Para Sempre

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Notas iniciais
QUATRO MESES DEPOIS

Quatro meses depois.

A barriga de Mary já estava bonitinha, já sabiam que seria uma menininha. O nome ainda estava em pauta, mas tinham em mente algo como “Annelise” ou “Sarah”. Eu não gostava de nenhum dos dois, mas não me meti nisso, já que eu não era a mãe e nem o pai.

Steve e eu tivemos mais algumas – muitas – crises de relacionamento durante esse tempo. Claro que na maioria delas eu era a culpada por conta do ciúme louco que eu sentia, mas chegou uma hora em que Steve começou a vacilar. Ele e Mary estavam mais próximos, eu conseguia ver. Mesmo que ele tenha redobrado a atenção para mim, sempre me ligando – de uma em uma hora. – Sempre me chamando para sair, me tratando como uma princesa. Eu sabia que isso era só medo de eu ir embora. Eu sabia.

Eu já tinha me formado no colégio e foi uma formatura bem triste. Eu veria Jessy e Mathew com menos frequência e isso ainda não tinha entrado na minha mente. Eles eram os meus melhores amigos.

— Mary está pensando em fazer faculdade – Steve disse.

— Mas ela está grávida.

— Depois que o bebê nascer, é claro. – Ele deu de ombros. – Acho uma boa. Vai tentar entrar numa pública.

— Que surpresa. Jurava que ela ia fazer você pagar a faculdade para ela. – Eu disse. O pai dele tinha muito dinheiro.

Ele me olhou e eu sustentei o olhar.

— O que foi?

— Nada – ele disse.

— Desculpa, essas coisas estão se tornando muito comuns para mim. Essas coisas, digo, soltar alguns venenos sobre Mary.

— Sim, você se tornou uma pessoa muito venenosa. Uma cobra! – Ele deu risada e me deu um beijo. – Minha cobrinha.

Certo dia, quando eu cheguei na casa de Steve, ele estava deitado no sofá com Mary, mas eu tentei não me incomodar porque ele me chamou para deitar com eles. Eu sabia que ele não estava ficando com ela, mas não existia mais uma repulsa em falar sobre ela. Ele já estava conformado e acostumado.

Num fim de semana, quando Steve foi em casa, eu garanti que minha mãe saísse um pouco. Precisava de momentos sozinha com ele, já que na casa dele não dava mais para fazer o que gostávamos de fazer.

— Parece que faz uma eternidade que não transamos – ele disse, tirando meu sutiã. – Eu estava louco para ficar sozinho com você.

— Está sozinho agora.

E transamos em cada canto do meu apartamento. Na sala, na cozinha, no quarto e no banheiro. Só não entramos no quarto da minha mãe porque era uma falta de respeito. Quando acabamos, eu estava destruída. Fomos direto para o banheiro e tomamos banho juntos, abraçados, deixando a água bater em nossos corpos.

Três dias depois, meu pai voltou de Paris e estava sentado no sofá de casa, conversando com minha mãe. Eles me chamaram para conversar e eu jurava que ia receber alguma bronca.

— Julie, estou triste por não ter vindo na sua formatura – ele disse.

— Tudo bem, entendi que não deu para você vir.

— Mas eu tenho como recompensar o tempo perdido, e eu quero muito que você aceite essa proposta. Conversei com sua mãe antes de qualquer coisa, mas escute e pense com carinho. Você se formou agora, logo vai entrar numa faculdade. Você podia fazer a faculdade em Paris.

— O que?

— Isso mesmo. Em Paris, filha. É uma oportunidade maravilhosa – minha mãe disse.

— Uau – eu disse.

— Não precisa responder agora. Quer dizer, pense. Eu vou ficar uma semana aqui no Brasil, eu sei que vai ser dificil largar toda a sua vida aqui, o seu namorado, os seus amigos...mas é uma chance. Pense bem. Eu quero muito você ao meu lado nesse tempo, minha filha. Venha para Paris comigo.

— Eu vou pensar – eu disse, sem saber de fato o que dizer.

Passei três dias pensando nisso. Quer dizer, eu não podia largar Steve. Não podia. Mas...era Paris. Eu estava muito indecisa. Eu sabia que ele não poderia ir comigo. Pensei da possibilidade de namoros a distância, mas não sei se aguentaria. Não falei com Steve sobre o assunto, mas foi quando ele desmarcou de sair comigo porque Mary estava passando mal que eu me toquei o quanto eu estava sendo deixada para trás. Ele sempre estava ali mas era como se não estivesse e, por mais que ele me desse atenção em dobro, eu sentia que eu estava sendo um saco para ele. Eu estava me tornando aquelas pessoas chatas, que ficam perturbando a cabeça dos namorados. Eu não queria que acabássemos assim, e eu encarei esse convite como um sinal.

Eu já conseguia imaginar quando a criança estivesse aos braços dele. Ele e Mary seriam como uma família, e eu estaria sobrando.

Passei esse tempo pensando e não atendi as ligações dele. Eu estava em um conflito interno só meu, mesmo que ele não tinha feito nada de mais. Eu fazia isso as vezes. Ficava me torturando com a imagem dela na casa dele, os dois sozinhos, ela grávida de uma menina que seria o novo amor da vida de Steve. O que eu estava fazendo ali, eu me perguntava as vezes, mas tentava tirar esse pensamento da cabeça porque eu não queria ser chata e não queria aborrece-lo. Eu o amava e queria ficar com ele, mas não sabia até que ponto eu aguentaria.

Na verdade, foi assim que eu passei esses quatro meses. Eu estava bem, mas de repente eu não estava mais. Eu ficava dias sem falar com ele, alimentando esse sofrimento. Eu fazia drama para que ele pudesse vir atrás de mim, só para que eu pudesse provar para eu mesma que ele ainda me amava. Eu sabia que sim, mas aquilo não era o suficiente. Ele não era mais o meu Steve, e sim o Steve de mais outras duas mulheres – sem contar a mãe dele. – Agora tinha Mary e a menina sem nome. Ambas essas duas ligadas uma a outra. Por que ele escolheria ficar comigo?

Por mais difícil que fosse, eu já tinha tomado a minha decisão.