Para Sempre Faberry
4 O convite.
Notas iniciais
"As vezes você nem sabe que algo mudou. Acha que você é você, e sua vida ainda é sua vida, mas você acorda um dia e olha ao seu redor e não reconhece mais nada.. Nada mesmo!"
"Um tanto quanto curioso eu te mandar esta carta? Quem sabe. A verdade é que não sabia como começá-la, não colocaria "Querida Quinn", sério, eu te odeio. Mas enfim, indiferenças á parte. Soube por fontes seguras (TV a cabo) que vai voltar para a faculdade. Está certa do que fez, Quinn? Digo, eu mal posso olhar para você depois do que fez com Rachel. Mas, somos mais parecidas do que imagina, acredite, demorou muito tempo para meu ego aceitar isso. No fundo posso compreender o quão assustador é isso. Apenas não fuja.
E para concluir, vamos ao motivo desta carta: Estou me casando.
Yeah, Brittany ficou emotiva depois que vocês sofreram o acidente, disse que não quer acordar um dia e não se lembrar de mais nada, sem ter aproveitado o que a vida a oferecia. Sim, eu sei, é gay. Mas, não posso dizer não a ela, eu a amo. Então é isso, estamos convidando você porque sempre foi nossa melhor amiga, somos o Unholy Trinity, certo? Tenho certeza de que você vai estar lá, como minha madrinha.
Bom, vou indo. O gerente do banco quer a caneta de volta e eu estou quase sendo linchada na fila.
Com amor, só que não, Santana."
Quinn leu e releu aquela carta cerca de 10 vezes. Queria ter certeza de que era da pessoa certa, o que lhe surpreendeu inteiramente. Santana apoiando Rachel? Santana casando-se? Aquela Santana do ensino médio, que jogava slushie e criava apelidos maldosos para Rachel, e que dizia que casamento era coisa de pessoas que não sabem aproveitar o melhor da vida? As coisas realmente estavam mudadas.
Muito mudadas.
Suspirou e deixou a carta de lado. Recostou-se na cama e bateu levemente a cabeça algumas vezes na parede. Tinha perdido as contas de quantas vezes tinha feito aquilo desde que retornara para casa dos pais. 1 mês, e as poucas horas em que via sua família era na hora do jantar, ou as raras vezes em que Russell voltava para casa mais cedo e levava a família para jantar em restaurantes caros, mas sempre voltavam cedo para casa devido a paparazzis no local. Frannie era a unica que realmente parecia se importar com a irmã. Frequentemente entrava no quarto no meio da noite depois do trabalho e perguntava se ela estava bem, ou apenas ficava em silencio observando Quinn delirar com pesadelos na madrugada.
1 mês, e nenhum sinal de Rachel.
Por um lado sentia-se aliviada. Não queria ter que enfrentar os pais ou a mídia por causa dela outra vez, tudo o que sua vida não precisava agora era de escândalos. Mas, por outro lado, sentia-se frustrada. Não uma frustração ruim, mas pelo o que ela entendia do amor, nos poucos livros que sua mãe lera quando era pequena, e na paixão que mantinha por Noah, ela esperava mais de Rachel. Quando se ama alguém, deve lutar por isso, não é? Ou será que o amor de Rachel não era o suficiente para ir atrás dela? Ela tinha ido rude demais?
Certas vezes, Frannie perguntava se essa frustração não era resultado de algum sentimento guardado por Rachel. Quinn apenas balançava a cabeça em negação.
– Definitivamente não, ainda amo Noah.
E o assunto logo era encerrado.
E agora suas duas melhores amigas estavam se casando e ela mal podia sair de casa para ajudá-las com os preparativos. Seus pais nunca aprovaram a amizade, mas não a proibiam de andar com Santana e Brittany. Isso era bom, ao menos na época do colégio. Agora ela já não tinha mais tanta certeza se seria bem vinda na casa dos Lopez/Pierce.
