Notas iniciais
A música que toca no capitulo é Heaven do Bryan Adams, maaas, eu indicaria a versão do Boyce Avenue para o capitulo.O que estiver em negrito seria o pensamento de Rachel, ok? Enjoy...

21:34pm

"...Um grupo de jovens caminhava pela estrada quando encontraram o corpo abandonado próximo a sua fazenda no Novo México, a policia ainda investiga a causa da morte. Segundo familiares, John era um advogado justo e acredita-se que tenha sido um crime de vingança."

Ross troca os papéis e se vira para a câmera 2.

"Vamos as ultimas noticias da noite: Acabo de ser informado sobre um acidente envolvendo um caminhão de transporte e uma Lamborghini. Segundo testemunhas, o motorista do caminhão não conseguiu frear a tempo e derrapou na neve colidindo em seguida com a Lamborghini que estava parada no semáforo."

***

"Em Lima, Ohio, um acidente chocou os moradores da pequena cidade a poucas horas. A colisão entre um caminhão e um by Text-Enhance\">carro resultou na morte imediata do motorista do caminhão, Charlie Benson, que foi lançado contra o para-brisa que se estilhaçou, ainda não se sabe sobre o estado de saúde da vitima do carro, a policia confirma que Benson estava alcoolizado e devido a neve foi impossível frear"

***

"O acidente na estrada 997 de Lima, Ohio, vem repercutindo por todo o estado após a policia afirmar que na verdade haviam duas vitimas, ambas mulheres, na Lamborghini, uma delas está na UTI em coma induzido, e a outra permanece desacordada com apenas escoriações pelo corpo; ainda não foi liberada as identidades das vitimas, que é mantida em segredo pela policia. O by Text-Enhance\">carro sofreu dano total, e o caminhão está sendo removido pela pericia para investigação."

***

"Exclusivo, a noticia de que os nomes das vitimas da Lamborghini foram liberados acabam de chegar, nosso programa é o primeiro a obter essa informação. A repórter Megan Curtis está agora o hospital Santa Fé com mais informações. Megan.

A câmera muda para uma mulher de no máximo 24 anos, negra, parada ao lado de fora de um hospital, há vários repórteres no fundo e neva muito.

"Isso mesmo, Ashley, o detetive que cuida do caso acaba de se pronunciar aqui do lado de fora do hospital depois de mais de 12 horas mantendo confidencia sobre a identidade das vitimas. Segundo ele, a mulher que dirigia o by Text-Enhance\">carro era Rachel Barbra Berry, que estreou a pouco menos de 2 anos nos palcos de Broadway, seus fãs estão aqui fora montado campana e fazendo orações.

A repórter se vira e a câmera focaliza dezenas de pessoas sentadas a porta do hospital portando placas com fotos de Rachel e velas.

"E a mulher no banco do passageiro, e a que está agora em coma, é Lucy Quinn Fabray, escritora do bestseller Sol da meia noite. Muitos de seus fãs também estão aqui orando pela escritora."

A tela se divide entre Ashley no estúdio e Megan no hospital.

"O detetive disse qual era o quadro de saúde de Rachel e Quinn?" Pergunta Ashley.

"O detetive informou que Rachel Berry está consciente e sem sequelas do acidente, agora esperamos por mais informações sobre o estado de Quinn Fabray, que pareceu se agravar assim que chegaram ao hospital."

***

"Kurt Hummel, o agente da nova queridinha da Broadway, Rachel Berry, que sofreu um terrível acidente nessa ultima sexta feira se pronunciou publicamente esta manhã para o alivio dos fãs, vamos a matéria."

Kurt aparece em frente aos jornalistas e flashes usando óculos escuros.

"Senhor, o que poderia dizer sobre Rachel?" pergunta um dos jornalistas.

"Rachel está sofrendo uma grande melhoria, ela já consegue caminhar sem ajuda de aparelhos, estou certo de que em breve poderá voltar aos palcos."

"E sobre Quinn Fabray?" pergunta outra jornalista.

"Quinn permanece em coma, mas estamos muito confiantes quanto ao seu caso. Ela é uma brava mulher."

