Para Sempre Faberry
3 Always
Notas iniciais
Apesar da dor que sentia na cabeça toda vez que se forçava a lembrar de algo, Quinn finalmente sentia-se em paz. Não totalmente, Russell e Judy não davam espaço e a sufocavam com tantos presentes e bajulação, mas a loira apenas suspirava quando isso acontecia, o mais importante é que estava finalmente em sua bolha protetora. Três dias se passaram desde que deixou o hospital e seu maior problema era com a mídia. Sentia-se sufocada Os empregados receberam ordens para ignorar fotógrafos ou TV, e o telefone foi cortado devido a insistente ligação de um do canal 55. Frannie, como uma voz irmã mais velha, mantinha Quinn distraída e relaxada apesar de não concordar com a atitude de fingir que Rachel nunca existiu e nem mesmo querer saber de sua história, era criancice demais de sua irmã e ao que parecia, Frannie era a unica da família que realmente se importava com a diva, mas mesmo assim, não tocava no assunto para não gerar mais problemas.
Quinn tinha se comprometido — escondido dos pais -, a ler seus livros e estava cada vez mais maravilhada com a história de Jenny em se alto encontrar. Podia ver o pedaço de si mesma naquela história quando a personagem já não sabia mais quem era de verdade. Suspirou. Deixou o livro de lado na cama e agarrou o travesseiro com força tentando não pensar muito sobre o assunto, ou sua cabeça explodiria. Ela não soube dizer quantos minutos se passaram até ouvir batidas suaves na porta aberta, virou-se esperando encontrar a irmã, mas seus olhos arregalaram-se quando o que encontrou, foi um loiro alto encarando-a.
– Oh, meu Deus! — exclamou ela jogando o travesseiro com violência contra ele e protegendo-se com o edredom. — Quem é você? Como entrou aqui?
Sam riu e recolocou o travesseiro na cama, ergueu os braços em sinal de inocência e adentrou o quarto seu pedir permissão.
– Meu nome é Sam Evans, sou seu ex namorado do segundo ano. — explicou passando os olhos pela decoração infantil do quarto. — Belo quarto.
– Meu ex o que? — perguntou pasma abaixando a guarda, mas quando ele virou para olhá-la mais uma vez, ergueu o edredom.
– Namorado, não te falaram sobre nós?
Um flash de Santana lhe contando sobre alguém chamado Sam passou por sua cabeça e a realidade lhe atingiu. Abaixou o edredom descontente e continuou observando o rapaz caminhar pelo enorme quarto analisando as paredes.
– Seus pais sempre gostaram de mim, talvez por eu ser loiro e nosso namoro ter caído bem para a imagem da família. — ele continuou dizendo despreocupado, pegou alguns livros na estante e começou a folheá-los. — Eles me deixaram entrar sem pensar duas vezes, mesmos sabendo que me casei com Mercedes.
O queixo de Quinn caiu e a loira paralisou. Qual era o problema de todo mundo, afinal? Retraiu o rosto no mesmo instante em que Sam virou-se para encará-la.
– Acha estranho, não é? — perguntou parecendo ja saber a resposta. Quinn ficou muda e ele deu um pequeno sorriso descontente. — Exatamente como a antiga Quinn faria. Pensando o que uma pessoa como eu estaria fazendo com Mercedes.
– Eu-eu nunca... — gaguejou sentindo o rosto queimar.
Sam ergueu as sobrancelhas a espera da resposta que nunca veio.
– Nunca julgou ninguém pela cor? by Text-Enhance\">Peso? Sexualidade? — continuou recomeçando seu caminho pelo quarto, dessa vez pegou um porta retratos da loira vestida de cheerio. — Era seu passatempo favorito na escola, Quinn. A garota perfeita, esteriótipo...
A loira mordeu a língua e cerrou o punho. Não precisava receber sermão de um cara que sequer lembrava-se, e ainda mais tentando ensiná-la a viver.
– Eu acho melhor você ir. — disse seca passando por ele e segurando na maçaneta da porta esperando que ele saísse.
Sam maneou a cabeça e passou pela porta, mas antes de sair, perguntou:
– Só me diz uma coisa: Como é acordar todos os dias sentindo-se uma covarde?
