Para Sempre Faberry
2 Do you love me?
Notas iniciais
A cabeça de Quinn ainda doía e seu corpo estava dolorido. O hospital parecia muito menos barulhento agora, seis horas depois que acordou, e o dia parecia mais frio do que de costume. Sua mente parecia uma panela de pressão, confusa e o choque de realidade assustador. Seu médico a aconselhou a relaxar e não pensar sobre as informações que recebera, e assim que a psicóloga chegasse, ela poderia começar a trabalhar seu emocional. Mas, aparentemente, ela havia perdido 6 anos de sua vida, e sua respiração se alterava só de abaixar os olhos para a aliança brilhante em seu dedo que parecia convidá-la para conhecer seu presente. Um presente que ela não queria, e que nunca imaginou.
A porta do quarto entreabriu a Santana adentrou com um sorriso caloroso nos lábios.
– Como vai a bela adormecida? — perguntou irônica observando um dos médicos que trocavam o soro da loira sair. — Ainda lembra de mim, não é?
Quinn experimentou um meio sorriso aliviado, finalmente uma pessoa de seu círculo intimo. E, espere, como a latina estava diferente! Mais corpulenta, e o cabelo até o meio das costas, sem contar a vestimenta de grife.
– É bom ver você, San. — disse sincera estendendo a mão para a latina que a segurou e sentou na cama. — Tudo está assustador demais.
O sorriso de Santana morreu e ela abaixou a cabeça, Quinn franziu o cenho; Santana nunca foi de demonstrar sentimentos, nem mesmo com ela, e agora via sua amiga chorar por sua causa?
– Acho que não é só para você que as coisas estão assustadoras. — explicou lançando um olhar significativo. Quinn sentiu enjoo e fechou a boca numa tentativa de não vomitar.
Não era só o fato de estar casada com sua inimiga, uma mulher, que a assustava, mas também o fato de não saber quem era mais. Ela tinha um emprego? Amigos? Seus pais ainda estavam vivos? E o que aconteceu com Beth? Ela tinha ao menos uma casa? Eram tantas perguntas que ela mesma perdia-se em tentar adivinhá-las.
Santana era sua salvação.
– Acha que pode responder as minhas perguntas? — perguntou baixo, com vergonha. A latina olhou-a compreensiva, ela sabia que uma psicóloga estava vindo para consultar Quinn, mas a loira confiava apenas nela para receber informações tão pesadas como aquelas. Então respirou fundo, olhou para os lados para ter certeza de que estavam sozinhas e balançou a cabeça. Quinn também respirou fundo, pareceu mentalizar as perguntas e começou: — Como foi o colégio? Digo, eu me lembro que Shelby adotou Beth, e Puck e eu estávamos juntos...
– Você o que? — gritou Santana tapando a boca com tamanha surpresa e olhos arregalados. Quinn sentiu uma forte pontada na cabeça pelo grito e fechou os olhos gemendo. — Desculpe, desculpe...É que isso faz tanto tempo...
Conforme sua voz morreu, Quinn abriu os olhos. Algo dentro de si dizia que Shelby tinha ido buscar Beth ainda ontem, e era essa sua última memória.
– Bom... — recomeçou a latina vasculhando suas lembranças. — Você ficou algum tempo com Puck, então o namoro de vocês terminou. — a loira corou. — Você namorou Sam Evans por algum tempo, mas também não durou muito. Fomos para Nova York competir, mas perdemos porque Berry e Finnbecil beijaram-se no palco. No quarto ano você investiu em ser skank, sim, eu sei, loucura. — acrescentou quando viu a boca de Quinn abrir. — Puck conseguiu convence-la a voltar ao normal para que ficassem próximos a Beth, e você tentou roubá-la de Shelby...Mas, Berry a impediu.
– Tudo bem, Santana, já chega! — exclamou desviando os olhos e respirando com dificuldade, nunca pensou que tanas informações a fariam ter vontade de morrer. — Vá embora, por favor. — pediu virando as costas para a amiga. Apenas sentiu quando ela levantou e ouviu a porta bater.
***
Rachel não voltou para casa após Quinn acordar, ela queria estar perto quando a loira precisasse dela, ou se lembrasse. Ao menos era isso o que ela queria, que Quinn sorrisse e dissesse que era mais uma de suas brincadeiras, então elas poderiam voltar para casa e voltar a rotina normal. Os paparazzi, TV e fãs não saiam da porta do hospital, Rachel precisou admitir que isso já estava irritando e tirando sua privacidade, além do cansaço mental.