Naquele dia, depois do almoço, Frannie a levou até o consultório da psicóloga. Seria sua primeira consulta e Quinn não podia negar que estava ansiosa, queria conversar com algum profissional a respeito do seu caso, quem sabe receber alguma direção.
– Bom dia, Quinn. Fico feliz que esteja melhor. — disse a psicóloga recebendo-a na sala aconchegante. — Você está diferente.
Quinn apertou a mão da mulher e caminhou decididamente até o sofá largo preto. É claro que ela estava diferente, o cabelo já estava maior e liso, suas calças, camisas e all star tinham sido substituídas por vestido e sapatilha. Como ela sempre lembrou-se de ter sido.
– Minha mãe tem um gosto refinado. — ela respondeu corando um pouco.
A psicóloga sorriu e sentou-se em uma cadeira de frente para o sofá.
– Bom, acho que não preciso perguntar como está Rachel, ela mesma tratou de explicar em entrevista. — disse a mulher calmamente analisando alguns papeis sem dar muita importância ao que dizia. — Sinto muito que tenha dado errado.
Sente muito? Oh, claro, como se ela estivesse naquela casa com pessoas que nunca viu na vida abraçando-a e dizendo que sentiram sua falta.
– Tudo bem. — respondeu simplesmente brincando com os próprios dedos.
– Quinn? — chamou a mulher convidando-a para que olhasse dentro de seus olhos. — Posso fazer uma pergunta? — a loira apenas acenou com a cabeça, então a mulher continuou: — Como sentiu-se nas poucas horas em que esteve naquela casa?
A pergunta pegou-a desprevenida. Remexeu-se incomodada no sofá e pensou um pouco, repassando as lembranças do primeiro dia.
– Bom, eu me senti uma estranha. — enfatizou cruzando as pernas. — E...Rachel é uma pessoa extremamente irritante. Senti medo e frustração; raiva e angustia. — desabafou sentindo-se ficar vermelha com a emoção. — Me senti em casa. Rachel foi tão acolhedora e paciente. — parou de falar assim que percebeu a contradição. A psicologa a encarava a espera de mais, instigando-a a confiar nela e abrir-se. — Eu quero dizer, Rachel não é má. Na verdade eu não entendo como pude ter sido tão ruim para ela no colégio. Mas, essa nova eu...É tudo muito assustador, entende? Nós poderíamos sermos amigas, mas casar? Isso é totalmente insano! — exclamou batendo a mão no sofá enraivecida. A mulher abaixou os olhos e anotou algo sem alterar sua expressão, então quando voltou a olhar para Quinn, questionou:
– Por que você acha tão insano?
Quinn abriu a boca e fechou. Haviam vários motivos e ela poderia passar o dia numerando cada um. Fuçou um pouco em sua mente e de repente não conseguiu encontrar um concreto.
– Porque...Porque eu supostamente a odeio?! — pigarreou e desviou os olhos. — E...Eu sou uma mulher, ela é uma mulher...Eu nunca senti atração por garotas.
– Não consegue me dar uma resposta objetiva? — perguntou a mulher erguendo uma sobrancelha. — Que tal seu livro? Seus fãs? Vamos esquecer Rachel por agora.
Seu coração desacelerou e a loira agradeceu mentalmente por mudarem o foco do assunto
– Eu estou terminando de ler o segundo e é incrível. — as duas ficaram em silencio e Quinn tomou aquilo como uma brecha para que ela continuasse. — Jenny sacrificou sua própria vida para salvar a de Ana...Isso é tão-tão clichê e ao mesmo tempo romântico. E meus fãs...Eles são ótimos. Eles realmente gostam de mim.
– Você notou que no começo do primeiro livro, Jenny e Ana não se davam bem?! — interrompeu a psicóloga cruzando os braços. — Elas não suportavam uma a outra e aos poucos isso foi se tornando algo a mais.
Quinn arregalou os olhos.
