Para Sempre Faberry
5 Pedaços
Notas iniciais
E obrigada a todos que estão comentando ou apenas lendo, vocês sabem deixar uma pessoa feliz. :')
Enfim, mudando rapidinho de assunto, alguém ai faz ou conhece alguém que faça capaz com manip? Eu vou precisar de uma pra nova fic Faberry que estou planejando e :33 Vocês querem mais uma? Seria totalmente diferente...
De volta para a história, Rachel é adorável, por favor u.u E, não me matem pelo final, porque né... Tenho medo que um dia vocês descubram meu endereço e-e Beijão a todos ♥
Não dá para saber qual dia será o mais importante da sua vida. Os dias que você pensa serem importantes nunca atingem a proporção imaginada. São os dias normais, os que começam normalmente que acabam se tornando os mais importantes.
O som do despertador ecoava em sua mente tão distante, que ela preferia ignorá-lo. Mas, a luz do sol vindo direto da sacada fez seus olhos abrirem e fecharem repetidas vezes. Quinn bufou irritada, odiava quando sua mãe a tratava como criança. Desde que se conhece por gente, lembra de todos os dias Judy entrar as oito em ponto em seu quarto, abrir a porta da sacada e chamá-la a cada vinte minutos para o café, ou caminhada.
Quinn odiava caminhar.
Na verdade, tinha adquirido o hábito de acordar, comer e ir direto para o treino das Cheerios. Agora que sua memória tinha pulado toda a etapa do ensino médio e vida pós colégio, apenas lia livros, ou assistia TV o dia todo, podia até jurar que tinha engordado alguns quilos e estar mais mimada do que de costume. Russell não sabia do interesse da filha pelos livros publicados, e não comentava sobre isso com mais ninguém por vergonha. Judy mantinha-se presa no automático, fazia de conta que nada tinha acontecido e que sua filha perfeita sempre estivera ali. Frannie, é claro, não acreditava na mentira que todos estavam vivendo, mas não podia forçar mais coisas agora que Quinn e ela não estavam se falando.
Sentada em frente a TV, comia algumas torradas com leite enquanto assistia ao noticiário da manhã, seus pais tinham saído para uma reunião da empresa e Frannie estava na faculdade. Lambeu os dedos e tomou um ultimo gole de leite, estava cheia por agora, então deixou o prato no sofá e pegou o controle remoto para mudar de canal.
"A estrela da Broadway, Rachel Berry, está se preparando para um show em Los Angeles para o próximo mês. Kurt Hummel, seu by Text-Enhance\">empresário, disse que Rachel está feliz por voltar aos palcos." -
Quinn endireitou-se no mesmo instante e aumentou o volume da TV.
A câmera abriu e uma mulher entrou em foco.
"Eu não sei você, David, mas estou ansiosa para ver nossa Diva finalmente de volta."
David concordou.
"Espero que ela continue firme, e que em breve também possamos ter Quinn Fabray de volta com o ultimo livro da saga Sol da meia noite. — virou-se para a câmera 4. — E depois do intervalo..."
Quinn desligou a TV e deixou o controle de lado. As pessoas lá fora ainda se importavam com ela e Rachel, esperavam uma reconciliação ou aproximação. Sorriu. Rachel realmente era uma pessoa adorável e difícil de estar longe. Não que isso a fizesse estar apaixonada pela pequena, era apenas bom ter alguém que quisesse cuidar dela com tanto amor.
E por falar em Rachel, tinham um dueto para ensaiar, e muita coisa para discutir, como sabia que aconteceria. A primeira coisa que pensou foi em uma desculpa para seus pais...Academia? Eles sabiam que ela odiava exercícios. Festa? Quinn não gostava de festas. Ela não costumava ter um namorado favorito deles? Algo como Sammy...
Oh, é claro. Sam Evans.
Deixou o recado com a by Text-Enhance\">empregada e rapidamente subiu para se preparar, estava orgulhosa de si mesma, finalmente as coisas pareciam um pouco mais claras e ela já não odiava mais Rachel. Apenas não a amava, o que não era tão ruim quanto estar sendo infantil aos olhos das pessoas...Certo? E Rachel a fazia sorrir. Sim, ela tinha certeza que acabara de ganhar uma amiga-ex-mulher. Soa estranho? Imagine para Quinn. Pegou o celular pronta para ligar para Rachel, mas então notou que não sabia, ou não se lembrava, do numero dela.