Sentada no sofá da sala de espera com os olhos inchados e olheiras, viu quando uma psicóloga entrou acompanhada de um segurança, a pequena levantou num pulo e seguiu os dois até o ultimo andar sentindo o corpo pesado, mas não se importou, queria estar lá quando Quinn fosse consultada.
– Senhora, eu... — a pequena começou, mas assim que a porta do quarto foi aberta, as palavras desapareceram.
Ao lado da cama de Quinn, estavam Russell e Judy Fabray, com expressões forçadas e o olhar ganancioso de sempre nos olhos. A loira se retraiu ai ver Rachel, e os Fabray rapidamente fecharam as expressões enquanto a psicóloga parecia confusa.
– Essa é Rachel Berry, a esposa. — anunciou o médico para a psicóloga que balançou a cabeça em concordância e fez sinal para que o segurança a esperasse do lado de fora do quarto.
Russell aproximou-se de Rachel com os olhos cerrados, a pequena não recuou:
– E é claro que tudo isso só poderia ser culpa de uma Berry, da escória que carrega e que levou minha filha junto! — sussurrou para que ninguém mais escutasse. — E ainda sim, precisei descobrir que Quinnie estava em coma pela TV.
O médico segurou Rachel pelo braço e a fez caminhar até o outro lado da cama de Quinn para que uma discussão não ocorresse, mas já era tarde. Rachel soltou-se dos braços do médico e lançou um olhar acusador a Russell e Judy:
– Me desculpe, mas não é como se Quinn falasse com vocês a mais se seis anos.
– O que? — foi Quinn quem disse. — Mamãe, o que ela está dizendo?
Judy olhou desesperada do marido para a filha e corou violentamente
– Não é nada que tenhamos que nos preocupar agora, querida, sua psicóloga está aqui para ajudá-la.
Rachel se manteve fora do assunto ainda sem tirar os olhos de Russell, devolvia todo o ódio. A psicóloga aproximou-se de Quinn com um olhar familiar e esperou alguns segundos até o olhar da loira suavizar-se.
– Nós poderíamos começar com os fatos que constituíram seu futuro a partir de sua ultima memória, Quinn, mas mudei de ideia. — olhou para o doutor que franziu o cenho. — Acho que quanto antes você voltar a sua rotina, melhor. Então daqui a algumas semanas vou marcar terapia para que eu possa ajudá-la com o que você estiver tendo dificuldade.
Russell segurou o ombro da psicóloga:
– Eu vou pagar os melhores especialistas do país, — depois direcionou a Quinn. — você pode ficar no seu antigo quarto, Frannie vai adorar ver você...
Rachel pigarreou nervosa.
– Com todo respeito, mas Quinn e eu estamos casadas, essa é a rotina normal dela. — esperou que Quinn dissesse algo, mas a loira empalideceu e permaneceu de cabeça baixa, parecia envergonhada.
– Ela não se lembra de uma vida com você, Berry. — disparou Russell.
– Ela vai lembrar! — afirmou Rachel segurou a grade da cama com força.
Quinn parecia a assistir a discussão como uma partida de ping pong e sua cabeça doía. Estava com vergonha dos pais, não queria que eles sentissem nojo dela por ter se casado com uma mulher quando nem ela mesma sabia o motivo. Mas, também não poderia abandonar seis anos de sua vida sem nem ao menos descobrir o porque, e por mais que estivesse assustada, precisava fazer o certo naquele momento.
– Eu vou com ela! — exclamou mais alto que Rachel e Russell. O quarto silenciou-se e todos os olhares dirigiram-se a ela. A pequena sorriu vitoriosa e o homem abriu a boca chocado. — Me perdoe mamãe, papai, mas por algum motivo eu me casei com ela, e eu quero descobrir, pelo menos por enquanto. — sentou-se na cama sem esforço e segurou a mão de Judy: — Se me arrepender, eu prometo, eu volto para casa.
– Isso é um erro, Quinn. — disse Judy suplicante.
Rachel cortou impaciente:
– Eu vou cuidar dela!
– Como cuidou na noite do acidente? — interferiu Russell, mas
Rachel não deu ouvidos.
– Quinn? — chamou esperando que a loira a olhasse, mas isso não aconteceu, o olhar de Quinn continuou baixo ainda que estivesse ouvindo. — Vamos para casa, podemos resolver isso juntas.
Silencio. Todos no quarto aguardavam ansiosamente a decisão de uma loira mergulhada em sua própria confusão. Ela deitou a cabeça nas mãos e suspirou.
– Eu acho que posso tentar. — disse baixo, Judy virou as costas e Russell saiu do quarto furiosamente.