– Eu escrevi aquele romance com base na minha relação com Rachel?
A psicologa maneou a cabeça e observou a reação de choque de Quinn, ela já esperava por aquilo e estava testando a loira de todas as maneiras.
– Se você está dizendo. — concluiu a mulher com um pequeno sorriso. — Mas, posso sugerir que só vá encontrar um final para seu livro quando encontrar um final para sua própria história.
***
– Tire-isso-agora! — berrou Kurt impaciente quando Rachel atravessou a loja com um vestido preto. — Vamos a um casamento, não ao velório de Santana.
A pequena bufou e virou as costas para entrar mais uma vez no provador. Finalmente tinha encontrado algo para se distrair e não pensar tão frequentemente em Quinn, mesmo tendo em mente que a loira estaria no casório que seria dali alguns dias.
Seu celular vibrou na bolsa e ela o pegou.
Santana: Já escolheu a cortina que vai usar?
Rachel: Engraçadinha ¬¬. Kurt não me deixa escolher nenhum.
Santana: HAHAHAHA.
Rachel: Ridícula.
Santana: Cale a boca. -.- Brittany está a meia hora escolhendo as alianças, minhas pernas doem.
Rachel: E eu com isso?
Santana: :O
Rachel: (:
Guardou o celular de volta na bolsa e provou um vestido vermelho.
– Horrível! — guinchou Kurt.
Rachel bateu os braços no corpo e entrou no provador batendo os pés.
– Tem noção de que eu já provei mais de 20 vestidos hoje, não é? — resmungou ela jogando a roupa por cima da porta. — Estou exausta dos ensaios e agora com os preparativos do casamento.
Abriu a porta deixou as mãos na cintura. Kurt sorriu e fez sinal para que ela se virasse.
– Perfeito. — disse ele batendo palmas de excitação. — O prata combina com sua pele.
Os dois riram e enfim a pequena pode guardar o vestido na caixa e mandar que o motorista o levasse para casa enquanto ela e Kurt dirigiam-se para a casa de Blaine onde estava acontecendo uma reunião do Glee Club. Oh, e Puck estaria lá. Sim, ela não tinha a minima vontade de vê-los após descobrir que Quinn ainda o amava, seu coração doía ao perceber isso e não queria ter que assistir a interação dos dois no casamento, ao contrário disso, seu coração se partiria em mais pedaços.
Rachel estava no automático. Era assim que ela gostava de pensar, decidiu que deixaria nas mãos do destino como sempre deixara. Todas as noites antes de dormir, olhava a foto das duas pendurada em um quadro na parede do quarto e sorria para si mesma com as lembranças, então abraçava o travesseiro vazio ao lado do seu e por um momento conseguia senti-la ali consigo, o cheiro de Quinn sempre esteve ali, e em todos os lugares que ela fosse.
– Vocês precisam confiar em mim, 1D é sucesso internacional, precisamos fazê-lo. — declarou Finn tomando um gole de cerveja.
– Eu juro que se você cantar isso na minha festa de casamento eu te jogo ácido nessa sua cara de gigolô. — proclamou Santana abrindo a porta do apartamento e entrando com algumas sacolas sob olhares indagadores. — Convenci Britt de que ela precisava ficar um pouco com os pais antes de nos casarmos.
Rachel pulou do sofá onde estava espremida entre Finn e Sam, para ajudar a latina com as sacolas.
– Comprei algumas fitas e encomendei as flores. — explicou ela deixando as sacolas em cima do balcão. — Onde estávamos?
Aparentemente, Brittany não estava ciente sobre a festa, e Rachel só tinha sido avisada agora.
– Achamos que precisa ter um numero boy band. — contou Puck afrouxando a gravata e pegando outra lata de cerveja na mesa de centro.
– Algo como Backstreet Boys. — comentou Mike sentado no chão ao lado de Tina
Santana estalou os dedos e apontou para ele.