Os olhos de Quinn queimaram e ela apertou os olhos. Podiam socar-lhe a face até a morte, mas nunca, em nenhuma hipótese, poderiam chamá-la de covarde depois de ter tido aquela criança sozinha.
– Eu não sou uma covarde. — respondeu duramente, Sam riu mais uma vez e voltou a entrar no quarto nervoso.
– 3 anos, Fabray. Você teve três anos para declarar-se para Rachel, — acusou apontando o dedo para a loira. — você a amou desde o momento em que ela cantou para você no seu momento mais difícil, e não foi Puck, Finn ou eu que mudou isso! — Quinn retraiu-se nervosamente. — Finn pediu Rachel em casamento e ela perguntou a você o que deveria fazer, ela esperou que você se declarasse e a cheerio perfeita não o fez por medo. Droga, Fabray, está agindo como uma criança mimada que sempre foi!
– Saia do meu quarto, agora! — mandou quase um grito. — Eu não quero ficar com ela, eu não a amo, me desculpe se cometi esse erro algum dia, mas acabou.
O quarto ficou em silencio enquanto Sam processava com raiva tudo o que Quinn dizia, ele não podia acreditar que todo o colegial tinha voltado e que agora lidava com uma criança birrenta.
– Esse erro, a fez parar o casamento. — seu tom de voz tinha voltado ao normal, e tudo o que tinha agora eram seus olhos magoados vidrados em uma Quinn de cabeça baixa. — Esse erro, a fez dizer que preferia morrer, a ver Rachel casada com outro que não fosse você. — a loira piscou alguma vezes confusa — Esse erro, Fabray, a fez a garota mais feliz do universo por longos anos.
Dito isso, enfiou a mão dentro da jaqueta e tirou um CD de lá de dentro, e o deixou em cima da comoda. Sem dizer mais nada, passou por uma Quinn em choque e deixou a casa prometendo a si mesmo que nunca deixaria Rachel sozinha.
***
– Muito bem, vou contar até 3 para que você pare de fingir que está dormindo e me escute. — reclamou Kurt pela quarta vez naquela manhã saltitando em cima da cama de uma Rachel sonolenta.
– Eu-dormir...So-sono...Comer...M-morrer... — resmungou a pequena com a cabeça enterrada no travesseiro.
O máximo que tinha consigo dormir naquela noite era 3 horas, sem contar o pesadelo que teve nessa meia hora onde Santana batia em Quinn com um taco de baseball. Suas olheiras estavam maiores que bolas de basquete, tinha até vergonha de sair em publico parecendo um zumbi. E nesses três dias que passou sem notícias de sua loira só fazia a dor no peito aumentar, e a vontade de levantar menor.
– Acho que você precisa ouvir essa, Rachel. — disse Brittany entrando no quarto com uma bandeja contendo três canecas de cappuccino.
Rachel esforçou-se ao máximo e conseguiu sentar na cama, ainda resmungando.
– Onde está Santana? — perguntou com a voz varrida
Brittany sentou-se do outro lado da cama e deu um gole em seu cappuccino.
– Me deixou aqui antes de ir para o trabalho, Kurt e eu temos uma bomba para te contar.
– Oh, Deus. Quinn lembrou de mim? — perguntou exasperada deixando o café cair nas calças de Kurt que gritou e em seguida atravessou o quarto correndo para se trocar.
Brittany riu e deixou a caneca de lado.
– Não...Desculpe por isso. — a expressão de Rachel voltou para tristeza. — Mas, você não vai conseguir tê-la de volta deitada nessa cama. Não é como se você fosse seduzi-la com remela nos olhos, olheiras e cabelo black power.
A pequena lançou um olhar indignado a loira que calou-se e encheu a boca de café.
Manias de Santana.
Droga, mais uma.
Kurt voltou minutos depois com uma nova calça e um olhar cético para a pequena que deu de ombros.
– Estou cansado de ser questionado sobre o casal perfeito. — comentou sentando-se outra vez ao lado de Rachel. — Anyway, espero que esteja preparada para a novidade...
Ele batucou no criado mudo e Brittany fez um som estranho com a boca em expectativa. Rachel revirou os olhos e pensou se o café da loira estava quente o suficiente para jogar novamente em Kurt.
