Para Sempre
16 Um possível fim
Foi só na semana seguinte que eu vi Steve. Estávamos no shopping, tomando um sorvete. Eu tinha vindo para cá para comprar um presente para minha mãe, no dia seguinte ela faz aniversário. Steve parou de frente para uma loja de bebês e ficou lá, olhando.
— Não há nada para você comprar aí – eu disse. – Ainda falta um tempo para a criança nascer e você não sabe o sexo.
— Eu sei, eu sei – ele disse.
— Ah, achei vocês – eu ouvi uma voz vindo por trás de mim. Mary.
— Mary – ele disse.
— Está olhando as roupinhas? Uma gracinha, né? Você quer que seja menina ou menino?
— Eu não sei, acho que tanto faz.
— Oi, Julie – ela olhou para mim.
— Por que você está aqui?
— Falei hoje com Steve e ele me disse que vocês viriam para cá. Como eu moro aqui do lado...bom, decidi vir ver vocês.
— O Steve, você quer dizer.
Ela deu uma risadinha.
— Steve, você já comeu?
— Ainda não.
— Ótimo, então vamos comer. Estou faminta.
Ela puxou Steve pela mão e ele me puxou também. Eu fechei a cara na hora. Eu estava começando a pegar ódio por essa garota.
Quando estávamos na praça de alimentação, ela fez Steve pagar tudo o que ela queria comer. Fiquei apenas olhando e mergulhei em pensamentos. Será que esse filho é mesmo de Steve? Bloqueei esse tipo de coisa da minha cabeça, eu estava ficando muito amargurada.
Nos sentamos numa mesa enquanto os dois comiam.
— Não vai comer nada, Julie? – Ela me perguntou.
— Não.
— Está fazendo regime?
— Não.
— Por que não faz?
Ela acabou de me chamar de gorda?
Steve olhou para mim, com os olhos alarmados.
— Hã, Mary...
— Você disse que eu preciso de um regime?
— Claro que não, querida.
Respirei fundo. Manter acalma era necessário.
— Você está no ensino médio, não é?
— Uhum.
— Você ainda não é maior de idade. Isso é estranho.
— Por que?
— Steve, não sabia que você gostava de meninas bem mais novas que você.
Ele engoliu a comida dele.
— Não é a idade que me importa. Julie é incrível.
Sorri para ela.
— E muito inteligente também.
— É mesmo?
— Sim, linda – eu disse. – Nunca deixaria Steve transar comigo sem camisinha.
— Isso não é uma questão de inteligência. Você nem deve saber como dar prazer para um homem. É apenas uma criança.
— Isso deve explicar o motivo pelo qual Steve está comigo e não com você.
Ela me olhou feio.
— Julie. Mary.
— Você não sabe da nossa história.
— Não me interessa. Bom, enquanto vocês comem, eu vou comprar o presente da minha mãe. Tenho hora para chegar – e me levantei. Steve se levantou também e me puxou para um canto.
— Por que você está agindo assim?
— Você é idiota ou o que? Ela está me provocando.
— Ela é assim, não faz por mal.
Olhei para a cara dele e ele sustentou o meu olhar.
— Vai se ferrar – e virei.
Eu comprei o presente da minha mãe, apenas imaginando a minha mão na cara dela. Fui de táxi para casa e não liguei mais para Steve. Mas me bateu um certo arrependimento. Não. Joguei o celular na cama e tentei dormir para não ficar alimentando meu ódio.
De manhã, minha mãe estava em casa, lendo um jornal.
— Bom dia aniversariante.
Ela me olhou e sorriu. Dei um abraço apertado nela e entrei seu presente. Ela olhou o vestido que eu comprei e soltou um “uau”.
— Gostou?
— Eu amei. Mas não precisava ter se preocupado.
— Amo você, mãe.
Fui para o quarto e não tinha nenhuma mensagem de Steve no meu celular. Eu só conseguia imaginar ele com aquela vagabunda. Liguei para ele. Ele não atendia. Liguei mais algumas vezes mas...nada. Pois bem, se ele vai ficar assim, então eu também vou.
Passei a semana toda estudando para provas e isso me ocupou, não acabei ficando irritada toda vez que olhava para o meu celular e não tinha nada de Steve. Eu mandei mensagens mas elas não foram respondidas. Falei com meu pai durante essa semana, e ele estava empolgado com algum evento lá em Paris.
Foi no sábado que eu tive noticias de Steve, mas foi porque acabei esbarrando com a mãe dele na rua. Tudo bem, eu realmente tinha passado em frente a casa dele e ela estava chegando.
— AH, oi, Julie! – Ela me deu um abraço.
— Está tudo bem com a senhora?
— Está sim, minha querida. Veio atrás de Steve, não é? Mary está aí dentro com ele – ela revirou os olhos. Ponto para mim, ela também não gostava dela.
— Ah, eu não vou entrar. Só estava de passagem.
— Eu não gosto dessa menina, e ainda veio passar o tempo com a gente...digo, ela está morando aí. Os pais são religiosos, ela contou sobre a gravidez e acabaram expulsando ela de casa. Acredita? Não tinha onde cair, a menina. Claro que eu não iria deixar ela ficar perambulando por aí com o meu neto.
— O que? Ela...ela está morando com vocês?