***
O resto da semana foi sufocante, Quinn passou por uma bateria de exames, desde radiografia, até fisioterapia e a loira podia jurar que sentia-se melhor. O acidente havia completado um mês, Rachel a visitava todos os dias, mas nunca conversavam, Quinn recusava-se a vê-la por ora e o médico aconselhou a pequena a manter distancia, pois as duas precisavam descansar. Kurt conseguia manter os jornalistas afastados e passava apenas informações necessárias como "Quinn está tendo uma melhora incrível". Rachel teve uma melhora rápida e já sentia-se pronta para recomeçar.
Quando finalmente chegou o dia de voltar para casa, Rachel solicitou 20 seguranças, já que a noticia da alta da escritora tinha vazado e agora a porta do hospital estava abarrotada de pessoas desesperadas gritando seu nome. A loira não fazia ideia do que estava acontecendo, e quase agrediu um dos seguranças quando ele a tocou. Seu médico disse que era melhor Rachel explicar, mas vendo assim tantas pessoas do lado de fora gritando seu nome, podia ter uma ideia de que era alguém importante. Então respirou fundo quando viu Rachel sair escoltada por 10 homens enormes em meio a multidão, e em seguida fechou os olhos e deixou-se ser guiada. Gritos, histeria, seu nome sendo chamado a todo momento. Pessoas tocando-a como se fosse valiosa, e sua cabeça latejando com tanto alvoroço. Sentiu tontura por um momento até ser colocada dentro de uma limusine e a gritaria ser abafada.
Quando abriu os olhos, apenas Rachel a encarava de frente com uma expressão intrigada e preocupada.
– Estes são os mais apaixonados. — explicou com um pequeno sorriso que Quinn não correspondeu.
Olhou para o vidro quando a limusine saiu e observou centenas de pessoas desaparecerem no horizonte.
– O que eu sou? — perguntou sem direcionar o olhar para a pequena, começou a brincar com as próprias mãos.
– Bom, você é a escritora mais bem sucedida do país, e sua trilogia está entre as 10 mais lidas do mundo. — contou Rachel animada.
O olhar de Quinn levantou com um brilho alegre e por um segundo Rachel teve o vislumbre de sua antiga garota, até o olhar da loira cair novamente.
– Eu tenho uma trilogia? — tentou conter a animação na voz, a pequena riu.
– Sim, chama-se Sol da meia noite. — esperou Quinn processar o nome. — Conta a história de uma caçadora chamada Jenny Curtis, que vive uma vida monótona de caça ao lado de seu parceiro John Tyler, até os dois serem chamados para resolver uma série de crimes em Los Angeles e lá ela se apaixonar pela detetive Ana Carlin que é noiva do parceiro de trabalho. Juntos eles descobrem sobre o passado de Jenny e no fim do primeiro livro é revelado que na verdade ela é um anjo que perdeu a graça e renasceu entre os humanos. E, ah, Ana na verdade era uma súcubo que foi mandada para o mundo dos humanos para matar Jenny, mas acabou se apaixonando e quando não teve coragem de entregá-la, foi arrastada para o inferno.
Os olhos de Quinn percorreram as mãos de Rachel e vez ou outra saltavam direto para os castanhos da pequena. Podia-se sentir a excitação da loira ao saber que ela tinha criado tudo aquilo, não poderia estar mais satisfeita com sua vida profissional, por mais que achasse estranho seu pai aceitar o fato dela seguir o sonho que ele tanto desprezou.
– E nos outros dois? — perguntou tamborilando o dedo no vidro.
Rachel fez sinal com o dedo para a loira e remexeu no banco da frente da limusine onde o motorista dirigia. De lá, tirou uma pasta e entregou a Quinn que não entendeu de incio, mas quando abriu, seu coração disparou. Eram seus dois livros, ambos com seu nome em destaque, aquilo só poderia ser um sonho, seu sonho, o mais lindo que sempre imaginou viver.
– No segundo livro, Jenny está vivendo com John no Brasil em uma fazenda, então Ana aparece em meio a plantação e eles descobrem que Lúcifer enviou a parte sem memoria de Ana para a terra. — Rachel deu uma pausa ao se dar conta do que havia dito, Quinn finalmente pousou seus olhos nos da pequena em sinal para que ela continuasse. — Então eles voltam para Los Angeles afim de ajudar Ana, é onde encontram uma vampira que também é um anjo que perdeu a graça e que Miguel deu como castigo o desejo por sangue. Jenny e Emily se odeiam, mas se juntam para destruir Miguel e Lúcifer que uniram forças contra a terra para um apocalipse. No fim, Jenny faz um pacto com Lúcifer para que ele salve Ana de um acidente, em troca ela seria levada para o inferno. Mas, ele não cumpre o trato, sendo assim é Deus quem a salva. Jenny segue seu caminho longe de todos porque não quer que ninguém a veja quando for levada
– Nossa! — exclamou Quinn folheando o segundo livro com adoração, parecia uma criança. Rachel sorria bobamente. — E o terceiro?