– Temos um projeto Off-Broadway! — exclamou o rapaz abrindo os braços em alegria. — Querem seu show no Staple Center.
Brittany soltou um gritinho animado e agarrou os pés da pequena, mas ela e Kurt pararam de rir em seguida.
– Sabe, esse é o momento em que você grita, nos abraça e diz que é uma estrela e já esperava por isso.
Mas, não. Isso não aconteceu. Talvez Rachel até mesmo tivesse entendido as palavras de Kurt, mas sua mente vagou diretamente para Quinn, e o que ela estaria fazendo naquele momento. Pensando nela? Não. Por que Quinn iria pensar nela agora? Ela mesmo não pensava em Quinn quando aceitava projetos que pouco a pouco a afastavam da loira sem que notasse.
– Recusa. — disse simplesmente.
Kurt abriu a boca.
– O que?
– Recusa. — repetiu sem rodeios. — Eu não quero me ocupar agora, Kurt. Tenho um casamento para salvar.
Uniu forças e levantou-se decidida, passando pelos dois amigos e caminhando em direção ao banheiro. Era hora de encontrar Quinn.
***
Ficou contente quando descobriu que seus pais ainda tinham motorista, e ficou mais contente ainda quando recebeu a mensagem naquela tarde. Uma sensação de saudade invadiu Quinn e ela não pode deixar de sair escondido após o jantar para reencontrar a pessoa que mais significou em sua vida. Assim que o carro estacionou em frente ao prédio, pediu ao motorista que a esperasse e entrou receosa recebendo vários olhares safados de homens nojentos, ou de pessoas que a reconheciam. Pediu informação no balcão e foi encaminhada para o elevador, e depois até o escritório 244 pela atendente.
– Sim, eu tenho o arquivo do caso e vou passá-lo ao detetive para aprofundamento da investigação, senhora. — um rapaz alto, careca e de terno caminhava de um lado para o outro na sala falando ao celular. A atendente bateu na porta e assim que os olhos dele se encontraram com os de Quinn, ele abaixou o aparelho. — Quinn!
A loira sorriu contente e sentindo novamente aquela sensação do colegial.
– Você está diferente sem o seu moicano, Noah. — comentou ela timidamente recebendo um caloroso abraço, fechou os olhos e sentiu paz novamente.
A atendente fechou a porta e saiu. Noah largou Quinn e a analisou de baixo a cima.
– As pessoas amadurecem, mas ao contrário de mim, você está ótima! — disse segurando sua mão e dando aquele sorriso encantador. — Pedi transferência assim que soube do seu acidente.
O sorriso de Quinn morreu e ela pigarreou, sentiu Puck apertar um pouco sua mão para que ela o encarasse.
– Sente-se melhor?
Ela balançou a cabeça e deixou algumas lágrimas rolarem, ele era a primeira pessoa que transmitia confiança e conforto para ela, agora que até mesmo Santana estava contra suas atitudes. De repente, percebeu como não estava bem. Sentia-se só, sentia-se perdida e infeliz. Então ela apenas agarrou-se ao tronco dele e chorou.
– Hey, não chore. — a tranquilizou passando a mão em seus cabelos. — Eu estou aqui.
– Apenas me diga, — disse entre o choro soltando-se dos braços dele. — só me diga como nós...
– Terminamos? — perguntou ele calmou, Quinn balançou a cabeça e Noah tirou um lenço do bolso para enxugar as lágrimas da loira. — Bem, na verdade foi você quem me deixou, nunca entendi bem o porque...
– Eu? — perguntou chorosa.
Quantas coisas mais ela tinha feito que não se dava conta? Nunca pensou em terminar com Puck, a verdade é que, depois que Beth nasceu, ela só queria te-lo por perto e sentir-se protegida ao menos alguma vez na vida.
– Você mudou muito, Quinn. — completou Noah. — De repente era uma garota decidida e madura.
Quinn olhou-o por um instante.
– Você está com alguém? — perguntou temerosa.
Noah ergueu as sobrancelhas surpreso e apoiou os braços na mesa.
