao mesmo tempo é como um anjo para você. Seu coração pertence a outro e ele quase a mata por ser um irresponsável, e quem a salva? Oh, sim, a esposa que da qual não se lembra. Eram informações demais para a cabeça de Quinn, informações e confusões contando com o fato de que ela não poderia deixar de sorrir feito boba por Rachel saber sobre sua alergia, sobre seu medo de chuva, e sua queda por música.
Ouviu a campainha tocar e correu atender, não tinha ideia de quem seria uma hora dessas e Frannie já estava dormindo. Seu coração disparou quando olhou por uma fresta da janela da sala e viu Rachel e seus amigos parada a porta de casa esperando por ela. Queria abrir, ela realmente queria, mas se seus pais chegassem e a vissem conversando com eles, ou se até mesmo ela conversasse com Rachel neste momento, tinha medo de perder o controle e fazer algo que não desejasse. Então optou por subir de volta ao quarto e sentar-se na cama agarrada ao travesseiro, segurando-se para não atender. De repente tudo ficou silencioso, e ela constatou que tinham ido embora, o problema é que não sabia se ficava aliviada ou triste por rápida desistência.
– Quinn? — surpreendeu-se ao ouvir a voz de Rachel em sua janela, seus olhos saltaram e apertou a boca. — Quinn, eu sei que está ai, por favor, atenda.
Silencio.
– Tudo bem, se você não descer, eu vou dizer tudo aqui mesmo.
Frannie apareceu em sua porta coçando os olhos e preparada para perguntar sobre o barulho, mas Quinn pediu silencio e apontou para a janela, então a mais velha prestou atenção.
– Eu sei como está se sentindo nesse momento, acredite, eu me senti assim todo o ensino médio. — Frannie abriu a boca impressionada e sorriu ao sentar-se ao lado da irmã. — Medo, confusão, angústia...Todos esses sentimentos faziam parte de mim por eu não saber quem realmente era. Era como uma dor bem aqui no peito. — Quinn levou a mão ao peito, imaginando que Rachel estava fazendo o mesmo. — E todos esses-todos esses sentimentos se tornavam um só no fim da noite, pois eles se negavam a aceitar o fato de que estava apaixonada pela cheerlander mais popular e linda do colégio. Mas eu estava, e só pude aceitar esse fato quando Finn me pediu em casamento e me dar conta de que estava prestes a ser de outro para sempre. Eu tentei, Quinn, eu juro que tentei contar a verdade tantas e tantas vezes...Mas você sempre aparecia primeiro com um slushie, ou o peso do meu casamento. Eu aceitei me casar, e quando estava prestes e cometer esse erro, você apareceu. Sabe aquelas historias infantis onde o príncipe aparece em um cavalo branco e resgata a princesa? — Frannie levou a mão a boca, estava emocionada. Já Quinn não emitia nenhuma emoção. — Você fez de mim sua princesa, por mais que eu não me sentisse uma, você é o motivo de eu acreditar em mim mesma. Você é o motivo pelo qual eu finalmente conheci o amor, e não vou desistir de nós. Eu prometi nos meus votos que estaria sempre ao seu lado, que daria um jeito de fazer a vida nos trazer de volta uma para a outra caso nos perdêssemos...Então eu vou te achar.
Novamente, tudo ficou em silencio. Quinn apertava com mais força que o normal seu travesseiro e sem aviso prévio, seus olhos voltaram a encher-se de lágrimas. Ouviu um som de coro e não pode acreditar no que estava acontecendo...
Então a voz dela soou.
Same bed, but it feels just a little bit bigger now
(A mesma cama, mas parece um pouco maior agora.
Our song on the radio, but it don't sound the same
(Nossa música no rádio, mas não soa da mesma forma.)
Quinn balançou a cabeça perplexa, Rachel novamente estava cantando para ela, mas como numa serenata. Meu Deus, ninguém nunca tinha feito serenata para ela...