– Na verdade eu não sei bem, você me contou que John e Emily se unem para descer com inferno, Ana também ajuda. Emily começa a ter problemas com uma repórter a arrasta junto na busca, até que John e Ana começam a ter sentimentos um pelo outro. Emily é ferida e a repórter a salva, e quando eles finalmente conseguem resgatar Jenny....
Deixou a fala morrer e Quinn ajeitou-se no banco desesperada.
– O que?! — pediu aflita. Rachel balançou a cabeça e ergueu as mãos.
– Eu não sei, você estava tendo dificuldades em escrever um destino certo para Jenny.
O corpo da loira bateu contra o banco em descontentamento. Quando finalmente pensou que sua vida profissional estava completa, descobre que na verdade não sabia que final dar a história. Sua própria história. Rachel a olhava generosa, mas quando finalmente saiu de um mundinho particular, deu-se conta de que estava frente a frente de sua esposa, e que a unica coisa de que se lembrava era de odiá-la. Então abaixou a cabeça mais uma vez e suspirou,
– O que você faz? — perguntou mais retraída, então Rachel percebeu a mudança e respondeu rapidamente:
– Atualmente sou uma das queridinhas da Broadway, como costumam dizer.
Quinn forçou um sorriso, mas saiu como uma careta.
– Conseguiu o que queria. — comentou.
A limusine parou e segundos depois a porta foi aberta. O motorista estendeu a mão para Quinn e a ajudou a sair, seus olhos foram tomados por uma casa, não, uma mansão. Chegou a conclusão de que era sua casa, e não conseguiu manter a boca fechada.
– Vejo que Kurt conseguiu enganar a todos com a noticia falsa de que iriamos para a casa de Santana. — disse Rachel passando por Quinn. A loira franziu o cenho. — Ele é meu agente.
Passaram por um enorme gramado com 3 piscinas e um lindo jardim. Um velho que parecia ser o jardineiro sorriu para a loira e lançou-lhe um olá, que foi retribuído timidamente.
– Este é o jardim onde você costuma ficar quando da uma pausa da escrita, — explicou Rachel. — diz que consegue ver as estrelas melhor daqui.
Continuaram pelo caminho até passarem pelo que parecia ser uma garagem com 2 limusines estacionadas do lado de fora, 1 Mercedes, 2 ferrari e 1 moto.
– Você e sua coleção de carros. — comentou a pequena. Quinn erguei uma sobrancelha ao descobrir seu novo hobby. Precisava confessar que sempre achou carros fascinante, mas seu pai dizia que era coisa de homens.
Uma enorme porta de vidro foi aberta por duas mulheres uniformizadas que Quinn deduziu serem as empregadas, elas sorriram e abriram passagem. Quinn quase perdeu-se na cozinha pelo tamanho, e mal teve tempo de processar aquilo quando ouviu um estrondo e cerca de 15 pessoas pularam a sua frente com confetes e garrafas de cerveja. Santana e Brittany estavam entre elas, oh, aqueles eram Mercedes e Sam? Juntos?
Quem é aquele cara abraçado com Kurt? Tina e Mike namoram?
Pensou ter visto Artie, mas pessoas começaram a abraçá-la e de repente sua cabeça girou. Tirando o pessoal do Glee Club de que se lembrava, todos os outros eram desconhecidos e a abraçavam como se fossem velhos amigos. Sentiu enjoo e cambaleou para trás, foi mais uma vez agarrada e essa pessoa usava um perfume forte demais que fez o estomago de Quinn se contorcer.
Quando a quinta pessoa tentou abraçá-la, a cabeça da loira explodiu e ela a empurrou com força e saiu correndo pelo corredor sem saber aonde daria. Sua visão começou a ficar turva e as vozes das pessoas ainda ecoavam em sua cabeça. Correu o máximo que pode até abrir uma porta dupla e respirar profundamente. Começou a contar, como o médico aconselhara, e cerrou o punho com força para que a raiva passasse. Quando finalmente abriu os olhos, sentiu-se paralisada. Aquilo parecia um estúdio, e pela decoração, tinha certeza de que era de Rachel. A decoração era toda com estrelas, e no canto direito havia uma estante com inúmeras estatuetas e prêmios, no outro canto da parede tinham fotos de Rachel com Kurt, Rachel com Mercedes, e, espere, Rachel apertando a mão de Obama?