Quinn: Santana?
Esperou batendo o pé impacientemente na varanda até seu celular vibrar.
Santana: Vá se foder, eu estava dormindo!
Quinn: Educação mandou lembranças.
Santana: E eu mandei você se foder. O que quer?
Quinn: Sabe onde a Rachel está...?
Santana: Sério? Me acordou no meio de um lindo sonho para me perguntar sobre a Berry? Tenho cara de sombra dela? Esposa? Segurança? O que você quer com ela, em? e-e
Quinn: Ensaiar...
Santana: ...
Quinn: VAI LOGO, SANTANA!
Santana: NÃO GRITA COMIGO! Ela está ensaiando na Broadway, tchau.
Quinn: Obrigada.
Deu um longo suspiro e guardou o celular novamente na bolsa. Sabia que não seria muito saudável a verem entrando na Broadway com Rachel lá, ainda mais se seus pais descobrissem. Mas, e se ela não o fizesse? Ficaria trancada todos os dias em casa esperando que Puck a convidasse para sair?
– Broadway, por favor. — pediu ao motorista assim que entrou no carro. — E Jack? Não conte a ninguém.
O motorista balançou a cabeça afirmativa e em troca, recebeu um sorriso sincero. Ela precisava parar de pensar nas consequências que teria se caso Russell descobrisse, Quinn só não sabia se era o certo. Já tinham se passado três semanas desde o acidente, Rachel tinha sido adorável com ela, e os membros do Glee, assim como o mundo inteiro, pareciam sentir a dor de Rachel em perdê-la. Ela só queria entender o porque de todos estarem ao lado da pequena, até mesmo Santana a defendia. Será mesmo, que depois de tantos anos como a rainha do gelo, alguém tinha conseguido amá-la pelo que era por dentro, e não pelo que mostrava ser por fora? Rachel tinha entendido todas as suas magoas e medo?
O carro parou e a loira desceu, foi um alivio não encontrar nenhum fotografo na rua movimentada, mas ao longe algumas pessoas pareciam reconhece-la, então pediu ao motorista que voltasse e correu até a grande porta com dois seguranças barrando a entrada.
– Eu posso entrar? — perguntou tímida, apontando para a porta.
O segurança magro fechou a cara para ela e respondeu seco:
– Ensaio fechado, criança.
O outro segurança cutucou o parceiro e se aproximou para cochichar, Quinn apurou os ouvidos para ouvir o que ele dizia:
– Essa é Quinn Fabray, cara, a ex mulher da senhorita Berry.
O outro surpreendeu-se e analisou novamente Quinn de cima a baixo. Estava tão diferente assim que não estava mais sendo reconhecida pelos próprios seguranças? Ou ex seguranças. Tanto faz.
– Desculpe a grosseria. — corrigiu-se o magro. — Ela está sozinha lá dentro.
E abriu a porta para que Quinn entrasse. A loira agradeceu e entrou hesitante, na verdade nunca tinha estado lá antes, não que se lembrasse, é claro. E concluiu que o segurança estava certo, o lugar estava totalmente vazio e escuro, a não ser, por uma unica luz ao longe refletindo um piano preto em frente a um cenário natalino e uma voz doce ecoando pelo espaço vazio. Notou também a neve artificial no chão e de frente para o piano, estava Rachel trajando um vestido branco e botas. Ela dedilhava uma melodia que Quinn pensou já ter ouvido em algum lugar, e foi frustrante não poder lembar onde.
Então lentamente caminhou no corredor entre as fileiras enquanto acompanhava a canção de Rachel.
So take a look at me now, 'cause has just an empty space
(Por isso dê uma olhada em mim agora, porque há apenas um espaço vazio.)
And there's nothing left here to remind me,
(E não restou nada para me recordar)
just the memory of your face
(Apenas a lembrança do seu rosto)
Just take a look at me now, who has just an empty space
(Só dê uma olhada em mim agora porque há apenas um espaço vazio)
And you coming back to me is against the odds
(E você voltar para mim está contra todas as chances)
And that's why I've gotta take
(E é isso que tenho que enfrentar.)