***

O jornal volta dos comerciais e um tape começa a ser mostrado com imagens de Rachel e Quinn sorridentes juntas, quando uma voz começa a narrar:

"As jovens Rachel Berry e Quinn Fabray que começaram jovens ainda sob os holofotes, assumiram o relacionamento publico a pouco menos de um ano, e apesar dessa noticia chocar a maior parte do publico, elas foram totalmente aceitas e aos poucos se tornaram o casal preferido de Nova York. Sempre vistas juntas em eventos tais como premiações, shows, jantares, e sem nunca deixar de demonstrar afeto publicamente. Fabray está em seu ultimo livro da trilogia Sol da meia noite, na qual vendeu cerca de 250 milhões de cópias com traduções em 5 países, e se tornou uma das escritoras mais bem sucedidas do país. Já Berry iniciou sua carreira desde os 2 anos participando de concursos de canto e fazendo comerciais, no ensino médio entrou para o Glee Club e juntos venceram as Nacionais, em Chicago, no ano seguinte Rachel adentrou em NYADA onde dois anos depois conseguiu o papel de Maria para o remake de West Side Story e desde então tem sido uma das mais solicitadas atrizes para a Broadway, sem contar sua grande potência vocal. Menos de um ano e meio depois, tivemos a junção do mais belo casal que Nova York viria a ter. Agora, os fãs oram na porta do hospital Santa Fé pela melhoria de Quinn Fabray."

De volta ao estúdio, Jess Mitchel embaralha os papéis e sua expressão é triste.

"O mundo todo ora por ela, Raven, e pedimos que Deus conforte o coração de Rachel neste momento, pois só ele sabe como ela ficaria se perdesse sua alma gêmea. Não vamos deixar de ter esperanças."

***

20:40pm

Rachel se atrapalhou nos sapatos e quase caiu. O camarim agora parecia abafado e sufocante, mas sentia-se orgulhosa da apresentação; casa cheia, publico respeitoso sua voz parecia melhor do que nunca. Ela tirou a maquiagem e o figurino rapidamente, precisava de um banho frio urgente, ou iria derreter naquele calor insuportável. Seu celular vibrou em cima da mesa, era uma mensagem de Quinn: "Estou esperando aqui fora." Ela sorriu para a tela do aparelho e recomeçou seu trabalho de guardar suas coisas, com seu jeito perfeccionista de ser.

O telefone tocou assim que pegou a bolsa e calçou o sapato.

– Sim? — atendeu atrapalhada ao sair pelos bastidores e esbarrar em alguns dançarinos.

– Espero que tenha feito um bom trabalho, ao contrário disso eu vou enforcar você com minhas lindas mãos assim que voltar de viagem. — a voz impaciente de Kurt soou do outro lado.

Ela riu.

– Foi perfeito, Kurt. — parou de falar assim que saiu pelos fundos e recebeu uma rajada de vento e inúmeros flashes no rosto. Ela aproveitou para acenar e sorrir, e assim caminhar em direção ao carro estacionado a sua espera. — Eles definitivamente me amam!

Pode-se ouvir uma risada do outro lado da linha. Um segurança abriu a porta do carro para Rachel, que sorriu agradecida e entrou, a porta bateu e os gritos entusiasmados de fãs foram abafados, e ao lado dela estava uma jovem loira de cabelos curtos e arrepiados que sorria gentil, e sedutoramente.

– É claro que eles te amam, eu sou o seu agente e Brittany tem o melhor grupo de dançarinas do país...

– A estrela sou eu! — disse indignada girando a chave do carro, Quinn tentou beijar-lhe nos lábios, mas Rachel virou o rosto e acabou sendo na face, o olhar da loira mudou para sombria. — Mas, antes que eu me esqueça, mude o horário da sessão de fotos para mais tarde, eu preciso levar Arthur no veterinário...

A pequena saiu com o carro em meio a estrada coberta por neve, e tudo ficou em silencio.

– Nem quando estou de férias a diva me deixa em paz, — reclamou o rapaz. — não se esqueça de que semana que vem você assina com a Chanel.

Rachel sorri orgulhosa para si mesma e em seguida ouve Quinn bufar ao seu lado.

– Não vou me esquecer, chefinho.

– E precisamos marcar uma reunião com Brittany sobre a nova música, acho que precisamos de uma coreografia mais ousada... — a voz de Kurt é cortada quando o celular é bruscamente tirado de suas mãos.

– Hey! — exclamou a pequena irritada.

Quinn a encara nervosa.

– Você não pode ficar longe desse celular por 5 minutos? — acusou jogando-o no banco de trás.

A pequena lançou-lhe um olhar mortal e voltou a atenção para a pista.

– Tudo bem, o que há? — pergunta irônica.

– O que há? — a loira cruza os braços parecendo magoada. — Desde que você se tornou a queridinha da Broadway, nosso tempo reduziu a nada. Será que é crime eu tentar ter um pouco de intimidade com minha esposa?

