Para Sempre
3 Ele não estava me paquerando.
Notas iniciais
Oi, pessoal. Sou nova nisso daqui, e tento fazer capítulos rápidos para não cansar. Se estiverem gostando ou só querendo ler essa história, demonstrem - :D
Estava pensando em colocar imagens - do the sims, claro, porque isso faz parte do simbook - relacionadas aos fatos que acontecem, mas queria opiniões.
Eu não fazia a mínima ideia de onde eu estava. Simplesmente abri a porta do carro e desci, esperando Steve fazer o mesmo.
– Onde estamos, Steve? – Perguntei, impaciente.– É um clube. Tipo uma fazenda, sabe? Meu pai é sócio.Hum, pensei. Talvez ele não quisesse fazer nada de mal comigo – e por que ele faria? E por que um estranho da bicicleta iria me convidar para sair? Isso estava muito estranho.– Fazenda – repeti. – Na cidade.Ele balançou a cabeça, depois me conduziu por uma trilha que dava acesso para um grande terreno, com um lago e uma casa bem legal – grande, e de madeira. Continuamos a andar e eu dei graças a Deus por ter saído de casa com meu tênis. Ao meu lado direito eu via animais – vacas, cavalos, ovelhas e galinhas – e do outro o lago. Fiquei me perguntando se tinha peixes lá. Me aproximando mais da casa já se dava para notar que era um clube bem frequentado, mas nunca tinha ouvido falar.Entramos, e tinha muita luz. Sério. Tinha um lustre muito grande, tipo daquelas casas medievais, só que mais moderno, claro. Era tudo de madeira, como uma casa normal de fazenda, mas tinha uma recepção e crianças correndo no hall.– Boa tarde, ou boa noite, já está escurecendo – a moça da recepção disse. – Pode entrar, mas passe o registro dela, por favor.– Julie – eu disse.– Sobrenome?–Scott.– Idade?– Dezessete.– Menor de idade...– Sandra, ela está comigo, por favor – e ele sorriu, já me puxando para um corredor. Eu o segui até que ele entrou numa sala que parecia um bar/ refeitório. A cantina estava aberta mas eu nem estava com fome. Ele me ofereceu alguma coisa para beber e eu aceitei. Me sentei em uma cadeira e apoiei meus cotovelos na mesa, esperando Steve voltar.Aceitei que eu estava saindo com um desconhecido porque eu estava louca. Louca! Devia ser efeito de término de namoro.– Aqui está seu suco – ele me trouxe a latinha e um canudinho. Eu tinha uma dificuldade absurda em abrir latinhas, ele percebeu isso e abriu para mim. Sorri.– E então...– Ah, eu sei que parece loucura isso de sair com um cara que você nem conhece e de verdade, fico muito preocupado em saber que você aceitou. Poderia ser qualquer um. Um cara malvado, um assassino!Pisquei várias vezes pensando numa resposta.– Realmente – é tudo o que eu consigo dizer.– Mas como eu já te disse, eu não sou um.– Acredito que aos vinte e um anos as pessoas não virem assassinas profissionais ao ponto de escolherem suas vítimas.– Sinto muito que ache isso – ele da um gole no refrigerante dele.Respirei pesadamente, peguei meu celular e mandei uma mensagem para minha mãe dizendo onde eu estava, com quem eu estava e que não era para se preocupar.– Já avisei minha mãe com quem eu estava, se tentar qualquer coisa...Ele deu risada.– Eu estou falando sério, Steve – não sei se a minha cara parecia séria, mas eu juro que eu estava tentando.– Não é todo dia que a gente tromba com uma pessoa bonita – ele começou. – E tão...não sei. Acho que gostei do jeito que você fala.Engasguei com o meu suco.– O que?– Sim, isso revela um pouco de você.– Então você é um cara observador – fiz um bico.– E também, como eu disse, acredito que o destino colocou você na minha frente. Mês passado minha mãe foi numa cartomante e ela disse que o filho dela conheceria uma garota nova. Pode ser você – ele parou para beber. – Ou não. Mas eu não acredito muito nisso, em cartomantes, digo.– Acredita em destino mas não em cartomantes?– Não sei se alguém pode ler o futuro de outra, mas a mulher em que minha mãe se consulta acertou a morte da minha avó e da minha irmã.Fiquei chocada.