– É disso que estamos falando, esses caras são os únicos que ainda conseguem me fazer sentir algo no meio das pernas.
Rachel resmungou algo inaudível bem na hora em que todos silenciaram-se. Todas as cabeças viraram curiosas para ela que encolheu-se e voltou a sentar-se em seu canto apertado.
– Não se preocupe, Berry, você vai ter seu solo. — disse Santana arrancando risadas dos outros e uma carranca de Rachel. — Puck, eu preciso de muitos seguranças, a festa vai estar cheia de famosos e eu não quero problemas justo nesse dia.
– Pode deixar. — respondeu o rapaz batendo continência de brincadeira.
– Apenas reforce a segurança de Mercedes, Quinn e Rachel. — continuou séria. — Quero que cubra o perímetro, essa vai ser a festa do ano.
***
Quinn estava muito silenciosa no carro. Frannie lançava alguns olhares de esguelha vez ou outra, estava preocupada com a irmã, pois nunca tinha sido tão silenciosa. Assim que chegaram em casa, notaram o silencio da mansão e concluíram que estavam sozinhas. Melhor, estavam em paz. Frannie ligou a TV em um canal sobre moda e Quinn apenas jogou-se no sofá e fingia assistir algo.
Ela cutucava seu braço com a unha distraidamente, pensando em uma maneira de pedir a Rachel o terceiro livro, que obviamente tinha ficado na mansão junto de suas anotações e documentos, até sentir uma elevação no antebraço esquerdo.
– O que é isso? — perguntou a si mesma um puco assustada.
Frannie ouviu e desligou a TV olhando para o que a irmã mais nova mostrava.
Uma cicatriz.
– Dois anos atrás você foi atacada por uma fã psicótica. — explicou ela. — Rachel apareceu no mesmo instante em que viu você cair e deu um soco na garota, em seguida berrou em plenos pulmões com o segurança e o despediu.
Quinn piscou algumas vezes abobada e olhou novamente para a cicatriz em forma de V em sua pele clara.
Frannie levantou-se e aproximou-se da irmã.
– Vem comigo, quero te mostrar uma coisa. — Quinn levantou e seguiu a irmã mais velha até o sótão, onde ela quase nunca entrava por ter medo. — Você tem uma outra cicatriz na perna direita, essa foi causada em uma ocasião muito engraçada. — enquanto ela falava, Quinn passou a mão na perna e novamente sentiu uma elevação.
Quando chegaram ao quarto, Frannie ligou a luz e Quinn afastou alguns passos. Seus olhos brilharam assim que avistaram tantas fotos suas em capaz de jornais e revistas pendurados pelo quarto.
– Mamãe guardou tudo o que saia sobre você, escondido de papai, é claro. — disse caminhando pelo sótão abrindo os braços. — E sobre a cicatriz... — olhou a sua volta e pareceu encontrar o que procurava. — Rachel estava sendo entrevistada quando sem querer pisou no próprio vestido e caiu, você tentou ajudá-la, mas acabou caindo por cima e rolou sob algumas pedrinhas, uma delas entrou na sua perna... — a mais velha entregou uma foto de duas garotas que riam divertidamente jogadas no chão, a loira tinha sangue na perna e mesma assim ria. — Por isso e outras coisas vocês se tornaram tão queridas e...
– Pare, ta legal? — pediu Quinn jogando a foto em uma caixa e levantando as duas mãos para a mais velha. — Eu sei o que está tentando fazer, mas não precisa incluir Rachel em todas as nossas conversas.
Frannie tinha empalidecido, a muito tempo que estava cansada da infantilidade da mais nova.
– Eu não tenho culpa se o seu passado inclui Rachel. — defendeu-se passando por Quinn. — A cada cinco palavras, quatro eram sobre Rachel e você sempre enchia-se de animação para falar sobre ela, então não me venha fazer perguntas se não quiser ouvir o nome dela. Se eu fosse você, iria parar de agir como covarde e enfrentar o mundo lá fora ao invés de se esconder atrás de nossos pais e deixar que eles te controlem!