Rachel abre a boca chocada e engole em seco.

– Em primeiro lugar, Quinn, nós moramos sob o mesmo teto, fazemos sexo 2 vezes ao dia e ainda saímos para jantar todo final de semana...

– Já fazem 4 semanas que não saímos, nosso sexo é bom quando não temos que parar no meio para você atender Kurt, as vezes sinto como se tivéssemos fazendo amor a três. — disparou descruzando os braços. — Ao menos se lembra que dia é hoje?

Olhou esperançosa para Rachel que lança-lhe um olhar de soslaio e permanece calada, de repente o ambiente parece mais frio e todo o calor que a diva sentia a momentos atrás desaparece.

– Nosso aniversário de casamento. — responde a loira com a voz embargada, desviando o olhar para a janela.

Rachel emudece e aperta os dedos no volante. Seus músculos se contraem e seus olhos enchem de lágrimas, ela estava errando outra vez, não estava? Mas, não poderia perder a pose agora, não estava em seu contrato fraquejar, e não era o que Barbra faria.

Certo?

– Olha, Quinn, me desculpe se meu trabalho incomoda tanto assim, mas quando você se tranca em seu escritório para escrever, eu não reclamo.

A loira a olha indignada, ela já não chora mais, mas seu rosto adquire uma coloração avermelhada e uma expressão sombria. A cidade está silenciosa, quase nenhum carro circula pelas ruas e o único som audível é o motor do carro. A tensão entre as duas aumenta totalmente e Rachel não pode deixar de sentir culpa, ver Quinn magoada era como tirar-lhe um pedaço, mas a loira precisava entender que ela estava vivendo o sonho de infância, que estava aproveitando isso cada minuto possível e Rachel sempre deixou claro que seus sonhos eram maiores que qualquer coisa.

O semáforo fecha e por distração Rachel decide parar, mesmo sem nenhum tráfego. O silencio é incomodo e a pequena arrisca olhar para a loira, que parece séria enquanto brinca com a aliança no dedo.

– Eu tenho uma teoria, — começou Quinn quando notou o olhar da pequena em si. — a estrela da Broadway se afoga em seus próprios sonhos, e quando abre os olhos para a realidade, se vê sozinha e a solidão é sua unica companheira.

As mãos de Rachel deslizam automaticamente do volante e tudo acontece em câmera lenta: A pequena gira o corpo para sua esposa em sinal de arrependimento, ela estava pronta para jogar a toalha, pedir perdão, chorar se preciso, só não queria suportar a mágoa de Quinn; mas um som estridente é ouvido e em seguida um dor alucinante lhe atinge.

Lembra-se de ver o rosto ensanguentado de Quinn enquanto o carro gira no ar, suas mãos se tocam, mas por milésimos de segundos; ela tenta gritar, mas a voz não sai. Em seguida sente como se seu coração fosse esmagado e seus pulmões arrancados. Reparou que estavam de cabeça para baixo quando sentiu a pressão na cabeça, naquele momento havia três sensações diferentes: uma dor surda, uma sensação aguda de perfuração e ardência no ombro. Os sentidos de Rachel foram se recuperando aos poucos, e o que a prendia de cair de cabeça no chão era o cinto.

Ouviu um som de pingos caírem e quando olhou com dificuldade para o chão, viu gotas de sangue pingarem de seu próprio corpo. Se esforçou para tirar o cinto, o que parecia impossível já que estava sem forças em suas mãos. Caiu com os braços apoiando a cabeça após soltar-se e com o pé conseguiu quebrar o pedaço da janela do carro que a impedia de sair. Com dificuldade, rastejou-se entre a ferragem e as pontas afiadas até conseguir por a cabeça para fora, girou o corpo e segurou no banco para empurrar o resto do corpo para fora.

A pequena reparou então os cortes horríveis que havia em todo seu corpo, e o sangramento em seu ombro. Não doía tanto, talvez pelo motivo de a adrenalina ainda estar em si.

Lembrou-se de Quinn no instante em que recobrou todo o sentido e sem importar-se com a dor física, rastejou na tentativa de chegar até o outro lado do carro. Rachel observou um caminhão com a gabine enfiada em um poste, não reparou se havia algum corpo, não tinha tempo para isso. Sentiu uma picada forte na mão, e fechou os olhos agonizando quando precisou tirar um caco de vidro que entrara na palma da mão. Conseguiu então chegar até o outro lado, com o impacto, a porta havia sido arrancada e jogada do outro lado da pista. Quinn estava também presa pelo cinto, com um feio arranhão na testa e desmaiada, pois respirava com dificuldade.