– Na verdade não. — Quinn sentiu um alivio imediato ao ouvir essas palavras. — Poupo meu tempo trabalhando para sobreviver e ajudar Shelby com Beth.
Beth! Como ela pode esquecer de sua filha?
Sua cabeça latejou e sentiu-se fraca de repente. Puck notou a mudança na expressão da loira e ajudou-a a sentar-se na cadeira.
– Não se preocupe com isso agora, Beth está bem, é uma segunda Quinn. — enfatizou dando um sorriso amigo, que relaxou Quinn na hora e esperou até que ela suspirasse aliviada. — Prometo cuidar dela.
Ela concordou e levantou deixando suas mãos no peito do rapaz, então, antes que ele pudesse dizer algo, aproximou seus rostos e calmamente selou seus lábios. Sentia falta disso.
***
Kurt terminou de retocar a maquiagem de Rachel e ajudou-a a entrar no longo vestido cinza que combinava perfeitamente com o corpo moldado da pequena
– Definitivamente, você está linda — comentou o rapaz apreciando seu trabalho.
Rachel girou nos calcanhares para analisar o vestido no espelho e soltou um suspiro pesado.
– Quinn gostava desse.
Algumas empregadas entreolharam-se comovidas e Kurt ficou calado. Rachel não era mais Rachel, não sem Quinn.
– Combinamos de deixá-la pensar por uma semana, Rachel. — ele disse cansado. — E você precisa colocar um sorriso nesse rosto para a coletiva de imprensa hoje a noite.
Rachel revirou os olhos e de um beijo na testa do amigo, não queria culpá-lo ou maltratá-lo, ninguém precisava saber de sua tristeza interna.
– Está bem. — respondeu forçando um sorriso. — Eu apenas vou dizer que estou bem e que em breve Quinn estará em casa.
Kurt apertou os olhos e fez sinal para uma das empregadas que saiu do quarto. Ele ajudou a pequena a tirar outra vez o vestido e jogou algumas roupas confortáveis para ela. Mercedes entrou no quarto com um grande sorriso no rosto e sem cumprimentar nenhum dos dois, disse:
– Santana está no jardim matando um leitão para o jantar.
A pequena arregalou os olhos e passou pelos dois rapidamente, Kurt apenas ficou parado encarando o lugar onde a segundos atrás estava uma Rachel e Mercedes ria da expressão do amigo.
– Você precisa ver isso. — disse puxando-o para a sacada do quarto.
Rachel gostaria de ter uma arma num momento desses, depois que se mudaram para Nova York, ela fez Santana prometer que nunca maria traria animais mortos para a sua casa com a intenção de fazer churrasco, e agora aquela maldita latina simplesmente aparecia um um leitão e ainda em seu jardim...
Seu pé estacou assim que abriu a grande porta de vidro. Não era Santana quem estava lá fora com um porco, e sim Quinn parada em frente a garagem observando atentamente um dos carros.
– Quinn? — sua voz saiu fraca e surpresa. A loira por outro lado, virou-se para ela e limitou-se a dar um pequeno sorriso envergonhado.
– Oi. — disse desviando o olhar por um instante. Era incrível como não conseguia encarar Rachel por muito tempo desde que acordara de seu coma. — Eu estava...Enfim, resolvi passar aqui para falar com você.
Rachel apenas concordou com a cabeça e aproximou-se sentindo o coração gritar em seu peito. O cheiro de Quinn era tão bom, e a vontade de abraçá-la e enterrar a cabeça em seu peito como sempre fazia a estava consumindo. Vendo que a pequena não diria nada, prosseguiu enfiando as mãos no bolso da calça:
– Eu não deveria tê-la tratado daquela forma. — deu uma pausa e respirou. — Você precisa entender que não é fácil acordar e perceber que está casada com a pessoa que você odiava. — Rachel abaixou a cabeça tristemente ao ouvir essas palavras, Quinn percebendo o que fez, aproximou-se mais hesitante. — Eu não tenho nojo de você, tudo o que disse foi na hora da raiva. Rachel... — seus olhos percorreram toda a extensão do gramado até finalmente pousarem na pequena. — Existe uma parte do meu passado que eu desconheço, e você está nele. O que eu quero dizer...Sabe que isso não vai dar certo, não é? Eu não posso voltar. Ainda amo Noah, e até ter certeza de que não sinto nada por você, as coisas entre nós precisam ficar como estão.