Quinn sentiu a dor na voz de Rachel refletida naquelas letras. Parou de caminhar quando estava a uma boa distancia para assistir e sentou na primeira poltrona com os olhos brilhando. Rachel estava chorando?
I wish I could just make you turn around,
(Eu queira poder fazer você voltar)
turn around to see me cry
(Voltar e me ver chorando)
There's so much I need to say to you,
(Há tantas coisas que preciso lhe dizer,)
so many reasons why
(Tantas razões pelas quais)
You're the only one who really knew me at all
(Você é a única que realmente me conheceu por inteiro)
Por um curto espaço de momento pensou em subir naquele palco e jogar aquele piano para longe, acabar com a música e calar a voz melodiosa de Rachel, assim, calaria todos aqueles sentimentos angustiantes dentro da pequena que agora afetavam Quinn diretamente. A expressão de Rachel era de dor, as lágrimas brilhantes não descansavam e insistiam em descer.
But to wait for you, is all I can do
(Mas esperar por você é tudo o que eu posso fazer)
and that's what I've gotta face
(E é isso que eu tenho que enfrentar)
Take a good look at me now, cause I'll still be standing here
(Dê uma boa olhada em mim agora porque ainda estarei parado por aqui)
And you coming back to me is against all odds
(E você voltar para mim está contra todas as chances)
and that's what I've got to face
(E é isso que eu tenho que enfrentar)
Rachel fez uma pausa e soltou um longo suspiro, Quinn aproveitou para aproximar-se mais encantanda.
Take a look at me now
(Apenas dê uma olhada em mim agora!)
Sem pensar duas vezes, Quinn bateu palmas lentamente, orgulhosa. Rachel levou uma mão ao rosto por conta da luz forte dos refletores e quase caiu para trás quando viu quem a estava aplaudindo. Tirou as mãos rapidamente do piano e levantou-se desconcertada.
– Eu não acreditava em anjos até alguns minutos atrás. — comentou a loira sabendo que estava deixando Rachel mais vermelha. Riu irônica e sentou em uma das cadeiras da primeira fileira. — Bonita canção.
Rachel arrumou as partituras desengonçada e lançou um olhar sério quado ouviu as palavras de Quinn.
– O que está fazendo aqui? — perguntou, mas arrependeu-se logo em seguida quando percebeu que soou sem educação. — Desculpe. Eu não esperava por uma visita agora, você costuma acordar tarde, assistir TV para só assim fazer algo.
Quinn uniu as sobrancelhas impressionada, Rachel percebeu ter dito bobeira mais uma vez e voltou a arrumar as partituras para não ter que encarar a loira.
– De qualquer forma, — retomou Quinn divertida. — pensei em ensaiar esta manha. Podemos almoçar juntas se você quiser. — finalizou recebendo um olhar desconfiado. — Gosto de você, Rachel. Como amiga, mas gosto. — a pequena continuou remexendo nas pastas e folhas sem dar atenção para a loira. Quinn pigarreou alto. — Por que não senta ao meu lado?
Saiu mais como um pedido impaciente, odiava ser ignorada. Odiava que Rachel a ignorasse.
A pequena parou mais uma vez de remexer nas pastas e fechou o piano. Desceu as escadas sem transparecer nenhuma expressão e caminhou até a fileira onde Quinn se encontrava sentada.
– O palco vai ser usado daqui a pouco por Brittany e Mike, e se me permite ser sincera, Quinn, — olhou para a loira. — eu não tenho a minima ideia do que deveríamos cantar.
Quinn sorriu divertida.
– Isso realmente significa alguma coisa. — Rachel concordou com a cabeça e as duas se calaram. — O almoço ainda está de pé? — perguntou fazendo uma cara engraçada para a pequena que não conseguiu prender a risada
– Só se você for caminhar comigo. — respondeu Rachel fingindo que analisava as próprias unhas. — Nós...Eu, — corrigiu-se. — costumo caminhar todas as manhãs antes ou depois dos ensaios, pelo menos até a neve chegar.