– Não, meu amor. Acorda. Acorda! — pediu a pequena desesperada segurando seu rosto caído, beijando seus lábios esperando que ela acordasse.

Mas, não estavam num conto de fadas.

– Quinn? Eu preciso de você. Não se vá, não se vá. Por favor! — disse com a voz embargada. Olhou para os lados pedindo a Deus para que alguém aparecesse, precisava de ajuda, Rachel não conseguiria tirá-la dali sozinha.

Mas não havia ninguém. Nenhuma alma sequer transitava por ali e o que lhe restava?

Esperar.

Rachel então agarrou-se a unica opção que sobrara: segurou a mão mole de Quinn e deitou a cabeça em baixo da loira, enfiando seu pequeno corpo dentro do carro outra vez. Esperaria por ajuda, e não a abandonaria, não dessa vez. Fez o que sempre costumava fazer no colégio. Ficou observando-a, contemplando cada traço de seu rosto e contando as feridas que havia. Aos poucos, a dor física começou a consumi-la tanto que seus olhos tiveram dificuldade de se manterem abertos, e por fim, não insistiu em lutar contra a dor.

– Feliz aniversário de casamento, amor. — disse para Quinn, permitindo-se entrar num profundo sono.

“Eu também tenho uma teoria. Uma teoria sobre momentos. Momentos de impacto."

Momentaneamente Rachel recobrava a consciência, o som da sirene é nítido em sua mente assim como vozes chamando seu nome. Seu corpo permanece imóvel, não consegue enviar informações para o cérebro, e sua audição parece ser o único sentido que ainda funcione. Minutos depois sua mente fica vaga, ouve o som de sua camisa sendo rasgada e agulhas penetram sua pele.

"Minha teoria é que esses momentos, esses flashes de realidade que nos reviram, acabam definindo quem nós somos."

4 anos atrás

O dia está claro demais e o clima permanece quente na pequena cidade de Lima. O vai e vem dos convidados e padrinhos parece enjoar uma pequena noiva que caminha de um lado para outro impaciente com o celular em mãos.

– Admita, Quinn não vem. — diz Santana de seu lugar entediada.

A pequena lança-lhe um olhar preocupado e decide tentar mandar outra mensagem.

"Onde você está?"

Abraça o aparelho com força e espera por uma mensagem de resposta. A porta da sala é aberta e Finn entra com Kurt e Burt.

– Ei, você não pode entrar aqui! — ralhou Tina levantando-se.

– Eu já a vi! — exclama Finn dirigindo-se a noiva aflita. — Faltam 5 minutos, está pronta?

Rachel olhou-o confusa e cabisbaixa. E agora? Algo dentro de si gritava para que ela saísse dali correndo e deixasse todos para trás. E a pequena tinha medo de admitir que essa parte era mais de 70% do seu ser.

– Quinn disse que viria, vamos esperar mais alguns minutos, por favor. — implorou deixando que uma lágrima escorresse.

– É agora ou nunca! — pediu Finn estendendo a mão para ela.

Santana e Brittany trocaram olhares significativos e Leroy acenou para ela em sinal de que estaria tudo bem se ela desistisse.

Mas, ela não desistiu.

Sua pequena mão se encaixou na de Finn e juntos eles caminharam para a porta da igreja, com Tina, Mercedes, Santana, Brittany e Sugar as suas costas. Finn lançou-lhe um ultimo sorriso e beijou-se a testa, para assim então, entrar com sua mãe quando a melodia soou. Rachel aproveitou para olhar para o celular mais uma vez, não havia sinal de Quinn. Kurt tirou o aparelho de sua mão e ajeitou rapidamente a maquiagem, segundos que pareceram eternos passaram quando finalmente a musica de Finn parou. Logo seria a sua vez.

– Rachel! — ouviu o chamado desesperado atrás de si e virou-se automaticamente. — Rachel, não faça isso.

"Esse é um dos meus momentos preferidos:"

Oh, Thinking about all our younger years

(Oh, pensando em todos nossos anos mais jovens)

There was only you and me


(Havia apenas você e eu)



We were young and wild and free



(Nós éramos jovens, selvagens e livres)


Uma Quinn exausta e suada apareceu a poucos metros, Kurt e Mercedes bateram high five.

– Quinn? — chamou a pequena confusa e emocionada.