Bom, uma vez que seu coração estava dividido em dez pedaços, esse numero se multiplicou no instante em que viu um brilho misterioso implantado naqueles olhos verdes que tantas vezes madrugou observando.
– Eu não vou desistir de você... — saiu automaticamente abraçando seu próprio tronco.
Os olhos de Quinn estavam marejados, ela abriu a boca e fechou.
– Eu não estou pedindo que desista. — controlou a voz. — Mas, por agora, está acabado.
A loira pensou que não suportaria ver Rachel chorar, então apenas deu as costas a ela e saiu. O choro da pequena sempre foi seu ponto fraco, desde o colégio. Mesmo odiando-a, Rachel parecia vulnerável demais quando tinha lágrimas nos olhos, e se visse isso agora, tinha certeza de que a abraçaria e diria que ficava. Mesmo a contragosto.
***
– Quinn? ouviu um chamado insistente, resmungou algumas palavras. — Quinn!
Abriu os olhos e deparou-se com sua mãe esboçando um sorriso vitorioso nos lábios.
– Obrigada por me acordar. — disse nervosa coçando os olhos.
Judy soltou uma exclamação e puxou a coberta da filha para longe mandando-a trocar-se rapidamente porque um advogado estava a sua espera lá em baixo. A loira não entendeu muito bem o porque de um advogado, mas fez o que a mãe mandou e aproveitou para tomar um rápido banho gelado.
– Venha, querida. Assim que voltou para casa, seu pai e eu pedimos uma intimação para o divórcio. — explicou guiando Quinn até a sala onde Russell e um homem negro estavam sentados no sofá verde.
Quinn franziu o cenho confusa e olhou para os papéis em cima da mesa de centro e uma caneta do lado esperando por ela. O advogado a encarava com firmeza.
– Eu poderia conversar com ela a sós? — pediu ele a Russell e Judy que se entreolharam e saíram da sala contrariados. Quinn continuou em pé encarando o papel quando o homem levantou cruzando os braços. — Meu nome é Alex Bailey, seu pai me contratou para o divórcio com Rachel Berry.
A loira lembrou imediatamente e sentiu uma pontada na cabeça.
– Tudo bem. — disse sentando na poltrona e pegando a caneta. O advogado olhou para os lados e aproximou-se da loira aflito.
– Senhorita Fabray, tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou tristemente. — Estamos falando de seis anos de sua vida, e assim que assinar estes papeis, será impossível voltar atrás...
As mãos de Quinn começaram a tremer e seus olhos correram de volta para o papel. Rachel ainda não tinha assinado. Ela o faria? Pois Quinn ainda estava insegura, apesar de ter certeza de que estava apaixonada por Puck, e não por Rachel. Mas, algo na pequena a fez amá-la intensamente, e Quinn precisava admitir que daria qualquer coisa para saber o que. O que de tão especial em Rachel a fez mudar de ideia tão radicalmente, como tinha sido aquele casamento. Elas se davam bem? Eram felizes juntas?
Rachel a fez feliz?
Essas perguntas cercaram a mente da loira e a caneta vacilou em sua mão. O advogado esperava a decisão dela, e Quinn tinha certeza de que Russell e Judy ouviam tudo do outro lado na cozinha.
– Onde eu assino? — perguntou hesitante.
Alex deixou os ombros caírem e tomou uma pose profissional indicando as folhas para a loira. Quinn assinou tão rápido que sequer olhou para o que estava escrito, seus olhos escorreram de em lágrimas mais uma vez e assim que terminou, bateu a caneta com violência na mesa e levantou correndo em direção ao quarto. Frannie tinha chegado nesse mesmo instante e correu atrás da irmã.
***
Mercedes Jones faria seu primeiro show em Nova York naquela semana, o palco do clube estava quase pronto, e Sam ajustava as luzes e acertava o som com a banda. Os operários que restavam da obra começaram a sair pouco a pouco, e Sam pegou um dos tripés para que Mercedes pudesse ensaiar mais tarde. Ele começou a folhear a pasta com as musicas aleatórias que tinha escolhido para o ensaio, e uma em questão chamou sua atenção.