A porta abriu e fechou, as duas olharam assustadas para a cortina do palco e viram alguns dançarinos entrando. Quinn batucou os dedos no braço da cadeira pensando no que responderia. Ela tinha ido até ali sem a permissão dos seus pais para ensaiar, depois tinha marcado um almoço e agora estava prestes a caminhar.
Ela odiava caminhar, odiava qualquer coisa que tivesse a ver com suor e cansaço, com exceção, é claro, das cheerios. Mas isso parecia ser a tanto tempo que seu corpo todo pedia por descanso todos os dias.
– Está bem, Berry, eu vou com você. — disse por fim batendo a mão uma na outra.
Rachel fez sinal de vitória e levantou animada puxando Quinn pela mão, foi algo novo para a loira, mas ela não se importou em sorrir um pouco mais ao lado de Rachel naquela manhã. Saíram pela porta da frente e foram recebidas por vários flashs dos fotógrafos que as esperavam, os dois seguranças tentaram proteger as duas e a pequena teve medo da reação de Quinn, mas tudo o que receber foi um apertão mais forte na mão e foi conduzida para um carro estacionado do outro lado da rua.
Quinn tinha certeza que agora a cidade toda sabia que estava com Rachel, e só de pensar que seu pai poderia estar sabendo disso neste exato momento, fazia a loira repensar seus atos.
– Eles sempre sabem onde estamos. — concluiu Rachel rastejando-se até o banco da frente e cochichando algo para o motorista. — Muito bem, Fabray, vire-se. — pediu rodando o dedo indicador no ar.
– Por que? — perguntou confusa. — Vai abusar de mim?
As duas riram.
– Não é muito confortável caminhar de vestido e botas, sabia? — explicou apontando para o próprio corpo.
Quinn fez bico e cruzou os braços em desafio.
– Pensei que já tivesse visto seu corpo todo, Berry. — brincou fazendo bico, dessa até mesmo o motorista sorriu e Rachel corou violentamente.
Brincadeira a parte, a loira virou-se incomodada e apoiou os braços no encosto do banco, e sem querer, conseguiu ver pelo reflexo do vidro a silhueta de Rachel seminua. Quis se jogar do carro quando percebeu seu rosto esquentar e a vontade de olhar maior ainda. Ótimo Fabray, agora além de achar as pernas da Berry interessantes no colégio, você também acha o corpo, pensou fechando os olhos com força e reprimindo os pensamentos.
– Pode olhar. — ouviu a voz fraca dizer. Abriu os olhos levemente e girou o corpo se perguntando se o mundo poderia perceber que ela estava pegando fogo. — Nós já chegamos, venha.
Observou a figura sair do carro com a mochila e olhou para o retrovisor onde seu motorista esperava por um comando. Ele maneou a cabeça e deu um pequeno sorriso em conforto. Estava tudo bem. Ela sabia disso, e se não ficasse, que se dane. Colocou seus óculos escuros e desceu.
– O que?! — exclamou espantada quando se deu conta de onde elas iriam caminhar. — Não, não, não, não...
– Quinn, você confia em mim, não confia? — tranquilizou Rachel segurando a mão dela e lhe entregando uma garrafa de água. — Você adorava caminhar aqui.
Em choque, Quinn olhou outra vez para a entrada do bosque. Árvores, muitas delas, e terra, animais...Oh, Deus, sua mãe arrancaria sua cabeça.
– Eu vou morrer ai dentro, tem terra. — reclamou sendo arrastada por Rachel que balançava a cabeça e revirava os olhos. — O que é isso?! — gritou quando sentiu algo em seu ombro.
– É uma borboleta. — a pequena voltou e estendeu o dedo indicador para o ombro da loira, e então voltou com uma borboleta azul parada nele.
– Ah, eu sabia. — disse Quinn arrumando o cabelo. — Ela é bonita.
Nisso as duas concordaram, a linda borboleta bateu as enormes asas e levantou voo por entre as arvores. As duas mulheres a observaram voar livremente para longe. Quinn recebeu uma piscadela de Rachel e voltaram a caminhar pela pequena estrada de terra, o cheiro da natureza fez a loira fechar os olhos e se perguntar quando tinha sido a primeira vez que sentira aquilo.