A loira aproximou-se suspirando pesadamente da pequena e apanhou suas mãos com um olhar firme.

– Quando você me contou sobre casar-se com Finn, esperava que eu dissesse algo diferente, algo que eu nunca tive coragem de admitir para mim mesma. — iniciou olhando rapidamente a sua volta para ter certeza de que apenas as madrinhas e os pais de Rachel ouviam. — Eu tentei impedir o casamento, mas sem ser sincera com você. Dane-se o futuro, foi a primeira desculpa que encontrei para fazer sua cabeça, mas a verdade é que eu morreria se você se casasse com alguém que não fosse eu, Rachel.

Now nothing can take you away from me

(Agora nada pode tirar você de mim)

We've been down that road before

(Nós estivemos naquela estrada antes)

But that's over now

(Mas agora já acabou)

You keep me coming back for more

(Você me faz voltar para mais)

As garotas murmuraram coisas e Hiram começou a chorar de felicidade, Rachel pareceu paralisar quando ouviu aquelas palavras se misturarem a marcha nupcial. Quinn entendeu o que estava acontecendo e decidiu acelerar suas palavras puxando a pequena para mais perto de si.

– Eu sei que é tarde, mas eu imploro que escolha a mim, porque eu estou pronta, Rach. — sorriu entre as lágrimas. — Eu estou pronta para ser sua, e fazer de você minha garota.

O silencio caiu no mesmo instante em que Rachel abriu a boca três vezes seguidas tentando encontrar palavras, palavras que descrevessem o sentimento de felicidade que finalmente a preenchera depois de tantos anos. Sentia-se completa?

Baby you're all that I want

(Meu bem, você é tudo o que eu quero)

When you're lying here in my arms

(Quando você está deitada aqui em meus braços)

I'm finding it hard to believe

(Eu estou achando difícil de acreditar)

We're in heaven

(Nós estamos no paraíso)

– Esse casamento está mais emocionante do que pensei que seria. — murmurou Santana jogando as flores que segurava para longe. — Deixa que eu dirijo.

E assim Rachel se jogou nos braços de Quinn para um rápido abraço e em seguida todas saíram correndo direto para o carro rosa estacionado em frente a igreja, Leroy e Hiram pularam para o outro carro levando a outra parte das madrinhas.

***

O central parque estava gelado agora, a lua havia substituído o sol e as estrelas pareciam mais brilhantes do que de costume. Ou era apenas Quinn que fazia tudo parecer ter mais vida e nitidez. A pequena se aconchegou nos braços da loira, segurando eu café quente, tudo parecia perfeito demais. NYADA, Quinn, o primeiro livro de sua namorada publicado, seus amigos perto de si. Havia outra maneira de ser feliz? Ela não saberia explicar.

And love is all that I need

(E o amor é tudo que eu preciso)

And I found it there in your heart

(E eu achei em seu coração)

Isn't too hard to see?

(Não é muito difícil de ver?)

We're in heaven

(Nós estamos no paraíso)

– Vou precisar fazer uma viagem até São Francisco para acertar a divulgação do livro, acha que ficará bem sem mim? — perguntou Quinn deslizando seus dedos no braço da pequena.

Rachel sorriu.

– Eu gostaria de ir com você, se não fossem os testes para West side story.

Quinn abraçou-a mais forte e beijou-lhe na cabeça.

– Eu sei que você vai conseguir esse papel, ninguém naquele lugar é como você.

A pequena levantou a cabeça admirada e feliz, segurou o rosto da namorada e deu-lhe um caloroso beijo, enquanto acariciava sua nuca. Assim que se separaram, suas testas se uniram e Rachel sussurrou:

Oh Once in your life you find someone

(Oh uma vez na vida você encontra alguém)

Who will turn your world around

(Quem irá fazer seu mundo virar)

Bring you up when you're feeling down

(Te colocar para cima quando você está se sentindo para baixo)

– Eu vou ter você sempre comigo.

– Eu sei. — disse a loira bagunçando a franja da pequena e se afastando para pegar algo dentro de seu casaco. — Foi pensando nesse caso que decidi fazer isso.

Rachel analisou o papel atentamente e não pode deixar de rir e chorar ao mesmo tempo em que seus olhos percorreram aquela folha.

– Deu meu nome a uma estrela?! — não soube se saiu como um gemido ou como um grito de alegria, lembra-se apenas de ver Quinn gargalhar de sua expressão.