Uma musica de sua banda favorita, e que agora se encaixava perfeitamente para a situação que a pessoa que ele mais se importava depois de Mercedes, estava vivendo.
Pigarreou algo e decidiu testar o som. Pediu ao pessoal da banda para que o acompanhasse e fechou os olhos no inicio da melodia. Naquela noite ele cantaria para sua melhor amiga, aquela noite ele estaria rezando por Rachel e pela felicidade dela.
This Romeo is bleeding
(Este Romeu está sangrando)
But you can't see his blood
(Mas você não pode ver o seu sangue)
It's nothing but some feelings
(São apenas alguns sentimentos)
That this old dog kicked up
(Que este velho sujeito jogou fora)
Rachel entrou acompanhada de Santana no escritório, ela chorava intensamente desde que recebera a ligação do advogado da família Fabray. A sala grande e espaçosa parecia fria e assustadora para a pequena, Santana conduziu com uma mão nas costas afirmando estar bem atrás dela, para apoiá-la. O advogado olhou gentil para Rachel e estendeu os papéis para ela que sentou-se na mesa e analisou.
Seu mundo foi destruído quando seus olhos localizaram a assinatura de Quinn.
It's been raining since you left me
(tem chovido desde que você me deixou)
Now I'm drowning in the flood
(agora estou me afogando no dilúvio)
You see I've always been a fighter
(Você sabe que sempre fui um lutador)
But without you I give up
(Mas sem você, eu desisto)
Sam agarrou o tripé com força e Mercedes apareceu atrás da cortina e sorriu para o marido, orgulhosa, sabendo exatamente para quem ele estava cantando. Mas, por dentro, seu peito estava apertado, acabara de receber a ligação de Kurt avisando que Quinn pediu o divórcio.
Now I can't sing a love song
(Agora não posso cantar uma canção de amor)
Like the way it's meant to be
(Como deve ser cantada)
Well I guess I'm not that good anymore
(Bem, acho que não sou mais tão bom)
But baby that's just me
(Mas querida, sou apenas eu)
"– Eu me comprometo a ajudá-la a amar a vida, a sempre abraçá-la com ternura, e ter a paciência que o amor exige. — uma lágrima escapou nesse momento dos olhos de Quinn, e ela abaixou a cabeça. Rachel segurou seu queixo e a fez encará-la, então continuou: — Para falar quando palavras forem necessárias, e compartilhar o silêncio quando não forem. E viver no calor do seu coração, e sempre chamar de lar."
Quinn ainda chorava assistindo agora o DVD que Sam deixara em sua comoda. Não conseguia acreditar no que estava vendo, ela parecia a garota mais feliz do mundo frente a Rachel. Frannie entrou no quarto nesse instante e assistiu a próxima cena.
And I will love you baby always
(E eu, te amarei, querida, sempre)
And I'll be there forever and a day always
(E estarei ao seu lado por toda a eternidade sempre)
I'll be there till the stars don't shine
(Eu estarei lá até as estrelas deixarem de brilhar)
Till the heavens burst and the words don't rhyme
(Até os céus explodirem e as palavras não rimarem)
And I know when I die you'll be on my mind
(Sei que quando eu morrer, você estará no meu pensamento)
"– Fez seus votos em um cardápio? — os outros sorriram e Quinn enrubesceu. — Porque eu também fiz. — Tina entregou o cardápio para ela e houve mais risadas. Rachel pigarreou e começou: — Eu me comprometo a amá-la seriamente, em todas suas formas. Agora e para sempre. Prometo que nunca vou esquecer que esse é um amor para toda a vida. — um sorriso tímido plantou no rosto de Quinn, foi o gás que Rachel precisou para continuar: — E sempre sabendo na parte mais profunda da minha alma, que não importa que desafios venham a nos separar, sempre encontraremos um caminho de volta para a outra."
And I'll love you always
(E eu te amarei para sempre)
Frannie abraçou a irmã que tinha desabado na cama, parecia agora uma criança chorando. Perguntava-se o que a vida tinha feito com ela, e se estava tomando as decisões certas.