– Já podemos voltar? — perguntou depois de dois minutos caminhando.
Sentia seus pés doloridos já, sério.
– Você reclama demais, e nós vamos até o riacho. — avisou a pequena apontando para o horizonte onde Quinn forçou-se a olhar a procura de um riacho, mas não via nada além de árvores. — Sabe que vamos ser capa de revistas, não sabe?
O assunto pegou-a desprevenida, Quinn espantou alguns mosquitos e tomou um gole da água.
– Eu não me importo com isso agora. — disse. — Eu não vou deixar de sair com você por causa das revistas, isso seria covardia... — sua frase morreu na ultima palavra. Rachel sabia que o ponto fraco da loira era ser chamada de covarde e que naquele momento de suas vidas, o país inteiro parecia pensar isso dela.
– Obrigada. — agradeceu abaixando-se para pegar um pedaço de pau.
Quinn a olhou e sorriu em conforto. As duas continuaram a caminhada pela estrada acidentada e sob as reclamações da loira por conta dos mosquitos, Rachel nem ligavam mais e apenas concordava com os ataques. E não demorou muito para Quinn pular com expressão de nojo e ameaçar pisar.
– Não faça isso! — pediu Rachel puxando o corpo da loira para trás.
– É uma lagarta, que nojo! — Quinn exclamou.
Rachel se agachou e a lagarta subiu em seu dedo, logo depois ela se levantou mostrando o inseto para a loira que contraiu o rosto com nojo.
– As pessoas são assim, — ela disse observando o inseto. — julgam o que vêem. — aos poucos a lagarta começou a se contorcer no dedo indicador de Rachel, até por fim, se tornar uma borboleta colorida. — Mas não pensam que até uma lagarta pode se tornar uma borboleta.
E elevou o braço para que a borboleta voasse atrás de sua companheira. Quinn olhou toda a cena maravilhada, e humilhada. Ela não diria isso da borboleta se a tivesse visto apenas em sua real forma como a poucas horas atrás. Perguntou-se se aquela filosofia tinha a ver com ela e Rachel, e abaixou a cabeça quando se deu conta de que tinha.
– Oh, o riacho! — gritou passando pela pequena e correndo até o pequeno riacho. — Finalmente.
Passou a mão na água e limpou o rosto sendo imitada por Rachel que encheu a garrafinha de água e jogou um pouco de água em seu rosto.
– Agora descemos até o Eucalipto. — disse a pequena jogando a mochila novamente nas costas e voltando a caminhar.
Quinn abriu a boca e apontou o dedo acusadoramente para Rachel.
– O que? Você disse que era até o riacho!
– Sim, é o primeiro ponto. — riu sinal sinal para que a loira a seguisse — Pare de moleza, Quinn, eu precisava pedir para você parar quando vinhamos caminhar.
Observou Rachel passar por ela e desejou ter uma pedra por perto só para lançá-la na cabeça da pequena. Contrariada, olhou para trás esperançosa, mas sabia que não conseguiria encontrar o caminho de volta sozinha e sua unica opção era seguir a Diva mandona.
– Eu já devo ter mencionado alguma vez em minha vida que odeio você. — resmungou chutando um graveto e alcançando uma Rachel sorridente. — E meu tênis está sujo!
– Você reclama demais, Quinn, talvez se usasse toda esse energia para caminhar, seu corpo estaria um pouco mais saudável. E eu realmente espero que você não desmaie aqui, ou então amanhã mesmo estará em toda a mídia que Rachel Berry não aceitou o fim do casamento com Quinn Fabray e assassinou a ex esposa no bosque da cidade...
Quinn arregalou os olhos assustada com a criatividade da pequena e tomou mais um gole de água, seus pés pediam por descanso.
– Já estamos chegando? — perguntou novamente praticamente arrastando o corpo. — Meu estômago está roncando e o tempo está para chuva.