No meio do estúdio tinham dois violões, várias tripés e papéis espalhados que provavelmente eram suas musicas. A porta do estúdio foi aberta e uma pequena assustada entrou por ela.
– Você está bem?
A fúria de Quinn voltou no mesmo instante e empurrou us dos tripés com força.
– O que é aquilo? Pessoas que eu nunca vi na minha vida me abraçando e dizendo que sentiram minha falta? — seus olhos encheram de lágrimas. — É assim que eu devo melhorar? Talvez minha mãe tivesse razão, eu não deveria ter vindo para cá!
Rachel piscou algumas vezes e sua boca abriu e fechou. Não tinha o que dizer, Quinn estava certa em acusá-la, deixar todas aquelas pessoas entrarem em sua casa e assustá-la assim logo em seu primeiro dia não era a maneira certa de começar. Mas, as lágrimas que agora desciam de seus olhos eram pelo simples fato de Quinn nunca ter gritado com ela antes. Nunca, em todo o tempo em que estiveram juntas, ouviu palavras que a machucassem, e aquele olhar que a loira lhe lançava neste exato momento, era o olhar de uma desconhecida.
– Me desculpe... — pediu enxugando as próprias lágrimas, Quinn manteve-se parada encarando-a. — Nosso quarto é o primeiro do corredor a esquerda, eu vou dormir no quarto de hóspedes.
E assim, abaixou a cabeça a saiu silenciosa pela porta. Assim que saiu, o choro de Quinn recomeçou e ela apoiou-se em um banco, sentia-se tão sozinha e desconhecida, sentia tanta raiva dentro de si. Olhou mais uma vez pelo estúdio e viu uma foto das duas, onde Quinn segurava um enorme urso e ria com a boca aberta cheia de algodão doce, Rachel a abraçava por trás fazendo bico para o rosto da loira. Quinn relutou contra as lágrimas e segurou o porta retrato, passou o dedo pelo rosto da pequena na foto.
Aquilo era tão fofo.
Largou a foto no chão quando pela segunda vez se deu conta de que era Rachel Berry. Então sem olhar para trás, saiu do estúdio em direção ao quarto. Não o analisou, não estava com cabeça para aquilo, apenas se jogou na primeira cama de casal que viu que fechou os olhos não proibindo suas lágrimas de descerem novamente.
***
Rachel abriu os olhos com dificuldade, seu corpo todo estava dolorido pela cama estranha que ela nem mesmo sabia que existia naquela casa, pois como sempre, Quinn era quem cuidava das coisas. Por um momento pensou que talvez não passasse mais de duas horas em casa para prestar atenção em pequenas coisas, como em sua mulher, ma afastou esses pensamentos sentindo-se uma vadia sem alma.
Piscou algumas vezes deixando que seus olhos se acostumassem com a luz e levantou para tomar um banho gelado. Já tinha avisado toda a imprensa que não voltaria tão cedo para os palcos, então teria o dia livre para descansar e acompanhar Quinn. Desceu as escadas e saudou uma das empregadas com um sorriso, em seguida entrou na cozinha para o café da manhã e se deparou com uma loira toda descabelada vestindo uma de suas camisas largas de pintura, comendo torradas toda atrapalhada.
– Hey, bom dia. — cumprimentou a pequena mostrando indiferença. A cozinheira tratou de servir o prato dela e sair do comodo.
– Bom dia. — cumprimentou Quinn sem olhá-la e sem animação na voz. Deu outra mordida na torrada e apertou a mão nervosamente.
Rachel deu a volta no balcão e sentou-se atenta, serviu-se de suco e observou a loira a sua frente tentar passar manteiga na torrada, mas seu dedo médio estava enfaixado e isso dificultou.
– Aqui, eu te ajudo. — ofereceu Rachel tomando a faca das mãos da outra e passando a manteiga para ela.
Quinn corou e recuou um pouco ainda de cabeça baixa, decidiu brincar com os dedos enquanto esperava sua torrada.
– Obrigada. — agradeceu de mal gosto. Rachel apenas concordou com a cabeça e encheu a boca com suas torradas. Então...O que eu faço agora?
Houve um silencio no qual Rachel parou para pensar. O que Quinn costumava fazer? Ela não sabia. Geralmente a diva acordava antes dela e voltava apenas a noite, na maioria das vezes quando a loira já estava deitada. Sentiu-se culpada e se atrapalhou com a faca.
– Acho que você vai para o jardim, ou escreve...
Uma ruga se formou na testa de Quinn e ela olhou desconfiada.
– Você não sabe o que eu faço? — perguntou em choque espalmando as mãos para que os farelos saíssem, Rachel contraiu o corpo e abaixou a mão no balcão.