When our friends talk about you
(Quando nossos amigos falam sobre você)
All that it does is just tear me down
(Tudo que isso faz é me deixar pra baixo)
Cause my heart breaks a little
(Porque meu coração se quebra um pouco)
When I hear your name
(Quando ouço seu nome)
And all just sounds like
(Tudo isso soa como)
Ouviu o pessoal do Glee Club novamente:
(oooooh)
Too young, too dumb to realize
(Mmm muito jovem, muito burro para perceber)
That I should have bought you flowers and held your hand
(Que eu deveria ter te comprado flores e segurado sua mão)
Should have give you all my hours when I had the chance
(Deveria ter dado a você todas as minhas horas quando tive a chance)
Take you to every party
(Te levar a todas as festas)
Cause all you wanted to do was dance
(Porque tudo que você queria fazer era dançar)
Now my baby is dancing, but she's dancing with another man
(Agora minha querida está dançando, mas ela está dançando com um outro homem)
Automaticamente, Quinn soltou-se dos braços de Frannie cautelosamente, caminhou em direção a porta da sacada. Ela queria fazer isso. Ela girou a maçaneta e abriu a porta, luzes de flashs invadiram seus olhos, mas ela não se importou. Quinn continuou caminhando até a grade, onde pode ver Rachel e o Glee Cub.
Although it hurts
(Embora machuque)
I'll be the first to say that I was wrong
(serei a primeira a dizer que eu estava errada)
Oh, I know I'm probably much too late
Oooh
(Sei que eu provavelmente estou muito atrasada)
To try and apologize for my mistakes
(Em tentar me desculpar por meus erros)
But I just want you to know
(Mas só quero que você saiba)
I hope he buys you flowers, I hope he holds yours hands
(Espero que ele te compre flores, eu espero que ele segure sua mão)
Quinn sorriu entre as lágrimas, Frannie se juntou a ela na sacada.
Give you all his hours when he has the chance
(Te dê todas as horas dele, quando ele tiver a chance)
Take you to every party cause I remember
(Leve você a todas as festas porque me lembro)
Num ato inesperado, Rachel agarrou a pequena escada de jardineiro e começou a subir até a sacada. Os fotógrafos enlouqueceram e Quinn levou a mão a boca.
How much you loved to dance
(O quanto você amava dançar)
Do all the things I should have done
(Faça todas as coisas que eu deveria ter feito)
When I was your girl
(Quando eu era a sua garota)
Sussurrou o ultimo verso agora perto o suficiente da loira, ela sorriu levemente e tirou uma rosa da bolsa. Uma rosa com uma carta.
– Eu me lembro também, seu autor preferido é Shakespeare e desde pequena você tem o sonho de um dia poder interpretar Julieta. — falou Rachel suspirando. — Agora você não precisa interpretar. Mas, o que Romeu disse para julieta em mil palavras, você me demonstrou em apenas um sorriso. — entregou a rosa para Quinn de uma forma delicada e um olhar sedutor.
E assim, sem mais, desceu os degraus satisfeita. Ela tinha feito seu próprio espetáculo, um espetáculo apenas para Quinn, o amor de sua vida. E no fim, era isso o que importava.
Quinn correu para dentro emocionada e ainda pode ouvir os fotógrafos fazendo perguntas para Rachel e os outros. Frannie pulou na cama excitada pedindo que a irmã abrisse a carta e lesse o que estava escrito. E assim fez Quinn.
"2° Ano. Eu entro para NYADA e você escreve seu primeiro livro. O sucesso é total e em menos de dois meses estamos morando juntas em um hotel com Santana e Kurt. Você me faz feliz. Todos os dias afastamos os móveis para que você me ajude a ensaiar, e antes de dormir, tudo o que você diz é: Tu és a minha inspiração para que os sentimentos se tornem palavras."
Frannie rouba a carta da irmã e lê outra vez, enquanto isso, Quinn apenas encosta-se na cama e seu estomago da um salto repassando tudo o que Rachel fez essa noite. Era verdade...Era verdade sobre Romeu e Julieta, seu sonho sempre fora interpretar e agora...Tudo parecia novo demais.
– Você ainda tem duvidas? — perguntou a mais velha antes de sair do quarto, e deixar Quinn perdida em sentimentos.
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