E novamente, Rachel de seu discurso sobre saúde e algo sobre ter dado no jornal que não iria chover naquele dia. E assim passaram-se 3 horas, as duas chegaram ao Eucalipto e Quinn praticamente o agarrou emocionada, até receber a noticia de que tinha um terceiro ponto. Ela empurrou Rachel e Rachel a empurrou numa briga sem força. Ela não tinha mais certeza por quanto tempo aguentaria e estremeceu quando ouviu um trovão.
Tinha medo de chuva.
Rachel a olhou de esguelha já esperando essa reação, pois ela sabia desse medo que tantas vezes fez Quinn agarrar-se ao seu corpo no meio da madrugada chuvosa.
– É melhor nós cortarmos caminho, a saída é logo ali. — concluiu segurando a mão da loira que tremia e a conduzindo delicadamente para fora da trilha.
Houve um outro estrondo e Quinn agarrou o pescoço de Rachel num meio abraço. A pequena podia sentir o coração da loira pular dentro do peito, sua unica alternativa foi envolver os braços no corpo de Quinn e guiá-la, mas foi impedida quando a chuva começou a cair com pingos grossos e em seguida aumentar. Sendo assim, a pequena levou Quinn para baixo de uma árvore, mesmo sabendo que era perigoso ali, mas não podia arriscar deixá-la naquela chuva.
– Quinn? — chamou passando a mão no ombro molhado da outra que a soltou ainda tremendo. — Vamos ficar aqui até passar, tudo bem?
Quinn concordou com a cabeça e as duas sentaram-se próximas, encostadas no tronco. A chuva piorou e mais nuvens cobriram o céu. Inesperadamente, outro trovão ecoou acompanhado do relâmpago e Quinn levou as mãos ao ouvido e fechou os olhos com violência. Rachel se desesperou, só queria fazer aquilo passar e voltar a ouvir a loira resmungar, não podia mais aguentar ver aquilo.
– Vem, eu sei que é assustador, mas vai passar. Eu prometo. — garantiu puxando o corpo da loira mais próximo do seu e a abraçando. Quinn deixou sua cabeça no ombro da pequena que a protegia com os braços, as duas estavam quase deitadas no tronco. — My outsides look cool, my insides are blue...Everytime I think I'm through, it's because of you. I've tried different ways, but it's all the same.– sentiu Quinn relaxar um pouco e seu coração deu um salto. — At the end of the day, i have myself to blame, i'm just trippin.
Em meio a chuva, sabia que seus olhos não suportaram reviver todas as noites em que cantou para Quinn se acalmar, então chorou silenciosamente com os lábios enterrados no mar de cabelos loiros.
Era sua unica opção naquele momento.
***
Depois do que pareceu uma vida, Rachel e Quinn finalmente foram levadas para casa. Não a mansão ou a casa da loira, mas o apartamento que costumavam usar que fica ao lado do Central Park, foi a primeira coisa que Rachel pensou para despistar jornalistas e seus amigos. Quinn ainda estava em estado de choque e precisava de paz, mesmo com a chuva caindo pesada lá fora. Agradeceu ao motorista por te-las buscado e o dispensou. Quando entraram, a pequena correu acender a lareira e preparar as roupas. Quinn apenas caminhou sem rumo por entre o apartamento sem reconhece-lo e sentou-se no sofá para aquecer as mãos na lareira, Rachel apareceu alguns minutos depois com cobertores e roupas, recebendo um olhar doce da loira.
– Isso deve ajudar. — disse pedindo permissão para tirar a blusa da loira, que estendeu os braços e observou Rachel trabalhar sem deixar os olhos em seu corpo. Podia sentir os dedos quentes da pequena e não sabia dizer se era a lareira, ou a sensação de corpo ao receber aquele toque. — Deite-se, você vai se sentir melhor.
Rachel mantinha a voz e o desejo controlados, mas ter Quinn assim, tão sensível e com aquele olhar sob ela, estava sendo difícil procurar sanidade no prazer.
– Obrigada. — murmurou Quinn mantendo os olhos nos de Rachel que agora limpava seu rosto com um pano quente.
– Pelo que?
– O que está fazendo por mim. De alguma forma sou importante pra você, sinto como se ninguém nunca tivesse se importado tanto comigo como você.