– Eu não consigo me lembrar. — choramingou apertando os braços da irmã mais velha. Frannie pausou o vídeo e suspirou.
– Talvez você não queira lembrar. — sugeriu.
– E se eu não gostar do que eu era? — afastou-se, Frannie limpou uma lágrima de seu rosto com o dedo médio. — E se eu gostar demais?
As duas sorriram levemente.
– Você nunca vai descobrir se não experimentar.
Now your pictures that you left behind
(Agora as fotos que você deixou para trás)
Are just memories of a different life
(São apenas lembranças de uma vida diferente)
Some that made us laugh
(Algumas que nos fizeram rir)
Some that made us cry
(Algumas que nos fizeram chorar)
One that made you have to say good bye
(Uma que você fez ter que dizer adeus)
Os flashs inundaram a visão da pequena que apareceu no pequeno palanque, os fotógrafos começaram a gritar perguntas e uma multidão se estendia logo atrás de uma fita que separava o publico da mídia. A noite estava estrelada, e Kurt e Brittany acompanharam Rachel lado a lado até o microfone cientes de que ela não estava bem psicologicamente. Seus olhos estavam fundos, e o coração vazio.
– Boa noite. — disse ela. Tudo ficou silencioso e todos esperavam ansiosamente pelas palavras da Diva. — Gostaria de agradecer a todos por me apoiarem e por todas as cartas, emails e ligações de conforto que recebi.
– Como está a senhorita Fabray? — perguntou um repórter.
Rachel engoliu em seco.
– Ela está bem, se recuperando na casa dos pais
– Vocês continuam separadas? — perguntou uma mulher.
Os olhos da pequena relancearam para seus dois amigos que balançaram a cabeça em conforto. Ela suspirou, seu coração começou a bater acelerado e tantas pessoas estavam sufocando-a.
What I'd give to run my fingers through your hair
(O que não daria para passar meus dedos por seus cabelos)
To touch your lips to hold you near
(Tocar em seus lábios, abraça-la apertado)
When you say your prayers try to understand
(Quando você disser suas preces, tente entender)
I've made mistakes I'm just a man
(que eu cometi erros, sou apenas um homem)
Decidiu que era hora de finalizar aquilo antes que desmaiasse em frente a todos.
– Acabo de assinar um contrato para shows no Staple Center. Semana que vem os ingressos estarão a venda e amanhã mesmo volto aos ensaios. — houve uma série de gritos e flashs. — Espero que vocês compreendam que os ensaios serão fechados, e prometo cantar as musicas que o publico pedir. — mais histeria entre as pessoas, Rachel apertou a aliança em seu dedo e tomou coragem. — Quinn pediu o divórcio, e eu respeito essa decisão dela. — os gritos foram três vezes maior e as expressões de susto e pessoas chorando. — Ela não se lembra de mim e não quero forçá-la a nada.
When he holds you close
(Quando ele abraçar você)
When he pulls you near
(Quando ele puxar você para perto)
When he says the words
(Quando ele disser as palavras)
You've been needing to hear
(Que você precisa ouvir)
I'll wish I was him cause these words are mine
(Eu queria ser ele porque aquelas palavras são minhas)
To say to you till the end of time
(Para dizer a você até o fim dos tempos)
– Peço a vocês que respeitem essa decisão também, por mais que seja doloroso, é o melhor a se fazer. — Deus, como estava sendo doloroso para ela dizer aquelas palavras. — Dizem, que a vida é um conto de fadas...Talvez esse seja um conto de fadas diferente. Talvez o felizes para sempre tenha sido enquanto durou.
And I will love you baby always
(E eu te amarei, querida, sempre)
And I'll be there forever and a day always
(E estarei ao seu lado por toda a eternidade sempre)
If you told me to cry for you I could
(Se você me dissesse para chorar por você, eu choraria)
If you told me to die for you I would
(Se você me dissesse para morrer por você, eu morreria)
Take a look at my face
(Olhe para o meu rosto)
There's no price I won't pay
(Não há preço que eu não pagaria)
To say these words to you
(Para dizer estas palavras a você)
Sam finalizou a musica com a cabeça baixa, e assim as luzes se apagaram e a escuridão preencheu todo o espaço vazio.
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