– Eu passo muitas horas nos ensaios... — tentou defender-se, mas Quinn já tinha encontrado seu ponto fraco.
– Está me dizendo que além de ter se casado comigo, mal sabe nem o que gosto de fazer? — acusou com o mesmo brilho maléfico do colégio, que a tanto tempo Rachel não via, nos olhos.
Houve uma batida na porta da frente e uma conversa alta, Rachel pensou que pudesse ser algum visitante e sentiu-se pior ainda por ter que fazer Quinn passar por aquilo outra vez. Quando experimentou olhá-la, Quinn a encarava estática e talvez magoada?
– Me desculpe. — foi a unica coisa capaz de dizer.
A loira balançou a cabeça parecendo não acreditar no que estava ouvindo e levantou-se.
– Você foi o pior erro que eu poderia ter cometido, Berry. — disse saindo da cozinha com passos pesados.
Rachel sentiu seu mundo desmanchar e sua respirar falhar. Sentiu as lágrimas descerem e o ódio de si mesma aumentar. Como podia ser tão estúpida? Agora o peso da solidão e Quinn caia por cima dela como uma tonelada de tijolos, bem na cabeça, e ela merecia. Sentia-se um lixo.
– Rachel, como está? — cumprimentou Mercedes sorridente com Sam logo atrás.
– Olá, Cedes. — respondeu a pequena sem animação limpando as ultimas lágrimas que escorriam. — Sam.
O loiro aproximou-se dela e a abraçou sem dizer nada, sabia que a amiga precisava de um abraço agora mais do que nunca, eles tinham essa coisa louca de conexão um com o outro que deixava Mercedes louca, e Santana com inveja.
– Acredito que não esteja sendo fácil. — disse ele afagando-lhe o cabelo. — Com o tempo ela vai se lembrar.
Mercedes concordou e deu-lhe um tapinha no braço.
– Vou falar com ela, pelo menos acho que comigo ela não tem problemas. — disse saindo pelo corredor.
Rachel continuou abraçada ao amigo deixando que ele sentisse um pouco da sua dor.
– Em que momento eu me tornei tão estúpida? — perguntou manhosa.
Sam riu e afastou-se dela para olhá-la nos olhos.
– Você não se tornou estúpida... — pausou e desviou o olhar para pensar. — Só deixou a carreira na Broadway consumir seu tempo.
A empregada entrou na cozinha para começar a retirar os pratos e Rachel e Sam saíram para caminhar pelo jardim abraçados.
– Vocês poderiam ter me avisado... — sugeriu ela, Sam ergueu a sobrancelha:
– Nós dissemos milhões de vezes, Rach. — fez uma careta engraçada que fez Rachel rir. — Mas, você estava ocupada demais brilhando.
Os dois riram e sentaram-se em um banco de frente para a piscina.
– Gostaria de poder ajudá-la. — comentou tristemente.
Sam levantou a cabeça parecendo pensar um pouco, ele realmente era muito inteligente quando queria, e Mercedes sempre dizia que o achava extremamente fofo quando fazia esse gesto.
– Por que não tenta mostra a ela como tudo aconteceu? — sugeriu. — Conte sobre o pedido de casamento de Finn até o dia em que ela a sequestrou. — riu. — Talvez se ela ouvir de você, as coisas se tornem mais fáceis.
***
– Não posso acreditar que você está em outdoors! — exclamou Quinn feliz abraçando Mercedes. — Estou tão feliz por você, meu Deus.
As duas tombaram na cama d'água e Mercedes soltou um grito surpresa.
– Você está mais forte do que me lembrava. — comentou irônica arrumando a roupa e se virando para a loira. — Mas, sim, eu realizei todos os meus sonhos.
Quinn fez beicinho e apoiou a cabeça no braço.
– Me conte mais sobre os outros... — pediu cautelosa.
– Brittany abriu uma academia de dança e coordena os dançarinos de Rachel. — a loira fez uma careta com a menção do nome da pequena. — Santana tem uma boate. — as duas riram e concordaram. — Kurt como você sabe é o agente de Rachel, Mike já apareceu em vários clipes e Tina está começando a carreira de atriz. Finn assumiu a oficina de Burt e Puck é o delegado de Lima.
Instintivamente, Quinn arregalou os olhos com o nome de Puck e Mercedes não deixou passar esse movimento.
– Como... Como ele está? — perguntou temerosa.
– Puck?! — exclamou assustada. — God, ele está ótimo. Convencido como sempre, mas cumpre seu trabalho de forma honesta.
A loira concordou e mexeu nos cabelos nervosamente.
– Ele é sua última lembrança, não é? — perguntou Mercedes já sabendo a resposta.