– Sua irmã morreu? Sinto muito.– Foi num acidente de carro em que minha avó e minha irmã estavam. Ela tinha oito anos, mas já faz um tempinho – ele parecia querer evitar falar sobre esse assunto – E seu namorado?– EX- namorado – corrigi. – Ah, aquilo que você já sabe. Te dei uma primeira impressão horrível, não é? Eu tenho essa habilidade de fazer as pessoas pensarem que eu sou uma coisa que não sou. Tenho mesmo.– Não deu – ele sorriu. – Não teria ido atrás de você se não tivesse...– Gostado do meu jeito de falar – cortei qualquer coisa que ele fosse falar.– Exato. Aliás, nem sei por que eu fui tão extrovertido com você. Nem sei por que ainda estou sendo. Geralmente sou bem fechado.Ah, então agora ele estava achando que era algo especial.– De verdade, Steve... acho que eu só estou aqui porque estou chateada com a traição do Rafael. Rafael é meu ex-namorado – esclareci.– Já disse que não estou dando em cima de você, menina – ele se levantou.– Não era pra você ficar bravo.– Não estou bravo – ele bufou. – Só acho que você não deveria falar na minha cara que só está aqui porque achava que ia rolar alguma coisa entre nós e que eu serviria de consolo para você.E quem era ele para dizer o que eu tinha que fazer? Mas de fato, eu não deveria ter dito aquilo. Fiquei envergonhada por isso.– Desculpa, realmente achei que você queria alguma coisa.– Só conheço você há um dia, dois, não sei. Achei que poderíamos ser amigos.– E todo aquele papo de destino... e cartomante – me levantei também.
– Não sabia que você levava as coisas a sério – e revirou os olhos.Ficamos nos olhando pensando que de fato isso não tinha nada a ver. Abri e fechei minha boca, sem coragem para falar alguma coisa.– Que furo... – sussurrei para mim mesma.– Steve! – Apareceu um cara atrás dele. Loiro, bem forte, com cara de boneco, mas era bonito. – Faz tempo que não te vejo por aqui. – Ele olhou para mim e sorriu. – Está acompanhado.Pelo jeito que Steve olhou para o cara, deu para notar que eles nao se gostavam muito – ou só o Steve que tinha algo contra ele.– Não, eu já estou indo embora – disse. Queria mesmo fazer birra.Para a minha tristeza, Steve não veio atrás de mim. Como eu sou idiota. Sai daquele lugar e andei pela longa trilha que me tiraria dali. Bom, agora era só não conversar mais com ele. Simples.Cheguei na calçada, olhei para todos os lados e não vi nada que poderia me levar para casa. Nem mesmo um táxi.Mas que droga!Sim, eu teria que ir andando. Desci uma longa ladeira, fazendo meu corpo andar mais rápido do que eu realmente gostaria. Senti meu corpo freando do nada quando sem querer pisei no meu cadarço. Dei de cara com o chão. Me levantei com rapidez, olhei para todos os lados para ver se não tinha ninguém me olhando.Suspirei. Steve estava vindo atrás de mim. Ele correu para tentar me ajudar, só que eu sou boa o suficiente para me levantar sozinha.– Você realmente estava achando que ia para a casa a pé? – Ele parou na minha frente, olhando atentamente para o meu rosto. – Você se ralou toda.Eu estava sentindo uma ardência na minha bochecha, mas não sabia que tinha me machucado desse jeito.Funguei.– É melhor que eu vá sozinha.– Você nem sabe andar direito, garota.– Foi só um acidente – e me abaixei para amarrar meu cadarço. Falei muitos palavrões na minha mente. Eu tinha que aprender a parar de passar vergonha.– Precisa limpar o rosto – ele disse. – Vamos voltar. O clube tem enfermaria.– Não precisa. Foi só uma raladinha.– Está sangrando, Julie.– Sangue não é um problema para mim.Ele começou a dar risada. Olhei feio para ele, dei meia volta e continuei a andar em direção à algum lugar que me desse algum ponto de referência para ir para a minha casa.– Julie!