***

Yeah Nothing could change what you mean to me

(É, Nada pode mudar o que você significa para mim)

Oh there's lots that I could say

(Oh, há muitas coisas que eu poderia dizer)

But just hold me now

(Mas só me abrace agora)

Cause our love will light the way

(Porque o nosso amor irá iluminar o caminho)

Rachel estava sentada em sua cama de hospital, a cabeça ainda latejava um pouco e seu ombro esquerdo todo estava enfaixado. Acordara a poucas horas e ainda sentia-se sonolenta analisando a aliança e implorando a Deus que Quinn estivesse bem. O médico entrou no quarto trazendo alguns papéis consigo, a pequena pedira a ele que desse noticias de Quinn.

– A tomografia de Quinn revelou hemorragia intracraniana, mantem os pacientes com traumatismo craniano em coma induzido de proposito para que isso acalme o sistema nervoso enquanto o inchaço diminui. E depois lentamente os trás de volta...

"Cada um de nós acaba sendo a soma de todos os momentos que tivemos e de todas as pessoas que já conhecemos. "

Entrou no quarto com o coração tão apertado quanto no dia em que o sentiu quase ser esmagado. Quinn estava inconsciente ligada a fios, e nada poderia torturá-la mais do que ver sua esposa com tantos machucados pelo corpo. Estava irreconhecível, por um momento Rachel pensou ser a mulher de outra pessoa deitada naquela maca, mas nunca deixaria de reconhecer aquela que fez dos seus dias os melhores que já viveu.

And love is all that I need

(E o amor é tudo que eu preciso)

And I found it there in your heart

(E eu achei em seu coração)

Isn't too hard to see?

(Não é muito difícil de ver?)

We're in heaven

(Nós estamos no paraíso)

"São esses momentos que fazem a nossa história, como nossas músicas favoritas que nos trazem lembranças, e tocamos várias e várias vezes em nossa mente."

***

Sucesso! Era isso o que sua estréia na Broadway tinha sido, com todas aquelas pessoas aplaudindo-a de pé e paparazzis pedindo por fotos. Estava vivendo o sonho americano. Sim, Rachel era agora uma Diva, ela era famosa, e as pessoas a amavam. Inclusive Quinn que assobiava na platéia e pulava como uma louca de felicidade.

– Você conseguiu, — gritou Kurt pulando em seu colo quando finalmente estavam no camarim. — é a minha mais nova ídola.

Brittany, Santana e Kurt moravam com ela e estavam mais do que acostumados com esse tipo de intimidade. Quinn passou por eles com um brilho indecifrável nos olhos e deu um rápido selinho na pequena, para assim dar um sorriso caloroso e dizer:

– Eu estou orgulhosa de você.

Oh Once in your life you find someone

(Oh uma vez na vida você encontra alguém)

Who will turn your world around

(Quem irá fazer seu mundo virar)

Bring you up when you're feeling down

(Te colocar para cima quando você está se sentindo para baixo)

Nada era como as palavras de Quinn para ela, pois ter o orgulho de sua amada transformava o mundo mais perfeito do que ele já era, tudo era como num conto de fadas.

– Quer morar conosco? — perguntou a pequena diva automaticamente.

Quinn ergueu uma sobrancelha e Santana engasgou.

– Espera, o que?

***

Quinn suspirou pesadamente e abafou um riso. Ela tirou um cardápio de trás do buque contendo seus votos, Mercedes, Tina, Santana, Brittany, Kurt, Puck, Sugar e Sam estavam logo atrás, enquanto Mike estava a frente de Rachel e Quinn como o padre. A loira respirou mais uma vez e começou:

– Eu me comprometo a ajudá-la a amar a vida, a sempre abraçá-la com ternura, e ter a paciência que o amor exige. — uma lágrima escapou nesse momento, e ela abaixou a cabeça. Rachel segurou seu queixo e a fez encará-la, então continuou: — Para falar quando palavras forem necessárias, e compartilhar o silêncio quando não forem. E viver no calor do seu coração, e sempre chamar de lar.

I've been waiting for so long

(Eu estive esperando por tanto tempo)

For something to arrive

(Para algo chegar)

For love to come along

(Por amor para vir)

Rachel deixou um riso irônico escapar.

– Fez seus votos em um cardápio? — os outros sorriram e Quinn enrubesceu. — Porque eu também fiz. — Tina entregou o cardápio para ela e houve mais risadas. Rachel pigarreou e começou: — Eu me comprometo a amá-la seriamente, em todas suas formas. Agora e para sempre. Prometo que nunca vou esquecer que esse é um amor para toda a vida. — um sorriso tímido plantou no rosto de Quinn, foi o gás que Rachel precisou para continuar: — E sempre sabendo na parte mais profunda da minha alma, que não importa que desafios venham a nos separar, sempre encontraremos um caminho de volta para a outra.