Houve um baque forte a porta foi fechada violentamente. Quinn cambaleou um pouco e começou a perder o ar, apoiou-se na parede e controlou a pulsão em seu corpo. Por que todos tinham que achá-la uma covarde?
***
– Tudo bem, eu quero agora o refrão. Preparar: 1, 2, 3. 1, 2, 3. 1, 2, 3... — Brittany conduzia Rachel e os dançarinos pelo pequeno palco no fundo da casa. Era dia e ensaio e todos estavam muito exaustos pela correria do casamento. — Está fazendo errado Jeremy. — disse calmamente. Então ajudou o rapaz a girar e cair na posição certa. — Muito bem, chega por hoje. Bom trabalho, pessoal.
Os dançarinos bateram High Five e desceram do palco em fila, sobrando apenas Brittany, Mike e Rachel sentados.
– Mais alguns dias assim, e vou morrer em pé. — disse Rachel virando uma garrafa de água na própria cabeça e bufando de cansaço.
Tinham ensaiado 4 músicas naquela manhã e o corpo recém recuperado de Rachel aclamava por descanso, cama, água. Mike riu alto e Brittany deu de ombros.
– Você precisa usar todo o seu folego para cantar e dançar, além disso, quero você inteira para meu casamento.
Rachel revirou os olhos. Claro, como se ela fosse uma maquina de oxigênio e o frio estivesse ajudando alguém naquela época do ano.
– Espero que gostem do show. — disse mais para si mesma massageando as pernas e se levantando para desligar o som.
– Eles vão amar, Rach. — tranquilizou Mike levantando-se também e aquecendo o corpo. — Você já é amada, esse show é apenas para mostrar que a Diva está de volta.
Isso ela não podia negar, ela simplesmente tinha realizado o sonho de se tornar amada por todos e ter toda a atenção voltada para si. Claro que alguns dias era simplesmente insuportável encontrar paparazzis ou fingir um sorriso para fãs, de alguma forma tornava-se cansativo, mas muito compensador.
Santana apareceu no jardim carregando um buque de flores, Rachel observou Brittany saltar da estrutura e correr em direção a noiva que a recebeu com um beijo caloroso e entregou as flores. A pequena sorriu sem perceber e acenou para a latina, esta que franziu o cenho e fez sinal para que ela descesse também. Contra a vontade, Rachel largou sua garrafa de água e desceu os degraus, mas foi nesse mesmo instante que seus olhos localizaram uma loira aproximando-se logo atrás de Santana. Como na outra vez, Rachel paralisou e amaldiçoou-se por estar suada e descabelada.
– Viu um fantasma, Berry? — perguntou Santana ofendida fechando a cara, Rachel a ignorou e caminhou a passos lentos ate Quinn parada atrás da latina que virou-se. — Jesus, Maria e José, Fabray!
Brittany gargalhou da noiva e logo deu um abraço apertado em Quinn que também ria.
– Vadia, desgraçada, filha de uma mãe, junção de chimpanzé com orangotango... — resmungava Santana com a mão no coração, Quinn apenas a abraçou e bagunçou os cabelos da latina.
– Você sempre tão carinhosa. — brincou recebendo mais xingamentos. Então sentiu quando Rachel estava perto e rapidamente fechou o sorriso e notou que estava sem jeito. — Oi, Rachel.
A pequena nunca iria confessar, mas estava tendo um treco ali mesmo em frente a garota que ela mais amava em todo o planeta.
– Oi... — respondeu com a voz falha. Santana assobiou e segurou a mão de Brittany:
– O pessoal já está chegando para a reunião, quero você lá Fabray, encontramos vocês na sala. — e dito isso, saiu trotando sob as risadas de Mike que logo estava ao lado de Rachel.