Um arrepio percorreu a espinha de Rachel. A mão da loira tocou seu rosto e ela quis chorar. Todos os sentimentos se misturaram de uma vez só, tudo aquilo a estava sufocando. Quinn tanto tinha tanto o poder de deixa-la bem e em paz, como o de destruí-la.
– É melhor você dormir. – murmurou segurando a mão de Quinn em seu rosto. — Quando acordar podemos comer. — mentiu.
A loira inclinou o corpo e deitou-se. Rachel a cobriu e sentou-se no chão apoiando o corpo no sofá, para acariciar o cabelo de Quinn.
– Costumava cantar para mim, não é? — sussurrou fechando os olhos com o toque da pequena.
"Acontece, às vezes você tem que fazer a coisa errada."
– Sim. — ouviu a voz fraca responder. Em seguida ouviu apenas o estalo da lenha e a chuva lá fora, aos poucos adormeceu com as mãos de Rachel em si.
Give me love like her
(Me dê amor como ela)
Cause lately I've been waking up alone
(Porque ultimamente tenho acordado sozinho)
Paint splattered teardrops on my shirt
(Pinte lagrimas espalhadas na minha camiseta)
Told you I'd let them go
(Disse a você que os deixaria ir)
And that I'll fight my corner
(E que vou lutar pelo meu canto)
Contra todos os instintos, Rachel levantou-se e recolheu a roupa molhada. Ela precisava sair dali o mais rápido possível, ou então seus atos não responderiam por si. Estava farta de estar tão perto de Quinn e não poder tocá-la como antes, era disso o que precisava para viver. Então se a memoria de sua ex esposa não iria voltar, Rachel a reconquistaria.
Give a little time to me or burn this out
(Me dê um pouco de tempo ou queime isso)
We'll play hide and seek to turn this around
(Vamos brincar de esconde-esconde para virar isto)
All I want is the taste that your lips allow
(Tudo que quero é o sabor que seus lábios permitem)
5x My, my, my, my, oh give me love
(Minha, minha, minha, minha, oh me de amor)
– Por que você está encharcada?
"Às vezes você tem que fazer um grande erro para descobrir como fazer as coisas direito."
Rachel destruiu todo o seu muro protetor e se jogou nos braços de seu pai Hiram Berry, precisava colocar para fora tudo o que vinha prendendo, precisava de seus pais naquele momento.
– Minha estrelinha...
Give me love like never before
(Me dê amor como nunca antes)
Cause lately I've been craving more
(Porque ultimamente tenho desejado mais)
And it's been a while but I still feel the same
(E faz algum tempo mas ainda sinto o mesmo)
Maybe I should let you go
(Talvez eu deveria deixar você ir)
Quinn abriu os olhos sentindo seu corpo dolorido. Remexeu-se preguiçosamente e se deu conta de que estava em um sofá, mas não o sofá de sua casa. Levantou rapidamente assustada e se deparou com um apartamento chique, e do seu lado uma lareira que ainda crepitava. Sua mente divagou até lembrar-se de que tinha sido levada ali por Rachel.
A pequena só não estava ali agora.
"Os erros são dolorosos"
Coçou a cabeça num ato de mania e reparou em algo em cima da mesa de centro. Uma rosa vermelha com um cartão, curiosa, Quinn pegou a rosa e abriu o cartão:
"1° ano. Você me impede de entrar naquela igreja e selar para sempre o compromisso de ser de outro. Nós todos fugimos para minha casa e festejamos juntos o novo relacionamento do grupo. Nós estamos felizes, é o começo de uma vida juntas."
Give a little time to me or burn this out
(Me dê um pouco de tempo ou queime isso)
We'll play hide and seek to turn this around
(Vamos brincar de esconde-esconde para virar isto)
All I want is the taste that your lips allow
(Tudo que quero é o sabor que seus lábios permitem)
5x My, my, my, my, oh give me love
(Minha, minha, minha, minha, oh me de amor)
Quinn sorriu e cheirou a rosa, Rachel estava lutando por ela.
"Mas eles são a única maneira de descobrir quem você realmente é."
(Minha, minha, minha, minha, oh me de amor)
My, my, my, my, oh give me love
(Minha, minha, minha, minha, oh me de amor)
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