Quinn concordou.
***
Quase meia hora depois que Mercedes e Sam tinha ido embora, Rachel recebeu a ligação de Kurt anunciando que Santana tinha fechado a boate apenas para os membros do Glee Club, para que Quinn se familiarizasse com eles novamente e se sentisse em casa. A loira concordou quando recebeu a noticia e correu para se trocar sem trocar nenhuma palavra com Rachel. As duas andavam pela casa se evitando, ou Quinn evitava Rachel? Enfim, o fato é que todo o caminho da casa Berry/Fabray até a boate, Quinn manteve-se extremamente silenciosa observando a cidade pelo vidro enquanto Rachel recolheu-se tristemente pelo desprezo da loira.
Ao chegar na boate, o improvável aconteceu, a rua estava cercada por repórteres e paparazzis, sem contar os fãs enlouquecidos que pediam para ver as duas garotas a qualquer custo. A pequena pensou em pedir para o motorista voltar, mas já era tarde e um dos seguranças tiravam uma Quinn completamente assustada do carro.
– Fabray, o que tem a dizer a respeito do seu novo livro? — perguntou um repórter acompanhando Quinn.
– Eu...Ahn, ainda estou trabalhado nele... — ela fechou os olhos com a pancada de flashes que recebeu, o tumulto piorou quando Rachel apareceu logo atrás escoltada, então os fãs e repórteres formaram um circulo em volta deles.
– Como vai sua saúde, Quinn? — uma jovem perguntou docemente sendo empurrada. Quinn a olhou desnorteada.
– Bem...Eu acho.
Houve alguns empurrões e Rachel sentiu uma pancada no braço.
– Miss Berry, quando pretende voltar aos palcos?
– Em breve. — respondeu a pequena com a voz treinada tentando se desviar de um maluco que tentava abraçá-la.
– O relacionamento de vocês está instável depois do que aconteceu?
Essa Rachel não soube de onde veio, e na verdade ela nem se importou quando viu Quinn socar a cara de um outro cara que tentou agarrá-la, então o tumulto piorou e Quinn se jogou contra as pessoas socando quem tentasse tocá-la e com lágrimas de ódio nos olhos. Rachel tentou o mesmo, mas era pequena e não tinha força para isso. Cerca de 10 seguranças apareceram e a puxaram violentamente contra eles para poderem passar com uma barreira por entre as pessoas. A porta da boate foi aberta e Rachel foi empurrada para dentro agora suada e descabelada.
Olhou a sua volta na tentativa de encontrar Quinn e a encontrou encostada em uma mesa de bilhar respirando com dificuldade enquanto os outros membros do Glee Club a encaravam sem saber o que fazer.
– Quinn... — pediu a pequena em desespero, mas a loira levantou a mão com violência para que se calasse.
– Cale a boca, Berry, isso é tudo sua culpa! — gritou histericamente. — Eu não deveria ter confiado em você, deveria ter ido embora com meus pais. Veja só para o inferno que me trouxe, eu tenho nojo só de imaginar que nós fizemos sexo! — parou de falar no mesmo instante parecendo arrependida, os outros membros do grupo pareciam horrorizados com o que estavam ouvindo e um paparazzi que conseguiu entrar escondido tirava fotos. — Veja meu cabelo, o que aconteceu com ele? Por que eu preciso olhar para você todos os dias quando quem deveria estar dormindo comigo era Puck? — todos se entreolharam e notaram que Puck não tinha comparecido naquele dia. Quinn expirou forte.
– Me descul...
– Pare de se desculpar! — berrou pegando um taco na parede e o quebrando na mesa.
– Ei! — exclamou Santana aproximando-se, mas foi barrada por Brittany e Tina.
Rachel virou as costas e tomou folego e deixou que o cansaço a vencesse, então voltou a encarar Quinn com a mesma intensidade.
– Eu estou tentando ajudar você! — apontou o dedo e a loira calou-se no mesmo instante. — E tudo o que tenho recebido é sua grosseria e egoísmo. — calou-se por um instante e viu que a outra não diria nada. — Eu amo você loucamente Fabray, mas não sou seu saco de pancada!
Kurt tinha as mãos tapando a boca e os outros mantinham os olhos arregalados. Um dos seguranças conseguiu capturar o paparazzi e o empurrou com violência para fora da boate, mas já era tarde. Os olhos de Quinn não paravam de chorar, e Rachel estava a beira da inconsciência. A loira abaixou a cabeça e balançou-se para frente e para trás, então deu as costas a todos e acompanhada de todos os seguranças, enfiou-se novamente na multidão que voltou a gritar. Rachel caminhou automaticamente até o balcão do bar e Santana correu até ela.