– Hey, Quinn, muito bom ver você. — ele deu um beijo em seu rosto. — Encontro você mais tarde, certo?
Quinn balançou a cabeça e sorriu para o rapaz quando ele passou por ela, deixando então um clima totalmente tenso para trás. Rachel apertou um pouco o rabo de cavalo e começou a brincar com o zíper da blusa, e quando Quinn a olhou, parecia calma e serena.
– Tudo bem com você, eu espero?! — perguntou com a cabeça baixa.
– Sim, é claro. — respondeu a pequena com um sorriso. — E você?
– Estou bem. — silencio. — Eu...Bom, eu vim buscar o terceiro livro, estou lendo e...
Rachel saltou com os olhos arregalado e seu sorriso iluminou-se.
– É claro que sim, Quinn, está no seu escritório. — esticou o braço pedindo para que a loira a seguisse até a casa. — Eu não entrei lá depois...Depois que...Você sabe. — terminou sem jeito.
Elas entraram pela porta dos fundos que dava direto na cozinha, Quinn rapidamente relembrou seu primeiro dia ali e sentiu remorso pela forma que tratou Rachel. Seguiram pela sala de jantar e puderam ouvir Santana, Brittany e Mike jogando X-Box.
– Eles não cresceram? — perguntou Quinn achando graça da gritaria vindo da sala.
– Oh, esses três são considerados as crianças do nosso grupo. — informou a pequena um pouco mais descontraída, sentindo-se confortável. Abriu uma grande porta no final do corredor revelando o escritório de Quinn.
Estava exatamente do mesmo jeito que tinha deixado na outra em que saiu para fazer o show e a deixou pensativa. Ainda podia ver um reflexo de Quinn sentada na cadeira com uma mão na cabeça e a outra batucando impaciente na mesa, dizendo que ainda faltava algo, e que ela só não sabia o que. Quinn parecia maravilhada com todos aqueles papeis espalhados, fotos sua e de Santana e logo na parede atrás da mesa, um grande quadro dela com Rachel sentada em seu colo.
– Veja, suas coisas estão todas aqui. — dessa vez Rachel precisou controlar o choro e evitar os olhos da loira. — E o livro está aqui, e esta é a roupa que usava na noite do acidente, pensei que gostaria de tê-la.
Entregou o notebook fechado para Quinn e uma sacola. A loira o analisou atentamente e depois o guardou na bolsa de lado que carregava evitando a nostalgia que a invadiu.
– É melhor irmos para a sala, estão nos esperando. — disse sem jeito tentando sair de perto do olhar suplicante que Rachel tinha para ela agora.
Mas, contrariando suas palavras, não se moveu, e nem a pequena. Ambas permaneceram paradas observando uma a outra, canalizando sentimentos que seus corações insistiam em sentir. Quinn sabia que tinha algo muito grande com Rachel, ela podia sentir a energia que as puxava uma para a outra, só não tinha vontade de estar com a pequena, e nem mesmo podia ver esses sentimentos claramente.
– Quinn? — ouviu a voz fraca chamar, então voltou ao mundo real e se deu conta de que ainda estava frente a Rachel. — Olhe o bolso da calça.
Quinn estranhou o pedido, chegou a pensar em rir, mas obedeceu. Deixou a bolsa em cima da mesa e tirou a sacola de lá de dentro, e assim a calça rasgada e suja de sangue. Rachel desviou os olhos da calça, já Quinn não tinha mais medo de rever seu próprio sangue. Enfiou a mão no bolso direito e depois no esquerdo, virou a calça e enfiou novamente no bolso direito onde localizou um pedaço de papel. A loira franziu o cenho e abriu a boca. Rachel apenas afastou-se um pouco e encostou o corpo na parede enquanto esperava que Quinn lesse o papel amassado na sala mal iluminada.
– "Não se esqueça de comprar sorvete de morango."? – leu a loira levantando os olhos em questionamento para Rachel.
– Atrás.