— Steve não te contou?
Pisquei, incrédula.
— Não.
Ela fez uma careta.
— Acho que é melhor vocês conversarem então. Entre, querida. Vou chama-lo.
E entrei, me sentindo muito desconfortável. Como assim aquela garota estava MORANDO com ele? Só se passou uma semana! Meu Deus, ele deve ter feito isso porque estava com raiva de mim. Fiquei em pânico quando a ideia de que estava tudo acabado entre nós veio em minha mente. Ele não me quer mais, pensei.
Eu vi ela descendo as escadas. Droga, ela estava no andar de cima. No quarto dele, quem sabe. Mary me olhou e abriu um sorriso sínico. Se ela não estivesse carregando uma criança eu com certeza já teria voado nela e arrancado todos os fios de sua cabeça loura.
— Julie – ela disse. – Como vai?
— Ótima.
Eu estava tremendo e não conseguia disfarçar. Merda, eu tinha que ir embora. Me levantei do sofá, abri a porta e saí pelo jardim. Diga-se de passagem que aquilo foi a gota d’agua e que o meu namoro com Steve foi para o inferno. Era muito claro o que estava acontecendo.
— Julie! – Era a voz de Steve, vindo por trás de mim. Eu não parei e nem olhei para trás, já estava começando a chorar. – Julie!
Ele me alcançou, me pegou pelos ombros em e virou, me forçando a virar para ele.
— Por que você não me disse que ela estava morando com você?! – Eu gritei e ele recuou. – Morando. Céus, Steve! Se você queria terminar tudo, era só ter me ligado ou mandado uma mensagem, eu teria entendido.
— Não, Julie... – ele tentou se aproximar.
— Não. – Eu disse ele parou.
— Me deixa explicar...
— Se eu não tivesse vindo aqui eu não estaria sabendo disso. Por que não atendeu os meus telefonemas? Eu te mandei tantas mensagens...puta merda, Steve! Eu estou com tanta raiva agora que eu poderia te bater.
— Ela contou para os pais! Eles a expulsaram de casa, Julie. É o meu filho!
— EU SEI QUE É A PORRA DO SEU FILHO QUE ESTÁ DENTRO DELA, STEVE.
Ele parecia preocupado, seus lábios tremiam.
— Eu não me importo nem um pouco com isso, com a gravidez aleatória de uma garota. De uma ex namorada sua. O que me incomoda é o fato de que ela fica o tempo todo atrás de você. Ela quer voltar. Você quer voltar. Eu estou sobrando, eu já percebi isso.
— Não, meu Deus, Julie. Quem te disse que quero voltar?
— Isso é óbvio! Ela está morando com você. O que? Aposto que já vão começar a se verem pelados de novo e de repente já vai estar com o seu pau enfiado nela, como nos velhos tempos. Eu estou indo embora, o.k? Eu não vou ficar aqui estragando a sua vida e a vida da sua nova família.
— Julie, pelo amor de Deus, para de ser ridícula! –Ele gritou. – Caralho, você acha que eu quero que ela fique na minha casa? Você acha mesmo? Tenta entender.
— Eu vou entender, sim. Aliás, eu vou agora mesmo dar para o primeiro que aparecer na minha frente, transar sem camisinha, engravidar e vou voltar pra você. Vou morar na casa do cara também.
— Para de agir assim! Para! – Ele me pegou pelo ombro e me balançou, como se eu estivesse louca e delirando. – Você não vai para lugar nenhum! Você vai entrar, vai calar a merda da sua boca e ouvir tudo o que eu tenho para dizer. Eu não vou ficar gritando aqui no meio da rua, com os vizinhos todos escutando isso!
Fiquei olhando para ele, nervosa. A mãe dele apareceu, dizendo que ia dar uma volta para nos dar privacidade. Entrei na casa e Mary estava sentada no sofá, lendo uma revista. Eu olhei feio para ela, que sustentou meu olhar. Vadia. Steve me empurrou para dentro do quarto e trancou.
— Eu sei que é difícil – ele disse, parecendo mais calmo. – Sei mesmo. Eu não sei como aliviar a sua situação, talvez pedindo para você morar comigo mas a sua mãe não deixaria, porque você é menor de idade. Não diga que vai embora, pelo amor de Deus. Isso dói muito.
— Eu não quero ir embora.
— E você não vai. Não deixaria. Julie, só estou esperando a oportunidade certa para que você seja minha oficialmente. Eu respiro você, pra mim é muito difícil ouvir você dizendo essas coisas.
— É difícil ver isso também. Você e Mary.
— A sua foto está na minha carteira, eu ando com você por todos os lados. Não diga que vai embora. Nunca mais diga isso.
Não respondi.
— Eu estava nervosa.
— E agora?
— Estou mais calma, mas ainda estou louca para bater em você e naquela garota. Steve, se eu ver, se ou souber que você me traiu com ela, eu...eu não sei. Eu acho que eu ficaria louca.
— Nunca faria isso com você.
— É o que todos dizem, mas você é homem.
— Não fale isso. Julie, eu te amo. Eu te amo mais do que eu amo aquela criança.
Ouvir isso fez com que eu me sentisse mal. Eu estava competindo com quem? Com um bebê? O ciúme estava me deixando cega e louca. Totalmente louca.
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