Agora as duas choravam emocionadas e apaixonadas. Estavam frente a frente ao amor de suas vidas, e não tinham duvidas de que queriam passar o resto de suas vidas ao lado uma da outra.

– Aceitam suportar uma a outra para sempre? — perguntou Mike sorridente.

– Aceito. — disse Rachel.

– Aceito. — disse Quinn.

– E pelo poder que eu não tenho, mas vamos fingir que sim, eu...

Now our dreams are coming true

(Agora nossos sonhos estão se tornando realidade)

Through the good times and the bad

(Através dos tempos bons e os maus)

Yeah I'll be standing there by you

(Sim, eu estarei lá por você)

Todos ouviram a porta se abrir e viraram assustadas. Sue olhou confusa e desconfiada para a cena e exclamou:

– Hey!

– Eu as declaro casadas, agora corram! — gritou Mike largando o papel que segurava, Quinn e Rachel deram as mãos e saíram correndo atrás dos amigos da quadra do WMHS. Santana e Brittany correram gritando em excitação, Mercedes estava sendo puxada por Puck e Sam, Tina e Mike corriam mais atrás dos outros, e Kurt e Sugar corriam dando pulinhos.

Ao sair do colégio eles todos gritaram sorridentes achando graça de toda a situação, Rachel puxou Quinn para um campo e as duas beijaram-se como se fosse a primeira vez.

***

Quinn já estava trancada naquele escritório a mais de sete horas, e o máximo que tinha comido era um pedaço de lanche natural e suco. Sua cabeça não conseguia reproduzir algo criativo para aquele final, depois do sucesso do primeiro e do segundo livro, do que ela precisava era terminar o terceiro para ter seu mundo completo. Aquela história fazia parte dela de alguma forma, e agora sentir-se impotente ao final, sem conseguir criar nada novo, ou o certo para a historia, era totalmente frustrante para a loira.

And love is all that I need

(E o amor é tudo que eu preciso)

And I found it there in your heart

(E eu achei em seu coração)

Isn't too hard to see?

(Não é muito difícil de ver?)

We're in heaven

(Nós estamos no paraíso)

– Está ocupada? — a porta se entreabriu e revelou a cabeça da pequena. Quinn deu-lhe um meio sorriso e empurrou o notebook para longe. Rachel entendeu o recado e entrou com uma bandeja de bolachas e dois copos de leite. — Já está tarde, então pensei que poderia estar com fome.

– Como você sempre sabe das coisas? — perguntou a loira fingindo indignação. Rachel sorriu e deixou a bandeja em cima da mesa, para sentar-se em seu colo.

– Porque eu amo você. — aplicou-lhe um selinho demorado e encostou suas cabeças para olhar a tela do notebook. — Ainda não conseguiu um final?

Quinn resmungou e negou com a cabeça.

– Sinto como se toda a ideia que eu tinha tivesse sido tirada de mim. — coçou os olhos infantilmente, ato que Rachel achou extremamente fofo.

Oh Once in your life you find someone

(Oh uma vez na vida você encontra alguém)

Who will turn your world around

(Quem irá fazer seu mundo virar)

Bring you up when you're feeling down

(Te colocar para cima quando você está se sentindo para baixo)

– Awn, amor, não fique assim. — bagunçou os cabelos rebeldes da namorada e a encheu de beijinhos. — Não deve estar tão ruim assim, — puxou o notebook mais para perto para poder analisar, sua expressão mudou para total confusão. — Essas posições sexuais podem servir para alguma coisa no final, tal como esses brinquedos eróticos que talvez possam ter algum tipo de poção contra demônios...

Quinn se afastou da pequena para olhá-la nos olhos, estavam brilhantes e constrangidos pelo que acabara de ler.

– Você me ama mesmo, não é? — Rachel confirmou com a cabeça. — Porque esse é o conto erótico que Santana acabou de me enviar sobre ela e Brittany.

Heaven...

(Paraíso...)