Quinn virou o papel e leu a frase em tinta preta. Ela não saber descrever a sensação que sentiu nesse mesmo momento, o ar lhe faltou? Sim. E sentiu uma pontada forte na cabeça, o tipo de pontada que sentia quando sua cabeça era obrigada a pensar demais, receber informações demais, sentir demais...
– "Ainda vai me amar amanhã de manhã?". – leu pausadamente com a mão trêmula. O silencio novamente foi estabelecido enquanto as vozes de mais pessoas alegres podiam ser ouvidas no outro comodo.
Rachel deu um suspiro pesado e limpou uma gota de suor que insistia em cair.
– Isso foi na noite do acidente...
"Os seguranças já a esperavam na porta de casa e a policia tinha armado um cerco para os paparazzi, pois aquela definitivamente seria sua noite para brilhar. A noite em que finalmente faria seu décimo show, e os fãs tinham até mesmo levantado tag naquela tarde. Kurt tinha saído primeiro para preparar sua entrada, e Quinn iria logo depois que finalizasse o capítulo do livro. Rachel dispensou as empregadas para uma folga e abriu a geladeira para beber um pouco de água antes de ir, assim que fechou, viu um papel rosa com a letra perfeita de Quinn dizendo sobre o sorvete. A pequena sorriu, pegou o papel e caminhou apressadamente até o escritório onde Quinn permanecia sentada com a mão na cabeça e a outra batucando na mesa impaciente. A loira não a viu quando entrou sem fazer o menor barulho, então caminhou na ponta dos pés até uma outra mesa próxima a porta e pegou uma caneta, saindo logo em seguida achando graça da situação. Correu de volta para a cozinha e escreveu apressadamente uma frase e beijou o papel. Colou novamente na porta da geladeira e saiu em direção a porta, em direção a sua grande noite."
– E quando eu estava no camarim me preparando para entrar, você me mandou uma mensagem dizendo que carregaria para sempre esse papel com você. — terminou deixando que as lágrimas descessem.
Que se dane a vergonha, que se dane seu ego ou qualquer outra coisa. Em frente a Quinn ela era apenas uma garotinha apaixonada que estava enlouquecendo sem poder tê-la em seus braços novamente. Quinn também chorava, não sabia se de emoção, ou por não conseguir acreditar que tinha feito tudo aquilo com Rachel.
– Por que está fazendo isso comigo? — perguntou a loira suplicante.
Rachel deu alguns passos automáticos em direção a ela para enxugar suas lágrimas, mas recuou assim que caiu em si novamente.
– Porque eu preciso que você seja minha de novo.
Quinn balançou a cabeça desacreditando daquelas palavras e guardou a roupa apressadamente na bolsa.
– As coisas nunca deveriam ter acabado assim, você não podia ter vindo atrás de mim. — disse freneticamente fazendo força para que a roupa entrasse. — Você teve uma escolha, e escolheu logo a mim!
– Eu nunca tive escolha! — a voz de Rachel saiu grave e intensa, Quinn parou de mexer nas coisas e ficou apenas encarando sua bolsa. — Sempre foi você, Quinn.
Ouviram alguém bater na porta e logo a voz de Tina preencheu o escritório:
– Sem querer interromper, mas já estamos esperando a um bom tempo...
– TINA! — dessa vez foi Santana berrando e a asiática desapareceu pela porta da mesma forma que apareceu.
Rachel tentou dizer alguma coisa, mas nesse meio tempo Quinn já tinha arrumado suas coisas e agora estava próxima a pequena, com um olhar meigo e doloroso.
– Eu espero um dia poder te amar da mesma forma que você me ama.
"Na maior parte das vezes, aquilo que você mais quer é aquela coisa que você não pode ter"
A pequena fechou os olhos ao sentir aquele halito tão perto do seu, precisou controlar-se para não jogar os braços em volta da loira e puxá-la para si.