When the one thing you`re looking for
(Quando a única coisa que você está procurando)`
Is nowhere to be found
(É longe de ser encontrado)
And you back stepping all of your moves
(E você volta pisando todos os seus movimentos)
Trying to figure it out
(Tentando descobrir isso)
– Talvez ela só precise de um tempo. — disse Sam gentilmente segurando a mão da pequena que tinha o olhar perdido, todos concordaram.
– Não... — respondeu com a voz falha. — Ela não me ama mais.
You wanna reach out
(Você quer chegar)
You wanna give in
(Você quer desistir)
Your head`s wrapped around what`s around the next bend
(A sua cabeça está envolvida em torno de qual será o próximo nó)
You wish you could find something warm
(Você deseja poder encontrar algo quente)
Cause you`re shivering cold
(Porque você está tremendo de frio)
Não importa se somos fortes, traumas sempre deixam uma cicatriz.
Quinn pediu para que o motorista a deixasse em uma rua sem movimento, e assim que desceu colocou o capuz da blusa. Andou sem rumo pela rua deserta e chutou algumas caixas jogadas no canto. Tirou o celular do bolso e procurou por um número conhecido.
Esperou até que a voz da mulher soasse do outro lado do telefone e disse chorosa:
– Mamãe... — encostou em uma parede. — Eu estou com tanto medo.
It`s the first thing you see as you open your eyes
(É a primeira coisa que você vê quando você abre seus olhos)
The last thing you say as your saying goodbye
(A última coisa que você diz enquanto está dizendo adeus)
Something inside you is crying and driving you on
(Algo dentro de você está chorando e te guiando)
It`s the first thing you see as you open your eyes
(É a primeira coisa que você vê quando você abri seus olhos)
The last thing you say as your saying goodbye
(A última coisa que você diz enquanto está dizendo adeus)
Something inside you is crying and driving you on
(Algo dentro de você está chorando e te guiando)
Seguem-nos até nossas casas, mudam nossas vidas. Traumas derrubam a todos, mas talvez essa seja a razão.
"Após o acidente na Avenida 997 envolvendo o carro do casal Fabray e um caminhão de transporte, Quinn Fabray e Rachel Berry recebem alta e voltam para sua mansão na Zona Sul da cidade. Mas, infelizmente as noticias que recebemos é de que a escritora Quinn está sem memória e não se sabe ainda se é permanente. Nesta tarde, um fotógrafo flagrou as duas discutindo em uma famosa boate, testemunhas que ouviram os gritos disseram que ficaram horrorizadas com as palavras de Fabray que parecia alterada com a presença de fãs no local, e depois disso as duas não foram mais vistas juntas.
Ross se vira para a câmera 3 com uma expressão triste.
"Agora só nos resta esperar que isso seja apenas uma fase e que voltemos a ver o casal mais apaixonado de Nova York circular pela cidade entre sorrisos e abraços como sempre faziam. O povo sente falta elas, o mundo todo sente. E tenho certeza de que se for para ser, elas voltarão uma para a outra em breve."
Cause if you hadn`t found me
(Porque se você não tivesse me encontrado)
I would have found you
(Eu teria encontrado você)
I would have found you
(Eu teria encontrado você)
Toda a dor, o medo, as idiotices. Talvez viver isso é que nos faz seguir adiante, é o que nos impulsiona.
– Tenho certeza de que vai adorar seu novo quarto, seu pai o decorou a seu gosto. — disse Judy empurrando a filha pelo corredor escuro, Quinn forçou um sorriso e puxou sua mala. — Frannie chega daqui a algumas horas e vocês poderão recuperar todo o tempo perdido!
– Meu grande amigo Hector ainda pode conseguir uma vaga para você na faculdade de Direito. — afirmou Russell orgulhoso.
Quinn abriu a boca, mas sentiu medo e apenas concordou com a cabeça infeliz.
So long you`ve been running in circles
(Há tanto tempo que você está correndo em círculos)
Round what`s at stake
(Em torno do que está em jogo)
But now the time`s come for your feet to stand still in one place
(Mas agora chegou a hora de os seus pés se acalmarem em um lugar só)
– Vamos lá, Rachel. Você não vai ficar ai sentada bebendo o dia inteiro. — resmungou Santana servindo mais um copo de Martíni para a amiga.
– Talvez eu fique. — respondeu sem graça e sentindo o efeito do álcool.
– Não vai, e sabe por que? — foi a vez de Tina entrar na conversa. Rachel a olhou esperando a resposta. — Porque você vai reconquistar sua mulher de volta, e nós vamos te ajudar.
Talvez precisamos cair um pouco para levantar novamente
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