Oh

You're all that I want

(Você é tudo que eu quero)

You're all that I need

(Você é tudo que eu preciso)

Rachel enrubeceu mais que o normal e balançou a cabeça fazendo um bico engraçado. Quinn não aguentou segurar o riso e então gargalhou segurando na cintura da pequena para que ela não caísse, mas foi impossível conter o movimento e as duas foram parar no chão, Rachel também ria agora por baixo da loira. Quando o riso cessou, elas se olharam intensamente e Quinn começou um beijo lento e carinhoso, suas mãos deslizaram pela lateral do corpo da pequena e se infiltraram dentro da blusa. Rachel suspirou e empurrou Quinn para poder tirar sua blusa, num ato mais desespero as duas retiraram todas as roupas e Rachel inverteu as posições dos corpos, para assim, começar um passeio com a língua pelo copo da loira arrancando suspiros.

"Um momento físico, mental, e de todos os outros tipos de amor. "

***

Os aparelhos já tinham sido retirados e agora Quinn apenas dormia, já haviam se passado 4 dias desde o acidente, Rachel saia do hospital apenas para tomar banho em casa. Evitava ao máximo a imprensa e sentia-se exausta. Santana, Brittany, Kurt, Tina, Mike e Puck passavam a maior parte de seu tempo também para apoiar a diva. Mercedes cancelou a turnê que faria pela Europa para viajar de volta a New York junto de Sam. Agora, ao lado do médico, Rachel presenciava Quinn remexer-se incomodada e gemer de dor, aos poucos ela abriu os olhos e piscou diversas vezes até acostumar-se com a luz do hospital.

Rachel ficou tensa e olhou para o médico.

– Quinn? — chamou o médico analisando-a. — Está tudo bem, está no hospital porque sofreu um acidente de carro e bateu a cabeça. — Quinn começou a olhar para as mãos ainda machucadas e os arranhões nos braços. — Você esteve dormindo por um tempo.

– Como se sente? — perguntou Rachel rápido, e feliz por ver aqueles olhos verdes abertos outra vez.

Quinn a olhou pela primeira vez e uma ruga em sua testa se formou, mas ela respondeu:

– Minhas mãos doem.

Rachel olhou rapidamente para o médico que sorriu gentil.

– Isso é normal, vou pegar um medicamento. — deu um tapinha no ombro de Rachel e virou as costas para sair.

– O que você está fazendo aqui? — o médico se virou para a pergunta de Quinn, mas ao contrário do que ele esperava, ela se dirigia a Rachel.

Foi como uma mangueira sendo enfiada pela garganta da pequena e tirando todo o seu ar. Seu emocional desmontou e seu mundo caiu. Rachel olhou desesperada para o médico pedindo ajuda, mas ele também parecia confuso.

– Quinn... — disse Rachel num murmurio fraco. — Você sabe quem eu sou, não sabe?

– Sei. — respondeu a loira fraca. — E por isso que não entendo, nós nos odiamos.

Rachel cerrou o punho com tamanho sofrimento dentro de si, suas pernas a levaram para o lado de sua esposa que a olhava sem aquele famoso brilho nos olhos.

– Nós, Quinn...Nós... — sua voz falhou e Quinn fez cara feia. — Nós estamos casadas.

Quinn pareceu entrar em estado de choque, seus olhos cresceram três vezes mais e seu corpo se contraiu.

– Quinn... — Chamou Rachel pela terceira vez tentando segurar o braço da loira, que afastou-se com repugnância, o que feriu mais ainda a pequena.

A loira levantou a mão com o anel e de repente estava tremendo e vermelha, ela sequer levantou os olhos para a pequena, entrou em total estado de torpor. O medico tentou falar com Rachel, mas a pequena já tinha levantado feroz e saído do quarto com violência.

– Senhorita Berry, o cérebro não é como um corte ou um braço quebrado, ele é totalmente imprevisível. As vezes com a forma que o tecido incha pressiona o cranio e isso pode causar alguma lesão.

Rachel parou no mesmo instante de andar pelo corredor e gritou:

– Alguma lesão? — vários médicos a olharam assustados, mas ela não se importou. — Ela sequer lembra de mim!

– O inchaço pode causar confusão ou perda de memoria, eu juro que isso é normal.

Mas, a pequena diva não deu atenção e correu para longe daquele homem. Ele mentiu para ela, e agora o amor de sua vida não se lembrava dela, não se lembrava dos momentos que viveram, Quinn já não era mais a mesma e pensar que todas as caricias e demonstrações de amor tenham sido apagaram de sua memoria, era como jogá-la de um precipício.

Correu até suas pernas cansarem e apoiou o corpo em uma máquina de refrigerante. Cansada, deixou seu corpo escorregar até o chão e o sentimento triste a invadir.

"Mas, e se um dia você não lembrasse mais de nenhum desses momentos?"