– Já conseguiu uma vez, eu sei que pode conseguir de novo. — sussurrou abrindo os olhos e obrigando seu corpo a sair dali.
Sem dizer mais nada, as duas caminharam até a sala onde o grupo todo estava reunido silenciosamente, e é claro, todos grudaram os olhos nelas quando apareceram juntas. Quinn sentiu um alivio terno quando viu Puck e acenou alegre para ele indo sentar-se ao seu lado, ato que não passou despercebido por Rachel que apenas abaixou a cabeça tristemente e sentou ao lado de Kurt.
"O desejo nos parte o coração, nos esgota."
Santana pigarreou chamando a atenção dos outros que rapidamente voltaram aos seus afazeres como: cortar fitas, separar rosas, contar copos...
– Onde está Brittany? — perguntou Rachel curiosa olhando para todos os lados a procura da dançarina.
– Mike foi confirmar a juíza, então pedi que levasse Brittany para que nós possamos terminar os preparativos da festa. — respondeu a Santana fazendo uma lista. — Vejamos isso: Sam, Finn, Puck, Artie e Blaine vão cantar Backstreet Boys. Rachel, minha filha, seu solo será transformado em um dueto por motivos de reclamação de todos aqui.
Rachel abriu a boca pasma. O pessoal deu de ombros e ouve alguns murmúrios, mas ninguém teve coragem de debater com ela o motivo de tal opinião.
"O desejo pode ferrar com tua vida."
– Ótimo. — resmungou cruzando os braços. Kurt a abraçou rindo acompanhado de Mercedes. Santana pegou uma sacolinha e inclinou em direção a Rachel.
– Seu parceiro será tirado na sorte, então faça as honras.
Todos ficaram na expectativa, Artie até mesmo esfregou as mãos e Blaine alisou seu cabelo cheio de gel. Santana tinha os lábios crispados e um olhar assassino que assustou Rachel. Ela enfiou a mão no saquinho e sentiu vários papeis, fechou os olhos e tirou o primeiro que sua mão conseguiu agarrar. Entregou para Santana que o abriu e o encarou pelo que pareceu meia hora.
O olhar da latina levantou diretamente para Quinn, e todas as outras cabeças correram também para a loira que corou violentamente. Rachel levou as mãos a boca descrente que tinha tirado Quinn.
– Tudo bem, nós podemos tirar outra pessoa, eu não vou forçar Quinn a...
"E por mais duro que seja querer muito uma coisa"
– Eu faço! — exclamou Quinn de seu canto determinada.
Santana sorriu vitoriosa e os outros entreolharam-se. — Tudo bem, Rachel, nós vamos fazer esse dueto. — confortou a pequena com um sorriso meigo.
Kurt e Mercedes bateram High Five, Sam sorriu orgulhoso para Quinn, Finn olhou de uma para outra confuso, Puck não tinha expressão nenhuma em seu rosto. Tina, Blaine e Artie tinham voltado aos seus afazeres. Mike apareceu correndo na sala anunciando que eles tinham chegado, então todos começaram a correr e a guardar as coisas, as únicas que continuavam paradas eram Quinn e Rachel que não tinham feito nada, mas também não se encaravam mais. Brittany entrou sorridente logo depois e abraçou Santana que bufava de cansaço pela correria, o pessoal retomou a conversa e as risadas até Sam e Blaine decidirem montar o tapete de dança.
Rachel viu o saquinho que tinha tirado os papeis jogado no chão perto dos seus pés, achou estranhou, então o pegou e o levou até a cozinha para esconde-lo de Brittany.
Curiosa, e sem a minima vontade de voltar a sala e ver Quinn e Puck sorrindo um para o outro, começou a brincar com os papeis e a desdobra-los. O que ela não esperava, era encontrar o nome de Quinn em todos eles, escritos por uma só letra.
– Santana!
"As pessoas que sofrem mais são aquelas que sequer sabem o que querem."
Fale com o autor