– Sério, Steve, eu estou bem! – E fui me afastando. Andei bastante até chegar num posto de gasolina. Perguntei para onde eu deveria ir e o moço me falou um caminho bem maluco. Certo. Olhei para trás com esperança, imaginando que ele estivesse me seguindo, mas não estava.Comecei a lembrar do Rafael, do nosso namoro, da cena em que eu cai e comecei a chorar involuntariamente. Eu era uma palhaça, burra, idiota! Virei a esquina limpando as lágrimas que escorriam pela minha bochecha machucada, e rezei para achar um táxi.***Chegando em casa, eu me odiei por não ter aceitado voltar com ele. Meus pés estavam doendo e já era bem tarde. Subi de elevador, parei em frente a minha porta, peguei as chaves e abri. Minha mãe estava me esperando, sentada no sofá.– Oi, mãe.– Você sabe...tem ideia de que horas são?– Onze e meia – dei de ombros. – Já cheguei mais tarde em casa, mãe.– A questão é que eu não conheço nenhum amigo seu que se chama Steve, e pelo que eu entendi, nem você o conhece direito.– Mãe...– E que merda é essa no seu rosto? Ele te machucou? – Ela se aproximou, segurando meu rosto com as mãos, me fazendo olhar para ela. – Filha, me conta o que aconteceu.– Ah, não precisa ficar preocupada. Ele é um cara que eu conheci ontem...Dito isso, ela surtou.–...ele me levou para um clube, conversamos e eu voltei a pé. Nada demais.– E esse arranhão na sua bochecha?– Eu cai na rua.– Sério?– Sério.– Por que você saiu com um estranho?Contei para a minha mãe que Rafael tinha me traído e que logo depois Steve tinha me atropelado com uma bicicleta rosa, mas que me socorreu e passou o número dele. Minha mãe tinha o cabelo escuro e os olhos castanhos. Eu tinha alguns traços dela, mas eu era praticamente meu pai em forma feminina.Meu pai sumiu quando eu completei dois anos, mas tenho muitas fotos dele – e ainda tento entender o que aconteceu para ele ir embora.Ela fez várias perguntas a respeito da traição, de como eu fiquei sabendo disso, mas eu não quis comentar. Fui para o meu quarto e tranquei a porta. Me olhei no espelho e nossa, eu precisava pintar meu cabelo de novo! Meu cabelo naturalmente é castanho, mas eu pintava ele de ruivo porque achava que essa cor foi feita para mim.Tirei a roupa, entrei no chuveiro e fiquei pensando em várias coisas – e a maioria era em Steve. Ele deve ter achando que eu sou uma menina mimada. Como eu pude achar que ele estava me paquerando? Ah, mas parecia.Lavei meu corpinho, me sequei — com cautela na para do rosto -, coloquei meu pijama e me joguei na cama. Nem olhei para o meu celular. Tentei dormir, eu estava exausta. Sonhei que tinha um dinossauro me perseguindo e que depois eu respirava debaixo d’água. Acordei babando, mas a primeira coisa que fiz quando me levantei, foi verificar as minhas mensagens. Não tinha nada.Passei o domingo todo conversando e ajudando minha mãe a limpar o apartamento. As vezes eu via o celular, jogava ele no sofá por não ter nenhuma mensagem, comia alguma coisa, verificava as mensagens, conversava com meus amigos pelo notebook, e depois resolvi assistir algum filme.Coloquei no DVD o filme “Em algum lugar do passado”, e chorei que nem uma idiota. Como o ator era lindo – aquele que fez o Superman. – Chorei mais ainda em saber que o ator havia morrido de verdade.O dia passou voando, logo eu já estava tomando banho para me deitar. Antes que eu fizesse isso, arrumei meu material para segunda e desbloqueei meu celular, só que não tinha nada além de notificações de Jessy e Mathew – mas nada que eu quisesse responder. Estavam me perguntando freneticamente sobre o que tinha acontecido na sexta. Amanhã eu contaria tudo em detalhes.Me deitei, notei que estava ficando gripada e não pensei em mais nada, fora o que estariam comentando na escola. Eu teria que ser forte para não ligar.Uma vez aconteceu isso com uma menina do colégio, fizeram muitos comentários silenciosos – mas que machucavam. E olha que o namorado dela nem era da escola.Me virei e fechei os olhos, esperando o sono vir.
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